{"id":34930,"date":"2008-10-28T11:15:28","date_gmt":"2008-10-28T11:15:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/28\/portador-do-segredo-pontificio\/"},"modified":"2008-10-28T11:15:28","modified_gmt":"2008-10-28T11:15:28","slug":"portador-do-segredo-pontificio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portador-do-segredo-pontificio\/","title":{"rendered":"Portador do Segredo Pontif\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p>No fim da miss\u00e3o diplom\u00e1tica em Portugal, D. Alfio Rapisarda recorda a assinatura da Concordata, e explica os processos de nomea\u00e7\u00e3o de bispos. <!--more--> <\/p>\n<div>D. Alfio Rapisarda finalizou o processo de revis&atilde;o da Concordata nos 6 anos que esteve em Portugal como N&uacute;ncio Apost&oacute;lico. Em entrevista &agrave; Ecclesia, diz que foi testemunha das boas rela&ccedil;&otilde;es entre a Igreja e o Estado, o mesmo que chega a desconsiderar a matriz crist&atilde; da cultura portuguesa. Antes de deixar Portugal, explicou ainda os processos de nomea&ccedil;&atilde;o dos bispos, o que sente com mais responsabilidade na miss&atilde;o do N&uacute;ncio, &#8220;chegou mesmo a n&atilde;o me permitir dormir&#8221;. <\/p>\n<p><strong>Nova Concordata<\/strong> <br \/><em>Ecclesia &ndash; Fica na Hist&oacute;ria da Igreja Cat&oacute;lica e de Portugal pela assinatura de Concordata, em 2004. Ser&aacute; esse o facto mais importante da miss&atilde;o diplom&aacute;tica no nosso Pa&iacute;s?<\/em> <br \/>D. Alfio Rapisarda &ndash; Eu considero a assinatura da Concordata, por ser a mais eloquente express&atilde;o do esp&iacute;rito de coopera&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o que caracterizam as rela&ccedil;&otilde;es entre a Santa S&eacute; e Portugal, o ponto mais alto da minha perman&ecirc;ncia em Portugal (reconhecendo, no entanto, que quando cheguei a negocia&ccedil;&atilde;o j&aacute; estava muito avan&ccedil;ada). <br \/>A Concordata, como eloquentemente afirmou o Presidente da Assembleia da Rep&uacute;blica, Dr. Jaime Gama, &ldquo;corporiza de forma feliz o esp&iacute;rito de sincera e leal colabora&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a Igreja&rdquo;. <\/p>\n<p><em>E- A Concordata &eacute; um privil&eacute;gio da Igreja Cat&oacute;lica? <\/em><br \/>AR &#8211; N&atilde;o &eacute;! A Concordata &eacute; um acordo entre duas entidades que se reconhecem livres, soberanas e independentes, como s&atilde;o o Estado e a Igreja, e que, como tal, se aceitam; a Concordata &eacute; acordo que estabelecem entre si, para melhor se definir o papel complementar que a cada uma das partes compete, em vista a uma melhor e mais eficiente colabora&ccedil;&atilde;o para o bem da comunidade que as duas se prop&otilde;em servir, cada uma no seu papel espec&iacute;fico e segundo as suas pr&oacute;prias compet&ecirc;ncias. <\/p>\n<p><em>E &#8211; Porque tarda a regulamenta&ccedil;&atilde;o da Concordata?&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>AR &#8211; Houve uma demora. Eu mesmo tive, v&aacute;rias vezes, de &ldquo;queixar-me&rdquo; disso&#8230; Agora posso dizer que as coisas est&atilde;o prosseguindo e tenho confian&ccedil;a que se chegar&aacute;, quanto antes, a conclus&otilde;es que verdadeiramente possam executar o que est&aacute; estabelecido na Concordata. <\/p>\n<p><em>E &#8211; De quem depende esse processo? <\/em><br \/>AR &ndash; Depende de duas comiss&otilde;es: a parit&aacute;ria e a bilateral. Estas duas comiss&otilde;es est&atilde;o a trabalhar (houve uma interrup&ccedil;&atilde;o por causa das f&eacute;rias do Ver&atilde;o e espero que quanto antes possam retomar os trabalhos que j&aacute; estavam avan&ccedil;ados&#8230;) <\/p>\n<p><em>E &ndash; A designa&ccedil;&atilde;o de representantes aconteceu em tempo &uacute;til? <\/em><br \/>AR &ndash; Bom&#8230; Houve uma substitui&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o do Governo, que ter&aacute; um novo presidente, porque o anterior foi nomeado embaixador na It&aacute;lia. Espero que o Governo fa&ccedil;a, quanto antes, esta nomea&ccedil;&atilde;o, para que possa come&ccedil;ar a trabalhar. A Comiss&atilde;o da Santa S&eacute; &eacute; sempre a mesma. <br \/>Como N&uacute;ncio dou todo o apoio, mas o trabalho &eacute; deles. <\/p>\n<p><strong>Igreja\/Estado: <br \/>rela&ccedil;&otilde;es &oacute;ptimas entre sinais de falta de considera&ccedil;&atilde;o pela cultura crist&atilde;<\/strong> <br \/><em>E &ndash; Como avalia as rela&ccedil;&otilde;es Igreja\/Estado, em Portugal? <\/em><br \/>AR &ndash; Sem entrar em pormenores, direi, antes de mais, que falar de rela&ccedil;&otilde;es Igreja\/Estado &eacute; o mesmo que falar de rela&ccedil;&otilde;es Santa S&eacute;\/Estado, entendendo-se por Santa S&eacute; o organismo central da Igreja Cat&oacute;lica e, como tal, como dizia Paulo VI, a pr&oacute;pria personifica&ccedil;&atilde;o da Igreja. <br \/>Todos verificamos que, no pa&iacute;s, as rela&ccedil;&otilde;es entre a Igreja e o Estado s&atilde;o melhor que boas, sem precisar de as qualificar de &oacute;ptimas ou excelentes. Pessoalmente estou muito contente por ter podido desempenhar a minha miss&atilde;o de N&uacute;ncio Apost&oacute;lico num per&iacute;odo em que n&atilde;o s&oacute; foram estreitadas as rela&ccedil;&otilde;es entre a Santa S&eacute; e Portugal, como foi poss&iacute;vel verificar a bondade e a efic&aacute;cia dessas rela&ccedil;&otilde;es, com a assinatura da nova Concordata, que considero (como disse) a mais eloquente express&atilde;o do esp&iacute;rito de compreens&atilde;o e de colabora&ccedil;&atilde;o que caracterizam as rela&ccedil;&otilde;es entre a Santa S&eacute; e Portugal. <br \/>Seguiram-se depois as visitas oficiais ao Vaticano dos Presidentes da Rep&uacute;blica, Dr. Jorge Sampaio, em Novembro de 2004, e do Prof. Cavaco Silva, a 28 de Junho deste ano. Ocorreram ainda as visitas a Portugal de dois Legados Pontif&iacute;cios: o Cardeal Angelo Sodano, antigo Secret&aacute;rio de Estado, a 13 de Maio de 2007, e o Cardeal Tarcisio Bertone, actual Secret&aacute;rio de Estado, a 13 de Outubro seguinte. <\/p>\n<p><em>E &ndash; Com esse esp&iacute;rito de compreens&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o, como explicar propostas legislativas e de organiza&ccedil;&atilde;o social que s&atilde;o contr&aacute;rias &agrave;s perspectivas da Igreja Cat&oacute;lica? <\/em><br \/>AR &#8211; Eu sempre tive a ocasi&atilde;o de falar aberta e lealmente com as autoridades e explicar o ponto de vista da Igreja. <br \/>A Igreja n&atilde;o quer impor a sua posi&ccedil;&atilde;o, mas exige o direito que tem de expressar a sua opini&atilde;o. Neste sentido, apelamos &agrave; consci&ecirc;ncia dos cat&oacute;licos, sobretudo dos cat&oacute;licos que exercem algum cargo p&uacute;blico. Deles exigimos que d&ecirc;em testemunho das confiss&otilde;es religiosas que professam. E esse &eacute; o verdadeiro problema! <\/p>\n<p><em>E &ndash; O facto de se legislar a favor do aborto, facilitando o div&oacute;rcio ou tentando legalizar o casamento de homossexuais n&atilde;o constitui um sinal de que a voz da Igreja tem cada vez menos relev&acirc;ncia? <\/em><br \/>AR &ndash; Apenas digo que a Igreja tem a sua posi&ccedil;&atilde;o. A Igreja acredita firmemente que o matrim&oacute;nio tem uma finalidade precisa. O matrim&oacute;nio &eacute; uma coisa, outro tipo de conviv&ecirc;ncia &eacute; outra coisa. <\/p>\n<p><em>E &ndash; Defende a exist&ecirc;ncia de uma &ldquo;laicidade positiva&rdquo; nas rela&ccedil;&otilde;es entre a Igreja\/Estado? <\/em><br \/>AR &#8211; Em v&aacute;rias ocasi&otilde;es, o Papa Bento XVI tocou o tema da laicidade do Estado, definindo-a como &ldquo;leg&iacute;tima&rdquo;. Por ocasi&atilde;o da sua visita &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica de It&aacute;lia, em Outubro de 2005, disse que &ldquo;a Igreja n&atilde;o quer reivindicar nenhum privil&eacute;gio para si, mas somente ter a possibilidade de cumprir a miss&atilde;o que lhe &eacute; pr&oacute;pria no respeito pela leg&iacute;tima laicidade do Estado&rdquo;. <br \/>Para a Igreja o Estado deve ser laico, no sentido pr&oacute;prio da palavra. Isto &eacute;, n&atilde;o deve professar, proteger ou criar obst&aacute;culos a nenhuma religi&atilde;o legitimamente estabelecida no seu territ&oacute;rio. Se me &eacute; permitida a express&atilde;o, o Estado deve ser &ldquo;a-religioso&rdquo;. Isto &eacute;, nem a favor, nem contra a religi&atilde;o, sendo a sua raz&atilde;o de ser e a sua finalidade o bem-estar dos cidad&atilde;os, o bem comum, como costumamos dizer. O Estado deve ter em conta, deve respeitar e at&eacute; promover a dimens&atilde;o religiosa de todos os cidad&atilde;os, fazendo de maneira que todos e cada um se possa sentir realizado do ponto de vista religioso. Isto &eacute;, que todos possam professar, praticar, proclamar livremente, em privado e publicamente, a pr&oacute;pria f&eacute;, e at&eacute; mesmo n&atilde;o professar religi&atilde;o nenhuma. E isto para que todos e cada um dos seus cidad&atilde;os &#8211; desde o mais humilde na sociedade at&eacute; a quem ocupa um cargo p&uacute;blico ou faz pol&iacute;tica &ndash; possam viver e agir de acordo com a pr&oacute;pria convic&ccedil;&atilde;o religiosa. <br \/>Para mim, a laicidade n&atilde;o tem nenhuma qualifica&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o h&aacute; uma laicidade positiva ou negativa. Laico, basta. Se qualificamos, estamos perdidos&#8230; <\/p>\n<p><em>E &ndash; E em Portugal vive-se essa laicidade, com a possibilidade de professar, em privado ou publicamente uma religi&atilde;o? <\/em><br \/>AR &ndash; Eu acho que sim. Eu assisti v&aacute;rias manifesta&ccedil;&otilde;es do povo que vive a sua religi&atilde;o. Nunca encontrei um problema. <\/p>\n<p><em>E &ndash; Mas, por exemplo, que sinal constitui o retirar o crucifixo de espa&ccedil;os p&uacute;blicos?&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>AR &ndash; Pode ser um final de falta de considera&ccedil;&atilde;o pela cultura crist&atilde; do po vo. As sondagens dizem que Portugal &eacute; o pa&iacute;s mais cat&oacute;lico da Europa. E o Estado deve reflectir esta situa&ccedil;&atilde;o! <\/p>\n<p><strong>Nomear Bispos<\/strong> <br \/><em>E &ndash; Qual a import&acirc;ncia da &ldquo;gest&atilde;o&rdquo; dos processos de nomea&ccedil;&atilde;o de Bispos no trabalho de um N&uacute;ncio? <\/em><br \/>AR &ndash; A nomea&ccedil;&atilde;o de um Bispo &eacute; uma coisa delicada. N&atilde;o &eacute; um concurso p&uacute;blico! <br \/>Para nomear um bispo apresenta-se uma documenta&ccedil;&atilde;o ao Papa, que a Nunciatura &eacute; respons&aacute;vel por elaborar. Para isso, s&atilde;o consultados bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas. Isto n&atilde;o se diz, porque n&atilde;o se pode dizer publicamente. Mas eu posso assegurar que os fi&eacute;is, atrav&eacute;s dos leigos e leigas, tem o seu parecer manifestado. E tenho de dizer que eles d&atilde;o testemunho com muita seriedade e com precis&atilde;o que me edificam muito. <br \/>Quero assegurar &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica que o estudo para se chegar &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o de um bispo &eacute; conduzido com seriedade, com muita reflex&atilde;o, para que o Santo padre possa tomar a sua decis&atilde;o, com o conhecimento da realidade da diocese que o novo Bispo tem de exercer. <\/p>\n<p><em>E &ndash; Mas h&aacute; casos em que Dioceses est&atilde;o muito tempo sem Bispo. Isso n&atilde;o &eacute; negativo? <\/em><br \/>AR &#8211; &Agrave;s vezes acontece, porque &eacute; necess&aacute;rio tempo para preparar os processos. <\/p>\n<p><em>E &ndash; Foi o que aconteceu com a Diocese de Portalege-Castelo Branco, por exemplo? <\/em><br \/>AR &ndash; Para a diocese de Portalege-Castelo Branco, o dossier foi apresentado em Roma entre Abril e Maio, quando a Congrega&ccedil;&atilde;o para os Bispos tinha outros em an&aacute;lise. Entraram as f&eacute;rias do Ver&atilde;o e tudo parou! Foi por isso o atraso, n&atilde;o houve outra coisa, em absoluto! E temos de considerar tamb&eacute;m estas coisas&#8230; <\/p>\n<p><em>E &ndash; Quanto tempo &eacute; necess&aacute;rio para concluir um processo de nomea&ccedil;&atilde;o de um Bispo? <\/em><br \/>AR &#8211; Geralmente, para prover uma diocese, s&atilde;o necess&aacute;rios entre 5\/6 meses e um ano. Isto em toda a parte do mundo! <\/p>\n<p><em>E &#8211; Tamb&eacute;m por isso, pelo tempo que o processo exige, ser&aacute; leg&iacute;timo pensar em alter&aacute;-lo, fazendo-o depender mais da comunidade a que o Bispo se destina? <\/em><br \/>AR &ndash; A nomea&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser p&uacute;blica, porque &eacute; delicado! Posso assegurar que estamos muito atentos em escutar o ambiente da Diocese. Porque &eacute; importante escolher uma pessoa que possa responder &agrave;s exig&ecirc;ncias da Diocese. Por isso, escutar primeiramente os Bispos, porque conhecem a realidade, depois os padres que trabalham e est&atilde;o em contacto directo e o povo que vive l&aacute; concretamente. Estas pessoas s&atilde;o consultadas. <br \/>Naturalmente que tudo isto faz-se com reserva, em segredo pontif&iacute;cio. <br \/>Outro aspecto: ao Papa s&atilde;o apresentados 3 candidatos. O Papa vai escolher um. Se eu fa&ccedil;o saber que h&aacute; nomes n&atilde;o escolhidos, geram-se uma s&eacute;rie de perguntas&#8230; <br \/>Al&eacute;m disso, o escolhido tem toda a liberdade de aceitar ou n&atilde;o. Quando o Papa designa um Bispo, a primeira coisa que eu fa&ccedil;o &eacute; falar com ele. Ele pode dizer-me: n&atilde;o aceito! E isso aconteceu, v&aacute;rias vezes. <\/p>\n<p><em>E- No tempo que esteve em Portugal?&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>AR &ndash; Bem, deste tempo n&atilde;o quero falar, mas noutros lugares aconteceu! <br \/>Ainda mais: &eacute; o Papa que nomeia, que faz as escolha, independentemente de todas as considera&ccedil;&otilde;es. <br \/>A nomea&ccedil;&atilde;o de um Bispo exige muita seriedade, muita discri&ccedil;&atilde;o e sempre foi o que mais senti com sentido de responsabilidade, que chegou mesmo a n&atilde;o me permitir dormir. Porque &eacute; muito s&eacute;rio! &Eacute; a coisa que mais responsabilidade tem um N&uacute;ncio, onde a colabora&ccedil;&atilde;o dos bispos &eacute; muito importante. <\/p>\n<p><em>E &ndash; N&atilde;o aconteceu a visita do Papa a Portugal durante este per&iacute;odo. Teria tido gosto em o receber, por certo&#8230;<\/em> <br \/>AR &#8211; Teria tido gosto&#8230; talvez se se chegasse &agrave; canoniza&ccedil;&atilde;o dos pastorinhos ou &agrave; beatifica&ccedil;&atilde;o da Irm&atilde; L&uacute;cia! <br \/>A causa est&aacute; adiantada porque est&atilde;o a estudar o milagre, mas n&atilde;o sabemos. Nestes casos a Igreja anda muito devagar. <\/p>\n<p><em>E &ndash; Aconteceu, isso sim ,a visita Ad Limina do Episcopado Portugu&ecirc;s a Roma. Que ocasi&atilde;o foi essa para a Igreja cat&oacute;lica em Portugal? <\/em><br \/>AR &#8211; A visita Ad Limina &eacute; uma ocasi&atilde;o para revitalizar, para tomar mais consci&ecirc;ncia e naturalmente sentir que o Santo Padre verdadeiramente acompanha a vida e a miss&atilde;o da Igreja. Eu pr&oacute;prio tive um encontro com o Santo Padre no dia 5 de Setembro, que foi excelente. <\/p>\n<p><em>E &ndash; Ele tem vontade de vir a Portugal? <\/em><br \/>AR &ndash; Vontade tem. Mas, por enquanto, n&atilde;o temos um motivo para ele vir c&aacute; (o que pode acontecer com a canoniza&ccedil;&atilde;o dos pastorinhos de F&aacute;tima) <\/p>\n<p><strong>Biblioteca para a Cat&oacute;lica<\/strong> <br \/><em>E &#8211; Com a doa&ccedil;&atilde;o da biblioteca da Nunciatura para a Universidade Cat&oacute;lica, o que fica mais dispon&iacute;vel aos leitores? <\/em><br \/>AR &ndash; Trata-se da biblioteca do Cardeal Cerici, que foi aqui N&uacute;ncio Apost&oacute;lico. Tem livros de uma certa preciosidade! <br \/>Eu informei a Secretaria de Estado que t&iacute;nhamos esta biblioteca valiosa e manifestei o desejo de a entregar &agrave; Universidade Cat&oacute;lica, como manifesta&ccedil;&atilde;o de apre&ccedil;o pela nossa universidade, que merece isto! E fiquei muito satisfeito com a autoriza&ccedil;&atilde;o da Secretaria de Estado. Espero que contribua para o prest&iacute;gio que a Universidade tem e a possa colocar &aacute; disposi&ccedil;&atilde;o de todo o mundo&#8230; <\/p>\n<p><em>E &#8211; E a documenta&ccedil;&atilde;o da Nunciatura? <\/em><br \/>AR &#8211; Foi enviada toda para o Vaticano. Aqui apenas ficaram os documentos dos &uacute;ltimos dois N&uacute;ncios, porque seria imposs&iacute;vel guardar tudo aqui. <\/p>\n<p><strong>N&uacute;ncio &ldquo;em casa&rdquo;<\/strong> <br \/><em>E &ndash; Que mem&oacute;rias guarda da miss&atilde;o diplom&aacute;tica em Portugal? <\/em><br \/>AR &ndash; Quase sempre me perguntam, ao deixar um pa&iacute;s onde estive como representante do Santo Padre, o que recordo da minha estadia. Respondo sempre que o que me foi dado experimentar e o que recordo com satisfa&ccedil;&atilde;o, sobretudo do ponto de vista eclesi&aacute;stico, &eacute; o clima de fam&iacute;lia que eu respirei. Um clima de fam&iacute;lia que me fez sentir como em casa pr&oacute;pria. Tanto com o clero e os religiosos, nas rela&ccedil;&otilde;es com os senhores bispos e os sacerdotes, como com os fi&eacute;is em geral e, acrescento, mesmo com as autoridades civis pela defer&ecirc;ncia que me foi concedida. <br \/>Tamb&eacute;m em Portugal me sinto como em fam&iacute;lia. Esta &eacute; a mem&oacute;ria, a lembran&ccedil;a que trago comigo e que conservo dos anos da minha perman&ecirc;ncia no meio de v&oacute;s. <br \/>Desejo acrescentar a minha admira&ccedil;&atilde;o, que guardarei tamb&eacute;m com satisfa&ccedil;&atilde;o e alegria, pelo zelo com que o Episcopado, colegialmente e cada bispo em particular, como tamb&eacute;m os padres e as pessoas comprometidas na Igreja, desempenham o seu minist&eacute;rio apost&oacute;lico, suportando com perseveran&ccedil;a e fidelidade o evang&eacute;lico peso do dia e o calor da preciosa vinha do Senhor, que &eacute; Portugal. <br \/>Foi-me muito consolador verificar &#8211; e pude faz&ecirc;-lo durante a minha perman&ecirc;ncia no Pa&iacute;s &#8211; como o bom povo portugu&ecirc;s n&atilde;o se inibe de professar as pr&oacute;prias convic&ccedil;&otilde;es religiosas, permanecendo fiel &agrave;s suas nobres tradi&ccedil;&otilde;es <\/p>\n<p><em>E &ndash; Sente-se realizado enquanto padre, bispo e diplomata da Igreja Cat&oacute;lica? <\/em><br \/>AR &#8211; Eu considero o servi&ccedil;o diplom&aacute;tico da Santa S&eacute; um verdadeiro servi&ccedil;o. E sobretudo um servi&ccedil;o pastoral. Porque a miss&atilde;o do N&uacute;ncio &eacute; representar o Papa, que &eacute; o Pastor Universal da Igreja, e ajud&aacute;-lo no governo da Igreja. Eu estou aqui para, de uma certa maneira, ser o espelho do Papa, a preocupa&ccedil;&atilde;o e a afei&ccedil;&atilde;o que o Papa tem para com a Igreja que est&aacute; em Portugal. <br \/>Por isso, sinto-me sinceramente realizado, satisfeito. Sobretudo sinto-me sempre acolhido e tratado como Padre e como Bispo, que para mim &eacute; o essencial. <br \/>Agrade&ccedil;o ao Senhor por me ter dado a oportunidade de exercer o meu sacerd&oacute;cio e o meu episcopado para servir o Pastor Universal da Igreja e servir, atrav&eacute;s dele e com ele, o Povo de Deus, a Igreja, que &eacute; a mesma em todos os pa&iacute;ses. <\/p>\n<p><em>E &ndash; Do seu trabalho em Portugal fica essa marca de proximidade com todos? <\/em><br \/>AR &#8211; Quando cheguei aqui comecei como se estivesse em minha casa&#8230; <br \/>Comecei em 1962, na miss&atilde;o diplom&aacute;tica. Em todos os lugares onde estive, encontrei a mesma Igreja. <br \/>Cheguei aqui com esta convic&ccedil;&atilde;o e sempre me senti assim! Respirando este clima de fam&iacute;lia! <br \/>Vivi aqui esta experi&ecirc;ncia, neste pa&iacute;s que merece ser chamado o &ldquo;Jardim da Europa&rdquo; e, sobretudo, a &ldquo;Terra de Santa Maria&rdquo;.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fim da miss\u00e3o diplom\u00e1tica em Portugal, D. Alfio Rapisarda recorda a assinatura da Concordata, e explica os processos de nomea\u00e7\u00e3o de bispos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[93,120,146,168,203,227,327],"class_list":["post-34930","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-concordata","tag-diocese-da-guarda","tag-europa","tag-igreja-estado","tag-visita-ad-limina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34930"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34930\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}