{"id":350054,"date":"2024-11-22T10:40:23","date_gmt":"2024-11-22T10:40:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=350054"},"modified":"2024-11-22T10:40:31","modified_gmt":"2024-11-22T10:40:31","slug":"sera-a-vida-eterna-uma-vida-imovel-e-fria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sera-a-vida-eterna-uma-vida-imovel-e-fria\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 a vida eterna uma vida im\u00f3vel e fria?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dedicamos este m\u00eas de novembro \u00e0 mem\u00f3ria e a uma ora\u00e7\u00e3o mais intensa pelos defuntos. Teremos poucas d\u00favidas de que passaremos por um purgat\u00f3rio, j\u00e1 que somos feitos de impureza, imperfei\u00e7\u00e3o, incoer\u00eancia, divis\u00e3o e inconst\u00e2ncia. A queda da folha das \u00e1rvores, a nudez da natureza, que n\u00e3o h\u00e1 muito tempo se exibia deslumbrante, formosa e vi\u00e7osa de cor e beleza, vem-nos lembrar que tudo neste mundo \u00e9 caduco e finito. A vida humana n\u00e3o escapa a esta regra. Contudo, este m\u00eas de novembro tamb\u00e9m nos lembra que, segundo a contempla\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, a nossa vida \u00e9 uma peregrina\u00e7\u00e3o para Deus, \u00e9 um caminhar para a plenitude da vida em Deus.<\/p>\n<p>Fomos acusados em tempos, se \u00e9 que ainda n\u00e3o o somos, de promover a aliena\u00e7\u00e3o da vida, ao anunciarmos que a vida boa, bela, feliz e perfeita ainda est\u00e1 para vir e ser\u00e1 noutra vida, mas n\u00e3o para esta. Foi uma acusa\u00e7\u00e3o injusta feita ao magist\u00e9rio da Igreja. At\u00e9 se cunhou a prop\u00f3sito a express\u00e3o \u201ca religi\u00e3o \u00e9 o \u00f3pio do povo\u201d, cuja autoria conhecemos. A religi\u00e3o seria uma \u201cdroga\u201d para anestesiar e consolar no meio da desgra\u00e7a, explora\u00e7\u00e3o, injusti\u00e7a e opress\u00e3o deste mundo, propondo que se aguente para j\u00e1 esta vida, para depois se poder ter uma melhor. Na verdade, a Igreja nunca defendeu isso e desde sempre lutou pela liberta\u00e7\u00e3o e total realiza\u00e7\u00e3o do ser humano, e sempre ensinou que a vida boa e feliz j\u00e1 est\u00e1 a come\u00e7ar aqui, e deve come\u00e7ar aqui, e acontece a partir do momento que nos tornamos seguidores de Jesus Cristo e nos abrimos ao seu amor e \u00e0 sua salva\u00e7\u00e3o, nos deixamos transformar pelo evangelho e vivemos a nossa condi\u00e7\u00e3o de filhos de Deus. Claro que ainda n\u00e3o \u00e9 uma vida plena, porque esta vida subsiste em \u201cvasos de barro\u201d, na tenda de um fr\u00e1gil corpo humano, mas para l\u00e1 caminha, pela a\u00e7\u00e3o dos sacramentos que recebemos.<\/p>\n<p>No entanto, quando, muitas vezes, falamos da vida eterna, e \u00e9 eterna n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 infinita, mas porque \u00e9 total e plena, a mais bela experi\u00eancia de vida que poderemos fazer enquanto pessoas humanas e seres criados por Deus e para Deus, passamos a ideia um pouco pobre de que a vida eterna \u00e9 \u201cestar\u201d num certo lugar ou numa certa condi\u00e7\u00e3o, viver na morada de Deus, \u201cestar no c\u00e9u\u201d. Sabemos que queremos dizer mais do que dizemos, mas pode passar a ideia de que a eternidade \u00e9 im\u00f3vel, fria, est\u00e1tica, quase vida infinita \u201csem vida\u201d. Algu\u00e9m at\u00e9 sugeriu que seria a eternulidade, uma vida, pelos vistos, sem grande gra\u00e7a e sem grande dinamismo, uma nulidade eterna, simplesmente estar vivo a contemplar uma luz. As representa\u00e7\u00f5es que fazemos de Deus, na sua maioria, parecem transmitir esta ideia: pintamos sempre Deus sentado num trono, a contemplar a imensid\u00e3o. \u00c9 \u00f3bvio que a nossa linguagem \u00e9 sempre limitada e nunca \u00e9 f\u00e1cil falarmos ou doutrinarmos sobre o que n\u00e3o vimos nem sabemos, e falamos muito a partir do que sabemos ou imaginamos. E tamb\u00e9m \u00e9 verdade que os antropomorfismos est\u00e3o sempre \u00e0 m\u00e3o para especularmos sobre Deus e suas verdades, levando-nos a ter ideias erradas e imagens imperfeitas.<\/p>\n<p>Se Deus \u00e9 a vida, certamente que ser\u00e1 sempre vida em a\u00e7\u00e3o e movimento, gerando sempre mais vida, uma sar\u00e7a que arde eternamente e nos por\u00e1 sempre a arder, ser\u00e1 uma vida envolvida pela juventude, pelo espanto, pelo desejo, nas palavras de S. Agostinho, uma \u201cinsaci\u00e1vel saciedade\u201d. Como escreve Fran\u00e7ois Varillon, \u201cse a eternidade n\u00e3o fosse, em si mesma, nascente que brota, cascata jorrante e frescura de amor, s\u00f3 nos poderia oferecer como participa\u00e7\u00e3o uma dura\u00e7\u00e3o mon\u00f3tona\u201d. E o P. Yves de Montcheuil tamb\u00e9m escreve: \u201cA verdadeira vida eterna do cristianismo n\u00e3o consiste em fixar a alma na contempla\u00e7\u00e3o passiva dum objeto, mesmo sendo o mais perfeito de todos. Se a perfei\u00e7\u00e3o de todo o esp\u00edrito \u00e9 o triunfo nele da caridade, e se Deus \u00e9 a caridade subsistente, o acabamento do esp\u00edrito \u00e9 tornar-se participante desta atividade imanente de Deus\u201d.<\/p>\n<p>A vida eterna que esperamos, certamente diferente da que hoje vivemos, mas na continuidade da que hoje experimentamos, n\u00e3o deve ser pensada como um estado final ou uma vida finalizada, que j\u00e1 n\u00e3o tem mais nada para crescer ou para viver, estagnada, porque nada em n\u00f3s \u00e9 final. Usamos a palavra para indicar que a vida chegou \u00e0 sua etapa final, mas nada em n\u00f3s tem fim, carregamos sempre dentro de n\u00f3s fome e sede, aspira\u00e7\u00e3o e insaciedade, mergulhados num desejo intermin\u00e1vel, que s\u00f3 Deus pode preencher.<\/p>\n<p>Assim escreve Paul Claudel: \u201cE se o desejo tivesse que cessar com Deus, ah, envi\u00e1-lo-ia ao inferno\u201d. S. Teresa de Lisieux deixou-nos tamb\u00e9m uma frase, antevendo que a eternidade n\u00e3o ser\u00e1 uma frialdade eterna, mas uma inesgot\u00e1vel, ilimitada e din\u00e2mica vida de amor, de uni\u00e3o e comunh\u00e3o: \u201cQuero passar o meu c\u00e9u a fazer bem na terra\u201d.<\/p>\n<p>A madre Teresa de Calcut\u00e1 dizia que dormia pouco para se dedicar aos pobres, porque teria tempo depois para descansar na eternidade. Mas, se algu\u00e9m pensa que vai descansar no c\u00e9u, acho que nos vamos surpreender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-350054","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/350054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=350054"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/350054\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=350054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=350054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=350054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}