{"id":352458,"date":"2024-12-11T09:00:54","date_gmt":"2024-12-11T09:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=352458"},"modified":"2024-12-10T17:53:08","modified_gmt":"2024-12-10T17:53:08","slug":"um-santo-que-se-fez-pai-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-santo-que-se-fez-pai-natal\/","title":{"rendered":"Um Santo que se fez Pai Natal"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-271042 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Era uma vez um menino nascido nos finais do long\u00ednquo s\u00e9culo terceiro numa cidade mar\u00edtima de nome P\u00e1tara, na regi\u00e3o da actual Turquia, que ficou \u00f3rf\u00e3o na juventude. Filho de pais crist\u00e3os de profunda vida de ora\u00e7\u00e3o que faleceram servindo os doentes e necessitados em tempo de epidemia, meditando na passagem evang\u00e9lica do jovem rico, este jovem partilhou com os pobres muito da fortuna recebida em heran\u00e7a \u00e0 morte dos pais endinheirados. E a solidariedade com os mais desfavorecidos, pobres e crian\u00e7as, foi-se difundindo cedo e deu origem a narrativas reais ou lend\u00e1rias que fizeram hist\u00f3ria. Este menino e jovem chama-se Nicolau. E, como que a anunciar o Natal, \u00e9 um santo celebrado a seis de Dezembro, dia do seu falecimento em 343. Viveu na cidade portu\u00e1ria de Mira, a actual Demre, na prov\u00edncia de Antalya na Turquia, onde desenvolveu intensa actividade apost\u00f3lica como sacerdote e bispo.<\/p>\n<p>Assim se conta, nesta ou noutras vers\u00f5es. Havia tr\u00eas jovens que, n\u00e3o podendo casar porque o pai, a viver em extrema pobreza, n\u00e3o teria os necess\u00e1rios meios materiais para custear os dotes indispens\u00e1veis das filhas, corriam o perigo da escravatura ou de entrarem no mundo da prostitui\u00e7\u00e3o. Nicolau, um dia pela calada da noite, prepara tr\u00eas sacos de moedas, sobe ao telhado da casa t\u00e9rrea daquele entristecido e preocupado pai, lan\u00e7a o ouro pela chamin\u00e9 da lareira e, num salto r\u00e1pido, desce do telhado para desaparecer na escurid\u00e3o da noite. No momento, aquelas tr\u00eas irm\u00e3s secavam \u00e0 lareira as meias que haveriam de cal\u00e7ar no dia seguinte. A\u00ed ca\u00edram aquelas moedas de ouro. Ser\u00e1 por isso que S\u00e3o Nicolau \u00e9 o patrono das jovens solteiras?<\/p>\n<p>Aconselhado por um tio, embarcou em peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Santa para percorrer os mesmos caminhos de Jesus e fazer a solit\u00e1ria experi\u00eancia contemplativa da Sua vida. No regresso levanta-se uma terr\u00edvel tempestade e tripulantes e marinheiros temiam naufragar. Todos, menos Nicolau. Diz-se que, discretamente e enquanto ia pairando o p\u00e2nico entre toda aquela gente, ele aconchegou-se a um canto do navio. Em sil\u00eancio orava. Foi quando o vento abrandou, as ondas aplanaram e a viagem continuou com normalidade. Ser\u00e1 por isso que S\u00e3o Nicolau \u00e9 padroeiro de navegantes e mercadores?<\/p>\n<p>Conta-se, tamb\u00e9m, que tr\u00eas jovens estudantes de teologia a caminho de Atenas haviam parado numa hospedaria para passarem a noite. A\u00ed foram roubados e mortos pelo estalajadeiro que escondeu os cad\u00e1veres numa pipa. Tamb\u00e9m o Bispo Nicolau viajava para Atenas e parou na mesma hospedaria. De noite, em sonhos, ter\u00e1 tido a vis\u00e3o do crime ali cometido. Em ora\u00e7\u00e3o viu os estudantes regressarem \u00e0 vida e obteve a convers\u00e3o do malvado estalajadeiro. Ser\u00e1 por isso que S\u00e3o Nicolau \u00e9 padroeiro dos estudantes entre os quais ganharam tradi\u00e7\u00e3o, nalguns lugares, as Festas Nicolinas?<\/p>\n<p>Assim se conta tamb\u00e9m que houve tr\u00eas meninos assassinados e escondidos num barril de sal que pela ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Nicolau regressaram \u00e0 vida. Tal como se conta que um menino de nome Bas\u00edlio, que havia sido sequestrado por piratas e vendido como escravo a um emir, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o orante de S\u00e3o Nicolau, reapareceu misteriosamente em casa dos pais trazendo consigo o ceptro de ouro daquele soberano. Ser\u00e1 por isso que S\u00e3o Nicolau \u00e9 padroeiro das crian\u00e7as e dos jovens?<\/p>\n<p>Um dia, quando regressava \u00e0 sua cidade depois de dias de intensa actividade apost\u00f3lica, decorria uma assembleia dos bispos e sacerdotes que discutiam sobre quem deveria ser eleito novo bispo da cidade em substitui\u00e7\u00e3o do bispo acabado de falecer. Decidiu, ent\u00e3o, aquela assembleia que seria eleito bispo, de entre os ausentes, o primeiro sacerdote que, a partir daquele momento, entrasse no local da reuni\u00e3o. Dir\u00edamos hoje que se tratou de um acto de pura sinodalidade de uma Igreja que caminha na unidade de comunh\u00e3o e se entrega \u00e0 f\u00e9 no Esp\u00edrito Santo. Apareceu Nicolau que assim foi aclamado Bispo de Mira por todos os presentes. Nessa qualidade, participou, em 325, no Conc\u00edlio de Niceia, o primeiro conc\u00edlio ecum\u00e9nico de que resultou um dos primeiros s\u00edmbolos da f\u00e9 crist\u00e3, o chamado Credo Niceno.<\/p>\n<p>Por se tratar de um santo dos primeiros s\u00e9culos, pouco se saber\u00e1 da sua vida com exactid\u00e3o, mas verdade \u00e9 que, logo ap\u00f3s a morte no ano de 343, come\u00e7ou a ser venerado como santo, o seu t\u00famulo local de peregrina\u00e7\u00e3o e cedo o seu culto se espalhou pela Europa crist\u00e3.<\/p>\n<p>Sendo S\u00e3o Nicolau um santo com t\u00e3o elevado servi\u00e7o aos desamparados e crian\u00e7as que sobe aos telhados a presentear os necessitados, cedo as crian\u00e7as come\u00e7aram a deixar os sapatinhos ao fundo da chamin\u00e9 para que o Menino Jesus enviasse na noite de Natal o S\u00e3o Nicolau amigo das crian\u00e7as e ali depositasse uma prenda enviada do C\u00e9u.<\/p>\n<p>Era assim quando eu era crian\u00e7a. Agora, inspirada ou n\u00e3o na vida de S\u00e3o Nicolau, aparece uma figura de farda vermelha e longas barbas brancas, n\u00e3o j\u00e1 na chamin\u00e9 das nossas casas, mas nos centros comerciais das nossas metr\u00f3poles ou nas ruas e institui\u00e7\u00f5es de aldeias, vilas e cidades, de campainha na m\u00e3o a convidar as crian\u00e7as para um banquete de um consumo insaci\u00e1vel, enquanto l\u00e1 longe, ou ali bem perto, outras crian\u00e7as passam fome ou ensurdecem com os terr\u00edveis bombardeamentos de uma guerra que lhes \u00e9 completamente estranha.<\/p>\n<p>Naturalmente, as crian\u00e7as apreciam, felizes, aquela figura estranha que parece ter vindo do lado de l\u00e1 do mundo para as fotografias de uns dias.<\/p>\n<p>De S\u00e3o Nicolau talvez fiquem as moedas de ouro no cofre de quem as tem. Mas nelas parece j\u00e1 n\u00e3o ficar a espiritualidade do Natal. Porque ao Menino Jesus foram-lhe trancadas muitas portas e a vida j\u00e1 n\u00e3o se faz \u00e0 chamin\u00e9 de uma lareira, mas nas tecnologias que, como os bombardeamentos das guerras, parecem ensurdecer os ouvidos para a convivialidade familiar e a paz.<\/p>\n<p>Como o jovem Nicolau, muito precisamos de visitar Bel\u00e9m e fazermos companhia aos humildes pastores na contempla\u00e7\u00e3o daquela Santa Trindade, ainda que, iluminados por uma estrela, caminhemos \u00e0 boleia dos Magos de um ignoto Oriente.<\/p>\n<p>Guarda, Dia de S\u00e3o Nicolau, 6 de Dezembro de 2024<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<br \/>\n<\/em><em>morgado.salvado@gmail.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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