{"id":349829,"date":"2024-11-20T17:30:03","date_gmt":"2024-11-20T17:30:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=349829"},"modified":"2024-11-20T17:30:03","modified_gmt":"2024-11-20T17:30:03","slug":"a-cruz-escondida-297","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-297\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Hist\u00f3ria de Robert, um crist\u00e3o refugiado no Burquina Fasso<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_20901\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bxPe6y3BWkE?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<h4>\u201cN\u00e3o tenho nada\u201d<\/h4>\n<p>Fugiu numa motorizada com a mulher e o filho. Conseguiu trazer consigo, \u00e0s pressas, apenas um saco com meia d\u00fazia de coisas. Foi tudo o que salvou face \u00e0 chegada iminente dos terroristas \u00e0 sua aldeia. Agora, os tr\u00eas vivem num campo de deslocados e os dias s\u00e3o dolorosos. O Natal est\u00e1 a chegar e falta-lhes tudo menos a f\u00e9&#8230; O Bispo de Dori at\u00e9 j\u00e1 disse \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS que \u201c\u00e9 um milagre haver ainda crist\u00e3os no pa\u00eds\u201d\u2026<\/p>\n<p>O que mais impressiona \u00e9 o olhar triste, cansado. Robert Sawadogo \u00e9 um dos cerca de 2 milh\u00f5es de deslocados internos do Burquina Fasso. A sua hist\u00f3ria confunde-se com a de tantos e tantos outros que tiveram de fugir perante a amea\u00e7a de grupos terroristas, de grupos jihadistas que querem impor um Isl\u00e3o radical pela for\u00e7a das armas. E os Crist\u00e3os s\u00e3o um dos seus alvos. Robert sabe-o bem.\u00a0 A aproxima\u00e7\u00e3o dos terroristas \u00e0 sua aldeia n\u00e3o deixou alternativa. Era preciso fugir. Puseram tudo que cabia num saco, colocaram o saco na motorizada e partiram. Ele, a mulher e o filho ainda pequeno. Salvaram a vida, mas \u00e9 com desespero que olham agora para o futuro. N\u00e3o t\u00eam nada. \u201cA minha mulher chegou aqui apenas com um prato. Este ano, o Natal est\u00e1 a aproximar-se e eu n\u00e3o tenho nada, nem sequer um gr\u00e3o de arroz.\u201d O olhar de Robert diz tudo. Ele sente-se perdido entre outros n\u00e1ufragos, entre outros que, como ele, fugiram da viol\u00eancia jihadista e est\u00e3o agora em alguns dos campos de deslocados que foram nascendo no Burquina Fasso. Calcula-se que os terroristas controlam j\u00e1 cerca de 40% do pa\u00eds. A vida para os deslocados internos \u00e9 dram\u00e1tica. O futuro revela-se incerto e o passado parece ser, a cada dia que passa, cada vez mais distante. N\u00e3o h\u00e1 regresso poss\u00edvel \u00e0s aldeias enquanto os jihadistas estiverem por l\u00e1. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dram\u00e1tica que h\u00e1 at\u00e9 par\u00f3quias que j\u00e1 foram encerradas.<\/p>\n<h4>Haver crist\u00e3os \u00e9 um milagre<\/h4>\n<p>\u00c9 assim em muitos lugares. Na Diocese de Fada N\u2019Gourma, na parte oriental do pa\u00eds, por exemplo, cinco par\u00f3quias est\u00e3o fechadas devido \u00e0 amea\u00e7a dos terroristas. O Bispo de Dori, D. Laurent Dabir\u00e9, precisa de ajuda do helic\u00f3ptero das Na\u00e7\u00f5es Unidas para entrar ou sair da sua diocese. E se optar pela estrada, tem de integrar uma escolta de ve\u00edculos militares. De outra forma, a viagem ser\u00e1 um suic\u00eddio. Este Bispo esteve no Brasil no in\u00edcio do ano a convite da Funda\u00e7\u00e3o AIS. As suas palavras s\u00e3o um testemunho da urg\u00eancia no socorro a este pa\u00eds. \u201c\u00c9 um milagre ainda haver crist\u00e3os no Burquina Fasso\u201d, disse durante a visita. De facto, \u00e9 raro o dia em que n\u00e3o h\u00e1 uma not\u00edcia tr\u00e1gica, ou em que n\u00e3o se chore a morte de algu\u00e9m, em que n\u00e3o se escute o lamento de mais um ataque\u2026 \u201cTodos os dias algu\u00e9m vem ter comigo para dizer: \u2018Senhor bispo, mataram 30 pessoas esta manh\u00e3\u2019. E eu ainda n\u00e3o terminei de ouvir esse relato e j\u00e1 algu\u00e9m interrompe para dizer: \u2018Bispo, acabaram de matar 15 pessoas perto de mim\u2019.\u201d Estas palavras de D. Dabir\u00e9 no Brasil ajudam a explicar como \u00e9 o seu dia-a-dia, como \u00e9 dif\u00edcil gerir sentimentos, esperan\u00e7as e vidas num ambiente t\u00e3o marcado pela viol\u00eancia mais extrema. D. Dabir\u00e9 diz que, normalmente, quando os terroristas chegam \u00e0s aldeias, ou come\u00e7am logo a disparar indiscriminadamente, incendiando as casas, destruindo tudo, ou ent\u00e3o optam por raptar os rapazes e as raparigas. \u201cOs rapazes s\u00e3o levados para se tornarem soldados, e as raparigas para serem escravas sexuais dos combatentes.\u201d<\/p>\n<h4>A vergonha de n\u00e3o ter trabalho<\/h4>\n<p>\u00c9 por tudo isto que, quando corre a not\u00edcia de que os terroristas est\u00e3o a chegar a algum lugar, a alguma regi\u00e3o, n\u00e3o resta tempo para mais nada do que fugir a toda a pressa. Foi isso que fez Robert Sawadogo. Fugiu com a mulher e um filho na motorizada e conseguiu apenas colocar meia d\u00fazia de coisas num saco. Foi tudo o que salvou do naufr\u00e1gio em que se transformou a sua vida. \u201cN\u00e3o tenho trabalho, nada que me d\u00ea um rendimento fixo. Para mim, n\u00e3o ter trabalho \u00e9 um motivo de vergonha e de stress\u201d, diz para a c\u00e2mara de filmar da Funda\u00e7\u00e3o AIS, mas sempre com um olhar triste e cabisbaixo. O campo de refugiados em que se encontra \u00e9 praticamente igual a todos os outros no Burquina Fasso. As pessoas parecem fantasmas por l\u00e1, carregadas de infelicidade, de desespero e de ang\u00fastia. Isolados, sem terra para trabalhar, a vida destes deslocados, destas v\u00edtimas do terrorismo, depende exclusivamente da boa vontade de institui\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o AIS. Apesar disso, apesar das nuvens carregadas que ensombram a vida de Robert Sawadogo e de todos os outros deslocados, apesar disso, ainda h\u00e1 uma r\u00e9stia de esperan\u00e7a: \u00c9 a f\u00e9 a alimentar os dias, a alimentar um futuro que parece cada vez mais distante. \u201cSe Deus nos der paz, e se conseguirmos voltar para a nossa aldeia, vamos poder trabalhar para nos sustentarmos, para educar os nossos filhos, e mantermo-nos fi\u00e9is \u00e0 nossa f\u00e9.\u201d At\u00e9 l\u00e1, at\u00e9 esse dia de sonho, Robert, a mulher e o filho, e todos os que vivem no campo de deslocados, precisam de n\u00f3s para sobreviver. A come\u00e7ar pelo p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria de Robert, um crist\u00e3o refugiado no Burquina Fasso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-349829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/349829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=349829"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/349829\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=349829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=349829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=349829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}