{"id":34977,"date":"2008-10-31T11:04:51","date_gmt":"2008-10-31T11:04:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/31\/homilia-na-missa-das-universidades-em-lisboa\/"},"modified":"2008-10-31T11:04:51","modified_gmt":"2008-10-31T11:04:51","slug":"homilia-na-missa-das-universidades-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-na-missa-das-universidades-em-lisboa\/","title":{"rendered":"Homilia na Missa das Universidades, em Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>\u00abSejam alegres\u00bb <!--more--> 1. Refor\u00e7a-nos a esperan\u00e7a celebrarmos o in\u00edcio do ano acad\u00e9mico em conjunto, na alegria de uma entrega ao Senhor das nossas vidas. Aceitemos a proposta da pastoral universit\u00e1ria para este ano: \u201csejam alegres, procurem a perfei\u00e7\u00e3o, animem-se uns aos outros\u201d. E fixemos, hoje, a nossa aten\u00e7\u00e3o no primeiro apelo, ao qual queremos dedicar esta celebra\u00e7\u00e3o: sejam alegres. O convite da segunda carta aos cor\u00edntios (13,11) corresponde a uma forma de viver a presen\u00e7a de Deus connosco e entre n\u00f3s. Se o Deus do amor e da paz habita em n\u00f3s gera esse efeito: a alegria. Do outro lado, da rejei\u00e7\u00e3o dos valores do Reino de Deus, da sua aus\u00eancia resulta \u201cchoro e ranger de dentes\u201d. Lembram-se do epis\u00f3dio do jovem rico: n\u00e3o foi capaz de se libertar, sentiu-se impedido de responder sim a Jesus, de aceitar a sua proposta exigente de felicidade e ficou triste. Sou dos que considero que Jesus inventou as imagens do Reino, que hoje narra o Evangelho, para responder a esta tristeza do jovem. Porque \u00e9 que ele n\u00e3o tomou a decis\u00e3o de seguir Jesus, de optar pelo seu estilo de vida? O contraponto do negociante \u00e9 excelente para entendermos a tristeza do jovem. Se \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil desprender-se de bens, como \u00e9 que o negociante n\u00e3o hesita em vender tudo para adquirir o campo com tesouro escondido ou a p\u00e9rola preciosa. A reac\u00e7\u00e3o a desprender-se de tudo enfraquece, as barreiras caem. A alegria de encontrar um tesouro no campo motiva o desejo imediato de possui-lo, arruma os obst\u00e1culos da liga\u00e7\u00e3o com os bens anteriores. O negociante bate aos pontos o jovem rico, triste na sua incapacidade de ser livre. O negociante vende tudo, liberta-se da posse, cheio de entusiasmo juvenil. A alegria de encontrar uma p\u00e9rola preciosa provoca um estremecimento de j\u00fabilo, abre uma oportunidade.  2. Haver\u00e1 motivos para a alegria, no mundo em que vivemos? As situa\u00e7\u00f5es do mundo podem abater e atormentar. Ser\u00e1 poss\u00edvel a alegria? Quando a pobreza aumenta, cresce a inseguran\u00e7a no futuro, se multiplicam agress\u00f5es violentas, quando estamos ao lado de vidas infernizadas, quando a natureza sofre atentados? Como pode haver recreio quando outros sofrem; dan\u00e7a, quando tantos choram. Ser\u00e1 acess\u00edvel a alegria s\u00f3 a aristocratas do poder, a dominadores ou a gozadores do imediato, s\u00f4fregos da divers\u00e3o? Divertimento, distrac\u00e7\u00e3o e prazer s\u00e3o espa\u00e7os para folgar e fugir da realidade. Conduzem \u00e0 ressaca e n\u00e3o \u00e0 alegria que ningu\u00e9m pode tirar. A li\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 que s\u00f3 se pode ser feliz na liberdade. S\u00f3 a liberta\u00e7\u00e3o do que nos oprime, nos pesa, nos amarra, permite despontar a alegria. A alegria de ser livre \u00e9 leve, tem asas, \u00e9 verdadeira. Os mecanismos do receio e da inquieta\u00e7\u00e3o prendem, a ousadia da liberdade afasta o medo. Meus caros, de facto, a liberdade das op\u00e7\u00f5es antecipa um futuro diferente, permite experimentar a tentativa de um novo estilo de vida, conduz a uma nova pol\u00edtica, rasga espa\u00e7o para a alegria. Todos os movimentos portadores de novidade iniciam por um punhado de pessoas que deixam de ter medo e reagem, assumem atitudes surpreendentes, rompem as ang\u00fastias constrangedoras, superam as sinistras press\u00f5es. No jogo da gra\u00e7a de Deus quem perde ganha, salva-se quem estava perdido, os \u00faltimos ser\u00e3o os primeiros.  3. A rede da vida, tamb\u00e9m dos inscritos no Reino, apanha tudo, bom e mau, satisfa\u00e7\u00f5es demasiado ef\u00e9meras de gozo e alegrias fortes e duradouras. Muitas vezes a aliena\u00e7\u00e3o fascina e impede o acesso \u00e0 verdade da vida. Em todos os tempos, os ditadores promovem espect\u00e1culos desportivos e subvencionam vedetas de identifica\u00e7\u00e3o. Como o centro da vida \u00e9 o trabalho, as folgas s\u00e3o descarga. Em vez de trabalhar para melhorar a qualidade do tempo livre, isto \u00e9 para viver mais livremente, as f\u00e9rias ou folgas destinam-se a render melhor no trabalho, a suportar melhor a escravatura.  Ora, a alegria n\u00e3o \u00e9 para os incapazes de sentirem a dor dos outros, para os que n\u00e3o se compadecem, n\u00e3o se afligem, se alienam e enganam, se esquecem dos males. A dimens\u00e3o espiritual e contemplativa da vida n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lvula de escape para o sufoco e as agress\u00f5es do dia-a-dia. O espa\u00e7o de liberdade, criado no sil\u00eancio orante, permite recuperar a aut\u00eantica alegria que n\u00e3o ofende, nem provoca a tristeza de ningu\u00e9m, antes faz sua a tribula\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o.  3. Car\u00edssimos: este ano lectivo seja a demonstra\u00e7\u00e3o, para cada um e cada uma, de que o cristianismo n\u00e3o \u00e9 um desmancha-prazeres. A alegria n\u00e3o pode desertar da f\u00e9. A f\u00e9 encara o mundo e a vida com esperan\u00e7a, com sabedoria, sem gravidade ou ligeireza, com regozijo pelo verdadeiro Deus. A alegria \u00e9 o sentido da vida humana, exprime-se na gratid\u00e3o, em glorifica\u00e7\u00e3o a Deus, em gozo eterno. Viver como crist\u00e3o \u00e9 sentir o convite a uma alegria que parte do ser. Uma alegria que est\u00e1 tantas vezes escondida, como o tesouro no campo. Obriga a indagar, fazer sil\u00eancio, sondar, p\u00f4r-se a caminho. A Palavra de Deus \u00e9 o guia para o tesouro, \u00e0 luz do qual se tomam as op\u00e7\u00f5es, mesmos dif\u00edceis, porque se conhece o valor \u00fanico de Deus.  Sejamos testemunhas, no lugar onde aprendemos ou ensinamos, onde investigamos ou prestamos servi\u00e7os, de que o sentido da vida n\u00e3o est\u00e1 na utilidade. Esse princ\u00edpio cria muita crise radical, muito desgosto. Quem enla\u00e7a a sua liberdade com a do Criador liberta-se de quest\u00f5es geradoras de ang\u00fastia. Fomentou-se uma desconfian\u00e7a para com a pr\u00f3pria natureza e seus instintos, para com a natureza exterior e sua diversidade. Estragou-se, assim, a alegria de viver. A cria\u00e7\u00e3o, no dizer paulino, aspira na expectativa da revela\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus, porque tamb\u00e9m quer ser livre da escravatura e da corrup\u00e7\u00e3o. A glorifica\u00e7\u00e3o de Deus consiste na alegria diante da vida, no prazer descontra\u00eddo que retira da vida finita e limitada, a participa\u00e7\u00e3o mais profunda na alegria infinita do Criador. Quem goza a alegria da liberdade sente a dor dos outros, aflige-se com os sofrimentos. Na cruz de Cristo, Deus toma o ser humano a s\u00e9rio no dom total at\u00e9 \u00e0 morte para lhe abrir a liberdade jubilosa da P\u00e1scoa. Ao celebrar a Eucaristia, memorial da P\u00e1scoa de Jesus, entendemos como a alegria crist\u00e3 pode acontecer com l\u00e1grimas nos olhos, desde que haja liberdade no cora\u00e7\u00e3o, louvor nos l\u00e1bios e ternura nos gestos. Com liberdade pascal, sejam alegres.  <i>D. Carlos A. Moreira Azevedo Bispo auxiliar de Lisboa <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abSejam alegres\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[211,275,283],"class_list":["post-34977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ferias","tag-pascoa","tag-pastoral-universitaria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34977\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}