{"id":35020,"date":"2008-11-03T11:18:32","date_gmt":"2008-11-03T11:18:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/11\/03\/mobilizar-todos-para-esbater-as-diferencas\/"},"modified":"2008-11-03T11:18:32","modified_gmt":"2008-11-03T11:18:32","slug":"mobilizar-todos-para-esbater-as-diferencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mobilizar-todos-para-esbater-as-diferencas\/","title":{"rendered":"Mobilizar todos para esbater as diferen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>A sociedade portuguesa \u00e9 muito desigual e implac\u00e1vel para com os mais desprotegidos.   Como os mecanismos que alimentam a desigualdade n\u00e3o foram ainda corrigidos e, muito menos, desligados, a diferen\u00e7a entre os que t\u00eam e os que n\u00e3o t\u00eam n\u00e3o se esbateu ao longo dos \u00faltimos anos, pelo contr\u00e1rio, agravou-se em muitos aspectos.   \u00c9 certo que existem formas de assist\u00eancia e tentativas de combate \u00e0 pobreza e \u00e0 exclus\u00e3o bastante significativas em termos or\u00e7amentais, ou, mesmo, de empenhamento da sociedade civil, mas os seus efeitos para a diminui\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as ou de ascens\u00e3o na escala social t\u00eam tido muito pouca visibilidade por manifesta inefici\u00eancia na sua aplica\u00e7\u00e3o.   T\u00eam servido mais para manter a situa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada com um m\u00ednimo de dignidade \u2013 v.g. o Rendimento M\u00ednimo de Inser\u00e7\u00e3o \u2013 do que para rasgar vias de sa\u00edda da pobreza e da exclus\u00e3o pela valoriza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e, acima de tudo, por conseguir o empenhamento do \u201coutro lado\u201d da sociedade. Com efeito, tamb\u00e9m este \u201clado\u201d n\u00e3o exclu\u00eddo ter\u00e1 de caminhar ao encontro dos mais desprotegidos e, de uma forma minimamente concertada, ajud\u00e1-los no complemento dos seus conhecimentos e na sua afirma\u00e7\u00e3o plena como pessoas e cidad\u00e3os.      Esta ac\u00e7\u00e3o conjunta da sociedade \u00e9 tanto mais importante quanto mais pensarmos nas pessoas que vivem naquilo a que chamamos, eufemisticamente, territ\u00f3rios cr\u00edticos, ou seja, bairros clandestinos e bairros sociais falhados, onde se encontram muitos dos desprotegidos, pobres e, mesmo, n\u00e3o-pobres.      Aqui, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o por falta dos meios adequados, juntam-se, muitas vezes, e por tempo por vezes significativo, os efeitos perniciosos de actividades il\u00edcitas que l\u00e1 se desenvolvem ou ocultam, usando essas popula\u00e7\u00f5es como m\u00e1scara protectora ou tirando partido de muitos dos seus elementos como seus instrumentos, pelo aliciamento do dinheiro mal ganho, numa ac\u00e7\u00e3o em que a viol\u00eancia n\u00e3o anda longe e em que as liberdades se encontram cerceadas e a afirma\u00e7\u00e3o de cidadania extremamente limitada.     S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que teremos de ter presentes se quisermos enfrentar face a face a exclus\u00e3o e lutar contra o viver separado das duas \u201cpartes\u201d da sociedade portuguesa.     A nossa ac\u00e7\u00e3o tem de ser t\u00e3o completa quanto poss\u00edvel. N\u00e3o podemos ajudar os pobres sem implicar os ricos, n\u00e3o podemos melhorar as condi\u00e7\u00f5es de alojamento sem pensarmos numa ac\u00e7\u00e3o fortemente solid\u00e1ria na cria\u00e7\u00e3o de empregos, n\u00e3o podemos procurar criar uma sociedade mais justa sem combater com determina\u00e7\u00e3o a ilicitude.     \u00c9 um desafio muito complexo mas exequ\u00edvel se tivermos bem a no\u00e7\u00e3o do conjunto, se tirarmos partido pleno das redes de solidariedade e de trabalho conjunto j\u00e1 criadas, no Estado e na sociedade civil, num exerc\u00edcio pleno de descentraliza\u00e7\u00e3o, e se todos nos mobilizarmos num esfor\u00e7o de responsabiliza\u00e7\u00e3o, completamente assumida e executada, num contexto de uma interven\u00e7\u00e3o sustentada.      S\u00f3 assim as duas \u201cpartes\u201d da nossa sociedade se ajudar\u00e3o a destruir as barreiras que actualmente as separam tornando-a menos desigual e mais sol\u00edcita para com os desprotegidos.   <i>Fernando Manuel Roque de Oliveira (membro da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz e Presidente do Observat\u00f3rio sobre a Produ\u00e7\u00e3o, Com\u00e9rcio e Prolifera\u00e7\u00e3o das Armas Ligeiras da CNJP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sociedade portuguesa \u00e9 muito desigual e implac\u00e1vel para com os mais desprotegidos. 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