{"id":35013,"date":"2008-11-01T16:16:13","date_gmt":"2008-11-01T16:16:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/11\/01\/fieis-defuntos\/"},"modified":"2008-11-01T16:16:13","modified_gmt":"2008-11-01T16:16:13","slug":"fieis-defuntos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fieis-defuntos\/","title":{"rendered":"Fi\u00e9is Defuntos"},"content":{"rendered":"<p>Com as celebra\u00e7\u00f5es do in\u00edcio de Novembro, a Igreja pretende abra\u00e7ar todos os crist\u00e3os que j\u00e1 conclu\u00edram a sua peregrina\u00e7\u00e3o terrena <!--more--> O in\u00edcio do m\u00eas de Novembro aproxima os crist\u00e3os dos santos e dos defuntos. No primeiro dia do m\u00eas, a Igreja prop\u00f5e-se esta vis\u00e3o da gl\u00f3ria, \u00e0s portas do Inverno, para que, com o cair das folhas das \u00e1rvores e o apagar-se gradual da luz do dia, n\u00e3o esmore\u00e7a nos crentes a esperan\u00e7a da vida e da vida plena em Deus, onde os Santos s\u00e3o para n\u00f3s ainda peregrinos na Terra, um est\u00edmulo e um cont\u00ednuo convite a que desejemos, para al\u00e9m da morte, a vida eterna em Deus.   No Angelus desta solenidade, Bento XVI disse mesmo: \u201cO mundo aparece-nos como um jardim onde o Esp\u00edrito de Deus suscitou com admir\u00e1vel fantasia uma multid\u00e3o de santos e santas, de todas as idades e condi\u00e7\u00f5es sociais, de cada l\u00edngua, povo e cultura\u201d. O dia de Todos os Santos \u00e9, por isso, um dia de festa que n\u00e3o deve ser ofuscada pela celebra\u00e7\u00e3o do dia que se lhe segue. A comemora\u00e7\u00e3o de todos os Fi\u00e9is Defuntos nasceu, no entanto, em liga\u00e7\u00e3o com a celebra\u00e7\u00e3o do dia anterior, e muito naturalmente, pois que tamb\u00e9m nela se celebra a vida para al\u00e9m da morte, na esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o do \u00faltimo dia. O dia chama-se Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos, depois de Todos os Santos, todos os que partiram deste mundo, marcados com o sinal da f\u00e9 e esperam ainda a purifica\u00e7\u00e3o total para poderem chegar \u00e0 vis\u00e3o de Deus.  O Pe. Basileu Pires, do convento de Balsam\u00e3o (diocese de Bragan\u00e7a) sublinha que no Dia dos Fi\u00e9is Defuntos &#8220;celebramos aqueles que tamb\u00e9m j\u00e1 s\u00e3o santos (dizemos que s\u00e3o as santas almas do purgat\u00f3rio), mas que ainda precisam de se purificar a fim de entrarem nessa plenitude&#8221;. Quando se visita o cemit\u00e9rio neste dia e ao rezarmos pelos irm\u00e3os defuntos, &#8220;fazemo-lo porque acreditamos no mist\u00e9rio da comunh\u00e3o dos santos. Isto \u00e9, tudo o que fazemos de bom, todos os actos de amor, de aut\u00eantico amor, os outros beneficiam desse bem que fazemos. \u00c9 a solidariedade no bem&#8221; &#8211; avan\u00e7a este sacerdote. Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, O Pe. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, da diocese de Aveiro e capel\u00e3o hospitalar, real\u00e7a que &#8220;\u00e9 muito dif\u00edcil usar o termo \u00abmorte\u00bb em quase todas as situa\u00e7\u00f5es; mas \u00e9-o especialmente com doentes&#8221;. O sofrimento e a morte &#8220;n\u00e3o s\u00e3o uma derrota; eles s\u00e3o uma natural consequ\u00eancia da fragilidade que transportamos e somos&#8221; &#8211; disse. E completa: &#8220;A caducidade da vida do Homem nunca pode ser vista como derrota; estamos em caminho, seguindo as pegadas do Mestre, que passou pela dif\u00edcil e complicada situa\u00e7\u00e3o do amargo \u00abc\u00e1lice\u00bb&#8221;. <b>Visita aos cemit\u00e9rios<\/b> De Norte a Sul do pa\u00eds, num ambiente de brisas suaves e com as \u00e1rvores a despirem-se da sua folhagem amarelecida, as pessoas deslocam-se aos cemit\u00e9rios e recordam os seus entes queridos. Nessa visita levam quase sempre uma flor e \u201crezamos pela alma dos nossos familiares\u201d \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Maria do Ros\u00e1rio quando entrava no cemit\u00e9rio do Alto de S. Jo\u00e3o (Lisboa). E acrescenta: \u201cEles foram, mas n\u00e3o est\u00e3o esquecido\u201d. Jos\u00e9 Eduardo Rebelo, professor de Biologia na Universidade de Aveiro e autor do livro \u00abDesatar o n\u00f3 do luto\u00bb, numa entrevista concedida ao \u00abCorreio do Vouga\u00bb, sublinha que as pessoas n\u00e3o perderam o sentido do luto, mas \u201cacontece \u00e9 que \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil faz\u00ea-lo socialmente, publicamente\u201d. A sociedade preocupada com \u201cquest\u00f5es de efic\u00e1cia e a press\u00e3o social, que exige que tudo seja r\u00e1pido e imediato, \u00e9 que dificultam o luto\u201d \u2013 afirma. O nome tradicional para falar dos que partiram \u00e9 defuntos &#8211; palavra que significa os que deixaram a sua &#8220;fun\u00e7\u00e3o&#8221; , a sua actividade terrena e que n\u00e3o devem ser chamados &#8220;Finados&#8221;, palavra de sabor pag\u00e3o, que significaria os que chegaram ao fim de tudo quanto \u00e9 vida, onde n\u00e3o haveria lugar para &#8220;a vida do mundo que h\u00e1-de vir&#8221;, como professamos no Credo.  Foi o Abade de Cluny, S. Odil\u00e3o, quem no ano 998 determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem &#8211; e eram muitos e influentes &#8211; se fizesse a comemora\u00e7\u00e3o de todos os defuntos \u00abdesde o princ\u00edpio at\u00e9 ao fim do mundo\u00bb no dia a seguir ao da solenidade de todos os Santos. Este costume depressa se generalizou. Roma oficializou-o no s\u00e9culo XIV e no s\u00e9culo XV foi concedido aos dominicanos de Val\u00eancia (Espanha) o privil\u00e9gio de celebrar 3 missas em 2 de Novembro, pr\u00e1tica que se difundiu nos dom\u00ednios espanh\u00f3is e portugueses e ainda na Pol\u00f3nia. Durante a primeira Grande Guerra, o Papa Bento XV generalizou esse uso a toda a Igreja (1915). O Calend\u00e1rio de 1969 equipara a Comemora\u00e7\u00e3o \u00e0s Solenidades, dando-lhe preced\u00eancia sobre os domingos. <b>Fases do processo do luto<\/b> Segundo Jos\u00e9 Eduardo Rebelo, o processo do luto passa pela fase do choque (1.\u00aa), pela da nega\u00e7\u00e3o emocional (2.\u00aa), pelo reconhecimento da perda (3.\u00aa) e pela de aceita\u00e7\u00e3o (4.\u00aa). Todavia, este processo tem variantes porque as fases s\u00e3o as mesmas, mas \u201cprolongam-se no tempo de modo diferente e cada pessoa \u00e9 um caso\u201d. E avan\u00e7a: \u201cSe se perde um pai, de alguma forma \u00e9 menos doloroso, porque o pai faz parte do passado. \u00c9 expect\u00e1vel que sobrevivamos a ele. Embora haja pessoas que, com a perda de um mais velho, entrem num pranto muito desigual. J\u00e1 perder um filho \u00e9 algo muito mais complexo. O luto pode durar para o resto da vida, ainda que a pessoa esteja tranquila e calma\u201d O autor do livro \u00abDesatar o n\u00f3 do luto\u00bb criou  a Associa\u00e7\u00e3o Apelo que tem quatro objectivos: \u201capoio directo \u00e0s pessoas e fam\u00edlias em luto; divulgar o tema \u201cOs afectos &#8211;  constru\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e perda\u201d; pesquisar e ensinar sobre o tema do luto; provocar a coopera\u00e7\u00e3o com outras institui\u00e7\u00f5es.  Tamb\u00e9m a sucess\u00e3o dos dois dias lit\u00fargicos insinua esta \u00edntima liga\u00e7\u00e3o dos dois cultos: a Igreja pretende abra\u00e7ar todos os crist\u00e3os que j\u00e1 conclu\u00edram a sua peregrina\u00e7\u00e3o terrena, a come\u00e7ar por aqueles nos quais j\u00e1 se cumpriu integralmente o mist\u00e9rio pascal com o triunfo da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com as celebra\u00e7\u00f5es do in\u00edcio de Novembro, a Igreja pretende abra\u00e7ar todos os crist\u00e3os que j\u00e1 conclu\u00edram a sua peregrina\u00e7\u00e3o terrena<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[120,170,172,190,206,314],"class_list":["post-35013","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-braga","tag-dominicanos","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35013","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35013"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35013\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}