{"id":355880,"date":"2025-01-06T12:21:58","date_gmt":"2025-01-06T12:21:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=355880"},"modified":"2025-03-07T11:46:47","modified_gmt":"2025-03-07T11:46:47","slug":"ser-fator-de-soma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ser-fator-de-soma\/","title":{"rendered":"Ser fator de soma"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-228266 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Escolho as palavras de C\u00edcero para iniciar esta humilde reflex\u00e3o: \u201cCertifica-te que \u00e9s um fator de soma na vida das pessoas de quem participas\u201d (C\u00edcero). A mundivid\u00eancia de C\u00edcero muito nos ajuda a perceber e analisar os tempos actuais. Para ele, o Homem existe e distingue-se sempre e desde que esteja ao servi\u00e7o do seu pr\u00f3ximo, sempre que \u00e9 capaz de aportar valor e significado \u00e0 vida do outro, sempre que \u00e9 capaz de ser \u201cfator de soma\u201d na vida das pessoas de quem ele se cruza. Se olharmos com a devida aten\u00e7\u00e3o, reconhecemos que os tempos actuais est\u00e3o muito marcados pela afirma\u00e7\u00e3o dos extremos, pela polariza\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias e por uma comunica\u00e7\u00e3o cada vez mais bin\u00e1ria (ou-ou), ao inv\u00e9s de uma comunica\u00e7\u00e3o que deve ser mais inclusiva e humanista (e-e).<\/p>\n<p>Somos hoje convidados \u2013 de forma enganosa, diga-se \u2013 a construir a nossa identidade por meio da fomenta\u00e7\u00e3o da autonomia, da positividade ou do \u2018seja voc\u00ea mesmo\u2019. At\u00e9 aqui tudo bem. Por\u00e9m, esta constru\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de se alicer\u00e7ar nos valores humanistas e altru\u00edstas, edifica a identidade atrav\u00e9s do consumo ou da capacidade que cada um \u00e9 capaz de aportar \u00e0 sua vida. Veja este exemplo: quantas vezes n\u00e3o vemos identidades constru\u00eddas e sustentadas a partir das \u2018marcas\u2019 usadas \u2013 como roupa, acess\u00f3rios ou autom\u00f3veis \u2013 ou de um estilo de vida marcado pelo consumo ou hiperconsumo? Gilles Lipovetsky \u00e9 muito sagaz ao apontar que os tempos modernos s\u00e3o marcadamente consumistas e geradores de hiperindividualismos.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, na sua mais recente Carta Enc\u00edclica \u201cDilexit Nos\u201d, \u00e9 perent\u00f3rio ao afirma que o tempo hodierno \u00e9 deve resgatar a beleza ontol\u00f3gica do \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d e, deste modo, desafiar-se a lutar \u201ccontra a tenta\u00e7\u00e3o da superficialidade, de viver apressadamente sem saber bem para qu\u00ea, de nos tornarmos consumistas insaci\u00e1veis e escravos na engrenagem de um mercado que n\u00e3o se interessa pelo sentido da nossa exist\u00eancia\u201d (<em>Dilexit Nos<\/em>, 2).<\/p>\n<p>Num mundo assim, jamais haver\u00e1 espa\u00e7o ou lugar para o outro, para a rela\u00e7\u00e3o, para a conec\u00e7\u00e3o com a vida e com o mundo, para abertura \u00e0 novidade e ao encanto dos encontros, para o crescimento e para o desenvolvimento na partilha e na multiplica\u00e7\u00e3o dos dons e minist\u00e9rios, para a constru\u00e7\u00e3o de uma vida pautada pelo altru\u00edsmo e pela solidariedade, para a edifica\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia sob o p\u00eandulo do amor genu\u00edno, doador e gerador de vida, de sentido e de significado, para que Deus ocupe o seu lugar no lugar que \u00e9 somente d\u2019Ele e que o cora\u00e7\u00e3o e a alma possam sentir-se eternamente abra\u00e7ados pela ternura e pelo amor divino.<\/p>\n<p>Esta forma de ser e de estar, centrada, essencial e preferencialmente, no ego, impede que haja a vontade de comungar projectos colectivos, a vontade de tirar do seu tempo e da sua vida e, generosamente, oferecer-se em ordem a um bem maior e ao bem-comum. Belamente, o Santo Padre, o Papa Francisco, nos relembra esta triste realidade de que \u201choje tudo se compra e se paga, e parece que o pr\u00f3prio sentido da dignidade depende das coisas que se podem obter com o poder do dinheiro. Somos instigados a acumular, a consumir e a distrairmo-nos, aprisionados por um sistema degradante que n\u00e3o nos permite olhar para al\u00e9m das nossas necessidades imediatas e mesquinhas. O amor de Cristo est\u00e1 fora desta engrenagem perversa e s\u00f3 Ele pode libertar-nos desta febre onde j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 lugar para o amor gratuito. Ele \u00e9 capaz de dar cora\u00e7\u00e3o a esta terra e reinventar o amor l\u00e1 onde pensamos que a capacidade de amar esteja morta para sempre\u201d (<em>Dilexit Nos<\/em>, 218).<\/p>\n<p>Este prop\u00f3sito transportar-nos ao compromisso de assumirmos a nossa pr\u00f3pria fraqueza, car\u00eancia e a depend\u00eancia como parte de n\u00f3s e que, repito, n\u00e3o existem para nos condicionar ou maniatar. Antes, existem para nos apercebermos que somos capazes de ultrapassar e ampliar a nossa vida em ordem a uma exist\u00eancia mais livre, desprendida e comprometida com as verdadeiras e reais necessidade da vida e da exist\u00eancia, sempre na l\u00f3gica da edifica\u00e7\u00e3o do bem-comum e na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade humanista e humanizadora de rosto humano. Por isso, fica esta quest\u00e3o de fundo: sou eu fator de soma junto daqueles que me rodeiam?<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-355880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/355880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=355880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/355880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=355880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=355880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=355880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}