{"id":3518,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/deus-na-cidade-do-conego-antonio-rego\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"deus-na-cidade-do-conego-antonio-rego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/deus-na-cidade-do-conego-antonio-rego\/","title":{"rendered":"<i>Deus na Cidade<\/i> do C\u00f3nego Ant\u00f3nio Rego"},"content":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o de Roberto Carneiro <!--more--> Como \u00e9 costume no tribunal quero come\u00e7ar por declarar, sem ambiguidade, que conhe\u00e7o e sou amigo do C\u00f3nego Ant\u00f3nio Rego h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas. Mas, como tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00e1tica dizer-se no foro judicial, tal facto n\u00e3o me impede de dizer a verdade \u2013 toda a verdade \u2013 sobre o distinto Autor que hoje nos tem reunidos.  O Ant\u00f3nio Rego \u2013 pe\u00e7o que aceitem o plebe\u00edsmo do tratamento \u2013 disse-me, h\u00e1 dias, em telefonema para a terra da Madre Teresa onde eu me encontrava circunstancialmente em trabalho, ter ficado \u201ccongelado\u201d com o Pref\u00e1cio do Senhor Patriarca. N\u00e3o \u00e9 caso para menos. Efectivamente, tudo o que eu poderia dizer sobre o livro \u2013 e o seu Autor \u2013 est\u00e1 escrito pelo Senhor D. Jos\u00e9 Policarpo de forma superior, e elegantemente inexced\u00edvel. Assim sendo, que me resta fazer, nas assaz dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es em que me encontro?   Talvez actuar segundo a t\u00e9cnica do micro-ondas para \u201cdescongelar\u201d o Ant\u00f3nio Rego e restitui-lo, como merece, \u00e0 temperatura ambiente dos amigos e admiradores que muito o prezam.   Por tal raz\u00e3o, tentarei desincumbir-me da espinhosa miss\u00e3o que me foi confiada temperando a \u201cfrieza\u201d da cabe\u00e7a, com que se espera que fa\u00e7a a exegese da obra e do seu Autor, com a \u201cquentura\u201d do cora\u00e7\u00e3o, que as \u201ccalorias\u201d do conv\u00edvio e os muitos anos de partilha tornam inevit\u00e1vel.  \u201cDeus na Cidade\u201d \u00e9 uma fascinante narrativa da nossa comum condi\u00e7\u00e3o humana, feita de 240 apontamentos de quotidianos e de dramas da vida real, interpretados pelo olhar perscrutador do jornalista crist\u00e3o. Quero falar-vos de quatro vertentes estruturantes desta not\u00e1vel obra que s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es inequ\u00edvocas de tantas outras dimens\u00f5es fundamentais do seu Autor.  Dimens\u00e3o Comunicacional Este livro \u00e9 uma obra-prima de comunica\u00e7\u00e3o:  \u00e9 a express\u00e3o da for\u00e7a do \u201cverbo\u201d na cidade dos homens. O profano eleva-se ao patamar do sagrado pelo milagre da palavra, cerzida com maestria por um Autor que se mostra profundamente enamorado da condi\u00e7\u00e3o humana, do amor divino, e da dignidade da pessoa que sempre espreita para al\u00e9m da sua incontorn\u00e1vel conting\u00eancia e vulnerabilidade. Esta \u00e9 a obra de um comunicador sem fronteiras que domina, como ningu\u00e9m, a arte da comunica\u00e7\u00e3o radiof\u00f3nica, televisiva, escrita, digital e multim\u00e9dia. Temos na nossa presen\u00e7a o produto de um ex\u00edmio \u201ccontador de hist\u00f3rias\u201d que sabe bem como \u201ctudo come\u00e7a na hist\u00f3ria que nos preenche o cora\u00e7\u00e3o\u201d (pg. 251, Contadores de hist\u00f3rias).   \u00c9 o livro de um portentoso fazedor de linguagens, de alegorias, e de express\u00f5es simb\u00f3licas, que as inventa e recria sabendo como se encontra em tais categorias o sal da vida e o fundamento dos v\u00ednculos sociais. \u201cDeus na Cidade\u201d \u00e9, pois, uma obra inspirada e inspiradora (ou n\u00e3o fosse o Autor oriundo da terra do Divino Esp\u00edrito Santo &#8230;).   Ela merece ser profundamente reflectida e estudada como padr\u00e3o comunicacional em todas as nossas escolas de jornalismo, pela intensidade, frescura e novidade de que \u00e9 portadora. Ant\u00f3nio Rego \u00e9 verdadeiramente o paradigma do comunicador integral.  Dimens\u00e3o Est\u00e9tica Ler este livro \u00e9 sin\u00f3nimo de participar numa aventura est\u00e9tica. A beleza apresenta-se como um atributo da linguagem, e vice-versa, na comunica\u00e7\u00e3o do Autor. \u201cSei que Deus \u00e9 mais est\u00e9tico que \u00e9tico\u201d afirma Ant\u00f3nio Rego (pg. 43, Poesia e publicidade).  Ainda que arrojado, nada de mais coerente no pensamente e na praxis do Autor. Para este esteta da comunica\u00e7\u00e3o cada ideia \u00e9 uma catedral, cada palavra um poema, cada frase um diaporama, cada artigo uma sinfonia (pg. 129, A grande sinfonia). O seu impulso comunicacional \u2013 irreprim\u00edvel e torrencial \u2013 \u00e9 um hino permanente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e \u00e0 beleza que ele consegue descortinar no que olha, toca, ouve, cheira ou saboreia. A sua prosa cheira a maresia.   Como impenitente a\u00e7oriano, o Autor busca no horizonte largo do oceano, na contempla\u00e7\u00e3o do infinito, o b\u00e1lsamo para curar as mazelas do quotidiano mesquinho. Ant\u00f3nio Rego \u00e9 genuinamente um esteta da comunica\u00e7\u00e3o.  Dimens\u00e3o Cultural Este \u201cDeus na Cidade\u201d \u00e9 um acto denso de cultura. Desprovido de cultura, o homem encontra-se perdido na imensid\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o hist\u00f3ricos.  Nesta exacta medida, o Autor afirma-se nesta obra como um homem de cultura inequivocamente enraizado na cidade e na hist\u00f3ria dos homens. Cultura que interpreta sem conhecer fadiga, que proporciona o bisturi para a compreens\u00e3o \u201ccir\u00fargica\u201d da complexidade reinante, e que procura o sentido final das coisas e da exist\u00eancia.  Incessantemente, e com a assumida coragem de dizer a verdade, como \u00e9 t\u00edpico da cria\u00e7\u00e3o cultural. Ant\u00f3nio Rego deambula pelo mundo da cultura com o \u00e0 vontade de quem cedo compreendeu que cultura e f\u00e9 encerram \u201cuma chave transcendente e subtil da exist\u00eancia do mundo e do &#8230; pr\u00f3prio ser\u201d (pg. 55, Maria de Lourdes Belchior). A obra \u00e9, assim, uma valiosa oferenda do Homo Sapiens que \u00e9 Ant\u00f3nio Rego.   Ela \u00e9 um pronunciamento vigoroso a favor de uma \u201cNova Cidade\u201d \u2013 uma Nova Jerusal\u00e9m \u2013 onde o ego\u00edsmo cede o passo \u00e0 fraternidade, o consumismo se rende \u00e0 partilha, e o ef\u00e9mero se encontra com o eterno. Ant\u00f3nio Rego \u00e9 autenticamente um homem de cultura, e maxime, de sabedoria.  Dimens\u00e3o Eclesial Este opus magnum do Autor \u00e9, como dissemos, uma narrativa singular da densidade humana vivida na cidade contempor\u00e2nea. Mas n\u00e3o \u00e9 uma narrativa qualquer.  A hist\u00f3ria da urbanidade vem escrita, e descrita, com rara densidade eclesial. \u00c9 a vis\u00e3o de quem, no evento mais simples, insiste em descobrir a dimens\u00e3o c\u00f3smica do povo de Deus, a saga do Homo Viator na sua caminhada da Salva\u00e7\u00e3o. \u201cDeus na Cidade\u201d \u00e9, por isso, um legado testemunhal, a obra de um Padre que \u00e9 sacramento e sinal vivo de esperan\u00e7a para os demais humanos que o rodeiam.  \u00c9 um brado de coragem de algu\u00e9m que navega, sem medo, pelas vielas escuras da cidade feita do del\u00edrio do prazer, da vertigem do nada, dos abismos de alma. Deste modo \u2013 desassombrada e infatigavelmente \u2013 o Autor participa na revela\u00e7\u00e3o do Deus misericordioso que permanece enamorado dos homens e que desce \u00e0s \u201cruas e pra\u00e7as\u201d prodigalizando \u201csinais vis\u00edveis do sagrado\u201d na sua atribulada cidade (pg. 93, F\u00e9 e vida).   \u00c9 o legado do crente.   \u00c9 a reafirma\u00e7\u00e3o, sem tibieza, de que Religi\u00e3o \u00e9 religare; que a sua miss\u00e3o compreende tamb\u00e9m o estabelecimento de tra\u00e7os de uni\u00e3o e o fortalecimento de liga\u00e7\u00f5es interpessoais propiciadores ambos de comunidade e de proximidade. Desde muito jovem, o Autor decidiu viver a sua singular eclesiologia na abertura de novos caminhos: na pastoral das comunica\u00e7\u00f5es; no jornalismo; na programa\u00e7\u00e3o religiosa;  na liturgia;  na m\u00fasica sacra;  no ensino superior; na salva\u00e7\u00e3o da polis. Na sua intensidade eclesial, importa reconhec\u00ea-lo, Ant\u00f3nio Rego anuncia a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o da e na cidade, antecipando-se, na sua profecia, \u00e0 miss\u00e3o para que somos hoje convocados. O Autor transporta no seu interior um grande tesouro. Ant\u00f3nio Rego \u00e9 exemplarmente um homem de F\u00e9.  *************************************  Termino com duas mensagens de felicita\u00e7\u00f5es e outra de agradecimento. Felicita\u00e7\u00f5es \u00e0 PAULUS Editora e a Agostinho Fran\u00e7a pela oportuna iniciativa de publica\u00e7\u00e3o de uma verdadeira p\u00e9rola editorial. Felicita\u00e7\u00f5es a todos os leitores e falantes de l\u00edngua portuguesa que t\u00eam a possibilidade \u2013 estruturada \u2013 de conhecer mais aprofundadamente o pensamento deste fil\u00f3sofo da contemporaneidade e semeador de esperan\u00e7a que \u00e9 Ant\u00f3nio Rego. Um agradecimento, muito sentido, ao Autor por nos permitir a frui\u00e7\u00e3o da sua extraordin\u00e1ria pluridimensionalidade: comunicacional, est\u00e9tica, cultural e eclesial. Um agradecimento antecipado pelos tesouros que ele tem armazenados e que nos ser\u00e3o mostrados no futuro, \u00e0 semelhan\u00e7a do museu em que as pe\u00e7as mais valiosas aguardam ainda a oportunidade de serem desvendadas. Sobretudo, meu caro Ant\u00f3nio Rego, obrigado  \u00b7 por existires \u00b7 por seres quem \u00e9s \u00b7 por propores sem impores \u00b7 por te ofereceres como dom gratuito \u00b7 por seres inspira\u00e7\u00e3o para tantos \u00b7 por nos mostrares o rosto de Cristo na cidade.  Roberto Carneiro Forum Picoas, Lisboa, aos 24 de Novembro de 2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o de Roberto Carneiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[161,168,246,248,265,268],"class_list":["post-3518","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-liturgia","tag-madre-teresa","tag-musica","tag-nova-evangelizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3518"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3518\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}