{"id":352727,"date":"2024-12-15T09:31:17","date_gmt":"2024-12-15T09:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=352727"},"modified":"2024-12-13T09:55:24","modified_gmt":"2024-12-13T09:55:24","slug":"portugal-igreja-catolica-tem-sido-principal-ajuda-dos-pobres-joao-cesar-das-neves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-igreja-catolica-tem-sido-principal-ajuda-dos-pobres-joao-cesar-das-neves\/","title":{"rendered":"Portugal: Igreja Cat\u00f3lica tem sido \u00abprincipal ajuda\u00bb dos pobres \u2013 Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de pobres em Portugal n\u00e3o desce e, pela primeira vez em sete anos, a taxa de risco de pobreza subiu. Portugal tem 2,1 milh\u00f5es de pobres, ou seja, cerca de um quinto da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre ou est\u00e1 em risco de exclus\u00e3o. Mais preocupante ainda, o facto de ser no grupo de crian\u00e7as e jovens que a taxa de risco de pobreza mais se agravou. Acresce a tudo isto, o aumento do n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo. Em 2023, eram mais 2300 os cidad\u00e3os em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo do que em 2022.\u00a0 Para refletir esta realidade, \u00e9 convidado esta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves, professor catedr\u00e1tico de economia da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_352728\" aria-describedby=\"caption-attachment-352728\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cesar-das-neves.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-352728 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cesar-das-neves.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cesar-das-neves.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cesar-das-neves-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cesar-das-neves-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cesar-das-neves-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cesar-das-neves-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cesar-das-neves-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-352728\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Beatriz Pereira<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Nas \u00faltimas semanas, tivemos v\u00e1rios convidados a falar sobre situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o,\u00a0de iniciativas de solidariedade social, de debates sobre a pobreza.\u00a0Sabemos que o desemprego em Portugal \u00e9 um fator de risco para a pobreza e a exclus\u00e3o\u00a0social, mas mesmo pessoas empregadas, e estamos a falar de\u00a0quase 10% dos trabalhadores, s\u00e3o pobres. Percebemos que um dos problemas em Portugal tamb\u00e9m tem a ver com o n\u00edvel\u00a0dos sal\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o problema principal, de facto. Os sal\u00e1rios s\u00e3o baixos e n\u00e3o sobem.\u00a0E n\u00e3o sobem porque o sistema n\u00e3o deixa subir. \u00c9 uma coisa que est\u00e1 instalada e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de mudar.\u00a0Podemos dizer que o cobertor \u00e9 demasiado curto e para a maior parte da\u00a0popula\u00e7\u00e3o chega, mas h\u00e1 uma fatia, que \u00e9 uma fatia importante, acabamos de ver hoje\u00a0os n\u00fameros, que n\u00e3o lhe chega e o sistema n\u00e3o consegue dar a volta. E n\u00e3o consegue dar a volta porque est\u00e1 bloqueado. Est\u00e1 bloqueado por leis laborais, est\u00e1 bloqueado\u00a0por impostos, est\u00e1 bloqueado por interesses instalados, por uma enorme quantidade de\u00a0coisas que n\u00e3o s\u00e3o ladr\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o maus, n\u00e3o s\u00e3o corruptos, n\u00e3o vale a pena insultar,\u00a0mas que n\u00e3o deixam desenvolver o pa\u00eds.\u00a0Por isso a taxa de crescimento \u00e9 baixa, por isso os sal\u00e1rios s\u00e3o muito baixos e o que\u00a0\u00e9 extraordin\u00e1rio \u00e9 que a maneira para tratar disto, que n\u00f3s estamos a ver em todos\u00a0os partidos, \u00e9 mais doses da mesma terapia que nos trouxeram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A palavra pode ser estranha, mas falta tamb\u00e9m algum sentido de risco?<\/em><\/p>\n<p>Sim, est\u00e1 tudo instalado, de facto, o pa\u00eds est\u00e1 contentinho. O pa\u00eds est\u00e1 contentinho, quer dizer, de tal maneira que n\u00f3s t\u00ednhamos at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo uma maioria absoluta. Agora a coisa est\u00e1 um bocadinho mais confusa, mas em geral os partidos grandes do meio s\u00e3o iguais, dizem as mesmas coisas. Portanto o pa\u00eds est\u00e1 est\u00e1vel, \u00e9 uma coisa importante, porque os outros pa\u00edses da Europa andam todos \u00e0 pancada e j\u00e1 tivemos \u00e9pocas de Portugal em que estivemos \u00e0 pancada. Isso \u00e9 uma coisa boa. Portugal\u00a0\u00e9 um pa\u00eds rico, \u00e9 preciso dizer isto para n\u00e3o cairmos tamb\u00e9m nos des\u00e2nimos habituais,\u00a0agora o sistema est\u00e1 bloqueado e n\u00e3o tem maneira de sair. Quer dizer, as v\u00e1rias experi\u00eancias\u00a0que tent\u00e1mos n\u00e3o saem\u2026 tem a ver com coisas que n\u00f3s todos acreditamos e que s\u00e3o falsas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas por exemplo, o sal\u00e1rio m\u00ednimo: temos a ambi\u00e7\u00e3o de em 2028 atingirmos os 1020 euros. Em 2025, vai situar-se nos 870 euros. Quando diz que os sal\u00e1rios\u00a0n\u00e3o sobem, est\u00e1 a referir-se eventualmente ao sal\u00e1rio m\u00e9dio nacional?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Claro, \u00e9 esse o problema. O sal\u00e1rio m\u00ednimo em Portugal \u00e9 uma das causas do desastre,\u00a0porque ele est\u00e1 alt\u00edssimo &#8211; n\u00e3o em termos nominais, porque temos o mais baixo da Europa,\u00a0agora se calcularmos em percentagem o sal\u00e1rio m\u00e9dio, \u00e9 o mais alto da Europa. O que isto\u00a0quer dizer?\u00a0Quer dizer que o desejo, a \u00e2nsia de todos os governos, e este \u00e9 muito diferente do anterior\u00a0e tem exatamente a mesma linha do anterior, de subir o sal\u00e1rio m\u00ednimo, \u00e9 um mito de que\u00a0vai resolver o problema, mas n\u00e3o vai. Vai aumentar a pobreza, porque ao subir o sal\u00e1rio m\u00ednimo\u00a0vamos estrangular uma enorme quantidade de empresas, e n\u00e3o s\u00f3 empresas, conhe\u00e7o v\u00e1rias\u00a0associa\u00e7\u00f5es de solidariedade social, que andam a ajudar os pobres e que dizem que n\u00e3o\u00a0conseguem sobreviver com a subida sistem\u00e1tica do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Portanto, ficam uma\u00a0enorme quantidade de pessoas que est\u00e3o desqualificadas, deixam de trabalhar, n\u00e3o t\u00eam produtividade\u00a0para isso, empresas que v\u00e3o abaixo, e n\u00f3s alegadamente resolvemos o problema da pobreza\u00a0subindo o sal\u00e1rio m\u00ednimo. \u00c9 um desses mitos, esse caso \u00e9 um dos casos mais t\u00edpicos do\u00a0mito de conseguir resolver o problema com uma lei, ainda por cima n\u00e3o tem nenhuma despesa\u00a0do Estado, porque o Estado n\u00e3o paga sal\u00e1rios m\u00ednimos, quem paga s\u00e3o as empresas. Portanto,\u00a0fazem boa figura \u00e0 custa do dinheiro dos outros, e n\u00e3o percebem que com isto est\u00e3o\u00a0a espremer o leque salarial, de baixo para cima: j\u00e1 h\u00e1 muitas profiss\u00f5es que\u00a0est\u00e3o a receber o sal\u00e1rio m\u00ednimo, porque, entretanto, o sal\u00e1rio m\u00ednimo atingiu a produtividade. Como a \u00fanica maneira de subir os sal\u00e1rios, os m\u00ednimos, os m\u00e9dios e todos, \u00e9 aumentar\u00a0a produtividade, mas isso est\u00e1 do lado do capital, que ali\u00e1s \u00e9 o mau desta hist\u00f3ria, em Portugal o grande capital \u00e9 o grande inimigo de todas as coisas, temos o pa\u00eds descapitalizado,\u00a0temos o pa\u00eds endividado, n\u00e3o temos capital, n\u00e3o sobe a produtividade, os sal\u00e1rios m\u00e9dios\u00a0n\u00e3o sobem, e depois andamos a fazer cosm\u00e9tica, de subir o sal\u00e1rio m\u00ednimo, convencidos que com isso resolvemos o problema e n\u00e3o resolvemos. O\u00a0que a teoria econ\u00f3mica diz, \u00e9 que o sal\u00e1rio m\u00ednimo deve ser um indicador estrutural da\u00a0economia, o que quer dizer que deve ser est\u00e1vel, subindo nas gera\u00e7\u00f5es, porque a produtividade\u00a0do pa\u00eds vai aumentando e, portanto, ele deve subir, mas subir muito lentamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas tamb\u00e9m temos esta realidade, que em Portugal a grande maioria dos portugueses recebe sal\u00e1rios\u00a0muito baixos, pr\u00f3ximos do sal\u00e1rio m\u00ednimo\u2026<\/em><\/p>\n<p>Por causa disso, porque n\u00e3o temos produtividade, mas era para a\u00ed que se devia virar a aten\u00e7\u00e3o. Dev\u00edamos virar a aten\u00e7\u00e3o para a produtividade, e como \u00e9 que se aumenta a produtividade? Aumentando o investimento, aumentando o investimento de qualidade, n\u00e3o \u00e9 como se v\u00ea com o PRR a impingir\u00a0tudo em constru\u00e7\u00e3o e em burocracia. \u00c9 olhar para a produtividade das empresas, inova\u00e7\u00e3o,\u00a0mas esses s\u00e3o os maus da fita, esses s\u00e3o os patr\u00f5es, esses s\u00e3o os investidores, esses\u00a0s\u00e3o os especuladores, s\u00e3o aqueles que n\u00f3s insultamos sistematicamente quando falamos\u00a0dos pobres, e n\u00e3o percebem que ao fazer isso est\u00e3o a destruir a \u00fanica maneira de acabar\u00a0com os pobres, que \u00e9 haver crescimento econ\u00f3mico. N\u00f3s estamos com a economia empatada h\u00e1 mais de 20 anos, n\u00e3o cresce, quando chega a 2%\u00a0ficamos todos entusiasmados. Anda a crescer pouquinho, porqu\u00ea? Por causa disto.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Certamente tem a no\u00e7\u00e3o, porque j\u00e1 est\u00e1 nisto h\u00e1 muitos anos, que muitas das\u00a0coisas que est\u00e1 a dizer n\u00e3o s\u00e3o das mais populares de se ouvir&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Nem queira saber&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitas pessoas referem que as receitas que est\u00e3o a ser implementadas n\u00e3o funcionam. H\u00e1 uma quest\u00e3o que tem a ver com as presta\u00e7\u00f5es sociais, porque sem as presta\u00e7\u00f5es sociais ainda mais pessoas estariam na pobreza em Portugal. Mas os dados mostram que estas s\u00e3o uma das causas estruturais, porque s\u00e3o baixas, ou seja, n\u00e3o ajudam as\u00a0pessoas a sair da situa\u00e7\u00e3o em que se encontram&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim, essa \u00e9 a outra face. A primeira e a principal raz\u00e3o \u00e9 o mau funcionamento da economia.\u00a0A segunda raz\u00e3o \u00e9 o mau funcionamento da m\u00e1quina de apoio \u00e0 pobreza, que est\u00e1 capturada\u00a0pelos idosos, que s\u00e3o muitos e votam todos, e, portanto, conseguem aquilo que \u00e9 a principal finalidade da pol\u00edtica social portuguesa, que \u00e9 aumentar as pens\u00f5es. N\u00f3s temos um peso enorme nas presta\u00e7\u00f5es sociais das pens\u00f5es, e essas est\u00e3o boas. A descida da taxa de\u00a0pobreza dos idosos foi extraordin\u00e1ria, foi um dos grandes sucessos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, ali\u00e1s, foi comentado nesta s\u00e9rie de entrevistas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, por causa disto, por raz\u00f5es diferentes.\u00a0Mais uma vez, temos pens\u00f5es baixas, mas comparadas com o \u00faltimo sal\u00e1rio, s\u00e3o as mais altas n\u00e3o s\u00f3 da Europa, mas da OCDE. Temos mais do dobro da taxa de substitui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 comparando a pens\u00e3o com o sal\u00e1rio anterior, mais do\u00a0dobro de pa\u00edses ricos, como por exemplo os Estados Unidos, o Jap\u00e3o, a Su\u00e9cia &#8211; pa\u00edses que t\u00eam menos pens\u00f5es relativamente ao sal\u00e1rio.\u00a0Claro, mais uma vez, o problema s\u00e3o os sal\u00e1rios baixos, voltamos \u00e0 primeira quest\u00e3o.\u00a0Mas relativamente \u00e0 segunda quest\u00e3o, o que \u00e9 extraordin\u00e1rio, a Uni\u00e3o Europeia publica\u00a0estas coisas: o impacto das nossas transfer\u00eancias sociais &#8211; esque\u00e7amos as pens\u00f5es e vamos para as outras- o impacto que as transfer\u00eancias sociais t\u00eam sobre a taxa de pobreza \u00e9 dos mais baixos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Comiss\u00e3o Europeia fala disso&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, n\u00f3s temos uma forma ineficiente de tratar os pobres, o que quer dizer que\u00a0n\u00f3s n\u00e3o gastamos pouco com os pobres, o dinheiro n\u00e3o vai \u00e9 para eles, \u00e9 capturado para o outro lado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a gastar mal?<\/em><\/p>\n<p>Estamos a gastar mal o dinheiro, exatamente.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Estes dados e esta aparente inefic\u00e1cia nas medidas de combate \u00e0 pobreza, significam\u00a0que n\u00e3o estamos a seguir a melhor estrat\u00e9gia. E, por exemplo, em Portugal, dizia na introdu\u00e7\u00e3o\u00a0da nossa conversa, que em 2023 havia cerca de 13 mil pessoas a viver em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, um aumento de 2300 casos em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Isto \u00e9 mais um sinal da inefic\u00e1cia das estrat\u00e9gias, dos programas, ou a crise na habita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m\u00a0justifica de alguma forma estes n\u00fameros?<\/em><\/p>\n<p>Sim, a popula\u00e7\u00e3o sem-abrigo \u00e9 uma pequena percentagem, se compararmos com os milh\u00f5es de pobres que n\u00f3s temos.\u00a0E o problema resulta da mistura dessas duas coisas que afirmou. Por um lado,\u00a0\u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de pobreza, portanto as pessoas s\u00f3 est\u00e3o naquela situa\u00e7\u00e3o\u00a0porque o sistema funciona mal, quer o sistema econ\u00f3mico, quer o sistema de apoio aos pobres,\u00a0mas tamb\u00e9m tem a ver com outra coisa, que ali\u00e1s est\u00e1 a funcionar mal na generalidade\u00a0dos pa\u00edses desenvolvidos, que \u00e9 a quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o. O mercado da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema nos Estados Unidos, \u00e9 um problema na Europa,\u00a0\u00e9 um problema em Portugal tamb\u00e9m. Est\u00e1 a funcionar mal, foi mal calibrado, tem a ver com v\u00e1rias\u00a0coisas, e como sabe a \u00faltima crise financeira, a grande crise financeira,\u00a0teve a ver exatamente com casas de habita\u00e7\u00e3o. Tem a ver com isso, tem a ver com\u00a0um problema mais estrutural, que em Portugal est\u00e1 mal pensado, est\u00e1 mal gerido. E\u00a0tem a ver com todos os elementos, tem a ver com as C\u00e2maras Municipais, que\u00a0negoceiam\u00a0terrenos para a constru\u00e7\u00e3o, tem a ver com os bancos, que est\u00e3o interessad\u00edssimos\u00a0em constru\u00e7\u00e3o, e grande parte do seu cr\u00e9dito, n\u00e3o vai para as empresas, vai para\u00a0a constru\u00e7\u00e3o. Tem a ver com as construtoras, tem a ver com os mercados depois, onde \u00e9\u00a0que h\u00e1 dinheiro e temos uma data de casas vazias. Portanto,\u00a0\u00e9 um problema estrutural, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de mudar, n\u00e3o \u00e9 com cosm\u00e9tica\u00a0que n\u00f3s l\u00e1 chegamos. Isto est\u00e1 a funcionar mal para toda a gente, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para os\u00a0pobres, quer dizer, temos pessoas ricas, mas que t\u00eam os filhos a viver em casa porque\u00a0os filhos n\u00e3o arranjam casa, e, portanto, \u00e9 um problema geral da sociedade portuguesa,\u00a0que evidentemente depois cai, e como volto a dizer, numa pequena parte, mas talvez a mais\u00a0vis\u00edvel, a mais escandalosa, da pobreza, que \u00e9 aquela que est\u00e1 sem casa, sequer\u00a0sem teto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E nessa necessidade de mudan\u00e7a do sistema, transferir compet\u00eancias para o poder local\u00a0ajuda ou a experi\u00eancia mostra que n\u00e3o \u00e9 nenhuma varinha m\u00e1gica?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que n\u00e3o \u00e9 uma varinha m\u00e1gica. Tem algum efeito, e \u00e0s vezes tem efeito positivo,\u00a0depende muito da qualidade das c\u00e2maras, mas o problema a\u00ed \u00e9 que as c\u00e2maras t\u00eam\u00a0uma grande percentagem das suas receitas vindo desse lado; entregar o ouro ao\u00a0bandido n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma boa ideia para resolver o problema do banco.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>S\u00e3o m\u00faltiplos os apelos para que o combate \u00e0 pobreza seja um des\u00edgnio nacional, at\u00e9\u00a0porque perante os n\u00fameros que conhecemos ningu\u00e9m devia ficar indiferente. Estamos mais\u00a0perto de considerar o combate \u00e0 pobreza como um des\u00edgnio, ou Sr.\u00a0Professor, falta ainda muito para l\u00e1 chegarmos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que, p\u00f4r assim o problema, \u00e9 p\u00f4-lo mal, deixe-me dizer isto, mais uma vez uma\u00a0coisa impopular, agora para o outro lado, s\u00f3 estou a dizer coisas impopulares, mas isto\u00a0mostra porque o problema \u00e9 grave, porque se as coisas que eu estou a dizer fossem populares\u00a0o problema estava resolvido.\u00a0Quer dizer, colocar a quest\u00e3o como o problema de combate \u00e0 pobreza \u00e9 j\u00e1 em si colocar\u00a0a quest\u00e3o mal. Porqu\u00ea?\u00a0Porque o problema fundamental \u00e9 o problema do crescimento da economia. A raz\u00e3o pela qual n\u00f3s temos hoje, realmente, muito menos pobres do que t\u00ednhamos h\u00e1 100 anos, n\u00e3o\u00a0\u00e9 porque o nosso combate \u00e0 pobreza seja melhor do que h\u00e1 100 anos, \u00e9 porque n\u00f3s\u00a0estamos mais ricos do que h\u00e1 100 anos.<\/p>\n<p>A \u00fanica maneira de resolver este problema \u00e9 exatamente virarmos o pa\u00eds para o crescimento,\u00a0para a desenvolvimento da economia. N\u00e3o \u00e9 qualquer crescimento, porque\u00a0h\u00e1 muito crescimento que aumenta a pobreza, n\u00e3o \u00e9 um crescimento pelo crescimento, tem de ser um crescimento que, por exemplo, envolva aquilo que s\u00e3o os ativos que os pobres t\u00eam mais, que \u00e9 exatamente trabalho n\u00e3o especializado. Se n\u00f3s tivermos um crescimento muito centrado na alta tecnologia, no final os pobres ficam na mesma, conseguimos uma riqueza, conseguimos umas start-ups e umas coisas que fazem imenso brilharetes, mas n\u00e3o conseguimos nada com os pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos de introduzir a reindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o necessariamente, o problema provavelmente vai ser salvo pelos servi\u00e7os, a ind\u00fastria\u00a0j\u00e1 deu o que tinha a dar. Provavelmente ser\u00e1 nos servi\u00e7os, e ali\u00e1s grande parte das pessoas\u00a0que est\u00e3o a ganhar mais dinheiro e das pessoas que est\u00e3o a ganhar menos dinheiro est\u00e3o a trabalhar nos servi\u00e7os. Portanto,\u00a0provavelmente ser\u00e1 nos servi\u00e7os, e em v\u00e1rios\u00a0n\u00edveis, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o turismo, o famigerado turismo, que tamb\u00e9m \u00e9 muito importante e\u00a0onde os pobres est\u00e3o muito a trabalhar, mas tamb\u00e9m \u00e9 um problema a v\u00e1rios n\u00edveis. Temos uma enorme quantidade de setores de servi\u00e7o, do com\u00e9rcio \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, da\u00a0sa\u00fade, etc. e tem de se deixar a economia crescer, mas isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Porqu\u00ea? Porque a economia est\u00e1 a ser estrangulada por uma enorme quantidade de pessoas, e volto\u00a0a dizer, n\u00e3o s\u00e3o ladr\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o corruptos, mas querem ganhar o seu imediatamente\u00a0e com isso estrangulam uma coisa, que se deixassem crescer, depois at\u00e9 ganhariam mais. Se os sindicatos deixassem a economia crescer, tinham mais sal\u00e1rios para os seus membros,\u00a0n\u00e3o menos, mas eles n\u00e3o querem deixar e, portanto, t\u00eam de bloquear com uma enorme\u00a0quantidade de restri\u00e7\u00f5es. A nossa lei laboral \u00e9 das mais r\u00edgidas da Europa. Agora a Holanda\u00a0saltou para a frente de n\u00f3s, mas tirando a Holanda s\u00f3 estamos n\u00f3s e a Rep\u00fablica\u00a0Checa, penso eu. Temos uma legisla\u00e7\u00e3o laboral das mais r\u00edgidas da Europa. Portanto os nossos trabalhadores t\u00eam\u00a0imensos direitos, est\u00e3o muito mais protegidos do que os outros pa\u00edses da Europa, que s\u00e3o\u00a0muito mais ricos e muito mais felizes. Os trabalhadores dos outros pa\u00edses da Europa\u00a0s\u00e3o muito mais ricos e muito mais felizes, t\u00eam muito menos direitos, precisamente porque esses direitos est\u00e3o mal pensados. \u00c9 a fal\u00e1cia mais antiga do\u00a0governo que \u00e9, instituir uma coisa numa lei \u00e9 conseguir essa coisa. N\u00e3o, \u00e9 exatamente\u00a0o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O Papa Francisco\u00a0disse algumas coisas que tamb\u00e9m n\u00e3o foram muito populares, talvez noutros meios, e uma\u00a0delas \u00e9 que esta economia mata. Como \u00e9 que\u00a0se explica a ideia da op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres em linguagem n\u00e3o-teol\u00f3gica?<\/em><\/p>\n<p>Primeiro, ele n\u00e3o disse que esta economia mata, ele disse a economia de exclus\u00e3o e\u00a0depois sim, esta economia mata, \u00e9 importante esclarecer esse ponto. O Papa Francisco conheceu uma realidade dram\u00e1tica, que \u00e9 a realidade da Argentina, a Argentina\u00a0\u00e9 o \u00fanico pa\u00eds em vias de subdesenvolvimento, portanto \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 em queda brutal,\u00a0como todos sabemos.<\/p>\n<p>Veio para a Europa e talvez com surpresa para ele, encontrou as categorias que l\u00e1 tinha\u00a0apreendido reais aqui outra vez, o que \u00e9 extraordin\u00e1rio \u00e9 que embora a Europa seja\u00a0objetivamente uma situa\u00e7\u00e3o bastante diferente do que \u00e9 a Argentina, as categorias que\u00a0ele tinha de an\u00e1lise n\u00e3o chocam na Europa, porque a Europa tem outros tipos de problemas,\u00a0tem press\u00f5es migrat\u00f3rias, por exemplo, na Argentina isso n\u00e3o existe, aqui existe.\u00a0Essas press\u00f5es migrat\u00f3rias s\u00e3o uma grande percentagem da pobreza, grande parte dos pobres\u00a0que n\u00f3s temos, mesmo em Portugal, s\u00e3o migrantes, e, portanto, aparece um outro tipo de doen\u00e7as\u00a0sociais, e isso no fundo \u00e9 que levanta a quest\u00e3o fundamental que o Papa Francisco tem repetido\u00a0sucessivamente.\u00a0O problema da pobreza n\u00e3o \u00e9 um problema econ\u00f3mico, n\u00e3o \u00e9 um problema social, \u00e9 propriamente\u00a0um problema religioso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De dignidade humana&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.\u00a0Ele est\u00e1 sempre a falar na idolatria do bezerro de ouro, da idolatria do dinheiro, \u00e9 um problema religioso, \u00e9 o \u00eddolo que n\u00f3s pomos no centro da nossa sociedade. E isto \u00e9 que \u00e9 o ponto. A raz\u00e3o por que \u201cpobres sempre os tereis convosco\u201d, como disse\u00a0Nosso Senhor no Evangelho, \u00e9 porque a pobreza vem do pecado, e o pecado, enquanto a gente\u00a0estiver nesta terra, vai andar sempre por a\u00ed.<\/p>\n<p>J\u00e1 experiment\u00e1mos todas as pol\u00edticas sociais que pod\u00edamos imaginar, j\u00e1 experiment\u00e1mos\u00a0todos os sistemas econ\u00f3micos, n\u00e3o era assim h\u00e1 100 anos, h\u00e1 100 anos havia uma enorme\u00a0quantidade de raz\u00f5es para que os pobres fossem pobres, porque n\u00e3o t\u00ednhamos experimentado\u00a0essas coisas todas. Nos \u00faltimos 100 anos, experiment\u00e1mos nos v\u00e1rios pa\u00edses, e continua\u00a0a aparecer a pobreza, que renasce sucessivamente com novas formas. Aparece a droga, depois\u00a0aparece o div\u00f3rcio, depois aparece o desemprego, aparecem novas doen\u00e7as que n\u00e3o existiam\u00a0anteriormente, porque h\u00e1 100 anos isto n\u00e3o existia, e que gera novas situa\u00e7\u00f5es de pobreza.\u00a0O que \u00e9 que isto quer dizer?\u00a0Quer dizer que a pobreza \u00e9 uma coisa contra a qual n\u00f3s devemos estar sempre a lutar, nunca\u00a0desistir, mas nunca vamos conseguir erradicar, ela vai renascer de outra maneira.\u00a0\u00c9 como a doen\u00e7a, \u00e9 como a viol\u00eancia, s\u00e3o coisas que n\u00f3s, por mais que avancemos\u00a0na sociedade, vamos ter sempre de ter a humildade de lutar contra elas. E o mito de que vamos resolver a pobreza, e erradicar a pobreza, \u00e9 uma das piores doen\u00e7as,\u00a0porque desistimos, \u00e0s tantas j\u00e1 n\u00e3o vale a pena, afinal n\u00e3o funciona.\u00a0A\u00a0preocupa\u00e7\u00e3o com os pobres, a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres que o Papa Francisco repete sucessivamente, tem exatamente a ver\u00a0com isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o papel das institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social t\u00eam, de alguma forma, combatido &#8220;esse\u00a0pecado&#8221;?<\/em><\/p>\n<p>Sim, claro, quer dizer, em primeiro lugar, a Igreja, que tem sido a institui\u00e7\u00e3o em\u00a0Portugal que, ao longo dos s\u00e9culos e hoje ainda, \u00e9 a principal ajuda dos pobres.\u00a0Depois \u00e9 importante n\u00e3o esquecer um outro elemento muito importante, normalmente n\u00e3o\u00a0\u00e9 referido, que \u00e9, os principais ajudantes dos pobres s\u00e3o os pobres.\u00a0\u2018Ai dos pobres se n\u00e3o fossem os pobres\u2019. N\u00e3o s\u00e3o aqueles que falam sobre pobreza, nem s\u00e3o\u00a0os ricos que salvam os pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o solid\u00e1rios no terreno&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, s\u00e3o aqueles que est\u00e3o l\u00e1 e sabem o que \u00e9 a pobreza, porque um dos problemas\u00a0que n\u00f3s temos, daqueles que falam da pobreza, sobretudo nos gabinetes, \u00e9 que est\u00e3o a\u00a0tratar uma pobreza que n\u00e3o existe.\u00a0N\u00e3o conhecem a verdadeira pobreza.<\/p>\n<p>Gasta-se muito dinheiro para coisas que realmente n\u00e3o existem, passam ao lado.\u00a0Por isso \u00e9 que n\u00f3s temos aquela despesa toda e depois no final a taxa da pobreza\u00a0n\u00e3o desce.\u00a0Portanto, n\u00e3o est\u00e3o a perceber o problema. \u00c9 preciso estar com eles, e a Igreja est\u00e1\u00a0com eles, e uma enorme quantidade das institui\u00e7\u00f5es, algumas delas que n\u00e3o s\u00e3o confessionais,\u00a0est\u00e3o tamb\u00e9m com eles.\u00a0E tem sido muito importante, se n\u00e3o fosse isso, a situa\u00e7\u00e3o seria muito pior.\u00a0A pobreza em Portugal seria muito mais dram\u00e1tica e o desespero que n\u00f3s temos numa enorme\u00a0quantidade de pessoas, e em particular crian\u00e7as e jovens, como j\u00e1 foi dito, seria muito mais\u00a0dram\u00e1tico se n\u00e3o fosse assim.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um tema que lhe\u00a0\u00e9 muito querido, sobre o qual j\u00e1 escreveu muitas vezes. E estamos a 10 dias do Natal. N\u00f3s, como crist\u00e3os, celebramos\u00a0o nascimento de Cristo num contexto que est\u00e1, vou-lhe chamar assim, sequestrado pelos interesses\u00a0comerciais. H\u00e1, \u00a0efetivamente neste an\u00fancio, para muitas pessoas \u00e9 o \u00fanico an\u00fancio que\u00a0existe, que vai acontecer algo extraordin\u00e1rio nos pr\u00f3ximos dias, tamb\u00e9m a possibilidade\u00a0de uma mensagem?<\/em><\/p>\n<p>Sim, porque essa \u00e9 a realidade, o Natal desde o Natal, desde o primeiro Natal. N\u00f3s temos de olhar para o Natal com os mesmos olhos que Nossa Senhora, porque o Menino na\u00a0altura n\u00e3o olhava, que Nossa Senhora olhava para esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A incompreens\u00e3o de n\u00e3o haver lugar na hospedaria \u00e9 a incompreens\u00e3o que hoje encontramos nos\u00a0centros comerciais, que encontramos em muitas consoadas e em muitas outras circunst\u00e2ncias,\u00a0e, no entanto, Ele nasce. O ponto \u00e9 esse, o que faz a diferen\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 o nosso reconhecimento,\u00a0o que faz a diferen\u00e7a \u00e9 o facto de Ele nascer, de Ele insistir em nascer, tamb\u00e9m neste tempo,\u00a0e \u00e9 a confian\u00e7a nele que nos salva. N\u00e3o vale a pena estarmos aqui com coisas, nem\u00a0ralhar aos outros, nem ralharmos a n\u00f3s, mas simplesmente recolher aquilo que vem, e que\u00a0vem mais uma vez este ano, como nos anos anteriores, para um mundo que n\u00e3o o compreende e que\u00a0no final at\u00e9 o mata. A hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou\u00a0mal, mas correu mal e acabou mal, e esse \u00e9 o mist\u00e9rio do mal, e, no entanto, a Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0a terceiro dia d\u00e1 a vit\u00f3ria do bem. E, portanto, \u00e9 essa a esperan\u00e7a a \u00fanica coisa que nos\u00a0pode salvar, e tamb\u00e9m \u00e9 isso que n\u00f3s temos de dizer aos pobres. O que falta\u00a0principalmente, nas nossas pol\u00edticas de pobreza, \u00e9 dizer aos pobres que eles s\u00e3o bem-aventurados,\u00a0\u00e9 uma coisa que n\u00f3s n\u00e3o dizemos. Estamos muito preocupados com os problemas,\u00a0estamos muito preocupados com o dinheiro, e n\u00e3o lhes dizemos que s\u00e3o bem-aventurados. Se os pobres percebessem que s\u00e3o bem-aventurados, tudo o resto \u00e9 necess\u00e1rio, n\u00e3o estou a\u00a0dizer para n\u00e3o fazer, mas havia uma mudan\u00e7a no combate \u00e0 pobreza, que \u00e9 aquela mudan\u00e7a\u00a0que o Evangelho trouxe, porque pobres j\u00e1 havia antes, e h\u00e1 depois, mas a diferen\u00e7a\u00a0\u00e9 esta: percebermos que s\u00f3 os pobres \u00e9 que s\u00e3o bem-aventurados,\u00a0que n\u00f3s pr\u00f3prios temos de ser pobres, se quisermos ser bem-aventurados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de pobres em Portugal n\u00e3o desce e, pela primeira vez em sete anos, a taxa de risco de pobreza subiu. Portugal tem 2,1 milh\u00f5es de pobres, ou seja, cerca de um quinto da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre ou est\u00e1 em risco de exclus\u00e3o. Mais preocupante ainda, o facto de ser no grupo de crian\u00e7as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":352728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-352727","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352727"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352727\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/352728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}