{"id":352490,"date":"2024-12-13T09:28:23","date_gmt":"2024-12-13T09:28:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=352490"},"modified":"2024-12-11T11:29:56","modified_gmt":"2024-12-11T11:29:56","slug":"conto-de-natal-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conto-de-natal-2024\/","title":{"rendered":"Conto de Natal 2024"},"content":{"rendered":"<p><em>Joaquim Mexia Alves, Diocese de Leira-F\u00e1tima<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_260113\" aria-describedby=\"caption-attachment-260113\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-260113\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-400x226.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-400x226.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-1024x579.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-768x434.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-1536x868.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-1080x610.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-1280x723.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-980x554.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1-480x271.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joaquim-Mexia-Alves-1.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-260113\" class=\"wp-caption-text\">Joaquim Mexia Alves<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tantas vezes j\u00e1 tinha tentado falar com os seus pais para lhes pedir perd\u00e3o por tantas coisas erradas que tinha feito e que o tinham levado a sair de casa.<\/p>\n<p>Tantos problemas que tinha causado e tinham entristecido os seus pais que, no entanto, sempre lhe respondiam com todo o amor que tinham por ele.<\/p>\n<p>Lembrava-se de ter sa\u00eddo intempestivamente de casa, dizendo que se ia embora para sempre, deixando-os mergulhados numa profunda tristeza e desalento.<\/p>\n<p>Agora via tudo isso, mas naquele tempo, um qualquer mal que ele n\u00e3o entendia, tinha-o levado a quase odi\u00e1-los por n\u00e3o quererem entender, julgava ele, as suas \u201cverdades\u201d.<\/p>\n<p>O que seria feito deles?<\/p>\n<p>Sabia que viviam na mesma casa de sempre, que os anos tinham passado por eles, e algu\u00e9m lhe tinha dito que viviam sem alegria.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ele agora, passados aqueles anos loucos em que se tinha deixado consumir pelos maus caminhos, pela droga, pela sua mania de tudo pensar saber, sentia uma enorme tristeza dentro de si que, quando reflectia conscientemente, percebia que n\u00e3o era s\u00f3 pela vida que tinha levado, mas sobretudo por aquilo que tinha feito a seus pais e por este afastamento deles que agora vivia.<\/p>\n<p>De repente percebeu algo t\u00e3o n\u00edtido que ficou surpreso com ele mesmo.<\/p>\n<p>\u201cAquilo que tinha feito a seus pais\u201d! \u201cTinha feito\u201d!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o se \u201ctinha feito\u201d, pensou ele, era passado e estava muito a tempo de ir ter com eles, pedir perd\u00e3o e deixar que o amor que ele sabia eles lhe tinham, fazer o resto.<\/p>\n<p>Mas dentro dele ainda vivia um orgulho quase incontrolado.<\/p>\n<p>Ir ter com eles e pedir perd\u00e3o era reconhecer que tinha errado e, se ele queria sentir a paz do perd\u00e3o dentro de si, a realidade \u00e9 que teria de reconhecer que afinal n\u00e3o era dono da verdade e tinha errado, e isso parecia-lhe uma barreira quase intranspon\u00edvel.<\/p>\n<p>Mas ele agora estava t\u00e3o bem!<\/p>\n<p>Tinha vencido o v\u00edcio, tinha um bom emprego, um bom apartamento, enfim, uma boa vida e, no entanto, percebia, mais uma vez, que aquela situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o o deixava ser feliz e viver em paz.<\/p>\n<p>Era v\u00e9spera de Natal, e ele lembrou-se de que nesse m\u00eas e nesse dia, algo de bom, de sens\u00edvel, se vivia sempre em casa dos seus pais, com os preparativos e a chegada do Natal, com uma alegria calma e aconchegante.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o rezava h\u00e1 tanto tempo, pensou ele.<\/p>\n<p>Tudo isso tinha afastado da sua vida e j\u00e1 nem se lembrava das ora\u00e7\u00f5es que faziam em casa de seus pais.<\/p>\n<p>De qualquer modo fechou os olhos, baixou a cabe\u00e7a, e quase num murm\u00fario disse: Menino Jesus, se me amas, ajuda-me a nascer de novo.<\/p>\n<p>Veio ao seu cora\u00e7\u00e3o uma certeza inabal\u00e1vel: Tinha que ir a casa dos seus pais nessa noite pedir-lhes perd\u00e3o e que o deixassem passar com eles a noite de Natal.<\/p>\n<p>Num instante colocou algumas coisas num saco e partiu de viagem, porque j\u00e1 era tarde e ainda tinha muito quil\u00f3metros para fazer.<\/p>\n<p>Longe, na terra de seus pais, j\u00e1 se celebrava a Missa do Galo e eles l\u00e1 estavam, como sempre na igreja, tentando viver com alguma alegria a noite de Natal.<\/p>\n<p>Mas era quase imposs\u00edvel, porque o seu filho longe e sem saberem onde, gerava uma tristeza muito profunda nos seus cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Deram as m\u00e3os no Pai Nosso e mesmo sem dizerem nada um ao outro, sabiam que nessa ora\u00e7\u00e3o pediam ao Pai, ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo por aquele filho a quem tanto amavam.<\/p>\n<p>Acabada a Missa sa\u00edram da igreja e caminharam apressadamente, por causa do frio, para sua casa que era ali bem perto.<\/p>\n<p>Quando chegaram perto de casa, perceberam que junto \u00e0 porta de entrada estava um vulto de homem, e ficaram um pouco receosos.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que se aproximavam parecia-lhes que o ar se tornava mais leve, que uma qualquer melodia enchia aquela rua, que uma expectativa alegre tomava conta dos seus cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que reconheceram o seu filho junto \u00e0 porta e, sem pensarem nem um pouco, correram para ele enquanto ele corria para eles, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Abra\u00e7aram-se chorando de alegria e quando ele tentava pedir-lhes perd\u00e3o, eles s\u00f3 lhe diziam: Obrigado, obrigado por teres vindo ter connosco. Vem, entremos em casa e vivamos o Natal que fez renascer o nosso menino.<\/p>\n<p>No pres\u00e9pio, podiam jurar que o Menino Jesus, Maria e Jos\u00e9, sorriam embevecidos com os abra\u00e7os intermin\u00e1veis daquela fam\u00edlia.<\/p>\n<p><em>Joaquim Mexia Alves<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joaquim Mexia Alves, Diocese de Leira-F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":260113,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-352490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352490\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/260113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}