{"id":351806,"date":"2024-12-08T09:31:31","date_gmt":"2024-12-08T09:31:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=351806"},"modified":"2024-12-05T11:01:17","modified_gmt":"2024-12-05T11:01:17","slug":"portugal-natal-nao-deixem-de-pensar-nas-criancas-que-mais-precisam-sandra-anastacio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-natal-nao-deixem-de-pensar-nas-criancas-que-mais-precisam-sandra-anastacio\/","title":{"rendered":"Portugal\/Natal: \u00abN\u00e3o deixem de pensar nas crian\u00e7as que mais precisam\u00bb &#8211; Sandra Anast\u00e1cio"},"content":{"rendered":"<p><em>A Ajuda de Ber\u00e7o foi fundada em mar\u00e7o de 1998 e abriu a sua primeira casa de acolhimento em janeiro do ano seguinte com 20 camas, mas em 26 anos j\u00e1 deu colo a centenas de crian\u00e7as e j\u00e1 tem mais espa\u00e7os para as receber. Sandra Anast\u00e1cio, fundadora da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 convidada da entrevista conjunta Ecclesia\/Renascen\u00e7a, para falar deste trabalho<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sandra-Anastacio-ajuda-berco.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-135500 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sandra-Anastacio-ajuda-berco.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sandra-Anastacio-ajuda-berco.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sandra-Anastacio-ajuda-berco-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sandra-Anastacio-ajuda-berco-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sandra-Anastacio-ajuda-berco-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sandra-Anastacio-ajuda-berco-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A Ajuda de Ber\u00e7o, da qual \u00e9 fundadora, cresceu nos \u00faltimos anos. Tem, nesta altura, quantas casas de acolhimento e est\u00e1 a ajudar quantas crian\u00e7as e de que idade?<\/em><\/p>\n<p>Infelizmente at\u00e9 estamos a ajudar menos crian\u00e7as, estamos a ajudar 35. At\u00e9 2021 t\u00ednhamos duas casas e ajud\u00e1vamos 40 crian\u00e7as, 20 em cada casa. A regulamenta\u00e7\u00e3o tem mudado, a lei tem mudado, as casas t\u00eam de ser cada vez mais pequenas para que tenham um ambiente familiar e ao mudarmos, em 2021, inauguramos a casa de Benfica. Quando inauguramos esta casa, a premissa era triplicar a nossa capacidade de resposta, era manter, transferir as crian\u00e7as que estavam na casa da Avenida de Ceuta para a casa nova, ter ali uma unidade de cuidados especiais para crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de abandono com problemas de sa\u00fade e manter a casa de Monsanto a funcionar.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem mudado muito, a regulamenta\u00e7\u00e3o das casas de acolhimento residencial para crian\u00e7as tamb\u00e9m, acabamos por fechar a casa da Avenida de Ceuta, que foi a primeira e era para isso que esta casa estava a ser constru\u00edda. Acabamos por fechar, em 2022, a casa de Monsanto porque a Ajuda de Ber\u00e7o vive essencialmente de donativos e angariar dinheiro n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, o Estado participa com uma percentagem muito reduzida daquilo que \u00e9 o nosso or\u00e7amento. Foi uma decis\u00e3o que nos custou bastante, porque a casa precisava de muitas obras tamb\u00e9m e n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro para investir mais, depois do investimento de 2 milh\u00f5es de euros na casa nova, e fechamos a casa de Monsanto. Estamos atualmente aqui, muito perto aqui da Renascen\u00e7a, em Benfica, com uma casa onde cabem 35 meninos, mas tamb\u00e9m isto est\u00e1 a ser agora negociado com a Seguran\u00e7a Social e possivelmente vamos passar para 30 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E porqu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>Por causa desta nova lei em que as casas t\u00eam de ser pequenas, com ambiente familiar. Como se o ambiente familiar, na minha opini\u00e3o, fosse garantido pelo n\u00famero de pessoas que l\u00e1 vivem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem havido uma perce\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que as casas de acolhimento n\u00e3o s\u00e3o provavelmente a melhor solu\u00e7\u00e3o para as crian\u00e7as abandonadas. Conhecendo o trabalho da Ajuda de Ber\u00e7o, imagino que n\u00e3o seja muito f\u00e1cil gerir essa perce\u00e7\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Efetivamente uma casa de acolhimento n\u00e3o \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o para nenhuma crian\u00e7a e estamos todos de acordo, n\u00e3o \u00e9? Agora o que \u00e9 que n\u00f3s estamos a oferecer? Estamos a oferecer fam\u00edlias de acolhimento que n\u00e3o s\u00e3o definitivas para a vida de uma crian\u00e7a e n\u00e3o sendo definitivas\u2026 a mim faz-me muita impress\u00e3o que um beb\u00e9 saia da maternidade com uma decis\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o e que tenha de passar por uma fam\u00edlia de acolhimento, tenha de se vincular a uma fam\u00edlia de acolhimento, a fam\u00edlia tenha que se vincular com a crian\u00e7a e ao fim de X meses ou anos a crian\u00e7a seja retirada para ir para uma fam\u00edlia definitiva de ado\u00e7\u00e3o. Daquilo que \u00e9 a minha experi\u00eancia de cerca de 30 anos, acho que isto \u00e9 mais perverso para uma crian\u00e7a que se vincula a pessoas espec\u00edficas, que se habitua a colos e a nomes e at\u00e9 trata a m\u00e3e de acolhimento por m\u00e3e e depois vai conhecer outra m\u00e3e.<\/p>\n<p>Qquando fundamos a Ajuda de Ber\u00e7o era exatamente para contrariar esta ideia de orfanato, porque \u00e9ramos totalmente contra das crian\u00e7as ao monte numa casa, tratadas de forma completamente igualit\u00e1ria e a Ajuda de Ber\u00e7o conseguiu fazer a diferen\u00e7a e as casas de acolhimento hoje, na sua maioria, fazem a diferen\u00e7a. S\u00e3o de facto, efetivamente, n\u00e3o uma casa familiar, mas uma casa que permite que as crian\u00e7as possam viver num ambiente mais parecido com uma fam\u00edlia: elas s\u00e3o tratadas com individualidade, t\u00eam os seus objetos pessoais perfeitamente identificados, que s\u00e3o seres \u00fanicos e irrepet\u00edveis, mas que vivem com um grupo de amigos de 15, 20 crian\u00e7as que partilham os mesmos problemas, no fundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As idades quais s\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento, a Ajuda de Ber\u00e7o nasceu no \u00e2mbito do referendo do aborto e acolhia beb\u00e9s. O pa\u00eds tem mudado tanto que hoje a crian\u00e7a mais pequena tem 2 anos e a crian\u00e7a mais crescida tem 13 anos. E aquilo que percebemos com as crian\u00e7as mais crescidas, falando agora nas fam\u00edlias de acolhimento, \u00e9 que o facto de partilharem o mesmo problema, o mesmo tipo de vida, isto \u00e0s vezes \u00e9 muito terap\u00eautico para eles, \u201cporque n\u00e3o sou eu s\u00f3 que n\u00e3o tenho uma m\u00e3e ou um pai que me quer levar para o resto da vida, somos todos n\u00f3s, somos os 30 que vivemos aqui, que estamos nesta situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a realidade das fam\u00edlias de acolhimento: as fam\u00edlias de acolhimento atualmente, no meu entender, est\u00e3o muito focadas para os beb\u00e9s e h\u00e1 crian\u00e7as que est\u00e3o na Ajuda de Ber\u00e7o, por exemplo, que t\u00eam mais de 6 anos, que n\u00e3o t\u00eam um projeto de vida como a ado\u00e7\u00e3o, e que podiam estar numa fam\u00edlia de acolhimento, mas para estas crian\u00e7as n\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlias de acolhimento\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso deve-se a raz\u00f5es financeiras, a falta de sensibiliza\u00e7\u00e3o da comunidade no seu todo para estas situa\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que h\u00e1 falta de sensibiliza\u00e7\u00e3o da comunidade para isto: uma crian\u00e7a na pr\u00e9-adolesc\u00eancia d\u00e1 mais trabalho do que um beb\u00e9, todos sabemos, a mochila que estas crian\u00e7as trazem de sofrimento e at\u00e9 a sua hist\u00f3ria familiar \u00e9 mais dif\u00edcil. Por outro lado, estas crian\u00e7as mant\u00eam contactos, na sua maioria, com os seus familiares biol\u00f3gicos e a fam\u00edlia de acolhimento tem de estar numa situa\u00e7\u00e3o em que tem de permitir esses contactos e torna tudo muito mais complicado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s estamos a ver que s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es complexas. Estamos a falar de situa\u00e7\u00f5es de desemparo, de abandono, tamb\u00e9m de viol\u00eancia dom\u00e9stica, \u00e9 este o perfil das crian\u00e7as?<\/em><\/p>\n<p>Abuso sexuais, tamb\u00e9m, sim, estamos a falar de uma grande variedade de problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muito peso na mochila, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Muito peso na mochila, o abandono\u2026 o abandono n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quando o pai e a m\u00e3e n\u00e3o v\u00eam mais, n\u00e3o \u00e9? O abandono \u00e9 tamb\u00e9m quando o pai e a m\u00e3e v\u00eam, mas n\u00e3o v\u00eam como eu quero que venham &#8211; e como eu quero que venham \u00e9 que o pai venha e me tire daqui, que eu n\u00e3o precise de estar aqui ou que n\u00e3o esteja nesta fam\u00edlia de acolhimento. Todas as crian\u00e7as querem estar na sua fam\u00edlia com o seu pai e com a sua m\u00e3e, por muito\u2026 n\u00e3o h\u00e1 pais maus para as crian\u00e7as, h\u00e1 pais que n\u00e3o conseguem cumprir e isto \u00e9 incompreens\u00edvel para uma crian\u00e7a. Este peso \u00e9 muito dif\u00edcil, a comunidade n\u00e3o est\u00e1 sensibilizada para isto, as entidades oficiais tamb\u00e9m n\u00e3o fazem um bom marketing ou uma boa pol\u00edtica de verdade junto destes potenciais interessados em serem fam\u00edlias de acolhimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Devia-se investir em sua opini\u00e3o nessa \u00e1rea?<\/em><\/p>\n<p>Com certeza, porque estamos a romantizar a fam\u00edlia de acolhimento, n\u00e3o \u00e9? Eu tamb\u00e9m, durante 20 anos da Ajuda de Ber\u00e7o, s\u00f3 acolhi beb\u00e9s, d\u00e3o muito trabalho porque comem de manh\u00e3, de tarde e de noite, mas \u00e9 um pres\u00e9pio, um beb\u00e9 \u00e9 um pres\u00e9pio, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 uma maravilha estar com um beb\u00e9 numa casa, quem resiste a um beb\u00e9? Uma crian\u00e7a com mais de 6 anos, com as suas quest\u00f5es de vida, \u00e9 bastante complicado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os pr\u00f3prios processos de ado\u00e7\u00e3o melhoraram em Portugal do seu ponto de vista ou n\u00e3o? Ou estamos a marcar passo?<\/em><\/p>\n<p>Os processos de ado\u00e7\u00e3o para mim nunca estiveram mal, a Justi\u00e7a deve ser mais r\u00e1pida, sem d\u00favida alguma. Mas eu percebo que o magistrado tenha muita dificuldade em decretar uma senten\u00e7a para ado\u00e7\u00e3o, quando h\u00e1 uma fam\u00edlia presente que tem muitas dificuldades, em que a pobreza n\u00e3o pode ser um sin\u00f3nimo de exclus\u00e3o para um pai n\u00e3o ser pai, ou uma m\u00e3e n\u00e3o ser m\u00e3e. A sa\u00fade mental, que \u00e9 um problema grav\u00edssimo no nosso pa\u00eds e no nosso mundo hoje em dia, n\u00e3o pode ser tamb\u00e9m um fator de exclus\u00e3o para tirar a paternidade ou a maternidade de uma crian\u00e7a. Efetivamente, a ado\u00e7\u00e3o para mim \u00e9 como as fam\u00edlias de acolhimento: s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o perfeita. N\u00f3s temos de dotar as fam\u00edlias das crian\u00e7as para que sejam capazes de ser fam\u00edlias destas crian\u00e7as. Porque assim \u00e9 que as coisas est\u00e3o corretas, assim \u00e9 que o mundo funciona bem. Portanto, para mim a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o perfeita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nesse sentido, pergunte-lhe como v\u00ea a articula\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os do Estado que tutelam as pol\u00edticas para a inf\u00e2ncia?<\/em><\/p>\n<p>Uma institui\u00e7\u00e3o, com a Ajuda de Ber\u00e7o, que tem uma equipa t\u00e9cnica exigente, est\u00e1 em cima dos servi\u00e7os que tutelam a ado\u00e7\u00e3o, est\u00e1 em cima do tribunal, est\u00e1 em cima das equipas de ado\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o podemos ter, eu n\u00e3o posso nunca achar que o meu dia est\u00e1 feito. Estas equipas que trabalham com crian\u00e7as n\u00e3o podem achar, \u201cpronto, eu hoje fiz tudo\u201d. Nunca se faz tudo. H\u00e1 sempre muita coisa para fazer e, portanto, a partir do momento em que os t\u00e9cnicos passam s\u00f3 a elaborar relat\u00f3rios de acordo com aquilo que a lei obriga, nunca vamos conseguir resolver situa\u00e7\u00f5es de uma forma r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Levando ainda para a ado\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 uma coisa importante que quero dizer sobre isto: n\u00e3o h\u00e1 beb\u00e9s para adotar, h\u00e1 crian\u00e7as que t\u00eam uma mochila muito pesada e para isto tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 casais. Portanto, quando falamos que nas casas de acolhimento est\u00e3o muitas crian\u00e7as, n\u00f3s somos um dos pa\u00edses que t\u00eam mais crian\u00e7as institucionalizadas. Eu tenho crian\u00e7as h\u00e1 v\u00e1rios anos com senten\u00e7a de ado\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o adotadas porque n\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlias para o perfil daquelas crian\u00e7as. Crian\u00e7as com mais de seis, sete, oito anos, onze anos, com problemas de sa\u00fade, ainda o problema da cor da pele, a quest\u00e3o da cor da pele, ainda s\u00e3o quest\u00f5es que pesam nas fam\u00edlias. H\u00e1 menos de 15 dias eu tive uma crian\u00e7a internada num hospital, com onze anos, com uma crise de ansiedade, com um problema de sa\u00fade grave, e o que ela me cobrou nesse dia foi &#8211; ela tem uma senten\u00e7a para a ado\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cpor que \u00e9 que os meus pais n\u00e3o me quiseram e por que \u00e9 que tu arranjas pais para toda a gente e para mim n\u00e3o?\u201d. \u00c9 muito duro ouvir isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 duro de ouvir\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 outra coisa sen\u00e3o a verdade, \u00e9 explicar por que \u00e9 que os pais n\u00e3o quiseram e porque \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 uma fam\u00edlia da ado\u00e7\u00e3o, porque de facto as pessoas s\u00e3o todas muito boas, mas as pessoas t\u00eam todas muito medo. Isso foi o que eu disse a esta menina de onze anos, e n\u00f3s temos todos muito medo, n\u00f3s temos medo de viver, n\u00f3s temos medo de nos entregarmos ao pr\u00f3ximo, n\u00f3s temos medo de nos dedicarmos ao pr\u00f3ximo. Se h\u00e1 um apelo que eu possa fazer a partir daqui \u00e9 que as pessoas que sentem esta generosidade, que t\u00eam esta generosidade, que sentem este apelo de fazer a diferen\u00e7a na vida de uma crian\u00e7a, n\u00e3o tenham medo e pensem nas crian\u00e7as que mais precisam, que s\u00e3o efetivamente aquelas que t\u00eam a mochila mais pesada, mas s\u00e3o aquelas que precisam mais do amor de quem est\u00e1 bem na vida, de quem est\u00e1 realizado com a sua fam\u00edlia, de quem sente uma vontade enorme de dar ao pr\u00f3ximo e n\u00e3o sabe como. H\u00e1 muitas crian\u00e7as nas casas de acolhimento que n\u00e3o s\u00e3o perfeitas, que n\u00e3o s\u00e3o os \u201cbeb\u00e9s nestl\u00e9\u201d, mas s\u00e3o crian\u00e7as que t\u00eam muito amor para dar, n\u00e3o logo \u00e0 primeira vista, porque as crian\u00e7as, gra\u00e7as a Deus, tamb\u00e9m s\u00e3o mais naturais do que n\u00f3s, s\u00e3o mais verdadeiras do que n\u00f3s, e at\u00e9 gostarem, e at\u00e9 se entregarem, e at\u00e9 perceberem que \u00e9 mesmo para a vida toda, d\u00e3o ali um bocadinho de trabalho, mas vale a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, investir nessa sensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias e deixa aqui esse apelo, e tamb\u00e9m deve ser priorit\u00e1rio ajudar as fam\u00edlias de origem a dar a volta \u00e0 vida, para poderem receber de novo os filhos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Essa para mim \u00e9 a primeira condi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9? Conto-lhe tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria: em agosto eu tinha uma m\u00e3e, com alguns problemas de sa\u00fade mental, que queria visitar os filhos e n\u00e3o podia j\u00e1, porque tinha v\u00e1rias multas da Carris, e eu chamei e perguntei, mas como \u00e9 que isto \u00e9 poss\u00edvel? J\u00e1 tinha d\u00edvidas, montes de d\u00edvidas de multas, e n\u00e3o tinha dinheiro, n\u00e3o tinha comida em casa, n\u00e3o tinha dinheiro. As equipas competentes n\u00e3o a estavam efetivamente a ajudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nem a encaminh\u00e1-la para a quest\u00e3o do passe ser mais acess\u00edvel agora, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Nada. Em agosto n\u00f3s todos estamos quase todos de f\u00e9rias, n\u00e3o \u00e9? Mas quem trabalha na \u00e1rea social n\u00e3o pode estar de f\u00e9rias, e quem vai ter de ir de f\u00e9rias em agosto na \u00e1rea social tem de pensar que h\u00e1 pessoas que dependem delas, que dependem de um apoio, que dependem do RSI, que dependem de um subs\u00eddio, que dependem de uma ajuda, e podemos inconscientemente, e de uma forma negligente, estar a condenar uma pessoa \u00e0 morte, porque isto \u00e9 a morte de uma pessoa &#8211; uma pessoa que tem um filho que lhe \u00e9 retirado, que precisa de cumprir, de fazer uma s\u00e9rie de provas para conseguir recuperar um filho, e ainda por cima n\u00e3o tem o b\u00e1sico, que \u00e9 comida para comer em casa e dinheiro para se transportar, porque em Lisboa n\u00e3o se consegue transportar facilmente se n\u00e3o tivermos um passo social, n\u00e3o \u00e9? A n\u00e3o ser que estejamos aqui agora na Buraca e moremos em Benfica, n\u00f3s conseguimos facilmente vir a p\u00e9, mas quem mora em Carnaxide e tenha de vir a Lisboa n\u00e3o consegue fazer isto com facilidade. Portanto, enquanto n\u00f3s n\u00e3o fizermos uma interven\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e de verdade junto das fam\u00edlias portuguesas n\u00e3o estamos a fazer nada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 nos contou a\u00ed algumas das hist\u00f3rias que a marcaram. Sendo fundadora desta associa\u00e7\u00e3o, percebe-se que \u00e9 uma miss\u00e3o de vida. Ter f\u00e9 ajudou a lidar com estas situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o marcantes?<\/em><\/p>\n<p>Para mim \u00e9 fundamental, quer dizer, em primeiro lugar eu estou na Ajuda de Ber\u00e7o por uma quest\u00e3o de f\u00e9. Em segundo lugar todo o meu caminho \u00e9 uma quest\u00e3o de f\u00e9, n\u00e3o \u00e9? Eu entendo isto como um servi\u00e7o de amor ao pr\u00f3ximo, sem d\u00favida nenhuma, nem conseguiria nunca fazer este trabalho, eu sei que h\u00e1 pessoas que conseguem, eu n\u00e3o conseguiria fazer este trabalho se a f\u00e9 n\u00e3o fosse a minha base, porque depois \u00e9 dif\u00edcil continuar a acreditar, n\u00e3o \u00e9? E aqui Deus ajuda-nos bastante a perceber que o sofrimento n\u00e3o \u00e9 gratuito e que n\u00f3s todos juntos podemos mexer o mundo e tornar o mundo um s\u00edtio melhor. E, de facto, temos conseguido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda h\u00e1 pouco dizia que as crian\u00e7as t\u00eam algumas coisas em que n\u00e3o disfar\u00e7am, ao contr\u00e1rio dos adultos. O Papa Francisco criou uma estrutura pr\u00f3pria dentro do Vaticano para uma nova jornada mundial, a Jornada Mundial da Crian\u00e7a, que ele tamb\u00e9m criou, e h\u00e1 duas coisas que me chamam a aten\u00e7\u00e3o: a primeira \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a na idade em que ela est\u00e1, n\u00e3o apenas por quilo em que ela se vir\u00e1 a tornar; e o segundo \u00e9 aprender com elas. Surpreendeu-a? <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, a mim n\u00e3o me surpreendeu nada, porque o Papa conhece o seu rebanho, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 um sinal importante para a sociedade, tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida nenhuma. E o Papa disse uma coisa, em tempos, muito importante e eu tenho feito disso um modo tamb\u00e9m na minha vida: n\u00f3s temos de ter o cheiro das nossas ovelhas. Isto serve para o Papa, serve para os senhores padres, serve para os diretores e presidentes de institui\u00e7\u00f5es. Eu tenho de cheirar a crian\u00e7a, eu tenho de estar no meio das crian\u00e7as. As crian\u00e7as n\u00e3o podem estar ali e que eu estou aqui agora a falar sobre crian\u00e7as. Isso \u00e9 imposs\u00edvel. Portanto, n\u00f3s temos todos de mexer na vida, cheirar a vida e estar na vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 tamb\u00e9m uma decis\u00e3o que valoriza, de alguma forma, o pr\u00f3prio ouvir o que as crian\u00e7as t\u00eam a dizer. Sabemos que em situa\u00e7\u00f5es, por exemplo, como nos abusos, nem sempre a voz das crian\u00e7as \u00e9 levada a s\u00e9rio logo de in\u00edcio, porque se desvaloriza, de facto, esse papel da crian\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p>E foi isso que n\u00f3s aprendemos todos agora, n\u00e3o \u00e9? Ou que muitos aprenderam, que se tem de ouvir, porque um adulto \u00e9 o resultado de uma crian\u00e7a ferida. E eu digo sempre, muitas vezes em tribunal, quando tenho uma m\u00e3e a lutar pelos seus filhos e que eu estou a representar as crian\u00e7as, que eu estou perante duas crian\u00e7as, a crian\u00e7a que tenho e a crian\u00e7a que gerou outra crian\u00e7a. Ningu\u00e9m entende o amor, nem ningu\u00e9m entende o cuidado ao outro, se n\u00e3o o teve. E esta \u00e9 a batalha, n\u00f3s temos de ouvir as crian\u00e7as, temos de estar com as crian\u00e7as, temos de ouvir os pobres, temos de estar com os pobres, porque sen\u00e3o s\u00e3o pol\u00edticas cheias de palavras bonitas, mas vazias de conte\u00fado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temos tamb\u00e9m de falar da quest\u00e3o financeira da Ajuda de Ber\u00e7o, \u00e9 uma Institui\u00e7\u00e3o de Solidariedade Social, como \u00e9 que sobrevivem? O apoio do Estado \u00e9 suficiente, s\u00e3o apoiados por privados, a Igreja tamb\u00e9m ajuda,?<\/p>\n<p>A f\u00e9 \u00e9 o que me salva. E obviamente que eu tenho preocupa\u00e7\u00f5es com o dinheiro, mas \u00e9 a minha \u00faltima preocupa\u00e7\u00e3o. Eu entendo a Ajuda de Ber\u00e7o como um servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo e entendo, neste enquadramento da f\u00e9, que esta obra vai permanecer enquanto Deus quiser.<\/p>\n<p>A Ajuda de Ber\u00e7o, neste sentido, tem sido alvo de grandes milagres. O povo portugu\u00eas tem sido muito generoso com a Ajuda de Ber\u00e7o. N\u00f3s gastamos, por ano, cerca de um milh\u00e3o e meio e o Estado portugu\u00eas s\u00f3 participa com 30% deste valor. Tudo o resto tem sido garantido gra\u00e7as \u00e0 generosidade de n\u00f3s todos, atrav\u00e9s do IRS, atrav\u00e9s da Igreja e do Patriarcado de Lisboa, que tem apoiado muito a Ajuda de Ber\u00e7o, nomeadamente na constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m desta casa, na confian\u00e7a que a Ajuda de Ber\u00e7o transmite de clareza. N\u00e3o h\u00e1 desvios de dinheiros, n\u00e3o h\u00e1 fundos, h\u00e1 contas prestadas, as pessoas t\u00eam a certeza para onde \u00e9 que vai o dinheiro que \u00e9 gasto na Ajuda de Ber\u00e7o e \u00e9 efetivamente gasto com as crian\u00e7as em v\u00e1rias \u00e1reas da vida das crian\u00e7as, naquilo que elas consomem, e nos adultos que s\u00e3o necess\u00e1rios para cuidar destas crian\u00e7as.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Essas contas podem ser consultadas no vosso site?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o p\u00fablicas, est\u00e3o publicadas e, portanto, isto \u00e9 uma clareza. Agora, n\u00f3s estamos sempre a desenvolver campanhas. Esta semana saiu a nossa campanha de Natal, este ano diferente de todas as campanhas que temos feito, porque muitas vezes a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o gosta de ouvir falar de Jesus. N\u00f3s temos tido algum cuidado em n\u00e3o falar muito de Jesus nas nossas campanhas, mas este ano a nossa campanha \u00e9 totalmente transparente sobre isto: \u00e9 pedir \u00e0s pessoas que ajudem o Pai Natal a ajudar o Menino Jesus, que quer ajudar as crian\u00e7as que est\u00e3o na Ajuda de Ber\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m \u00edamos apontar a\u00ed, porque j\u00e1 nos vamos aproximando, estamos no Advento: como \u00e9 vivido o Natal na Ajuda de Ber\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p>Intensamente, aquilo tem v\u00e1rias fases. A primeira come\u00e7ou este domingo com uma visita do Pai Natal \u00e0 Ajuda de Ber\u00e7o, que veio reunir com as crian\u00e7as da Ajuda de Ber\u00e7o para levar as cartas para o Menino Jesus. As crian\u00e7as entregaram-lhe as cartas e isto \u00e9 muito claro na Ajuda de Ber\u00e7o: \u00e9 o Menino Jesus que vai dar os presentes. E os meninos pedem as coisas materiais, mas h\u00e1 meninos que pedem as outras coisas que n\u00e3o s\u00e3o materiais, como por exemplo uma m\u00e3e e um pai, ou a fotografia dos pais que n\u00e3o conhecem. E isto \u00e9 muito dif\u00edcil para o Menino Jesus e para o Pai Natal resolverem e para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 outro momento, \u00e9 celebrada uma Missa no dia 18 de dezembro, em que \u00e9 uma missa comunit\u00e1ria da Ajuda de Ber\u00e7o, onde est\u00e3o as crian\u00e7as, respeitamos sempre aqui tamb\u00e9m as diferen\u00e7as de religi\u00e3o que existem na Ajuda de Ber\u00e7o &#8211; porque h\u00e1 muitas crian\u00e7as que s\u00e3o mu\u00e7ulmanas, que se quiserem participam na Missa, se n\u00e3o quiserem n\u00e3o participam, eles escolhem sempre participar porque de facto \u00e9 um momento de festa e que n\u00e3o os compromete em nada com a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>E depois h\u00e1 o dia de Natal, 24, em que o Pai Natal regressa outra vez \u00e0 casa com todos os presentes que o Menino Jesus mandou entregar. Isto vai sendo trabalhado com as crian\u00e7as como se faz nas nossas casas, de uma forma muito descontra\u00edda. Eles quando me encontram est\u00e3o-me sempre a dizer \u201cquando \u00e9 que o Pai Natal vem? Quando \u00e9 que tu compras?\u201d, porque depois h\u00e1 crian\u00e7as mais crescidas e voltamos outra vez \u00e0quela pedagogia de que \u201cn\u00e3o sou eu, \u00e9 o Menino Jesus\u201d. Portanto \u00e9 uma casa de crian\u00e7as com o ambiente mais pr\u00f3ximo de uma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa presen\u00e7a de crian\u00e7as mu\u00e7ulmanas j\u00e1 \u00e9 reflexo tamb\u00e9m da mudan\u00e7a que a sociedade portuguesa vai registando?<\/p>\n<p>Sim, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 recente. N\u00f3s sempre tivemos, desde h\u00e1 26 anos, a presen\u00e7a de crian\u00e7as mu\u00e7ulmanas na casa e de fam\u00edlias mu\u00e7ulmanas, porque embora as fam\u00edlias n\u00e3o estejam acolhidas na casa, as fam\u00edlias das crian\u00e7as fazem parte da Ajuda de Ber\u00e7o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>T\u00eam de visitar os filhos e ir cumprindo, vamos dizer, provas, n\u00e3o fazem parte desta Missa de Natal, porque era muito conflituoso, porque mexia aqui com muitas sensibilidades que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nesse dia p\u00f4r tudo na mesma sala, mas h\u00e1 crian\u00e7as tamb\u00e9m que passam Natal com as suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a chegar ao fim da entrevista, convidamo-la a deixar a sua mensagem para este Natal\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o deixem de pensar nas crian\u00e7as que mais precisam e que n\u00e3o tenham medo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ajuda de Ber\u00e7o foi fundada em mar\u00e7o de 1998 e abriu a sua primeira casa de acolhimento em janeiro do ano seguinte com 20 camas, mas em 26 anos j\u00e1 deu colo a centenas de crian\u00e7as e j\u00e1 tem mais espa\u00e7os para as receber. Sandra Anast\u00e1cio, fundadora da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 convidada da entrevista conjunta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":135500,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[154,267,314],"class_list":["post-351806","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-crianca","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=351806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351806\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=351806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=351806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=351806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}