{"id":35133,"date":"2008-11-08T15:49:55","date_gmt":"2008-11-08T15:49:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/11\/08\/sao-estes-os-pobres\/"},"modified":"2008-11-08T15:49:55","modified_gmt":"2008-11-08T15:49:55","slug":"sao-estes-os-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sao-estes-os-pobres\/","title":{"rendered":"S\u00e3o estes os pobres"},"content":{"rendered":"<p>Audi\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00abDar voz aos pobres para erradicar a pobreza\u00bb juntou sociedade civil, pol\u00edticos e igreja para reflex\u00e3o conjunta sobre pobreza <!--more--> Teresa Mota Costa, 42 anos, vive em lutas burocr\u00e1ticas di\u00e1rias com a Seguran\u00e7a Social. Desempregada, tem a seu cargo dois filhos. Um deles, o Andr\u00e9 de 15 anos, tem paralisia cerebral. Vive sempre no limite, pois n\u00e3o tem dinheiro suficiente para elevados encargos. N\u00e3o tem cr\u00e9ditos porque tamb\u00e9m n\u00e3o tem dinheiro. Arrenda uma casa e, com a ajuda do seu marido, taxista, v\u00e3o fazendo face a batalhas di\u00e1rias, agravadas por situa\u00e7\u00f5es financeiras de familiares.  Ano ap\u00f3s ano, sente que o seu filho Andr\u00e9 n\u00e3o tem direitos, o que lhe deveria ser dado, \u00e9 cortado ou suspenso. Vive da imagina\u00e7\u00e3o para dar a volta aos problemas di\u00e1rios que enfrenta e que n\u00e3o tem verba financeira para resolver. Teresa Costa quer montar um atelier de artesanato.   Marisa Correia e Ana Ribeiro, ambas soci\u00f3logas, vivem na imin\u00eancia de perder o seu emprego. Est\u00e3o ambas a trabalhar na Rede Social de Loures, est\u00e3o, tamb\u00e9m ambas, vinculadas a um posto de trabalho que as assume temporariamente, pois s\u00e3o funcion\u00e1rias a recibos verdes.   N\u00e3o t\u00eam subs\u00eddio de Natal, de f\u00e9rias, de alimenta\u00e7\u00e3o ou transportes. N\u00e3o t\u00eam direito a seguros, subs\u00eddio de desemprego ou a indemniza\u00e7\u00f5es. Trabalham a tempo inteiro, com fun\u00e7\u00f5es a tempo inteiro, num posto de trabalho fixo, que apesar de a recibos verdes, n\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1rio, mas permanente. As duas t\u00e9cnicas s\u00e3o obrigadas a descontar do seu ordenado 20% para o IVA, a fazer 20% de reten\u00e7\u00e3o na fonte e a pagar, mensalmente, 150 euros \u00e0 seguran\u00e7a social. Sendo uma forma diferente de pobreza, Marisa e Ana encaram a sua situa\u00e7\u00e3o como uma viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais do trabalho.   Pedro Jorge Santos fala de uma pobreza diferente. Toxicodependente, foi marginalizado e sentiu-se sem auto estima durante muitos anos. H\u00e1 cinco anos que trabalha junta da institui\u00e7\u00e3o que lhe deu voz e se interessou por ele, a Comunidade Vida e Paz. Mais do que o trabalhar, afirma que voluntariamente d\u00e1 de si aos outros e isso \u00e9 o mais importante, porque tamb\u00e9m ele, durante anos, sentiu a indiferen\u00e7a de quem passa.   Mais do que a ajuda financeira aponta a import\u00e2ncia dos afectos e da aten\u00e7\u00e3o, e foram esses sentimentos que lhe salvaram a vida. Afirma que a solidariedade tem aumentado, mas este crescimento n\u00e3o pode ser interrompido.   Domingas Augusto \u00e9 guiniense, m\u00e3e de tr\u00eas filhos e respons\u00e1vel por um enteado. Veio para Portugal para trabalhar com uma associa\u00e7\u00e3o ambiental. Alugava uma casa, e o seu companheiro tinha a responsabilidade de pagar 400 euros de renda mensal. Mas n\u00e3o o fazia. Com d\u00edvidas acomuladas, deixou-a.   Foi despejada da sua casa e teve de resolver a sua vida e a dos filhos ao seu encargo. Alugou uma casa pequena, onde as quatro crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para brincar, mas n\u00e3o o podem fazer na rua porque \u00e9 uma zona perigosa. N\u00e3o tem dinheiro para mudar de casa. Ganha 500 euros por m\u00eas, para alimentar cinco pessoas. Tem vontade de fazer mais, porque n\u00e3o \u00e9 pregui\u00e7osa. \u201cOs pobres s\u00e3o os que mais trabalham e os que s\u00e3o pior pagos\u201d, afirma Domingas Augusto.   Foram estes os pobres que, esta manh\u00e3, foram ouvidos na audi\u00e7\u00e3o p\u00fablica que decorreu este S\u00e1bado, numa organiza\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz. Situa\u00e7\u00f5es controladas, acompanhadas, vulgares, que de um momento para o outro, se descontrolaram. \u201cPodia acontecer-me a mim\u201d, ouvia-se na plateia que encheu o Centro Cultural Franciscano, em Lisboa para ouvir os pobres.  Manuela Silva, Presidente da CNJP denuncia uma sociedade desigual, mas que, ao mesmo tempo, n\u00e3o tem consci\u00eancia das implica\u00e7\u00f5es da desigualdade. \u00c0ag|encia ECCLESIA, a Presidente afirma que n\u00e3o se despertou ainda para o facto de a pobreza ser \u201cuma disfun\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social\u201d.   \u201cAs pessoas procuram uma defesa para si pr\u00f3prias para n\u00e3o verem os problemas e o seu realismo\u201d. A taxa de pobreza em Portugal atinge os 18%, um valor calculado com base num limiar de pobreza de 370 euros por m\u00eas, um limiar baixo, quando comparado com outros pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. (O limiar da pobreza no Luxemburgo \u00e9 de 1900 euros mensais).   <b>Preconceitos<\/b> \u201cA pobreza \u00e9 alvo de preconceitos circulares\u201d, explicou Maria do Ros\u00e1rio Carneiro, vice presidente da CNJP aos presentes na audi\u00e7\u00e3o. \u201cos pobres s\u00e3o considerados pregui\u00e7osos, incompetentes, dependentes, respons\u00e1veis pela sua situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o cred\u00edveis e perigosos\u201d. Raz\u00f5es \u201cn\u00e3o fundamentadas\u201d para gerar preconceitos. \u201cA maioria dos pobres trabalha, tem um emprego pesado, longo e mal pago. 60 mil licenciados est\u00e3o desempregados\u201d, indica.   Manuela Silva pergunta, \u201cser\u00e1 que quem promove os preconceitos consegue viver, de forma diga, com 370 euros por m\u00eas?\u201d  Iniciativas como a audi\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00abDar Voz aos pobres para erradicar a pobreza\u00bb, procura \u201ccolocar \u00e0 mesma mesa pobres e n\u00e3o pobres\u201d, numa tentativa de \u201cdesfazer as barreiras dos preconceitos. Esta audi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para os pobres. Destina tamb\u00e9m ao n\u00e3o pobres para que estes tomem consci\u00eancia dos problemas sociais e do seu papel na produ\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e inclusa\u201d, sublinha Manuela Silva.   Dar voz aos pobres implica que \u201cas suas respostas sejam ouvidas\u201d. E por isso, Manuela Silva, aponta que na CNJP,  enquanto \u00f3rg\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, \u201cprocuramos criar espa\u00e7os de di\u00e1logo, mas tamb\u00e9m de compromisso p\u00fablico e compromisso pol\u00edtico\u201d. A presidente deste \u00f3rg\u00e3o gostaria de ver o compromisso de \u201ccolocar a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza como um objectivo governamental e da sociedade civil, num horizonte t\u00e3o curto quanto poss\u00edvel\u201d.   <b>Responsabilidade comum<\/b> A audi\u00e7\u00e3o p\u00fablica termina esta tarde com a presen\u00e7a do Ministro do Trabalho e da Seguran\u00e7a Social, Vieira da Silva, que se junta a D. Carlos Azevedo para apresentar as conclus\u00f5es do encontro. \u201cQueremos levar as conclus\u00f5es t\u00e3o longe quanto poss\u00edvel\u201d, afirma Manuela Silva, pois a pobreza \u201c\u00e9 um problema que a todos diz respeito\u201d.   \u201c\u00c9, com certeza da responsabilidade das estruturas do Estado, mas tamb\u00e9m da sociedade civil, e da Igreja cat\u00f3lica que tem uma larga tradi\u00e7\u00e3o neste campo e, por isso, tem de encontrar formas de melhorar a qualidade do trabalho das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social\u201d.   D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social, indica que a pr\u00f3pria Igreja precisa ouvir as situa\u00e7\u00f5es de pobreza para \u201cresponder \u00e0s \u00e2nsias e ao desejo de crescimento. As pessoas t\u00eam os pr\u00f3prios meios, mas n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para os desenvolver\u201d.   O Bispo auxiliar de Lisboa recorda a import\u00e2ncia de um Observat\u00f3rio Social, um instrumento que tenha uma aten\u00e7\u00e3o permanente \u00e0 realidade.  \u201cO Observat\u00f3rio permite um estudo cient\u00edfico, s\u00e9rio, honesto e objectivo, distante do que as ideias, muitas vezes, mais ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas, do que baseadas na realidade concreta, mostram\u201d.   Respons\u00e1vel pela pastoral social na Igreja portuguesa, D. Carlos aponta que as institui\u00e7\u00f5es de solidariedade, par\u00f3quias e centros paroquiais, s\u00e3o actualmente, alvo de maior procura. Auscultando as dioceses, \u201cnota-se um crescimento na procura de ajuda dada a situa\u00e7\u00e3o que se vive\u201d.  Mas, o Bispo auxiliar frisa que, o que tem crescido \u201c\u00e9 a pobreza na classe m\u00e9dia, que trabalhava mas que agora est\u00e1 no desemprego. Estas pessoas ainda t\u00eam muito vergonha de aparecer como pobres. Procuram ajuda nas fam\u00edlias, at\u00e9 que depois, se v\u00eaem na necessidade de recorrer a ajuda externa\u201d.   D. Carlos Azevedo indica que a responsabilidade pela pobreza \u00e9 de todos os portugueses. \u201cCom certeza que \u00e9 do Estado e das autarquias, pois t\u00eam o dever de estar atentos e t\u00eam meios para responder aos problemas. Mas a responsabilidade \u00e9 de todos. Se estivermos \u00e0 espera de uma solu\u00e7\u00e3o vinda de algu\u00e9m que vai resolver, n\u00e3o conseguimos ultrapassar. Temos \u00e9 de exigir do governo a sua parte. A igreja pode amplificar a voz dos pobres e a pr\u00f3pria Igreja, se n\u00e3o for mais pobre, tamb\u00e9m n\u00e3o ter\u00e1 voz\u201d.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Audi\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00abDar voz aos pobres para erradicar a pobreza\u00bb juntou sociedade civil, pol\u00edticos e igreja para reflex\u00e3o conjunta sobre pobreza<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[134,147,154,206,211,267,282,314],"class_list":["post-35133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-cnjp","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-crianca","tag-familia","tag-ferias","tag-natal","tag-pastoral-social","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35133\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}