{"id":354838,"date":"2024-12-29T09:30:15","date_gmt":"2024-12-29T09:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=354838"},"modified":"2024-12-27T17:32:40","modified_gmt":"2024-12-27T17:32:40","slug":"jubileu-a-traducao-dos-sinais-visa-esta-ponte-que-queremos-criar-e-construir-com-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jubileu-a-traducao-dos-sinais-visa-esta-ponte-que-queremos-criar-e-construir-com-a-sociedade\/","title":{"rendered":"Jubileu: \u00abA tradu\u00e7\u00e3o dos sinais visa esta ponte que queremos criar e construir com a sociedade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Ana Isabel Martins integra a equipa de apoio \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o Diocesana da Pastoral no Porto. O organismo lan\u00e7ou um guia para a celebra\u00e7\u00e3o do Jubileu 2025, tema desta entrevista semanal conjunta da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_354745\" aria-describedby=\"caption-attachment-354745\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9159.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-354745 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9159.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9159.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9159-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9159-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9159-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9159-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9159-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-354745\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Lara Castro<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (ECCLESIA) <\/em><\/p>\n<p><em>A Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 a viver o terceiro jubileu nos \u00faltimos 25 anos. No seu caso, acredito que a experi\u00eancia do ano santo da Miseric\u00f3rdia, um jubileu extraordin\u00e1rio que se iniciou em 2015, tenha sido de alguma forma marcante\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, o jubileu da Miseric\u00f3rdia foi em 2016, o ano em que eu me licenciei. Eu licenciei-me em Direito, e na altura, quando se falava do jubileu, a quest\u00e3o da miseric\u00f3rdia, naquelas fitas que escrevem aos finalistas a desejar votos de sucesso na vida profissional, tive duas ou tr\u00eas pessoas que, ainda hoje me lembro do que me escreveram. De uma maneira resumida, falavam-me de que a justi\u00e7a sem miseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 verdadeira justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, enquanto jurista, colocavam-me numa posi\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m enquanto crist\u00e3, em que eu tinha de aliar, tanto quanto poss\u00edvel, estas duas dimens\u00f5es, n\u00e3o ter os estritos crit\u00e9rios legais, mas abrir um bocadinho o meu leque e a minha maneira at\u00e9 de pensar e de ser \u00e0 Miseric\u00f3rdia, olhando aos exemplos que me davam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou seja, a forma\u00e7\u00e3o em Direito ajudou \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do jubileu?<\/em><\/p>\n<p>Ajudou e deu-me um cunho diferente, porque n\u00e3o era s\u00f3 o ser jurista, estava a formar-me e a terminar uma etapa do ciclo de estudos, mas ter um olhar crist\u00e3o sobre aquela profiss\u00e3o ou as profiss\u00f5es que eu poderia desempenhar a partir daquela forma\u00e7\u00e3o. E isso marcou-me bastante, porque me deu ali um cunho crist\u00e3o, logo \u00e0 partida, terminando a forma\u00e7\u00e3o, olhar para o meu futuro, mas ter sempre a Miseric\u00f3rdia de Deus como guia e t\u00ea-lo na minha base de valores tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Relativamente a este jubileu que estamos agora a viver, o que espera pessoalmente? Considera importante que as pessoas vejam para l\u00e1 das formalidades romanas, vou dizer assim, valorizando o que \u00e9 o envolvimento pessoal, paroquial e at\u00e9 diocesano?<\/em><\/p>\n<p>Sim, e eu acho que isto tamb\u00e9m leva aqui a uma outra pergunta, que \u00e9 a quest\u00e3o se faz sentido termos jubileus hoje em dia. O jubileu, eu pego muito na palavra jubileu, que me leva ao jubilar, ao alegrar-se, e acho que \u00e9 um tema que nos faz falta nos dias de hoje. N\u00f3s vivemos numa sociedade um pouco mon\u00f3tona, adormecida, an\u00e9mica nalgumas facetas&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E zangada, por vezes, tamb\u00e9m\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, tamb\u00e9m, tamb\u00e9m. E este alegrar-se que tem a sua esperan\u00e7a em Deus, acho que nos far\u00e1 falta para n\u00e3o ser uma alegria passageira, uma alegria que nos vem das coisas materiais, mas que se funda num alicerce s\u00f3lido, que \u00e9 a Palavra de Deus, que vem desde h\u00e1 muito tempo a esta parte, mas que mant\u00e9m a sua atualidade, e que deve ser o nosso mote, a nossa alegria para o futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Lembrou-me da origem dos jubileus, ainda na Idade M\u00e9dia, e como eles resultaram de um certo desespero da popula\u00e7\u00e3o, que ia em busca de uma resposta a partir da ajuda divina. Obviamente que com todas as dimens\u00f5es e com toda a diferen\u00e7a que hoje vivemos, mas este d\u00e9fice de esperan\u00e7a ainda se faz sentir hoje?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que se faz sentir ainda mais do que na altura, no s\u00e9culo XIV, quando a popula\u00e7\u00e3o teve este grito, porque na altura a popula\u00e7\u00e3o quando sentiu a necessidade de um jubileu, de uma indulg\u00eancia plen\u00e1ria, no b\u00e1sico um novo recome\u00e7o das suas vidas, eu acredito que eles tinham a dimens\u00e3o espiritual muito na sua mente, em que passava esta convers\u00e3o por uma nova vida espiritual. Hoje em dia, eu acho que a vida espiritual, o crescimento, o aprofundamento, n\u00e3o ser\u00e1 a primeira preocupa\u00e7\u00e3o das pessoas, mas que com esta alegria fundada em Cristo, inevitavelmente chegaremos a uma nova abertura espiritual e a um crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E como \u00e9 que surgiu esta ideia de um <a href=\"https:\/\/www.diocese-porto.pt\/media\/3691\/glossario_jubileu25_v3.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gloss\u00e1rio<\/a>? H\u00e1 uma linguagem eclesi\u00e1stica que \u00e9 cada vez menos percet\u00edvel para a sociedade em geral e at\u00e9 para as pr\u00f3prias comunidades cat\u00f3licas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, isso \u00e9 verdade. \u00c0s vezes a Igreja ainda fala de uma maneira que n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel a todos e a equipa de apoio \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o, quando est\u00e1vamos a trabalhar o tema do jubileu, acabou por perceber que era necess\u00e1rio clarificar algumas dimens\u00f5es do jubileu, nomeadamente a quest\u00e3o da indulg\u00eancia, o perd\u00e3o dos pecados, at\u00e9 para desconstruir algumas ideias que o povo de Deus, mais ou menos bem informado, acabava por ter e que v\u00e3o perdurando no tempo. E o gloss\u00e1rio tenta, de uma maneira clara e simples, fazer esta destrin\u00e7a, clarificar alguns pontos, para que n\u00e3o seja apenas, ou n\u00e3o seja sequer, uma atitude mercantil que se tenha nesta quest\u00e3o das indulg\u00eancias e do perd\u00e3o dos pecados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos que historicamente \u00e9 uma quest\u00e3o muito delicada e pesada, que deu origem at\u00e9 a divis\u00f5es do Cristianismo, mas eu queria ir a uma parte talvez um bocadinho mais leve, porque no gui\u00e3o, para se falar de indulg\u00eancias, podemos ler a express\u00e3o \u201ca culpa n\u00e3o morre solteira\u201d. Esta aposta numa comunica\u00e7\u00e3o criativa \u00e9 essencial, \u00e9 uma coisa que experimenta no seu trabalho na par\u00f3quia, at\u00e9 a n\u00edvel diocesano?<\/em><\/p>\n<p>Sim, al\u00e9m de desmistificar, queremos, se calhar, traduzir, por termos um bocadinho mais acess\u00edveis \u00e0s pessoas, o que \u00e9 isto da indulg\u00eancia, o que \u00e9 o pecado, o que \u00e9 o perd\u00e3o. E para isso, socorremo-nos de algumas express\u00f5es um pouco mais populares, mas sem lhe tirar a carga que est\u00e1 associada mais no sentido da verdade dos termos. Temos \u00e9 de lhe dar, \u00e0s vezes, uma roupagem um bocadinho diferente, mais atrativa, para as pessoas perceberem que aquele tema n\u00e3o \u00e9 de h\u00e1 s\u00e9culos, \u00e9 um tema que ainda hoje se coloca e que \u00e9, com certeza, essencial para as suas vidas.<\/p>\n<p>Fizemos isso na equipa de apoio, na vida paroquial e at\u00e9 interparoquial, dadas as vicissitudes que temos, tentamos ter esta linguagem para aceder n\u00e3o s\u00f3 ao p\u00fablico mais jovem, mas at\u00e9 a pessoas de meia-idade, at\u00e9 um bocadinho mais velhos, uma linguagem que lhes \u00e9 querida, que lhes \u00e9 pr\u00f3xima e assim sentem-se mais entrosados com a vida da igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Acredita que os v\u00e1rios sinais do jubileu, como a porta santa, as peregrina\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mesmo a intelig\u00eancia, de que j\u00e1 falamos agora, podem comunicar com o mundo de hoje?<\/em><\/p>\n<p>Podem comunicar e j\u00e1 h\u00e1 alguns elementos que o fazem. Por exemplo, na quest\u00e3o da peregrina\u00e7\u00e3o, hoje em dia, acho que \u00e9 por demais evidente que muita gente gosta de fazer peregrina\u00e7\u00f5es mais ao estilo caminhadas, com alguma componente desportiva, de sa\u00fade associadas, mas o Papa at\u00e9 nos faz um alerta sobre isso, que a peregrina\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser uma peregrina\u00e7\u00e3o como turista, simplesmente aquele que vai visitar uma certa igreja, vai a Roma, mas uma peregrina\u00e7\u00e3o interior. Eu acho que n\u00f3s podemos aproveitar esta onda ou esta moda da peregrina\u00e7\u00e3o para lhe introduzir esta dimens\u00e3o da espiritualidade, que a partir do sil\u00eancio, do caminhar, da introspe\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de nos fazer bem fisicamente, tamb\u00e9m nos far\u00e1 bem \u00e0 nossa alma e ao nosso crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse sentido, tamb\u00e9m \u00e9 importante aquilo que foi feito aqui, de traduzir estes sinais\u2026<\/p>\n<p>Sim, a tradu\u00e7\u00e3o dos sinais visa esta ponte que queremos criar e construir com a sociedade, tirar esta componente demasiado eclesi\u00e1stica e se calhar vedada a alguns, para que todo o povo de Deus, nas suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es, idades, at\u00e9 n\u00edveis de vincula\u00e7\u00e3o, possa viver o jubileu e aprender a viver o jubileu, se calhar num sentido um pouco mais real e efetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E para isso \u00e9 preciso pensar em gestos que cheguem ao campo social, da economia e da ecologia, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>Sim. A proposta que a equipa fez para a Diocese viver um bocadinho o jubileu, tenta abranger essas dimens\u00f5es. N\u00f3s fazemos um conjunto, at\u00e9 bastante alargado, de propostas que tocam esses quadrantes que falou, desde a economia social, desde o apoio aos mais fr\u00e1geis, e temos tamb\u00e9m uma proposta que n\u00f3s, a n\u00edvel paroquial, estamos a assumir como ponto de honra para este jubileu, que \u00e9 fazer com que o jubileu n\u00e3o passe apenas como mais um evento, e ent\u00e3o temos de criar ou arranjar uma forma de o assinalar verdadeiramente para mem\u00f3ria futura. Por exemplo, posso-lhe dar o caso da par\u00f3quia da Senhora da Hora, de onde eu sou origin\u00e1ria, e tamb\u00e9m sei que a par\u00f3quia de Guif\u00f5es o far\u00e1, queremos marcar o jubileu na par\u00f3quia de uma maneira clara, e um dos prop\u00f3sitos que o Papa Francisco enumera na bula de proclama\u00e7\u00e3o do jubileu \u00e9 o cuidado da vida, da vida emergente, nomeadamente os mais pequeninos. Na nossa par\u00f3quia temos uma institui\u00e7\u00e3o que apoia a vida desde a tenra idade, de beb\u00e9s que, por diversos motivos, n\u00e3o est\u00e3o com a fam\u00edlia biol\u00f3gica, e entendemos que um apoio mais institucional, mais formal, assumir um v\u00ednculo e um compromisso entre a par\u00f3quia e essa associa\u00e7\u00e3o, seja ele a n\u00edvel monet\u00e1rio e com uma periodicidade definida entre as partes, e apoio em tudo o que eles precisam, de bens materiais, apoio aos beb\u00e9s, poderia ser uma forma da Igreja estar em contacto com a sociedade, de p\u00f4r em pr\u00e1tica esta quest\u00e3o jubilar, deste cuidado tamb\u00e9m com os mais fr\u00e1geis, e criar bases para o futuro, que eu acho que o jubileu tamb\u00e9m tem que fazer isso, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o viver, o alegrar-se neste per\u00edodo, e quando o jubileu for oficialmente terminar, voltarmos \u00e0 vida anterior que t\u00ednhamos\u2026 acho que n\u00e3o, ser\u00e1 lan\u00e7ar bases para o futuro, esta esperan\u00e7a que queremos passar, e neste caso concreto, na vida dos mais pequeninos, mas que poder\u00e1 largar-se a outros \u00e2mbitos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Eu queria fazer-lhe uma pergunta exatamente sobre as propostas que o Papa lan\u00e7a na bula de convoca\u00e7\u00e3o deste ano jubilar que estamos a viver, at\u00e9 aproveitando a sua forma\u00e7\u00e3o em direito, que tem a ver com a amnistia aos reclusos. Quando se fala em amnistia, a opini\u00e3o p\u00fablica muitas vezes reage mal a essa ideia, a esses pedidos de perd\u00e3o que o Papa faz: como podemos entender esse gesto e esse pedido espec\u00edfico para que o ano do jubileu tamb\u00e9m seja marcado por gestos de clem\u00eancia. em rela\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 na cadeia?<\/em><\/p>\n<p>Eu pego mesmo nessa \u00faltima palavra, que usou, clem\u00eancia, que eu vou traduzir na miseric\u00f3rdia que tanto me falaram quando eu me licenciei. A justi\u00e7a em si, o direito, visa tamb\u00e9m a reinser\u00e7\u00e3o daquele que cometeu um crime, vamos dizer assim. N\u00e3o \u00e9 uma justi\u00e7a olho por olho, nem dente por dente, mas que visa a reintegra\u00e7\u00e3o da pessoa que falhou. Este apelo do Papa tem j\u00e1 ecos, como estou a dizer, no ordenamento jur\u00eddico, mas nunca \u00e9 bem visto, porque \u00e9 sempre uma ideia de um perd\u00e3o, simplesmente um apagar, e aquela pessoa, e isto falo mais na minha agora perspetiva crist\u00e3, aquela pessoa que \u00e9 amnistiada, que \u00e9 perdoada, n\u00e3o \u00e9 um simples apagar da sua falta ou da sua falha, ela sabe que falhou, mas est\u00e3o-lhe a esticar a m\u00e3o para ela se poder reerguer e voltar a ter uma vida. Eu acho que o Papa, com estas insist\u00eancias, quer tamb\u00e9m tentar moldar um bocadinho a maneira das pessoas se verem e interagirem entre si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_354746\" aria-describedby=\"caption-attachment-354746\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9157.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-354746\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9157-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9157-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9157-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9157-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9157-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9157-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/0W1A9157.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-354746\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Lara Castro<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Olhando para a origem b\u00edblica do jubileu, fica a ideia de um ano sab\u00e1tico, do ponto de vista econ\u00f3mico, jur\u00eddico e ecol\u00f3gico, que talvez seja uma quest\u00e3o emergente: a ideia de um ano em que a natureza tamb\u00e9m descansa pode ser um desafio para sociedades como a nossa, que vivem em ritmos fren\u00e9ticos de explora\u00e7\u00e3o e de consumo?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, porque quando fala na quest\u00e3o da origem do jubileu, falava-se no descanso das terras, no pousio, e isso vai entroncar nestas preocupa\u00e7\u00f5es que temos do cuidado da natureza, da vida, da sobre-explora\u00e7\u00e3o que fazemos dos nossos recursos, muitas vezes sem necessidade, e com certeza quase todos eles sem necessidade, e tamb\u00e9m uma economia voraz que nos quer demolir e, portanto, consegue tamb\u00e9m estragar a nossa natureza. Nessa medida, este prop\u00f3sito ecol\u00f3gico, que preocupa n\u00e3o s\u00f3 a Igreja, mas com certeza toda a sociedade, poder\u00e1 ser tamb\u00e9m mais um ponto para que o jubileu extravase as paredes da igreja e tenha eco na sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As gera\u00e7\u00f5es mais jovens costumam compreenderem e acolher com entusiasmo os desafios relacionados com o meio ambiente, e desse ponto de vista tamb\u00e9m pode ser uma boa forma de elas entenderem ou perceberem melhor o que est\u00e1 por tr\u00e1s da proclama\u00e7\u00e3o deste Ano Santo\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c0s vezes \u00e9 preciso pegar em pontos que s\u00e3o comuns, como \u00e9 a quest\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, que muito ocupa os jovens e as novas gera\u00e7\u00f5es, para os fazer perceber que a Igreja n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 missais, nem livros de capa vermelha, digamos assim, mas que tem esta preocupa\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o. E ser\u00e1 tamb\u00e9m uma maneira de os evangelizar, a partir da\u00ed temos pontos em comum, perceber quem \u00e9 que nos criou e porqu\u00ea, e a necessidade deste jubileu, deste ano zero, deste ano sab\u00e1tico. De facto, a terra grita esta necessidade de cuidado e h\u00e1 aqui uma grande ponte que podemos criar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Depois daquela que foi a grande experi\u00eancia em Portugal, da Jornada Mundial da Juventude, o encontro que est\u00e1 previsto para o ver\u00e3o de 2025, em Roma, com o Papa, pode ajudar, ou se pensa que pode ajudar a reabrir vias de comunica\u00e7\u00e3o entre a Igreja e as novas gera\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que essa via, pelo menos em Portugal, j\u00e1 foi aberta com a Jornada Mundial da Juventude. E o que eu vou sentindo no pulsar dos jovens com quem contacto \u00e9 que este jubileu em Roma ser\u00e1 uma segunda fase, ou uma segunda parte, se calhar ser\u00e1 melhor dizer assim, desta via de comunica\u00e7\u00e3o e deste carinho que atrav\u00e9s do Papa Francisco conseguimos estabelecer entre a Igreja e os jovens, pela maneira de ser dele, pelas ideias que ele defende, que na pr\u00e1tica s\u00e3o os que os jovens tamb\u00e9m defendem, mas ele coloca de uma maneira muito subtil e muito carinhosa a centralidade da mensagem de Jesus. E eu acho que isto ser\u00e1 um dos grandes momentos de 2025, com certeza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso alterar alguma coisa para que se note a diferen\u00e7a? Os efeitos que eram esperados da Jornada Mundial da Juventude, sentem-se no terreno ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Eu acho que n\u00e3o sentimos tanto como pens\u00e1vamos que poder\u00edamos sentir. E falo isto tamb\u00e9m de experi\u00eancia pr\u00f3pria, a n\u00edvel paroquial, vicarial e at\u00e9 da diocese. Porque eu n\u00e3o tenho d\u00favidas que a mensagem n\u00e3o os deixa indiferentes, que fica uma semente para o futuro, mas h\u00e1 uma certa relut\u00e2ncia em assumir um compromisso. Mas essa relut\u00e2ncia n\u00e3o se verifica s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja. Tamb\u00e9m se v\u00ea os jovens a ter relut\u00e2ncia a assumir compromissos em muitas outras dimens\u00f5es. Isto ser\u00e1 um tema que, pouco a pouco, passo a passo, com todos e percebendo o que todos precisam e como querem caminhar &#8211; l\u00e1 est\u00e1, posso p\u00f4r aqui a quest\u00e3o da sinodalidade, caminharmos todos juntos, ouvir o que todos t\u00eam para dizer, para conseguirmos arranjar uma solu\u00e7\u00e3o e um caminho que todos consigamos percorrer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No final deste ano de celebra\u00e7\u00f5es e de encontros, espera que todos entendam melhor o que \u00e9 um jubileu?<\/em><\/p>\n<p>Espero que entendam e vamos fazer tudo para que se perceba isso. Agora, acho que temos que ser muito h\u00e1beis em arranjar um compromisso entre a parte celebrativa, uma parte festiva, de que toda a gente gosta, e esta dimens\u00e3o da nossa peregrina\u00e7\u00e3o interior, da nossa ora\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 um dos pilares de um ano jubilar, a nossa renova\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m o sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o, para que de facto o jubileu flores\u00e7a. Sen\u00e3o o jubileu ser\u00e1 apenas mais um evento festivo, bonito, bem organizado, mas que n\u00e3o trar\u00e1 frutos interiores. Eu acho que isso vai partir muito da nossa habilidade nas nossas par\u00f3quias, com os nossos jovens, com os nossos adultos tamb\u00e9m, mais idosos, em arranjar um bom compromisso entre estas duas dimens\u00f5es. Isto vai ser uma festa, queremos que seja, mas que parta tamb\u00e9m de dentro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem de haver um empenho particular, nomeadamente parte da igreja, para tentar explicar melhor?<\/em><\/p>\n<p>Explicar melhor, promover a\u00e7\u00f5es que expliquem o porqu\u00ea de um jubileu, o que \u00e9 que podemos fazer de um jubileu. Temos a quest\u00e3o, como j\u00e1 referi, das peregrina\u00e7\u00f5es, que podem ser sectoriais, por grupos de pastoral, grupos paroquiais, a diocese tamb\u00e9m organiza uma peregrina\u00e7\u00e3o no seu todo, o importante ser\u00e1 fazer o caminho sempre em conjunto, nunca deixar ningu\u00e9m por si s\u00f3 a tomar conta deste jubileu, que se quer de esperan\u00e7a, mas \u00e9 de peregrinos, \u00e9 por isso que o logo do jubileu tem quatro peregrinos, que na pr\u00e1tica est\u00e3o abra\u00e7ados entre si, e um deles \u00e9 que vai agarrado \u00e0 cruz. Eu acho que \u00e9 importante olharmos para este logo e fazer dele um mote, e a Igreja, atrav\u00e9s dos seus sacerdotes, pessoas consagradas, leigos, que os leigos s\u00e3o a maior parte e t\u00eam tamb\u00e9m um papel importante, possamos ter esta uni\u00e3o e este caminhar juntos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Isabel Martins integra a equipa de apoio \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o Diocesana da Pastoral no Porto. O organismo lan\u00e7ou um guia para a celebra\u00e7\u00e3o do Jubileu 2025, tema desta entrevista semanal conjunta da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":354745,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[814,187],"class_list":["post-354838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-ano-santo-2025","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=354838"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354838\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/354745"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=354838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=354838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=354838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}