{"id":35046,"date":"2008-11-04T09:43:34","date_gmt":"2008-11-04T09:43:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/11\/04\/igreja-quer-pastoral-de-resposta-aos-problemas\/"},"modified":"2008-11-04T09:43:34","modified_gmt":"2008-11-04T09:43:34","slug":"igreja-quer-pastoral-de-resposta-aos-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-quer-pastoral-de-resposta-aos-problemas\/","title":{"rendered":"Igreja quer pastoral de resposta aos problemas"},"content":{"rendered":"<p>Um ano depois da visita Ad limina, D. Jorge Ortiga fala dos resultados, da Concordata e da rela\u00e7\u00e3o da Igreja\/Estado <!--more--> Um ano depois da visita que os Bispos portugueses efectuaram ao Papa e ao Vaticano, em Novembro do ano passado, o presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, fala da realidade da Igreja no nosso pa\u00eds, que considera menos crist\u00e3o.  <i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 Antes da visita Ad Limina, D. Jorge Ortiga disse-nos que Portugal estava menos crist\u00e3o. Mant\u00eam a mesma afirma\u00e7\u00e3o? D. Jorge Ortiga (JO)<\/i> \u2013 Penso que sim. Menos crist\u00e3o, embora ainda tenhamos muitos sintomas de religiosidade popular. Apesar de menos crist\u00e3o, nota-se uma procura do religioso. A Igreja ter\u00e1 de propor um cristianismo de autenticidade, radicalismo e fidelidade. N\u00e3o ignoramos o que s\u00e3o os santu\u00e1rios para n\u00f3s, mas a Igreja ter\u00e1 de trabalhar um pouco melhor para propor uma mensagem crist\u00e3 com outra eloqu\u00eancia e com outra capacidade de convic\u00e7\u00e3o.   <i>AE \u2013 Na visita Ad Limina, Bento XVI pediu mesmo aos bispos portugueses para \u00abse ter uma Igreja ao ritmo do II Conc\u00edlio do Vaticano\u00bb&#8230; JO <\/i>\u2013 \u00c9 uma necessidade que todos n\u00f3s sentimos. Penso que as Igrejas do mundo inteiro tamb\u00e9m o sentem. O Conc\u00edlio \u00e9 um momento renovador porque apresenta um projecto novo de Igreja. No entanto, a concretiza\u00e7\u00e3o de todo esse esp\u00edrito conciliar \u00e9 longa e exige tempo. Se olharmos para os conc\u00edlios anteriores tamb\u00e9m demoraram muito tempo at\u00e9 inculcar as suas ideias. N\u00e3o podemos esquecer que o Conc\u00edlio traz uma mentalidade nova e a mudan\u00e7a de mentalidades demora o seu tempo.  <i>AE \u2013 Apela-se \u00e0 mudan\u00e7a de mentalidades, mas promove-se a \u00abmissa em latim\u00bb? JO <\/i>\u2013 Isso n\u00e3o constitui problema. H\u00e1 pessoas que se deixam motivar por essa realidade mais conservadora, mas \u00e9 um n\u00famero residual. N\u00e3o \u00e9 isso que traz problemas para a Igreja.  <i>AE \u2013 No entanto, \u00e9 um contraste de mentalidades? JO <\/i>\u2013 \u00c9 fundamental novas mentalidades e pegar a s\u00e9rio e levar o II Conc\u00edlio do Vaticano para a frente.  <i>AE \u2013 Que altera\u00e7\u00f5es sofreu a Igreja depois da visita Ad Limina? JO <\/i>\u2013 N\u00e3o estamos habituados a olhar para a Igreja como qualquer outro grupo ou institui\u00e7\u00e3o. Temos que nos convencer que a Igreja \u00e9 humana, mas essencialmente divina. H\u00e1 muita coisa que est\u00e1 a fermentar.   <i>AE \u2013 No seu primeiro tri\u00e9nio como presidente da CEP, a quest\u00e3o da transmiss\u00e3o da f\u00e9 foi o \u00abmotor\u00bb dos trabalhos. Fez uma avalia\u00e7\u00e3o deste caminho? JO <\/i>\u2013 Temos feito a avalia\u00e7\u00e3o e continuamos a trabalhar esse mesmo tema.  <i>AE \u2013 Este tri\u00e9nio tamb\u00e9m ter\u00e1 o mesmo fio condutor? JO <\/i>\u2013 Um pouco. Procurarei na pr\u00f3xima Assembleia Plen\u00e1ria lan\u00e7ar algumas ideias a partir da\u00ed \u2013 da transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u2013 e vermos o que exige e sup\u00f5e em termos de reorganiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja. Ali\u00e1s, \u00e0 luz daquilo que Bento XVI nos referiu na visita Ad Limina. Esta reorganiza\u00e7\u00e3o tem de suscitar caminhos de comunh\u00e3o. Ter\u00e1 de ser de \u00edndole comunit\u00e1ria como resposta aos grandes desafios de hoje.  <i>AE \u2013 Quais as linhas priorit\u00e1rias neste segundo mandato? JO <\/i>\u2013 Na transmiss\u00e3o da f\u00e9, na reorganiza\u00e7\u00e3o das comunidades, na comunh\u00e3o, na forma\u00e7\u00e3o permanente e uma grande aten\u00e7\u00e3o aos problemas sociais. Temos de continuar a defender as nossas estruturas s\u00f3cio-caritativas e reflectir sobre o seu funcionamento. Na era da globaliza\u00e7\u00e3o temos de estar sempre atentos e percorrer os caminhos do mundo de hoje para uma pastoral de resposta aos problemas e n\u00e3o apenas uma pastoral tradicional.  <i>AE \u2013 Na Assembleia Plen\u00e1ria da CEP de Novembro passado, os bispos decidiram enviar os relat\u00f3rios entregues a Bento XVI para o Gabinete de Estudos Pastorais da CEP para a\u00ed serem analisados. Esses relat\u00f3rios j\u00e1 foram analisados? JO <\/i>\u2013 Falou-se nisso, mas cheg\u00e1mos tamb\u00e9m \u00e0 conclus\u00e3o que aquilo que temos partilhado entre n\u00f3s seja suficiente. Talvez n\u00e3o seja necess\u00e1rio p\u00f4r em comum esses relat\u00f3rios. Talvez, o estar a estudar fosse repetir aquilo que permanentemente insistimos.   <i>AE \u2013 Mas um olhar vindo de fora poderia ser ben\u00e9fico? JO <\/i>\u2013 Uma das prioridades para os pr\u00f3ximos tempos \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o de um \u00abGabinete de Assessores\u00bb para nos acompanhar na reflex\u00e3o dos problemas. Procurando recorrer a especialistas \u2013 sacerdotes ou leigos \u2013 para nos ajudarem nessa reflex\u00e3o permanente que estar\u00e1 dependente do Secretariado Geral da CEP. Ser\u00e1 uma ajuda preciosa na reflex\u00e3o e no detectar dos problemas. Est\u00e1 em vias de come\u00e7ar a funcionar.  <i>AE \u2013 Olhando para os programas pastorais das dioceses portuguesas nota-se que a aposta passa pelos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. \u00c9 um voltar ao in\u00edcio? JO <\/i>\u2013 \u00c9 fundamental. Reformul\u00e1mos o processo catequ\u00e9tico e estrutur\u00e1mo-lo ao longo de dez anos. Tal como nos disse Bento XVI, queremos p\u00f4r em quest\u00e3o essa inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3.  <i>AE \u2013 E a etapa seguinte, a Pastoral Juvenil? H\u00e1 uma aposta convicta nesta \u00e1rea? JO <\/i>\u2013 Todas as dioceses apostam na Pastoral Juvenil. Todavia sabemos que \u00e9 muito dif\u00edcil devido \u00e0 mobilidade e \u00e0 vida universit\u00e1ria que se generalizou. Sabemos que existem muitos movimentos a trabalhar com os jovens. Se olharmos tamb\u00e9m para as par\u00f3quias verificamos que h\u00e1 trabalho.  <i>AE \u2013 No in\u00edcio do segundo tri\u00e9nio como presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) como caracteriza a sociedade portuguesa? JO<\/i> \u2013 Estamos dominados por uma crise com contornos universais a que a sociedade tamb\u00e9m n\u00e3o foge. No entanto, olhando para o nosso contexto concreto e situando-nos nas responsabilidades concretas penso que estamos numa sociedade com inten\u00e7\u00f5es boas e interessantes, mas os resultados ainda s\u00e3o um pouco insignificantes. Refiro-me \u00e0 igualdade entre todo e qualquer cidad\u00e3o e \u00e0s situa\u00e7\u00f5es que, hoje, se v\u00e3o agravando de portugueses que vivem privados do essencial. Poder\u00e1 ser a quest\u00e3o do desemprego, instabilidade social e desencanto. Respiramos no dia a dia uma certa intranquilidade e, \u00e0s vezes, uma certa perplexidade perante o futuro.  <i>AE \u2013 O ditado popular diz: \u201cde boas inten\u00e7\u00f5es est\u00e1 o inferno cheio\u201d. Est\u00e1 na hora de passar das inten\u00e7\u00f5es \u00e0 pr\u00e1tica. JO <\/i>\u2013 Olhando para o Governo, encontramos esses discursos positivos, mas, depois no concreto, nem sempre encontramos conson\u00e2ncia com isso.  <i>AE \u2013 Diariamente, a Comunica\u00e7\u00e3o Social mostra-nos o lado negro da sociedade \u2013 aumento da pobreza, encerramento de empresas -, no entanto nota-se alguma passividade das pessoas? JO <\/i>\u2013 O grande problema da sociedade portuguesa est\u00e1 na alergia em participar. As pessoas habituaram-se e est\u00e3o de olhos fechados. Em certas conversas e ocasi\u00f5es abordam os problemas concretos, mas depois continuam com os mesmos h\u00e1bitos e rotinas. N\u00e3o s\u00e3o capazes de participar activamente na sociedade para que o pa\u00eds seja diferente. Fala-se do desemprego, do encerramento de empresas, dos assaltos que proliferam todos os dias, todavia ficam passivas. A apatia sobre a realidade incomoda-me.  <b>Quest\u00f5es fracturantes<\/b> <i>AE \u2013 Sem esquecer os pacotes legislativos que \u00abofendem\u00bb as estruturas da sociedade? JO <\/i>\u2013 A situa\u00e7\u00e3o \u2013 econ\u00f3mica e n\u00e3o s\u00f3 \u2013 \u00e9 grave. N\u00e3o sou pessimista nem alarmista, mas temos que tomar consci\u00eancia dessa realidade. Perante uma situa\u00e7\u00e3o grave \u00e9 fundamental unir todos os portugueses, para al\u00e9m de interesses partid\u00e1rios ou ideol\u00f3gicos. Temos um novo modelo de sociedade e encontrar caminhos para lhes dar respostas. No entanto, os nossos pol\u00edticos discutem quest\u00f5es fracturantes e que dividem os portugueses. Essas quest\u00f5es interessam a grupos pequenos de portugueses. Neste hora e neste momento era fulcral que os pol\u00edticos se concentrassem a encontrar solu\u00e7\u00f5es que nos preocupam. Agora, a quest\u00e3o do div\u00f3rcio, numa lei que muitos reconhecem que cont\u00e9m elementos anti-constitucionais&#8230;  <i>AE \u2013 Quando promulgou a lei, o Presidente da Rep\u00fablica, An\u00edbal Cavaco Silva, real\u00e7ou mesmo que o novo regime jur\u00eddico do div\u00f3rcio ir\u00e1 conduzir, na pr\u00e1tica, a situa\u00e7\u00f5es de profunda injusti\u00e7a. JO <\/i>\u2013 N\u00e3o foi apenas o Presidente da Rep\u00fablica. Outros juristas e constitucionalistas reconhecem isso mesmo. Quanto \u00e0 lei da homossexualidade ter\u00e1 interesse para alguns. Ser\u00e1 que \u00e9 uma necessidade desta hora e deste momento para os Portugueses? N\u00e3o o reconhe\u00e7o. Estas quest\u00f5es preocupam-nos e inquietam-nos.  <i>AE \u2013 Com estas leis, a Igreja n\u00e3o poder\u00e1 fazer uma boa Pastoral Familiar? JO <\/i>\u2013 Na Pastoral Familiar procuramos apresentar um projecto crist\u00e3o alicer\u00e7ado no amor e na comunh\u00e3o entre os esposos. Nem sempre conseguimos fazer esta proposta de projecto porque existem outros que optam pelo mais f\u00e1cil. Prop\u00f5em o mais f\u00e1cil, dizendo que a Europa \u00e9 que determina a nossa maneira de ser, de agir e que n\u00e3o podemos ser retr\u00f3grados. Caminhamos nesta ambiguidade e nesta dificuldade. Por outro lado, temos de ser positivos porque a Pastoral Familiar na Igreja tem feito caminhos de responsabilidade muito grande e consistente. H\u00e1 muita gente na Igreja que trabalha com coragem e que sabe ultrapassar essas dificuldades para propor esses valores.  <i>AE \u2013 A Igreja \u00e9 o \u00abcontrapoder\u00bb? JO <\/i>\u2013 N\u00e3o \u00e9 o \u00abcontrapoder\u00bb, mas est\u00e1 a desempenhar a sua miss\u00e3o que, em certas ocasi\u00f5es, \u00e9 a dimens\u00e3o prof\u00e9tica da den\u00fancia e, em simult\u00e2neo, prop\u00f5e a sua doutrina.  <b>Concordata<\/b> <i>AE \u2013 Em Maio de 2009 comemoram-se cinco anos da assinatura da Concordata entre a Santa S\u00e9 e o Estado Portugu\u00eas. No entanto, a regulamenta\u00e7\u00e3o de muitos pontos est\u00e1 atrasada. Negocia\u00e7\u00f5es dif\u00edceis? JO <\/i>\u2013 Uma das prioridades deste tri\u00e9nio passar\u00e1 tamb\u00e9m por estar atento \u00e0 Concordata e \u00e0 sua regulamenta\u00e7\u00e3o. Temos alertado para isso e alguns passos t\u00eam sido dados. No entanto, reconhecemos alguma lentid\u00e3o.  <i>AE \u2013 Por m\u00faltiplas vezes, D. Jorge Ortiga sublinhou \u00abestamos no bom caminho\u00bb. Simplesmente, o caminho ainda n\u00e3o apareceu? JO <\/i>\u2013 Eu tenho as minhas responsabilidades como Presidente da CEP, mas a Concordata \u00e9 um assunto da Assembleia e esta s\u00f3 se re\u00fane duas vezes por ano. Na pr\u00f3xima assembleia iremos abordar esta quest\u00e3o.  <i>AE \u2013 Qual o ponto mais adiantado nas negocia\u00e7\u00f5es? JO <\/i>\u2013 S\u00e3o todos e quase nenhum. Esperamos&#8230;  <b>Lusofonia<\/b> <i>AE \u2013 Durante o seu mandato, realizaram-se tamb\u00e9m dois encontros dos bispos Lus\u00f3fonos. Formas de partilha eclesial? JO <\/i>\u2013 Estes encontros s\u00e3o muito importantes. H\u00e1 um conhecimento m\u00fatuo das Igrejas situadas em diferentes continentes. Sentimos uma vontade de crescer.   <i>AE \u2013 O pr\u00f3ximo ser\u00e1 onde? JO <\/i>\u2013 Como probabilidade falou-se de S. Tom\u00e9, mas o bispo iria ver a capacidade log\u00edstica e depois dir-nos-\u00e1 alguma coisa.  <b>S\u00ednodo<\/b> <i>AE \u2013 O S\u00ednodo dos bispos terminou. Agora falta colocar em pr\u00e1tica as propostas lan\u00e7adas.  JO <\/i>\u2013 Sabemos que foram apresentadas a Bento XVI mais de cinquenta propostas. O habitual \u00e9 que o Papa elabore uma Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica. No entanto, iremos trocar ideias entre n\u00f3s e com os dois representantes portugueses que estiveram em Roma.  <b>Novo edif\u00edcio<\/b> <i>AE \u2013 A constru\u00e7\u00e3o do novo edif\u00edcio da CEP ser\u00e1 tamb\u00e9m uma prioridade JO <\/i>\u2013 Est\u00e1 a ser estudado e o projecto est\u00e1 a ser elaborado. Esperemos que n\u00e3o demore muito tempo. H\u00e1 algumas quest\u00f5es burocr\u00e1ticas que ser\u00e3o ultrapassadas.  <i>AE \u2013 H\u00e1 alguma previs\u00e3o? JO <\/i>\u2013 \u00c9 dif\u00edcil. Quando se lida com as c\u00e2maras e autarquias demora sempre muito tempo.   <i>AE \u2013 O local est\u00e1 escolhido? JO <\/i>\u2013 Sim. Est\u00e1 feito o esbo\u00e7o do projecto e est\u00e1 em andamento. Espero que n\u00e3o falte muito tempo para que tenhamos um projecto.  <i>AE \u2013 Este projecto ser\u00e1 em conjunto com a R\u00e1dio Renascen\u00e7a? JO <\/i>\u2013 N\u00e3o direi em conjunto. Talvez em simult\u00e2neo e numa linha de proximidade muito grande.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ano depois da visita Ad limina, D. 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