{"id":349497,"date":"2024-11-18T14:24:12","date_gmt":"2024-11-18T14:24:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=349497"},"modified":"2024-11-18T14:30:05","modified_gmt":"2024-11-18T14:30:05","slug":"lusofonias-nao-amo-os-racistas-amadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-nao-amo-os-racistas-amadores\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; N\u00e3o amo os racistas amadores"},"content":{"rendered":"<p>Tony Neves<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Lusofonias-ContraoRacismo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-349498 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Lusofonias-ContraoRacismo-1024x681.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"681\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Lusofonias-ContraoRacismo-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Lusofonias-ContraoRacismo-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Lusofonias-ContraoRacismo-768x510.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Lusofonias-ContraoRacismo.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Eis um t\u00edtulo de um livro, t\u00e3o provocador como o seu ousado conte\u00fado, posto nas livrarias pela Paulinas Editora. Filomeno Lopes, nascido na Guin\u00e9-Bissau e a viver em It\u00e1lia, publicou esta obra com um Pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o portuguesa (do Cardeal Tolentino Mendon\u00e7a), um Pr\u00f3logo (de Leonardo Boff), um Pre\u00e2mbulo (de Marcos\u00a0 Carvalho Lopes) e ainda um Posf\u00e1cio (de Patr\u00edcia Godinho Gomes).<\/p>\n<p>Trata-se de uma carta aberta aos jovens de It\u00e1lia (e do resto do mundo), alertando-os para a realidade do racismo, propondo caminhos de ultrapassagem contra esta frontal viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. S\u00e3o onze os pequenos cap\u00edtulos em que esta obra de reflex\u00e3o se divide. Vou destacar algumas das frases que marcaram mais a minha leitura: \u2018se quereis ser racista, pelo menos tentai s\u00ea-lo seriamente, informando-vos adequadamente, mas sobretudo estudando, atentamente, o fen\u00f3meno, e ouvindo a voz, o grito das v\u00edtimas passadas e presentes deste cancro da hist\u00f3ria europeia e mundial\u2019 (p.49). \u00c9 que somos \u2018todos correspons\u00e1veis pelas vidas uns dos outros; todos guardi\u00f5es das nossas vidas na Hist\u00f3ria, mas ningu\u00e9m \u00e9 dono ou dona da vida dos outros\u2019 (p.55). Pois, \u2018o pa\u00eds em que vivemos \u00e9 como o Jardim do \u00c9den que somos chamados a guardar e a construir, dando o melhor do nosso carisma e dos nossos talentos\u2019(p.60).<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo \u2018Da \u2018noite\u2019 do \u2018n\u00f3s outro \/as\u2019 \u00e0 aurora do \u2018n\u00f3s somos juntos\u2019, o autor recorda que, \u2018na \u00c1frica, Amadu Hampat\u00e9 B\u00e1 avisa que cada idoso que morre \u00e9 uma biblioteca que arde\u2019(p.83). E conclui: \u2018se, ent\u00e3o, seremos capazes de cultivar este \u2018n\u00f3s somos juntos\u2019, se conseguirmos amar-nos como simples seres humanos unidos, seja pela mesma origem, dignidade e destino, seja pela mesma voca\u00e7\u00e3o inelud\u00edvel de conviver com a vida, enquanto estamos na viagem que nos levar\u00e1 para al\u00e9m da morte, e ent\u00e3o, diz-nos Roberto Mancini, estaremos salvos\u2019 (p.92).<\/p>\n<p>\u2018Somos seres humanos para todos os efeitos. Apagai, para sempre, as palavras Negro\/a, Preto\/a, de cor, do vosso vocabul\u00e1rio e gram\u00e1tica da pol\u00edtica saud\u00e1vel e conviv\u00eancia cultural humana. Ou, se decidirem permanecer racistas, pelo menos n\u00e3o sejais racistas amadores\u2019 (p.117).<\/p>\n<p>Ao abordar o tema da Negritude e a sua batalha cultural e pol\u00edtica, conclui: \u2018n\u00e3o existe nada de patri\u00f3tico na defesa de um crime contra a humanidade como o racismo. Um patriota ama e luta para fortalecer, no seu pa\u00eds, as mais altas virtudes da dignidade humana, n\u00e3o para traze-las de volta \u00e0 institucionaliza\u00e7\u00e3o da imbecilidade confundida com o progresso ou com a liberdade\u2019 (p.146).<\/p>\n<p>Filomeno Lopes escreve no \u00faltimo cap\u00edtulo: \u2018o sofrimento alheio, sobretudo o das v\u00edtimas do racismo, costuma a ser subestimado em It\u00e1lia e em muitos outros pa\u00edses da Europa ocidental e oriental. Este j\u00e1 n\u00e3o suscita indigna\u00e7\u00e3o nem entre crist\u00e3os, quase encontra uma esp\u00e9cie de resigna\u00e7\u00e3o ou, pior ainda, de endurecimento na indiferen\u00e7a globalizada. Eis o que \u00e9 a mundializa\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, denunciada com rigor e lucidez pelo Papa Francisco\u2019 (p.163).<\/p>\n<p>Patr\u00edcia Godinho Gomes, tamb\u00e9m da Guin\u00e9 Bissau, diz: \u2018Para falar sobre qualquer assunto, \u00e9 preciso conhecer, ler, estudar e refletir. N\u00e3o se pode mais ser \u2018amadores\u2019 nas quest\u00f5es s\u00e9rias e fundamentais da vida. E o racismo \u00e9 um problema fundamental do nosso tempo\u2019 (p.168). Diz mais adiante: \u2018O racismo mata, porque desumaniza, torna invis\u00edveis os vis\u00edveis, transforma seres humanos em fantasmas e tira qualquer possibilidade de comunica\u00e7\u00e3o e de intera\u00e7\u00e3o\u2019 (p.169).<\/p>\n<p>Leonardo Boff diz que \u2018todo o esfor\u00e7o do autor \u00e9 mostrar aos jovens os grandes valores das culturas africanas, especialmente ao redor do conceito de Ubuntu: \u2018eu sou eu atrav\u00e9s e contigo; eu sou porque n\u00f3s somos; a vida \u00e9 sempre com os outros; o ser humano \u00e9 o rem\u00e9dio do outro ser humano\u2019. \u00c9 o ser juntos, a comunh\u00e3o do \u2018n\u00f3s somos\u2019 que funda a \u2018comunh\u00e3o de destino\u2019 \u2018 (p.12).<\/p>\n<p>O Cardeal Tolentino Mendon\u00e7a resume: \u2018o caminho que o nosso autor segue \u00e9 aquele tra\u00e7ado por Mandela, mostrando como o cancro do racismo se infiltrou na sociedade devido aos \u2018mestres\u2019 que, consciente ou inconscientemente, ensinaram a odiar. Mas a invers\u00e3o deste devastador sentimento, tornado cultura da exclus\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio. Filomeno Lopes dirige-se diretamente \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens de hoje com palavras sentidas, incitando-os a refletir sobre o fen\u00f3meno do racismo: \u2018o meu objetivo com este texto \u00e9 fazer com que nenhum de v\u00f3s possa continuar a dizer \u2019eu n\u00e3o sabia\u2019\u2019 (p.6).<\/p>\n<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - N\u00e3o amo os racistas amadores\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/4dPpDzINXjrNiSC3ocMNMI?si=gEs3_EaoS9a5sfRoC4tDBA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony 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