{"id":350161,"date":"2024-11-24T09:31:09","date_gmt":"2024-11-24T09:31:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=350161"},"modified":"2024-11-22T15:30:35","modified_gmt":"2024-11-22T15:30:35","slug":"portugal-a-igreja-tem-de-criar-espanto-nos-jovens-pedro-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-a-igreja-tem-de-criar-espanto-nos-jovens-pedro-carvalho\/","title":{"rendered":"Portugal: \u00abA Igreja tem de criar espanto nos jovens\u00bb &#8211; Pedro Carvalho"},"content":{"rendered":"<p><em>Neste Dia Mundial da Juventude, o novo coordenador do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil \u00e9 o entrevistado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_350163\" aria-describedby=\"caption-attachment-350163\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pedro-Carvalho-2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-350163 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pedro-Carvalho-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pedro-Carvalho-2.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pedro-Carvalho-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pedro-Carvalho-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pedro-Carvalho-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pedro-Carvalho-2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pedro-Carvalho-2-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-350163\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Beatiz Pereira<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (R\u00e1dio Renascen\u00e7a) Oct\u00e1vio Carmo (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A Confer\u00eancia Episcopal decidiu nomear um coordenador do DNPJ com disponibilidade a tempo inteiro para esta fun\u00e7\u00e3o. A primeira pergunta \u00e9 como \u00e9 que encaras este desafio?<\/em><\/p>\n<p>Bem, vamos por partes. Primeiro, um grande obrigado. E um grande obrigado \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal e na pessoa tamb\u00e9m do D. Nuno Almeida pela ousadia de desafiar uma pessoa comum, entre tantos, que poderiam ser aquilo que eu vou estar a fazer, que \u00e9 liderar o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil. Depois, tamb\u00e9m, uma palavra para o Nuno Camelo e deixar a minha profunda gratid\u00e3o pelo trabalho desenvolvido por ele e pela sua equipa nos \u00faltimos anos e tamb\u00e9m estender esta gratid\u00e3o a todos aqueles que j\u00e1 serviram tamb\u00e9m o Departamento Nacional. E \u00faltima nota mais pessoal, \u00e0 Igreja da Aveiro, que me deu todas as oportunidades, na par\u00f3quia e na diocese, na pessoa do D. Ant\u00f3nio, porque penso que tamb\u00e9m esse trabalho abriu portas para aquilo que eu vou fazer agora. E numa frase, sim, eu aceitei, estou em pleno e eis-me aqui para escutar, refletir e agir com os jovens portugueses<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso implica mudan\u00e7as profissionais e familiares?<\/em><\/p>\n<p>Sim, mais profissionais. Familiares, como \u00e9 \u00f3bvio&#8230; isto foi completamente inesperado, n\u00e3o estava no meu plano de vida e, portanto, obrigou-me a alguns dias de reflex\u00e3o e discernimento e a primeira pergunta era \u201co que \u00e9 que eu posso ajudar, o que \u00e9 que eu posso fazer pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, pelos jovens portugueses? Eu sou capaz?\u201d. Eram estas as minhas inquieta\u00e7\u00f5es. E quando cheguei a casa, disse \u00e0 Catarina: \u201colha, aconteceu-me isto!\u201d. E ela, muito entusiasta, disse: \u201cent\u00e3o, vamos l\u00e1 pensar os dois, se isto \u00e9 poss\u00edvel\u201d. E sim, em termos de fam\u00edlia j\u00e1 estamos habituados a esta vida toda completamente alterada de hor\u00e1rios, com tr\u00eas filhos, um na universidade, outro a estudar em Aveiro, outro mais perto de casa.<\/p>\n<p>Profissionalmente \u00e9 uma mudan\u00e7a de uma cidade que eu gosto muito, pela qual me apaixonei, apaixonei-me pelas pessoas daquela cidade que me fizeram aquilo que eu sou hoje. S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira. E ent\u00e3o, essa cidade e essas pessoas fizeram-me ser uma pessoa completamente diferente, cresci com eles e agora, acho que estou preparado para isto tamb\u00e9m por causa deles. Na quest\u00e3o da mudan\u00e7a profissional, h\u00e1 uma palavra muito cara que \u00e9 a freima, usa-se muito tamb\u00e9m em S\u00e3o Jo\u00e3o, e essa freima que \u00e9 do dia-a-dia, significa n\u00f3s termos esta ousadia de estar sempre a trabalhar, e acho que vai ser diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, Pedro, quais v\u00e3o ser as tuas prioridades, por onde \u00e9 que vais come\u00e7ar o teu trabalho?<\/em><\/p>\n<p>Bem, o meu trabalho j\u00e1 come\u00e7ou. Primeiro, ouvir muito, ouvir os jovens, ouvir as estruturas.\u00a0Temos de pensar de duas formas, que \u00e9, h\u00e1 uma coisa que s\u00e3o os jovens, h\u00e1 outra coisa que s\u00e3o as estruturas. Temos duas vias para trabalhar. A estrutura do departamento pastoral juvenil, com os secretariados, com as congrega\u00e7\u00f5es e com os movimentos, e depois temos mais uma via que s\u00e3o os jovens. E temos de pensar em canais de comunica\u00e7\u00e3o entre todos, pensar como \u00e9 que podemos ser mais eficazes na transmiss\u00e3o do evangelho, ou na nossa evangeliza\u00e7\u00e3o, e isso \u00e9 uma parte. A outra parte foi o que me fez estar. Foi pelos jovens e com eles querer embarcar nesta grande aventura e ser mais um a ajudar a construir caminhos a partir do amor e da beleza. E quero escut\u00e1-los, compreend\u00ea-los, ler os sinais dos tempos com eles, e levar juntos esta pastoral juvenil.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Posso depreender das tuas palavras que \u00e9 preciso fazer fluir melhor a comunica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Na comunica\u00e7\u00e3o, n\u00f3s temos uma coisa t\u00e3o bonita, que \u00e9 a hist\u00f3ria de Jesus Cristo, que \u00e9 t\u00e3o bela, tem uma beleza enorme, que tem de ser f\u00e1cil transmiti-la, n\u00e3o \u00e9? \u00c0s vezes, porqu\u00ea \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o fazemos isso?\u00a0\u00c9 uma interroga\u00e7\u00e3o. E, portanto, acho que podemos fazer isso. O departamento nacional tem de ser a casa dos jovens, e ser diferente, e isto da casa tem a ver com a base, o departamento tem de ser a base, n\u00e3o pode estar no \u2018top\u2019, tem de estar no \u2018down\u2019, ou seja n\u00f3s temos de conseguir virar a pir\u00e2mide, de baixo para cima; n\u00f3s construirmos com os jovens sendo a casa deles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos que ir ao encontro dos jovens implica conhecer as suas prioridades, os seus problemas, e este per\u00edodo de escuta. H\u00e1 uma inten\u00e7\u00e3o da parte dos bispos de criar um novo quadro para a pastoral juvenil, isso foi dito no comunicado final da \u00faltima Assembleia Plen\u00e1ria. Vai ser preciso ter esta escuta pr\u00e9via, antes de se avan\u00e7ar propriamente com propostas concretas?<\/em><\/p>\n<p>Sim. H\u00e1 um mar enorme de desafios na pastoral juvenil, um mar enorme. E das muitas mensagens que o Papa Francisco nos deixou h\u00e1 uma interessant\u00edssima no Mosteiro dos Jer\u00f3nimos que \u00e9 falar para n\u00f3s, para a estrutura. E vale a pena todos n\u00f3s que estamos na estrutura eclesial, todos os departamentos, todos os secretariados, ler aquele discurso do Papa Francisco. E ele a\u00ed deixou-nos uma miss\u00e3o irrecus\u00e1vel, pediu-nos para nos aventurarmos no mar da evangeliza\u00e7\u00e3o e da miss\u00e3o, e nisso indicou-nos os caminhos, que era fazermo-nos ao largo, levarmos juntos por diante a pastoral, e n\u00e3o termos medo de nos tornarmos efetivamente pescadores de homens. Portanto o desafio da Confer\u00eancia Episcopal \u00e9 isto, que j\u00e1 estamos a fazer; h\u00e1 um novo quadro, pode haver um novo quadro de refer\u00eancia, h\u00e1 uma base de trabalho, e essa base de trabalho vai ser de escuta com as estruturas e tamb\u00e9m com os jovens. Para qu\u00ea?\u00a0Para conseguirmos comunicar, comunicar com a mesma linguagem, se conseguirmos perceber que s\u00e3o estas as orienta\u00e7\u00f5es que temos, mais f\u00e1cil ser\u00e1 comunicar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Depois da JMJ 2023, deu a sensa\u00e7\u00e3o de que voltamos a uma certa letargia e que aquela a lufada de ar que a Jornada foi capaz de insuflar, se foi perdendo na espuma dos dias. Acreditas que ainda estamos a tempo de arrepiar caminho?<\/em><\/p>\n<p>Eu acredito e tenho visto muitos projetos fant\u00e1sticos a acontecer no territ\u00f3rio e em todas as dioceses. Acredito, e acredito que h\u00e1 sempre um laborat\u00f3rio de experimenta\u00e7\u00e3o, de evangeliza\u00e7\u00e3o em cada par\u00f3quia, em cada diocese. E tenho visto muitos projetos muito bons, mas o maior desafio \u00e9 ousar sonhar coisas grandes com os jovens, isto \u00e9, n\u00f3s temos de trabalhar com os jovens, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para eles e por eles, mas trabalhar com eles, e que sejam eles os nossos grandes inspiradores, e ser os nossos grandes inspiradores e perceber quais s\u00e3o os anseios deles&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Pastoral Juvenil tradicionalmente \u00e9 pensada como algo que se passa aos jovens. H\u00e1 iniciativas para os jovens, eles s\u00e3o destinat\u00e1rios, h\u00e1 mensagens que se t\u00eam de passar aos jovens: A experi\u00eancia da JMJ em concreto, da sua prepara\u00e7\u00e3o e da sua viv\u00eancia em Portugal, mostrou que estamos prontos para que eles sejam protagonistas?<\/em><\/p>\n<p>Claro. Eles t\u00eam de ser os protagonistas. Devem ter o palco, para eles serem ousados, serem po\u00e9ticos e serem criativos. E isto tem de nos fazer sair, pois temos esta igreja de sa\u00edda. Mas permitam-me dizer uma coisa. Estes jovens de agora s\u00e3o os jovens que passaram muito tempo em solid\u00e3o, e esta solid\u00e3o da pandemia. Reparem, um jovem que come\u00e7ou a sua adolesc\u00eancia com 13, 14 anos, tem agora 19 anos, e a sua adolesc\u00eancia foi na pandemia. E, portanto, n\u00f3s temos de compreend\u00ea-los; compreender todas as suas inquietudes, as suas fragilidades, questionar, falar com eles, refletir em todas as dimens\u00f5es, desde a ecologia ao desenvolvimento sustentado, educa\u00e7\u00e3o e trabalho, a sa\u00fade, a sa\u00fade mental, as depend\u00eancias, a solid\u00e3o, a sociedade, o aumento do custo de vida. Portanto n\u00f3s temos de ter uma linguagem f\u00e1cil e compreensiva que eles nos compreendam, e eu tamb\u00e9m tenho de os compreender.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E que vai ter em conta as quest\u00f5es deles, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Claro, exatamente. Eu acho que o maior desafio \u00e9 n\u00f3s conseguirmos que os jovens de hoje sejam crist\u00e3os no dia-a-dia e que ocupem o espa\u00e7o p\u00fablico. Isto \u00e9 dif\u00edcil, mas cabe-nos a n\u00f3s, animadores, acompanhadores dos jovens, dar-lhes ferramentas para que eles consigam perceber como \u00e9 que eu posso, no espa\u00e7o p\u00fablico, na sociedade, eu posso ser eu, ser crist\u00e3o, e ter uma voz neste espa\u00e7o, no meu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A import\u00e2ncia de se reverem na Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Acho que \u00e9 f\u00e1cil rever-se na Igreja. \u00c0s vezes o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 n\u00f3s mudarmos um bocadinho o chip, n\u00e3o \u00e9? Ou melhor, vamos l\u00e1 ver, como \u00e9 que os jovens podem rever-se na Igreja? Temos de perceber qual \u00e9 o algoritmo deles, qual \u00e9 o algoritmo que eles querem, n\u00e3o \u00e9? \u201cIsto \u00e9 fixe, isto \u00e9 uau!!!\u201d. Portanto n\u00f3s queremos criar espanto nos jovens, temos de ter essa capacidade, e eles dizerem #uau, a Igreja est\u00e1 comigo, acompanha-me, n\u00e3o \u00e9?\u201d. E muitas vezes \u00e9 dif\u00edcil para n\u00f3s, Igreja, metermos a igreja no algoritmo deles, seja nas redes sociais, seja na vida, mas mais do que redes virtuais, n\u00f3s temos de conseguir que eles tenham redes de jovens que consigamos unir, e \u00e9 isso um dos meus prop\u00f3sitos da minha miss\u00e3o, \u00e9 que eu consiga perceber os jovens portugueses, em que consigamos unir as suas inquietudes. Porque h\u00e1 uns que t\u00eam uma e vamos falar com estes, h\u00e1 outros que t\u00eam outra com o ambiente, vamos falar com esses jovens, portanto, n\u00e3o podemos \u00e9 ter todos os jovens a falar sempre para os mesmos, porque eles t\u00eam inquietudes diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E desse ponto de vista \u00e9 tamb\u00e9m um sinal importante confiar num leigo para dinamizar um setor t\u00e3o importante como o da rela\u00e7\u00e3o da igreja com os jovens?<\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 um sinal, obviamente, \u00e9 um sinal. Isso vai ao encontro daquilo que eu disse no in\u00edcio. A Confer\u00eancia Episcopal foi ousada nesta vis\u00e3o para a Pastoral Juvenil. Eu tenho essa responsabilidade, sou o primeiro que me vou dedicar em pleno \u00e0 Pastoral Juvenil. Isto permite que eu consiga cooperar, sonhar, arriscar, criar, e partir, rumo ao outro, terra a terra, diocese a diocese. Este tempo d\u00e1-me tempo para eu estar com eles, e d\u00e1-me tempo para eu alegrar-me com a alegria deles, d\u00e1-me tempo para pensar nas suas inquietudes e depois pensarmos juntos, enquanto estrutura eclesial e estrutura da igreja, de apresentar as melhores propostas. Eu acredito nas redes da Igreja, eu acredito que temos de aprofund\u00e1-las, esta liga\u00e7\u00e3o bispos, p\u00e1rocos, leigos, congrega\u00e7\u00f5es, movimentos, os pr\u00f3prios departamentos da CEP, temos de estar todos ligados, em sintonia, sintonizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta experi\u00eancia sinodal dos \u00faltimos anos, em particular dos \u00faltimos tr\u00eas, pode inspirar novas experi\u00eancias de encontro nas par\u00f3quias, nas universidades, onde os jovens est\u00e3o, onde eles se encontram?<\/em><\/p>\n<p>Eu, encontrei, e foi muito bom encontrar companheiros do entusiasmo da juventude, encontrei-os, e eles est\u00e3o aqui, eles est\u00e3o por a\u00ed, e eu vou tocar-lhes \u00e0 porta. Mais uma vez \u00e9 preciso sermos Igreja em sa\u00edda. Os \u201cDias nas dioceses\u201d s\u00e3o um bom exemplo de Igreja em sa\u00edda. E se h\u00e1 melhor exemplo, e n\u00f3s vamos ter de o demostrar, se calhar n\u00e3o o demostramos da melhor forma, mas se h\u00e1 melhor exemplo de Igreja sinodal foi aquele que foi vivido na constru\u00e7\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude. Quem passou, como eu passei, por todas as dioceses, e que viu o empenho de todas as comunidades, dos 8 aos 80 anos, ou aos 90 anos; percebe o que estou a dizer. E a forma como vimos a distribui\u00e7\u00e3o de tarefas, com a pessoa que tinha jeito para as finan\u00e7as estava nas finan\u00e7as, a pessoa que tinha jeito para a comunica\u00e7\u00e3o estava na comunica\u00e7\u00e3o. Portanto, criamos tantas comunidades, tantas, tantas, nas par\u00f3quias, eu sou testemunha do entusiasmo das par\u00f3quias de Aveiro e de todo o pa\u00eds, porque consegui percorrer o pa\u00eds. E a\u00ed foi um grande laborat\u00f3rio de sinodalidade, um grande exemplo. E se quisermos, temos grandes exemplos para dizer, aqui foi poss\u00edvel, nesta par\u00f3quia X, Y, Z, e, portanto, j\u00e1 vivemos essa sinodalidade. Temos de continuar, temos de continuar a aprofundar, a ir mais fundo, a dizer assim: O que \u00e9 que ainda podemos melhorar? Mas reparem, Aveiro decidiu receber todos os jovens em fam\u00edlias nos &#8220;Dias nas Dioceses&#8221;. Foi um des\u00edgnio nosso. N\u00f3s chegamos a trabalhar juntos, isso parece um n\u00famero estratosf\u00e9rico, mas chegamos a trabalhar juntos cerca de 4 mil pessoas. Bem, 4 mil pessoas a trabalhar na Igreja, para receber 5 mil jovens, \u00e9 muita gente. Para estas pessoas trabalharem, tivemos de trabalhar em rede, tivemos de dialogar, tivemos de comunicar, tivemos de ser companheiros no entusiasmo e tamb\u00e9m naqueles dias que est\u00e1vamos mais tristes e que as coisas n\u00e3o nos corriam bem. Portanto conseguimo-lo fazer, e este desafio da sinodalidade foi feito, vamos continuar, n\u00e3o podemos parar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A mensagem cat\u00f3lica tem alguma dificuldade em chegar at\u00e9 \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, quando \u00e9 entendida como a imposi\u00e7\u00e3o de um conjunto de comportamentos. \u00c9 um desafio alterar a linguagem, valorizar a proposta da f\u00e9 como sentido para a vida?<\/em><\/p>\n<p>Claro que sim. Alterar a linguagem, mas antes temos de escutar, escutar, escutar, ter tempo para ouvir os sil\u00eancios dos jovens, ter tempo para lhes dar tempo para pensar e que eles nos digam aquilo que est\u00e3o a sentir. E este tempo de escuta permite-nos depois sair. E escutar n\u00e3o \u00e9 ouvir um, dois ou tr\u00eas anos. N\u00e3o. \u00c9 uma escuta permanente, para depois agir. E com eles vamos construir este caminho, e arriscar o caminho do amor, e a constru\u00e7\u00e3o de um reino do amor, aquilo que Deus nos pede, e, portanto, \u00e9 isso que \u00e9 poss\u00edvel. Sim, a linguagem tem de ser a linguagem dos jovens, mas n\u00f3s s\u00f3 conseguimos ter a linguagem dos jovens, se n\u00f3s tivermos tempo para os ouvir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E se forem eles pr\u00f3prios a produzir essa linguagem, porque caso contr\u00e1rio cheiraria a falso\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. \u00c9 precisamente isso, quando falo dos algoritmos, do scroll e mais n\u00e3o sei quanto&#8230; quer dizer, temos de nos atualizar enquanto linguagem para eles perceberem e depois chegar a eles, e acompanh\u00e1-los, porque muitas vezes temos aquela tenta\u00e7\u00e3o de fazer os tais projetos para eles, e depois usamos os jovens como os nossos trof\u00e9us. Temos aqui um projeto, trabalh\u00e1mos para eles e eles vieram, muito bem, mas n\u00e3o \u00e9 isso. Na escada da participa\u00e7\u00e3o que eu preconizo e quero que isso aconte\u00e7a na Igreja e no Departamento da Pastoral Juvenil, \u00e9 que eles participem, sejam eles os protagonistas, que falem a linguagem deles e depois n\u00f3s estaremos qui para os acompanhar. S\u00f3 um exemplo, eu venho da \u00e1rea do desporto, e eu gostava de arriscar fazer um mortal. E o meu professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica dizia, Pedro, tu ainda n\u00e3o tens aquelas compet\u00eancias necess\u00e1rias. O meu professor dizia, queres arriscar, eu estou aqui, ent\u00e3o vamos fazer \u2018step by step\u2019. Ele estava a acompanhar-me naquele movimento mortal que era dif\u00edcil, e n\u00f3s temos de trazer isto para a Igreja. Eles querem arriscar, ent\u00e3o vamos estar aqui a acompanh\u00e1-los, mas que sejam eles a puxar, sejam eles o motor, sejam os jovens o motor desta Igreja, e sejamos n\u00f3s, jovens adultos, ou adultos jovens, que os acompanhamos, a ter esta fun\u00e7\u00e3o de estar aqui a amparar, sem querer impor. Se n\u00f3s conseguirmos, que os jovens sejam os protagonistas, que sejam eles a propor as novas propostas para a Igreja, e sejamos n\u00f3s aqueles que vamos acompanh\u00e1-los no seu risco, vai ser fant\u00e1stico, vai ser mesmo muito bom.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o dos abusos na Igreja prejudicou a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a dos jovens na Igreja. Do teu ponto de vista, os passos dados est\u00e3o a ajudar a melhorar essa rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o \u00e9 uma realidade que nos entristece e que nos deixou muitas feridas. Penso que a Igreja colocou a quest\u00e3o no centro das suas preocupa\u00e7\u00f5es, assumindo as suas responsabilidades, para que esta Igreja possa ser uma casa segura para todos. Tenho confian\u00e7a que estamos a seguir um caminho para que os jovens confiem em n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda assim tem havido, ao longo do processo, algumas cr\u00edticas, nomeadamente \u00e0 forma como vem sendo conduzido o processo. Na tua opini\u00e3o, estamos no bom caminho?<\/em><\/p>\n<p>Tudo o que fa\u00e7amos para tentar recuperar os danos causados nunca ser\u00e1 o suficiente. Estamos a fazer este caminho de colocar esta preocupa\u00e7\u00e3o no centro das nossas responsabilidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta quest\u00e3o dos abusos, para quem lida habitualmente com jovens e que agora tem a coordena\u00e7\u00e3o do departamento, era assunto falado muitas vezes ou era evitado?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o falamos, porque \u00e9 uma quest\u00e3o h\u00e1 qual n\u00f3s n\u00e3o podemos fugir. \u00c9 uma quest\u00e3o que est\u00e1 no centro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es e temos de arranjar caminhos para que possamos fazer bem e evitarmos novas situa\u00e7\u00f5es no futuro.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E quanto mais depressa se resolver melhor ser\u00e1 tamb\u00e9m o caminho para que os jovens percebam o esfor\u00e7o da Igreja no sentido de melhorar toda esta rela\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 em 2025 vamos viver o jubileu dos jovens, \u00e9 uma semana de festa, em Roma, com o Papa. \u00c9 um bom ponto de encontro para relan\u00e7ar din\u00e2micas que se criaram por ocasi\u00e3o da JMJ em Lisboa?<\/em><\/p>\n<p>Sim, claro que sim, \u00e9 um bom ponto de encontro, comigo vai ser um encontro da minha fam\u00edlia com o Tor Vergata, porque foi l\u00e1 h\u00e1 25 anos que eu e a Catarina decidimos casar, portanto&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ah, no encontro com o S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, e, portanto, foi l\u00e1 naquele domingo, com calor, que decidimos. Sim, o departamento vai criar estas din\u00e2micas de participa\u00e7\u00e3o e que sejam os jovens tamb\u00e9m, a come\u00e7ar j\u00e1 c\u00e1, aqui, com o jubileu. Sei que, e dos contatos e dos di\u00e1logos que j\u00e1 tenho tido com as pessoas que fui falando ao longo desta semana, que est\u00e1 a haver muita mobiliza\u00e7\u00e3o para Roma. Boa. Agora cabe-nos a n\u00f3s conseguir que v\u00e3o mais jovens, que h\u00e1 outros jovens que consigam entusiasmar outros para irem ao encontro a Roma. A mim, deu-me uma fam\u00edlia e tr\u00eas filhos, portanto, pode ser que seja um encontro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pedro, hoje celebramos a Jornada Mundial da Juventude, a n\u00edvel diocesano. O Papa escreve que a solu\u00e7\u00e3o para o cansa\u00e7o, paradoxalmente, n\u00e3o \u00e9 ficar parado para descansar, \u00e9 pelo contr\u00e1rio, p\u00f4r-se a caminho e tornar-se peregrino da esperan\u00e7a. \u00c9 uma inspira\u00e7\u00e3o para a Igreja em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma inspira\u00e7\u00e3o para a Igreja em Portugal, com toda a certeza, mas incluo a palavra alegria. E este dia que estamos a viver em Roma, ou vamos viver em Roma, \u00e9 um misto desta alegria que foi a passagem dos s\u00edmbolos em Portugal e a saudade, a saudade de os deixar passar para a Diocese de Seul. Mas naquela cruz e naquele s\u00edmbolo, v\u00e3o as impress\u00f5es digitais dos jovens portugueses que pegaram na Cruz e no S\u00edmbolo tamb\u00e9m. E, portanto, est\u00e1 l\u00e1 a nossa impress\u00e3o digital do que \u00e9 ser portugu\u00eas e a palavra saudade tamb\u00e9m s\u00f3 \u00e9 nossa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Dia Mundial da Juventude, o novo coordenador do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil \u00e9 o entrevistado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":350164,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[280],"class_list":["post-350161","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-pastoral-juvenil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/350161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=350161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/350161\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/350164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=350161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=350161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=350161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}