{"id":353600,"date":"2024-12-19T13:14:35","date_gmt":"2024-12-19T13:14:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=353600"},"modified":"2024-12-19T13:15:30","modified_gmt":"2024-12-19T13:15:30","slug":"a-fe-crista-a-realidade-virtual-e-o-espectaculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-fe-crista-a-realidade-virtual-e-o-espectaculo\/","title":{"rendered":"A f\u00e9 crist\u00e3, a realidade virtual e o espect\u00e1culo"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-321545 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Hoje, felizmente, j\u00e1 ningu\u00e9m se torna ateu devido aos avan\u00e7os do conhecimento cient\u00edfico, como aconteceu no passado. Mas o conhecimento cient\u00edfico possibilitou a tecnologia que torna virtual a realidade e faz da grande maioria dos seres humanos do mundo de hoje espectadores e turistas. Este novo contexto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 causa de ate\u00edsmo, mas \u00e9 pior do que isso e cont\u00e9m muitos perigos para a experi\u00eancia de f\u00e9. Ocorre, por isso, que a nossa teologia e a nossa pastoral sejam capazes de identificar o perigo e de o combater.<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 o perigo do mundo do espect\u00e1culo e da realidade virtual? Esse perigo n\u00e3o \u00e9 simples de identificar. Mas vamos tentar esclarecer o assunto. A realidade, tal como decorre da imagem cient\u00edfica do mundo, \u00e9 caracterizada pela const\u00e2ncia das leis f\u00edsicas, pelo determinismo dos processos da mat\u00e9ria, seja da mat\u00e9ria animada como da inanimada. Por sua vez, as ci\u00eancias sociais e do comportamento tamb\u00e9m funcionam estabelecendo as regras gerais do funcionamento dos grupos humanos. Ora, o ser humano tem sempre uma apreens\u00e3o individual da realidade. Por isso, tende a ficar fora das preocupa\u00e7\u00f5es do conhecimento cient\u00edfico do que, n\u00e3o obstante, \u00e9 o autor. A aquisi\u00e7\u00e3o destes conhecimentos faz do ser humano um observador dos processos que d\u00e3o corpo \u00e0 ci\u00eancia. Por\u00e9m, o ser humano fica de fora, mesmo quando se observa a si mesmo pelos olhos da biologia ou da medicina.<\/p>\n<p>Este processo de observa\u00e7\u00e3o da objectividade do mundo, fez do ser humano um espectador do cosmos, dos corpos dos seres vivos e do seu pr\u00f3prio corpo. Quando este processo de observa\u00e7\u00e3o se tornou uma ind\u00fastria atrav\u00e9s da viagem e do turismo, este caminho de transforma\u00e7\u00e3o do ser humano num espectador cresceu exponencialmente. E estamos na v\u00e9spera do turismo interplanet\u00e1rio. O desenvolvimento ilimitado da tecnologia das comunica\u00e7\u00f5es fez do nosso mundo uma civiliza\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo, e fez da experi\u00eancia da realidade uma quest\u00e3o de consumo de conte\u00fados, mediados pela internet, pela televis\u00e3o, pelos happenings de massas de re\u00fanem centenas de milhar de pessoas. Esta ind\u00fastria de conte\u00fados n\u00e3o p\u00e1ra de crescer, n\u00e3o sendo j\u00e1 relevante se os conte\u00fados s\u00e3o reais ou virtuais.<\/p>\n<p>O problema deste mundo novo \u00e9 que faz de n\u00f3s, seres humanos incautos, o pasto de uma manipula\u00e7\u00e3o generalizada, consumidores sem nome, que a habilidade de uma ind\u00fastria explora de forma competente, mas impiedosa. O risco \u00e9 enorme e o mundo novo em que j\u00e1 vivemos n\u00e3o pode deixar de nos causar uma preocupa\u00e7\u00e3o profunda. Se as pessoas falham a experi\u00eancia da realidade, feita de sofrimento, de alegria, de encontro, de amor e de \u00f3dio, de esfor\u00e7o e de ang\u00fastia, que ser\u00e1 feito de n\u00f3s neste mundo de consumos fr\u00edvolos e irreais?<\/p>\n<p>A f\u00e9 crist\u00e3 sup\u00f5e algumas coisas que est\u00e3o em perigo. Desde logo, a escuta de Deus, mediada pelo sil\u00eancio, pela gra\u00e7a, pela gratuidade da hospitalidade ao mist\u00e9rio que visita o ser humano da forma mais imprevis\u00edvel. Na Babel das comunica\u00e7\u00f5es de hoje n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil que Algu\u00e9m nos encontre na margem do lago da vida. Como vamos ser capazes de dar a viver a experi\u00eancia de f\u00e9 quando nas nossas igrejas entrem dez vezes mais turistas do que orantes?<\/p>\n<p>Est\u00e1 em perigo tamb\u00e9m a experi\u00eancia moral. O determinismo generalizado, que nos transmite a vis\u00e3o cient\u00edfica e t\u00e9cnica, n\u00e3o tem lugar para a experi\u00eancia do investimento respons\u00e1vel do ser humano que \u00e9 a experi\u00eancia moral. A experi\u00eancia moral verdadeira implica um pathos origin\u00e1rio que fica em causa na civiliza\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo e do virtual. Por isso, os seres humanos n\u00e3o experienciam a sua originalidade e a sua identidade irrepet\u00edvel. Basta ver como se exp\u00f5em e como alienam a sua privacidade de in\u00fameros modos, como deixaram de dispor de si para enfrentar o injusto, para lutar por causas que n\u00e3o sejam as do idealismo \u00e9tico que vemos por a\u00ed.<\/p>\n<p>N\u00e3o falamos j\u00e1 da experi\u00eancia pol\u00edtica, das causas da justi\u00e7a social e assim por diante. Os comportamentos err\u00e1ticos dos eleitores est\u00e3o \u00e0 vista de todos e a causa disso radica tamb\u00e9m nesta descri\u00e7\u00e3o que estamos a tentar fazer.<\/p>\n<p>H\u00e1, pois, muito que fazer na teologia e na pastoral de hoje. Uma grande campanha de lucidez vai ser necess\u00e1ria para dar continuidade \u00e0 experi\u00eancia de f\u00e9 nos dias que correm.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":321545,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-353600","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=353600"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353600\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=353600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=353600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=353600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}