{"id":354105,"date":"2024-12-23T10:12:29","date_gmt":"2024-12-23T10:12:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=354105"},"modified":"2025-08-28T17:01:33","modified_gmt":"2025-08-28T16:01:33","slug":"do-passado-um-presente-sao-vicente-de-paulo-e-o-misterio-da-encarnacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/do-passado-um-presente-sao-vicente-de-paulo-e-o-misterio-da-encarnacao\/","title":{"rendered":"DO PASSADO, UM PRESENTE &#8211; S\u00e3o Vicente de Paulo e o Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jos\u00e9 Alves, Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-354106 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024-1024x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024-260x260.jpg 260w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024-768x768.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024-300x300.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024-500x500.jpg 500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/03-Jubileu-CM-Dezembro-2024.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/a>Estamos em v\u00e9speras de Natal. Dentro do que me propus, nada mais adequado do que refletir sobre \u201cS\u00e3o Vicente de Paulo e o Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Obviamente que este mist\u00e9rio \u00e9 parte integrante e constitui a grande novidade da f\u00e9 crist\u00e3. Atrav\u00e9s dele realizam-se as profecias antigas: \u201cDeus est\u00e1 no meio de n\u00f3s para salvar\u201d; Ele \u00e9 o \u201cDeus connosco\u201d. E a Comunidade crist\u00e3 exprime-o admir\u00e1vel e incontestavelmente nos escritos neotestament\u00e1rios, nos escritos dos primeiros Padres da Igreja e na formula\u00e7\u00e3o de Niceia: \u201cpor causa de n\u00f3s homens e da nossa Salva\u00e7\u00e3o\u2026\u201d. Ao longo dos s\u00e9culos, exprimiu-se esta f\u00e9 n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s das reflex\u00f5es teol\u00f3gicas, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s de devo\u00e7\u00f5es populares: o pres\u00e9pio, a via sacra, a representa\u00e7\u00e3o do crucificado, as prociss\u00f5es da paix\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>No s\u00e9c. XVII, nasce um movimento, profundamente Cristoc\u00eantrico, com Pedro B\u00e9rulle, Jo\u00e3o Jacques Olier, S\u00e3o Vicente de Paulo, S\u00e3o Jo\u00e3o Eudes e outros (1), que desencadeou, em Fran\u00e7a, uma onda reformadora e a que mais tarde (1920) se deu o nome de \u00abEscola Francesa de Espiritualidade\u00bb. Consiste em criar e desenvolver uma consci\u00eancia profunda da grandeza de Deus, que manifesta toda a for\u00e7a do Seu amor na Encarna\u00e7\u00e3o do Seu Filho (o Verbo encarnado); desenvolve-se e prolonga-se na Igreja atrav\u00e9s de um intenso trabalho apost\u00f3lico que torna presente este mist\u00e9rio de Encarna\u00e7\u00e3o em cada tempo e em cada lugar atrav\u00e9s do minist\u00e9rio sacerdotal. Da\u00ed resulta uma grande preocupa\u00e7\u00e3o pela forma\u00e7\u00e3o sacerdotal e a contempla\u00e7\u00e3o do Verbo Encarnado.<\/p>\n<p>S\u00e3o Vicente de Paulo, profundamente imbu\u00eddo desta espiritualidade que faz do Verbo encarnado centro de reflex\u00e3o e de contempla\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, tem uma maneira muito pr\u00f3pria de a expressar partindo sobretudo do cap\u00edtulo XXV do Evangelho de S\u00e3o Mateus: \u201ctive fome, tive sede, estava preso\u2026 e me fostes visitar e me prestaste assist\u00eancia\u2026 todas as vezes que o fizestes ou deixastes de fazer a um destes irm\u00e3os mais pequeninos, foi a mim que o fizestes\u201d. Para o Pe. Vicente de Paulo, Cristo encarna no pobre, no necessitado. Para ele, Pe. Vicente, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: Jesus Cristo est\u00e1 no pobre; o pobre \u00e9 Jesus Cristo. A quem lhe exprimia alguma repugn\u00e2ncia por ter que contactar com a mis\u00e9ria humana e social da pobreza, respondia<em>: \u201cVoltai a medalha e descobrireis, \u00e0 luz da f\u00e9 que o Filho de Deus, abra\u00e7ando a pobreza, nos \u00e9 representado pelos pobres\u2026 Oh Deus! Que beleza nos faz descobrir nos pobres se os considerarmos em Deus e na estima que Jesus manifestou por eles!\u201d <\/em>(Coste, XI, 32).<\/p>\n<p>\u00c0s Filhas da Caridade exprimia esta mesma identifica\u00e7\u00e3o de Cristo com o pobre quando lhes dizia: <em>\u201co vosso principal trabalho, depois do amor de Deus e de vos tornardes agrad\u00e1veis \u00e0 Sua Divina Majestade, \u00e9 servir os pobres enfermos com muita do\u00e7ura e cordialidade, compadecendo-vos dos seus males e escutando as suas pequenas queixas\u2026 V\u00f3s representais a bondade de Deus para estes pobres doentes\u2026 eles s\u00e3o os vossos senhores e tamb\u00e9m os meus\u2026 Isto obriga-vos a servi-los com respeito, como vossos senhores, e com devo\u00e7\u00e3o porque representam, para v\u00f3s, a pessoa de nosso Senhor\u201d.<\/em><\/p>\n<p>E para que n\u00e3o restassem d\u00favidas, noutra ocasi\u00e3o insistia:<em> \u201c\u00c9 poss\u00edvel que tenhais de ir uma e outra vez visitar o pobre. Todas as vezes que l\u00e1 fordes encontrareis Cristo nesse mesmo pobre\u201d. <\/em>E a quem lhe manifestava alguma reserva face \u00e0s chamadas urgentes, mas inoportunas, porque levavam a interromper a ora\u00e7\u00e3o, o Pe. Vicente n\u00e3o tinha problema em estabelecer a prioridade:<em> \u201c\u00e9 deixar Deus <\/em>(na ora\u00e7\u00e3o)<em> por Deus <\/em>(no pobre)<em>\u201d.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 interessante ver a evolu\u00e7\u00e3o de um Cristo contemplado \u00e0 maneira de Pedro B\u00e9rulle, e que se pode notar numa carta escrita em 1635 \u2013 \u201c<em>Lembrai-vos, Padre, que n\u00f3s vivemos em Jesus Cristo pela morte de Jesus Cristo, e de que havemos de morrer em Jesus Cristo pela vida de Jesus Cristo e que a nossa vida deve estar escondida em Jesus Cristo e cheia de Jesus Cristo e de que para morrer como Jesus Cristo, \u00e9 preciso viver como Jesus Cristo\u201d<\/em> (Coste, I, 295) \u2013 para um Cristo inspirador de trabalho, de dedica\u00e7\u00e3o, de servi\u00e7o e de amor \u00e0 humanidade atrav\u00e9s do an\u00fancio do amor do Pai de que Ele era o concretizador:<em> \u201cDurante tr\u00eas anos, Ele n\u00e3o fez outra coisa sen\u00e3o pregar tanto no\u00a0 templo como nas aldeias, sem parar, para converter toda a humanidade e ganhar as almas para Deus seu Pai\u2026 Ganhar cada um a sua vida deste modo, sem perda de tempo, \u00e9 ganh\u00e1-la como nosso Senhor a ganhava\u201d <\/em>(Coste, IX, 491-492).<\/p>\n<p>E insiste em que os membros da sua Congrega\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam outro modelo inspirador sen\u00e3o o de Nosso Senhor, enviado pelo Pai a anunciar a Boa Nova libertadora: \u201c<em>A nossa finalidade \u00e9 trabalhar pela salva\u00e7\u00e3o dos pobres \u00e0 imita\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo, o \u00fanico e verdadeiro Redentor e a quem corresponde o am\u00e1vel nome de JESUS, que quer dizer SALVADOR\u2026 Durante a Sua vida terrena, o seu \u00fanico pensamento e preocupa\u00e7\u00e3o era a salva\u00e7\u00e3o dos homens; e continua ainda com os mesmos sentimentos porque \u00e9 nisso que Ele encontra a vontade do Pai\u201d <\/em>(Abelly, III, 89-90).<\/p>\n<p>Estes textos revelam-nos uma total identifica\u00e7\u00e3o com Cristo que continua o Seu mist\u00e9rio de Encarna\u00e7\u00e3o na Comunidade dos seus disc\u00edpulos enviada, em Miss\u00e3o, \u00e0 humanidade de ontem e de hoje com o prop\u00f3sito de dignificar, de salvar; revelam igualmente a urg\u00eancia da miss\u00e3o que n\u00e3o se compadece com contemporiza\u00e7\u00e3o seja de que esp\u00e9cie for; revelam-nos tamb\u00e9m o segredo da \u201cfrescura pastoral\u201d que, aos 79 anos, ainda tentava descobrir os processos mais adequados de anunciar Jesus Cristo.<\/p>\n<p><em>Pe. Jos\u00e9 Alves, CM<\/em><\/p>\n<p>&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>(1) Grandes reformadores do s\u00e9c. XVII, quanto \u00e0 doutrina, \u00e0 disciplina eclesi\u00e1stica, criadores de Semin\u00e1rios: B\u00e9rulle, funda os Oratorianos; Olier, os Sulpicianos; S\u00e3o Vicente de Paulo, a Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o ou Lazaristas; S\u00e3o Jo\u00e3o Eudes, os Eudistas. Todos eles se v\u00e3o encarregar de fundar Semin\u00e1rios Diocesanos. Estas funda\u00e7\u00f5es, cada uma ao seu estilo, v\u00e3o marcar o tipo de presb\u00edtero e de pastor at\u00e9 ao s\u00e9c. XX.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jos\u00e9 Alves, Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":345947,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[984],"class_list":["post-354105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-400-anos-vicentinos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=354105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354105\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/345947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=354105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=354105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=354105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}