{"id":35159,"date":"2008-11-10T16:55:03","date_gmt":"2008-11-10T16:55:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/11\/10\/discurso-de-d-jorge-ortiga-na-abertura-da-assembleia-plenaria\/"},"modified":"2008-11-10T16:55:03","modified_gmt":"2008-11-10T16:55:03","slug":"discurso-de-d-jorge-ortiga-na-abertura-da-assembleia-plenaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-d-jorge-ortiga-na-abertura-da-assembleia-plenaria\/","title":{"rendered":"Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plen\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>\u00abSer Igreja num estilo novo\u00bb <!--more--> <i>\u201cNeste longo peregrinar, a confiss\u00e3o mais frequente nos l\u00e1bios dos crist\u00e3os foi a falta de participa\u00e7\u00e3o na vida comunit\u00e1ria, propondo-se encontrar novas formas de integra\u00e7\u00e3o na comunidade. A palavra de ordem era, e \u00e9, construir caminhos de comunh\u00e3o. \u00c9 preciso mudar o estilo de organiza\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para ter uma Igreja ao ritmo do Conc\u00edlio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a fun\u00e7\u00e3o do clero e do laicado, de quando fomos baptizados e integrados na fam\u00edlia dos filhos de Deus, e todos somos correspons\u00e1veis pelo crescimento da Igreja\u201d. (Bento XVI aos bispos portugueses, 1 de Novembro de 2007)<\/i>  Esta Assembleia \u00e9 a primeira dum novo tri\u00e9nio. \u00c9 natural que pensemos num programa ou nos interroguemos sobre os ritmos a tra\u00e7ar. Pareceu-me importante e necess\u00e1rio voltar ao discurso do Papa Bento XVI aos bispos Portugueses por ocasi\u00e3o da visita ad limina. A interpreta\u00e7\u00e3o, desvirtuada e parcial, que muitos lhe dedicaram, pode coloc\u00e1-lo no esquecimento e penso que ser\u00e1 oportuno que nos acompanhe nas variadas iniciativas deste novo tri\u00e9nio. No desejo de irmos relendo e ponderando aplica\u00e7\u00f5es pastorais que ele encerra, j\u00e1 estou a testemunhar a nossa comunh\u00e3o eclesial de vida e ora\u00e7\u00e3o com o Santo Padre, para que o Esp\u00edrito continue actuando na Igreja a favor duma sociedade mais humana. Nesta comunh\u00e3o agradecemos a dedica\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o eclesial de D. Alfio Rapisarda, que conviveu connosco cerca de seis anos e, desde j\u00e1, expressamos a mais profunda comunh\u00e3o com o novo N\u00fancio Apost\u00f3lico. Ao D. Antonino Eug\u00e9nio Fernandes Dias, tendo muitos de n\u00f3s estado com ele na apresenta\u00e7\u00e3o solene \u00e0 sua nova Diocese de Portalegre e Castelo Branco, asseguramos a solidariedade eclesial para que a cruz se torne mais leve e fecunda.  <b>1 \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o<\/b> Passou quase um ano, desde a nossa visita ad limina apostolorum. A sauda\u00e7\u00e3o do Santo Padre ainda ecoa em n\u00f3s, com palavras de est\u00edmulo, enumerando o que em Portugal se tinha realizado ao longo dos anos deste novo mil\u00e9nio e tra\u00e7ando algumas tarefas de empenho para o presente quinqu\u00e9nio.  Por outro lado, estamos a entrar no <i>cinquenten\u00e1rio da convoca\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II<\/i>, (1959 \u2013 2009), o que exige a nossa ac\u00e7\u00e3o concertada, n\u00e3o de uma forma te\u00f3rica, pois talvez o tenhamos feito com ousadia, mas agora de uma forma comportamental, testemunhal, no tecido das rela\u00e7\u00f5es eclesiais que ajudamos a construir. Estou convencido de que algumas comunidades muito t\u00eam a fazer para ultrapassar certo estilo mundano de apar\u00eancia, em contraposi\u00e7\u00e3o com a simplicidade da nossa Igreja ao servi\u00e7o do mundo. N\u00e3o basta usar um discurso de teor conciliar. Muita coisa continua a ser programa inacabado.  <b>2 \u2013 A l\u00f3gica da Incarna\u00e7\u00e3o<\/b> O Santo Padre, recordando a caminhada do Jubileu bimilenar, sugeria que para nos tornarmos construtores do Corpo de Cristo dever\u00edamos, como bispos e para a Igreja, <i>ser indicadores da Sua Incarna\u00e7\u00e3o<\/i>.  Como ponto de partida, a consci\u00eancia de ser continuadores de Cristo, convida-nos a n\u2019Ele permanecer como em nossa pr\u00f3pria casa, de modo que o Verbo de Deus \u201cencarne\u201d na vida e no ser de cada homem. Desta seiva positiva nasce a vida nas nossas Igrejas, indicando a cont\u00ednua incarna\u00e7\u00e3o do Senhor nos meandros mais escondidos do humano, inculturando a Sua presen\u00e7a na palavra e no sil\u00eancio, na forma de estar, na aus\u00eancia de prepot\u00eancia, na sensatez de evitar julgamentos e na confian\u00e7a de que Ele venceu o mundo. Para empregar o mesmo texto usado pelo Santo Padre, importa sentar-se onde se sentam os seres humanos, com a simplicidade de uma miss\u00e3o a cumprir, n\u00e3o para nos servirmos dela, mas servindo-a, n\u00e3o para reencontrarmos a primazia, mas escolhendo a cruz como lugar de revela\u00e7\u00e3o definitiva do esplendor de Deus.  Aqui se situa uma viragem j\u00e1 come\u00e7ada, mas n\u00e3o levada at\u00e9 ao fim. O novo estilo de que se fala ter\u00e1 de partir duma Igreja, sem prepot\u00eancias, sem manobras para mais poder e numa sincera convers\u00e3o a Cristo. Se a Igreja em Portugal precisa de ter um rosto mais sereno, jovem, atraente, dial\u00f3gico, terno e misericordioso, ter\u00e1 de partir do interior de quem preside, n\u00e3o como algo colado e para p\u00f4r na primeira p\u00e1gina, mas como companhia constante de Cristo, numa atitude peregrina de quem descobre Deus nos encontros fraternos com os homens e as mulheres deste tempo. Sair de si e das suas exig\u00eancias para partir ao encontro dum mundo concreto onde seres humanos labutam com imensas dificuldades no quotidiano da sua exist\u00eancia. Precisamos duma maior aten\u00e7\u00e3o que nos coloque como servos duma humanidade que busca um sentido. Ver\u00e3o a Cristo no rosto de quem os ama e nunca no de quem deles se serve.   <b>3 \u2013 A comunh\u00e3o como interven\u00e7\u00e3o<\/b> Sabendo ser indicadores de incarna\u00e7\u00e3o, teremos de avan\u00e7ar mais e mais <i>como construtores de comunh\u00e3o<\/i>. Um outro tra\u00e7o da mensagem do Santo Padre. Da viv\u00eancia da nossa identidade crist\u00e3 pode amadurecer nas nossas dioceses a comunh\u00e3o, n\u00e3o como imposi\u00e7\u00e3o nossa, mas como nossa recep\u00e7\u00e3o. S\u00f3 Cristo transporta at\u00e9 n\u00f3s a Trindade, s\u00f3 n\u2019Ele poderemos modelar as nossas comunidades, n\u00e3o para n\u00f3s, nem para os nossos desejos, mas para Ele e para a Sua vontade (cf. Fl 2, 22).  Corremos o perigo de continuar a participar numa cultura egoc\u00eantrica legitimando a nossa atitude com as palavras e com as express\u00f5es do Conc\u00edlio. Mais do que legitimar posi\u00e7\u00f5es sustentadas, importa construir caminhos de comunh\u00e3o, com os nossos directos colaboradores, respeitando as suas traject\u00f3rias, sendo condescendentes para com eles, tratando-os como irm\u00e3os e filhos, amando-os fraterna e paternalmente. Na verdade, \u00e9 com os mais pr\u00f3ximos que come\u00e7a a comunh\u00e3o.  Para n\u00f3s a presid\u00eancia da comunh\u00e3o \u00e9, acima de tudo, <i>afabilidade para com os sacerdotes<\/i>, mansid\u00e3o para com as suas faltas, benevol\u00eancia para com os seus dons, gratid\u00e3o para com o seu trabalho, escuta e partilha nas suas reais necessidades, aconchego e cuidado quando sofrem f\u00edsica, moral ou psicologicamente, amor activo providente para que todos vivam de forma digna.  Uma Igreja-comunh\u00e3o come\u00e7a em casa e a <i>casa do Bispo<\/i> \u00e9 o seu presbit\u00e9rio. A vida da Igreja em Portugal reflecte sempre a comunh\u00e3o do Bispo com os seus padres, em qualquer das Igrejas locais. Um novo estilo de organiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o assente no amor fraterno, vivido em <i>c\u00edrculos de comunh\u00e3o real<\/i>, n\u00e3o far\u00e1 avan\u00e7ar a Igreja, mas constituir\u00e1 mais escolhos que alimentar\u00e3o o pessimismo e a cr\u00edtica. Tudo depende deste primeiro testemunho comunional. O resto acontecer\u00e1.  <b>4 \u2013 A participa\u00e7\u00e3o competente e com gosto<\/b> A partir desta comunh\u00e3o deve incrementar-se um novo estilo de relacionamento entre as pessoas consagradas com os seus carismas e nas par\u00f3quias, derrubando fronteiras \u2013 limites \u2013 e promovendo o testemunho de unidade pastoral em todos os pormenores e actividades. As dioceses, entre si, necessitam de se deixar envolver num programa mais similar nas coordenadas essenciais. S\u00f3 a comunh\u00e3o testemunha o verdadeiro rosto de Deus e nada nos pode desculpar de a construir a todo o custo, de forma consciente e n\u00e3o apenas para ser diferente ou porque a necessidade obriga.   <b>4.1 \u2013 A comunh\u00e3o \u00e9 participa\u00e7\u00e3o<\/b> <i>A participa\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto maduro do gosto e da compet\u00eancia<\/i>. Quem se sente gostosamente acolhido entra e procura fazer e s\u00f3 faz quem se sente competente para tal. O estilo participativo n\u00e3o prov\u00e9m s\u00f3 do an\u00fancio nem da publicidade; prov\u00e9m sim, acima de tudo, da motiva\u00e7\u00e3o. Participa-se naquilo que se prev\u00ea dar mais sentido ou dar outro sentido. A grande motiva\u00e7\u00e3o da Igreja para a participa\u00e7\u00e3o est\u00e1 no seu testemunho de comunh\u00e3o que abre horizontes, fazendo viver e anunciar boas novas.   4.2 \u2013 Forma\u00e7\u00e3o para a participa\u00e7\u00e3o  A participa\u00e7\u00e3o \u00e9 facto irrefut\u00e1vel na Liturgia, na catequese e no \u00e2mbito s\u00f3cio-caritativo. Trata-se, por vezes, mais de uma participa\u00e7\u00e3o de visibilidade e n\u00e3o tanto de uma participa\u00e7\u00e3o de identidade crist\u00e3. Esta deve nascer do interior e concretizar-se na aposta de <i>um itiner\u00e1rio crist\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o<\/i>.  S\u00f3 uma <i>obra humana de forma\u00e7\u00e3o<\/i> suscitar\u00e1 testemunhas acreditadas. Ora, a Igreja em Portugal, por vezes, tem-se distra\u00eddo com quest\u00f5es de visibilidade exterior, ficando secundarizada a constru\u00e7\u00e3o de comunidades de f\u00e9 e a forma\u00e7\u00e3o de agentes de pastoral. Importa despender bens econ\u00f3micos em benef\u00edcio de testemunhas com perfil acad\u00e9mico, para podermos aparecer como proclamadores da Palavra nos are\u00f3pagos modernos. A compet\u00eancia passa pela escola da ora\u00e7\u00e3o, da espiritualidade e da raz\u00e3o, do estudo, da forma\u00e7\u00e3o. Passa n\u00e3o s\u00f3 pela intimidade com Deus, mas tamb\u00e9m pela intimidade com a cultura, com os saberes, em ordem \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de capacidades para dar as raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a. N\u00e3o podemos esperar que seja repentino, mas na certeza de que com o estudo se abre um futuro diferente na comunidade. Leva tempo, mas tem sentido de futuro no horizonte do Reino de Deus. Esta \u00e9 uma viragem a fazer com respeito e com muita esperan\u00e7a.  Ao falar de corresponsabilidade, teremos de atender mais \u00e0 geografia do Povo de Deus que nos est\u00e1 confiado e avan\u00e7ar na organiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio para que o nosso an\u00fancio tenha mais em conta as reais situa\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es. As <i>equipas eclesiais<\/i> ser\u00e3o uma maneira de evangelizar na comunh\u00e3o, com grupos mistos, de leigos e de sacerdotes, apostando em novos estilos com os mais novos e abrindo caminhos mais fraternos. Os mais idosos, sem atropelos que confundem e desmobilizam, participar\u00e3o nas novas experi\u00eancias de unidades pastorais, fazendo circular as suas compet\u00eancias e colocando-se na partilha de uma mem\u00f3ria mais longa.   <b>5 \u2013 A inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 a repensar<\/b>  <b>5.1 \u2013 Viragem na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/b> A mar\u00e9 dos n\u00e3o praticantes, como diz o santo Padre, imp\u00f5e uma reflex\u00e3o e talvez uma <i>viragem no percurso actual da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/i>. O que est\u00e1 a acontecer n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fruto do tempo, numa cultura que rompe decididamente com a institui\u00e7\u00e3o religiosa. \u00c9 tamb\u00e9m a tradu\u00e7\u00e3o da pouca incid\u00eancia da transmiss\u00e3o catequ\u00e9tica. Esta foi uma grande institui\u00e7\u00e3o com relevo, mas perdeu muito do seu conte\u00fado. Muitas vezes me interrogo se a transmiss\u00e3o n\u00e3o resvalou para uma empresa tipicamente humana, pedagogicamente e tecnicamente bem articulada, mas sem teologia e sem discurso crist\u00e3o. Nivelou-se pelos dizeres das ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o e perdeu o f\u00f4lego, o esp\u00edrito daquele que vem do alto, de quem chega como insond\u00e1vel, imprevisto, n\u00e3o medido. Imp\u00f5e-se uma viragem fundamentalmente baseada no ensino dos ap\u00f3stolos, na transmiss\u00e3o dos s\u00edmbolos da f\u00e9 e na Palavra que se recebe, tornando a B\u00edblia um dom, um presente e n\u00e3o um fim. As comunidades n\u00e3o podem descansar no modelo adquirido que favorece, assim o verificamos, a mar\u00e9 n\u00e3o praticante, mas devem fazer a escolha do presente, ensinar no s\u00e9culo XXI, reciclar aprendizagens, utilizar as ferramentas desta era virtual, sem nunca esquecer que o testemunho \u00e9 sempre fundamental.  <b>5.2 \u2013 A f\u00e9 como alicerce cultural<\/b> Importa, ainda, relan\u00e7ar a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 para aqueles que perderam as refer\u00eancias da cultura crist\u00e3 ou para aqueles que nunca as adquiriram. As nossas popula\u00e7\u00f5es hoje s\u00e3o cada vez mais mescladas, oriundas de emigra\u00e7\u00e3o e de imigra\u00e7\u00e3o, com muitos sistemas culturais de \u00edndole neutros e sincr\u00e9ticos a n\u00edvel religioso. As nossas propostas s\u00e3o impregnadas de boa vontade mas, numa grande parte, pouco motivadoras. Mas, isto n\u00e3o basta para fazer crist\u00e3os. \u00c9 necess\u00e1rio um percurso bem delineado com etapas, tempo, animadores e capacidade de se comunicar. Os percursos de inicia\u00e7\u00e3o n\u00e3o se fazem com pressa, mas imp\u00f5em um tempo de sementeira, um tempo de amadurecimento, sempre como obra e tarefa da comunidade. Os tempos que correm n\u00e3o s\u00e3o de facilidade, mas de ren\u00fancia, de escolha do mais dif\u00edcil, de an\u00fancio do que est\u00e1 para al\u00e9m de n\u00f3s, de uma <i>aposta na f\u00e9 como novo alicerce cultural<\/i>. Persuadidos do invis\u00edvel, imersos no nosso mundo, desmontando os esquemas nos quais nos fomos instalando, perdendo os poss\u00edveis privil\u00e9gios, asseguramos a comunica\u00e7\u00e3o dAquele que deu a vida na Cruz (cf. 2 Cor 2, 9-10\u2026).   <b>5.3 \u2013 A f\u00e9 construtora dum tecido social diferente<\/b> <i>A Igreja em Portugal tem de libertar-se da nostalgia dos tempos da cristandade. Tem de optar por uma outra forma de estar e ser construtora de um tecido social diferente, com base nos pensamentos de Jesus e na Doutrina Social da Igreja<\/i>. A nova organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 dar\u00e1 frutos de qualidade se for essencialmente despojamento, n\u00e3o permitindo que o pobre seja mais pobre, mas promovendo o servi\u00e7o da Caridade que \u00e9 a nossa riqueza, ou melhor, a riqueza de Deus em n\u00f3s. \u00c9 esta a face da humildade servi\u00e7al que nos caracteriza na sinceridade de viver em Cristo que n\u00e3o veio para ser servido mas para servir e Se entregou por n\u00f3s.   <b>6 &#8211; O caminho da Palavra<\/b> A comunh\u00e3o correspons\u00e1vel vivida concretamente nasce, como <i>dom emergente da Palavra<\/i>, constituindo o \u00e2mago da miss\u00e3o e da vida da mesma Igreja. O recente S\u00ednodo \u00e9 disto exig\u00eancia e consciencializa\u00e7\u00e3o. O estilo e a organiza\u00e7\u00e3o de hoje s\u00e3o da nossa responsabilidade, na correspond\u00eancia a Deus que continua a falar para n\u00f3s, o que implica um discernimento cont\u00ednuo dos <i>sinais dos tempos actuais<\/i>. A nossa miss\u00e3o deve ser mais de ouvintes activos da Palavra, de disc\u00edpulos que praticam a Palavra, de testemunhas da Sua radical interven\u00e7\u00e3o na nossa vida. O nosso estilo pode ser novo no tempo que \u00e9 o nosso, desde que n\u00e3o multipliquemos as palavras que falamos, mas sejamos capazes de dar voz \u00e0 \u00fanica Palavra da Verdade, aceitemos ser seus mensageiros, a aprendamos de cor para nos exprimirmos com Ela, nos instruamos na <i>Lectio Divina<\/i> quotidiana, e testemunhemos a sua perenidade. Esta forma de estar, com a Palavra na boca e no cora\u00e7\u00e3o, far\u00e1 nascer um novo estilo nas comunidades. Quando a Palavra falar em n\u00f3s, falaremos menos mas com mais resultado. Estamos no Ano Paulino, celebrando os dois mil anos do nascimento de S. Paulo, genial ap\u00f3stolo do Evangelho de Jesus Cristo, sempre t\u00e3o actual e t\u00e3o inspirador. Aproveitando o impulso do \u00faltimo S\u00ednodo dos Bispos, recordo a import\u00e2ncia de irmos pondo em pr\u00e1tica o que decidimos na nossa Nota Pastoral de 6 de Maio passado. Espero que ponhamos particular solicitude em promover uma digna celebra\u00e7\u00e3o nacional, que aqui se realizar\u00e1 em F\u00e1tima, na Festa da Convers\u00e3o de S. Paulo, a 25 de Janeiro do pr\u00f3ximo ano e continuemos a caminhar juntos com S. Paulo.  <b>7 \u2013 A encruzilhada da Fam\u00edlia<\/b> Vivemos a gra\u00e7a de termos entrado num novo mil\u00e9nio, neste nosso Portugal, onde n\u00e3o faltam sinais e testemunhas de <i>alegria e esperan\u00e7a<\/i>. Neste <i>aqui e agora<\/i>, pela for\u00e7a do Esp\u00edrito de Jesus Cristo, somos animados a ser parte da solu\u00e7\u00e3o dos problemas e das crises, profetas de que um mundo melhor \u00e9 poss\u00edvel, superando a falta de confian\u00e7a e o pessimismo, aprendendo a esperar sempre, mesmo que seja preciso, nalgumas ocasi\u00f5es, <i>esperar contra toda a esperan\u00e7a <\/i>(cf. Rm 4, 18). A fam\u00edlia, c\u00e9lula estruturante de toda e qualquer sociedade equilibrada, \u00e9 hoje confrontada, mas devendo resistir positivamente, com o clima de ego\u00edsmo consumista e de relativismo \u00e9tico, em que parece valer tudo para alcan\u00e7ar os pr\u00f3prios fins. Neste sentido, devemos encarar a actual crise financeira mundial como um desafio a encontrar solu\u00e7\u00f5es nas causas e n\u00e3o apenas nas consequ\u00eancias. Mais do que um problema a resolver tecnicamente, importa procurar solu\u00e7\u00f5es nos valores e estilos de vida que \u00e9 urgente cultivar, promovendo uma cultura de sobriedade, partilha e solidariedade. A fam\u00edlia tem vindo a sofrer press\u00f5es end\u00f3genas, dado que os indiv\u00edduos que a formam, tantas vezes, est\u00e3o deformados no pensamento e no agir e por press\u00f5es ex\u00f3genas que parecem vir ou vir\u00e3o mesmo de for\u00e7as interessadas na sua derrocada. A complexidade da sociedade hodierna repercute-se na fam\u00edlia que se afasta dos verdadeiros valores e pretende, por campanha de muitos, tornar-se um bem particular, um mundo \u201cprivado\u201d que cada um escolhe segundo os gostos e inclina\u00e7\u00f5es.  <b>7.1 \u2013 Fidelidade \u00e0 doutrina e resposta as problemas<\/b> Neste cen\u00e1rio a Igreja depara-se com um desafio de enormes responsabilidades: <i>saber conjugar a fidelidade \u00e0 doutrina com a capacidade de iluminar as condi\u00e7\u00f5es totalmente diferentes em que vive a fam\u00edlia hoje<\/i>. Urge testemunhar um comportamento que em nada se afaste da doutrina e do dep\u00f3sito da f\u00e9 mas que se coloque em di\u00e1logo construtivo com o homem de hoje. H\u00e1 princ\u00edpios que assumimos com determina\u00e7\u00e3o. \u201cA solidez do n\u00facleo familiar \u00e9 um recurso determinante para a qualidade da conviv\u00eancia social\u201d. Nesta perspectiva denunciamos todas as tend\u00eancias e atitudes que amea\u00e7am minar a realidade familiar e afirmamos com o Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja que em vez de apoiar outras iniciativas, \u201ca comunidade civil n\u00e3o pode ficar indiferente frente \u00e0s tend\u00eancias desagregadoras que minam na base os seus alicerces fundamentais\u201d (C.D.S.I. 239). Da\u00ed que \u201cn\u00e3o deve jamais debilitar o reconhecimento do matrim\u00f3nio monog\u00e2mico indissol\u00favel, \u00fanica forma aut\u00eantica da fam\u00edlia\u201d. O Estado tem a alta responsabilidade e a grave obriga\u00e7\u00e3o de defender a institui\u00e7\u00e3o familiar uma vez que \u201ca fam\u00edlia, comunidade natural na qual se experimenta a sociabilidade humana, contribui de modo \u00fanico e insubstitu\u00edvel para o bem da sociedade\u201d (C.D.S.I. 213). \u201c\u00c9 de todo evidente que o bem das pessoas e o bom funcionamento da sociedade, est\u00e3o estritamente conexos com uma favor\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o da comunidade conjugal e familiar\u201d (S.S. 47). \u201cSem fam\u00edlias fortes na comunh\u00e3o e est\u00e1veis no compromisso, os povos debilitam-se. Na fam\u00edlia s\u00e3o inculcados, desde os primeiros anos de vida, os valores morais, transmite-se o patrim\u00f3nio espiritual da comunidade religiosa e o cultural da na\u00e7\u00e3o. Nela se d\u00e1 a aprendizagem das responsabilidades sociais e da solidariedade\u201d (C.I.C. 2 \u2013 224).  <b>7.2 \u2013 Realidade do nosso pa\u00eds<\/b> Tendo presente estes princ\u00edpios, olhemos para a realidade do nosso pa\u00eds:  A <i>baix\u00edssima natalidade<\/i> aparece em primeiro lugar, como um dos sintomas severos desta doen\u00e7a que atacou a fam\u00edlia. Temos uma das mais baixas taxas de natalidade da Europa e desde 1982 que n\u00e3o h\u00e1 substitui\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es. Pior ainda, j\u00e1 morrem por ano mais pessoas do que as que nascem! Trata-se de uma verdadeira \u201cPeste Branca\u201d, segundo a forte express\u00e3o de dois autores franceses que em 1976 escreveram o livro \u201cA Peste Branca\u201d (Jacques Suffert e Pierre Channu, in Ed. Gallimard, Paris, 1976).  Associado ao problema desta baixa taxa de natalidade, est\u00e1 a <i>terr\u00edvel praga do aborto<\/i>, alcandorado a \u201cdireito fundamental\u201d, gratuito e n\u00e3o raras vezes proposto \u00e0 mulher a quem n\u00e3o lhe s\u00e3o facultadas alternativas. Portugal massacra, assim, o seu futuro, impedindo-o de nascer. O que dizer das perspectivas <i>irresponzabilizantes da sexualidade que s\u00e3o propostas aos jovens<\/i>, muitas vezes em nome da chamada sa\u00fade sexual e reprodutiva? Ao mesmo tempo que baixa enormemente a <i>taxa de natalidade, baixa, igualmente, a taxa de nupcialidade e aumentam as liga\u00e7\u00f5es fortuitas ou ef\u00e9meras, as chamadas \u201cuni\u00f5es de facto\u201d<\/i> equiparadas nos direitos ao casamento mas n\u00e3o nos deveres. Facilitam-se ao extremo os div\u00f3rcios e a dissolu\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos matrimoniais e n\u00e3o h\u00e1 o mesmo empenho em apoiar os casais em dificuldade. N\u00e3o seremos capazes de reconhecer a injusti\u00e7a de casais que se \u201cdivorciam\u201d para pagar menos impostos, continuando a viver juntos mas aumentando os n\u00fameros dos divorciados? Certos problemas sociais como a viol\u00eancia dom\u00e9stica, a prostitui\u00e7\u00e3o, o consumo de drogas, a inseguran\u00e7a motivada por gestos de desrespeito pelos outros e pelos bens alheios n\u00e3o poder\u00e3o ser explicados por uma deficiente interven\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia? Os ataques \u00e0 estabilidade familiar n\u00e3o poder\u00e3o gerar um fen\u00f3meno social de contornos imprevis\u00edveis? Sem nunca perdermos a esperan\u00e7a, constatamos que o futuro pr\u00f3ximo n\u00e3o nos perspectiva melhores tempos. As agendas pol\u00edticas come\u00e7am a indicar novas iniciativas a que o cidad\u00e3o portugu\u00eas \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 o cat\u00f3lico \u2013 deveria responder. Interrogo-me se n\u00e3o estaremos a permitir a aprova\u00e7\u00e3o de leis fracturantes quando todos deveriam unir as vontades e as intelig\u00eancias para responder aos novos problemas que a crise econ\u00f3mico-financeira veio denunciar. Devemos ser respeitadores dos pensamentos diferentes. S\u00f3 que n\u00e3o podemos renunciar \u00e0 nossa identidade que, em muitos aspectos, se consubstancia com a cultura portuguesa.  <b>7.3 \u2013 Responsabilidade dos crist\u00e3os<\/b> O crist\u00e3o tem responsabilidades particulares na apresenta\u00e7\u00e3o dum modelo familiar fiel \u00e0 doutrina da Igreja. \u00c9 fundamental propor com for\u00e7a, determina\u00e7\u00e3o e coer\u00eancia a beleza do projecto de Deus para a Fam\u00edlia, oferecendo mais e melhor educa\u00e7\u00e3o integral e a proposta de uma cultura pela vida e com a Fam\u00edlia. Face \u00e0 fragilidade da Fam\u00edlia, os crist\u00e3os n\u00e3o podem continuar maioritariamente distra\u00eddos. Se muitos participam e reagem, o n\u00famero deve aumentar para que o nosso pensamento e f\u00e9 sejam conhecidos. Talvez os resultados sejam poucos perante os esquemas montados e j\u00e1 experimentados, com tend\u00eancia para prosseguir numa campanha contra a estabilidade familiar. Poderemos ser apelidados de tudo, menos do pecado de omiss\u00e3o e de in\u00e9rcia. N\u00e3o estamos contra ningu\u00e9m e queremos bem a todos, mesmo aos que divergem frontalmente de n\u00f3s. S\u00f3 nos comprometemos com o projecto que a Igreja protagoniza, assumindo corajosamente remar contra a corrente. Apontando debilidades e feridas, queremos tamb\u00e9m sublinhar que h\u00e1 felizmente raz\u00f5es para esperarmos um futuro melhor para a Fam\u00edlia. Gra\u00e7as a Deus que n\u00e3o t\u00eam faltado leigos, homens e mulheres de todas as idades, comprometidas no presente com as causas que preparam o futuro: as causas da vida e da Fam\u00edlia. Quantas associa\u00e7\u00f5es ou movimentos, ligados ou n\u00e3o \u00e0 Igreja, s\u00e3o hoje porta-vozes de tais causas? Quantas vozes se t\u00eam levantado pela Vida, contra o aborto, contra este capitalismo selvagem e sem rosto que estiola e sufoca a vida das pessoas e da Fam\u00edlia? Quantos leigos e leigas comprometidos na forma\u00e7\u00e3o de jovens em diferentes \u00e1reas e etapas?  Penso ser imperioso que perseverem neste bom caminho e que saibam que a Igreja Cat\u00f3lica, na sua hierarquia, est\u00e1 grata por quanto fazem. Contem sempre com a nossa presen\u00e7a e apoio. Confiamos que os leigos exer\u00e7am a sua miss\u00e3o eclesial no mundo, com fidelidade criativa. A fam\u00edlia \u00e9 a primeira realidade que tudo merece e que, actualmente, necessita de compromissos alegres e generosos.  <b>8 \u2013 As fam\u00edlias feridas por problemas econ\u00f3micos<\/b> Ao falarmos dos direitos das pessoas, n\u00e3o podemos ignorar e desconsiderar as grandes dificuldades econ\u00f3micas em que se encontram muitas das nossas fam\u00edlias, particularmente, os mais jovens e os reformados. Numa sociedade dita avan\u00e7ada \u00e9 confrangedor deparar com as dificuldades vividas no interior de muitos lares. Come\u00e7am a faltar bens essenciais, a vergonha torna a pobreza mais angustiante. Recentes estudos trouxeram, mais uma vez, a informa\u00e7\u00e3o de que Portugal \u00e9 dos Pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia onde se verifica uma maior desigualdade e, por isso, onde o fosso entre ricos e pobres \u00e9 mais acentuado. Por muito que nos custe, casos de pobreza e fome encontram-se ao nosso lado, apesar dos discursos e iniciativas planeadas para as eliminar. S\u00e3o problemas econ\u00f3micos muito graves que exigem reflex\u00e3o adequada de todos sem interesses partid\u00e1rios ou confessionais, mas numa simbiose articulada de inten\u00e7\u00f5es capaz de, dentro do poss\u00edvel, oferecer respostas imediatas naquilo que n\u00e3o pode esperar e, quanto ao futuro, atrav\u00e9s dum novo modelo que n\u00e3o beneficie s\u00f3 os privilegiados mas proporcione mais igualdade e dignidade para todos. O Papa Bento XVI dizia que \u201cuma campanha eficaz contra a fome exige muito mais que um simples estudo cient\u00edfico para aprofundar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou destinar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o\u201d. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio, antes de tudo, redescobrir o sentido da pessoa humana, na sua dimens\u00e3o individual e comunit\u00e1ria, a partir do fundamento da vida familiar, fonte de amor e afecto, da qual procede o sentido da solidariedade e a vontade de partilhar\u201d <i>(Mensagem para o Dia Mundial da alimenta\u00e7\u00e3o, 16-10-08)<\/i>. Olhar com serenidade esta situa\u00e7\u00e3o e reconhecer como vivem as fam\u00edlias deveria ser a fundamental preocupa\u00e7\u00e3o das autoridades governativas, consubstanciando essa aten\u00e7\u00e3o em leis de protec\u00e7\u00e3o e acompanhamento. As comunidades eclesiais devem, por seu turno, incrementar uma pastoral de maior sensibilidade e compromisso s\u00f3cio-caritativo.  <b>9 \u2013 A Santidade dos antepassados \u2013 l\u00f3gica actual<\/b> Do acolhimento da Palavra e da responsabiliza\u00e7\u00e3o social nos continuam a elucidar os santos. Cada um, \u00e0 sua maneira, nos tra\u00e7am um itiner\u00e1rio a exigir mais radicalidade no amor. O Beato Nuno de Santa Maria, a ser canonizado em breve, continua a questionar-nos sobre o amor \u00e0 P\u00e1tria em tempos dif\u00edceis e sobre o que lhe damos e como o damos para preservar a nossa identidade e vencer as invectivas dos advers\u00e1rios. \u00c9 este amor a Portugal que nos \u00e9 exigido: estar nos acontecimentos com uma presen\u00e7a oriunda da Palavra vivida para que o nosso pa\u00eds se v\u00e1 construindo, atrav\u00e9s de solu\u00e7\u00f5es que expressem um humanismo integral, resultante duma luta persistente pelos valores que nos dignificam e promovem uma sociedade mais justa e fraterna. Este amor a Portugal compromete-nos num servi\u00e7o de renova\u00e7\u00e3o da sociedade. N\u00e3o queremos invadir campos que n\u00e3o s\u00e3o os nossos. Aceitamos a separa\u00e7\u00e3o e queremos caminhar testemunhando a nossa identidade. Para uma boa harmonia continuamos \u00e0 espera duma regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata, feita no di\u00e1logo e sem pretender privil\u00e9gios mas defendendo os verdadeiros conte\u00fados desse acordo internacional. Alguns passos foram dados. Continuamos a esperar, dando sempre o nosso contributo positivo. *\t* Que esta Assembleia nos situe no dinamismo confirmado pela <i>Visita ad Limina<\/i> e nos comprometa, ainda mais, na solu\u00e7\u00e3o dos problemas que afectam a sociedade portuguesa. + D. Jorge Ortiga,  Arcebispo Primaz <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abSer Igreja num estilo novo\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,113,120,127,144,146,193,199,203,206,207,246,267,285,311,314,327],"class_list":["post-35159","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-ano-paulino","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-concordata","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-familia","tag-fatima","tag-liturgia","tag-natal","tag-patrimonio","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade","tag-visita-ad-limina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35159"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35159\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}