{"id":348839,"date":"2024-11-17T09:31:22","date_gmt":"2024-11-17T09:31:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=348839"},"modified":"2024-11-14T10:56:30","modified_gmt":"2024-11-14T10:56:30","slug":"igreja-portugal-quem-pode-fazer-a-diferenca-na-vida-dos-pobres-e-quem-esta-mais-proximo-rita-valadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-portugal-quem-pode-fazer-a-diferenca-na-vida-dos-pobres-e-quem-esta-mais-proximo-rita-valadas\/","title":{"rendered":"Igreja\/Portugal: \u00abQuem pode fazer a diferen\u00e7a na vida dos pobres \u00e9 quem est\u00e1 mais pr\u00f3ximo\u00bb &#8211; Rita Valadas"},"content":{"rendered":"<p><em>No VIII Dia Mundial dos Pobres, a presidente da C\u00e1ritas Portuguesa \u00e9 a convidada da entrevista conjunta Ecclesia\/Renascen\u00e7a, convidando a olhar para a realidade concreta de cada pessoa em necessidade<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_348844\" aria-describedby=\"caption-attachment-348844\" style=\"width: 840px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-348844 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1.jpg 840w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1-400x224.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1-768x431.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-348844\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>No in\u00edcio do ano, a C\u00e1ritas alertava num estudo para o facto das estat\u00edsticas oficiais subestimarem a pobreza e a exclus\u00e3o em Portugal. Falava at\u00e9 que, em muitas dimens\u00f5es, a situa\u00e7\u00e3o se tinha agravado. Tendo em considera\u00e7\u00e3o o acompanhamento permanente que a C\u00e1ritas faz no terreno de todas estas situa\u00e7\u00f5es, se se acentuaram os motivos de preocupa\u00e7\u00e3o? <\/em><\/p>\n<p>Pois, eu acho que a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 um facto. N\u00f3s t\u00ednhamos este prop\u00f3sito de fazer um conjunto de estudos sobre a pobreza e acompanhar essa situa\u00e7\u00e3o, na perspetiva dos indicadores que normalmente n\u00e3o s\u00e3o lidos. Porque a sensibilidade que n\u00f3s t\u00ednhamos, em rela\u00e7\u00e3o ao que estava a passar num territ\u00f3rio e \u00e0s estat\u00edsticas nacionais, n\u00e3o nos davam clareza sobre o assunto e, sobretudo, n\u00e3o tinham uma leitura muito pr\u00f3xima da realidade. Portanto, realmente, esse foi um prop\u00f3sito que n\u00f3s assumimos, que anualmente iremos fazer acompanhamento desses valores, para al\u00e9m daqueles tradicionais.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Na ocasi\u00e3o, a C\u00e1ritas falava de cerca de 500 mil pessoas que viviam em priva\u00e7\u00e3o material e social severas e denunciava tamb\u00e9m o aumento do n\u00famero de trabalhadores pobres. O cen\u00e1rio em nada se alterou? As institui\u00e7\u00f5es dizem que h\u00e1 mais pessoas carenciadas, por exemplo, em lista de espera para ajuda alimentar&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que essa \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o que todas t\u00eam e \u00e9 tamb\u00e9m aquilo que n\u00f3s conseguimos ler dos dados. Uma coisa \u00e9 dizer se as pessoas est\u00e3o abaixo ou acima do n\u00edvel da pobreza, mas h\u00e1 muitos n\u00edveis de pobreza e h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia que caracterizam ou que pintam essa situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Abaixo de um determinado n\u00edvel, o que acontece \u00e9 que as pessoas j\u00e1 est\u00e3o abaixo do n\u00edvel da pobreza, mas da\u00ed para baixo n\u00f3s temos uma leitura muito irregular e essa foi a preocupa\u00e7\u00e3o que a C\u00e1ritas teve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o d\u00e1 para dividir em dois grupos e depois a partir da\u00ed tudo \u00e9 tratado da mesma maneira?<\/em><\/p>\n<p>Mesmo os que est\u00e3o na exata propor\u00e7\u00e3o, da mesma condi\u00e7\u00e3o financeira, n\u00e3o est\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o, porque uma coisa \u00e9 viver na Lisboa, outra coisa \u00e9 viver na aldeia, uma coisa \u00e9 ter uma horta e a outra coisa \u00e9 viver num pr\u00e9dio. Portanto, a leitura da realidade n\u00e3o se l\u00ea sen\u00e3o perto, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma. \u00c9 muito importante termos os estudos e as estat\u00edsticas, mas temos de retirar muito do que existe nos estudos e na estat\u00edstica e que n\u00f3s n\u00e3o lidamos t\u00e3o finamente e tamb\u00e9m \u00e9 importante olhar para a realidade, tentar perceber o que \u00e9 que os n\u00fameros nos agridem. Porque quando os n\u00fameros nos dizem que temos menos pobres e depois, de repente, olhamos \u00e0 nossa volta e n\u00e3o vemos nenhuma mudan\u00e7a, s\u00e3o as mesmas pessoas que est\u00e3o naquela situa\u00e7\u00e3o mais uns estrangeiros que v\u00e3o chegando e mais outras pessoas, realmente isso deixa-nos um bocadinho sem saber para onde ir. N\u00f3s temos de saber resolver esta situa\u00e7\u00e3o e, na verdade, n\u00f3s n\u00e3o temos conseguido resolver o problema da pobreza e temos acrescentado novos pobres, novas situa\u00e7\u00f5es, a esta situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o conseguimos resolver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas s\u00e3o os pr\u00f3prios n\u00fameros que nos dizem que h\u00e1 mais pobres, porque em 2023 havia mais de 20 mil pobres em Portugal do que no ano de 2022. Como \u00e9 que se explica esta aparente inefic\u00e1cia das estrat\u00e9gias de combate \u00e0 pobreza e dos programas para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>Bem, isso \u00e9 a pergunta de um milh\u00e3o de d\u00f3lares, porque n\u00f3s n\u00e3o sabemos, sen\u00e3o certamente j\u00e1 estar\u00edamos todos a trabalhar nessa situa\u00e7\u00e3o. O que sabemos \u00e9 que a resili\u00eancia da pobreza \u00e9 um forte obst\u00e1culo \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o dos seus problemas.<\/p>\n<p>A pobreza n\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3 e, portanto, n\u00f3s vamos conseguindo resolver algumas situa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o da pobreza em Portugal e tamb\u00e9m n\u00e3o conseguimos agir com base na leitura que fazemos, porque a leitura \u00e9 uma leitura de n\u00fameros e n\u00e3o \u00e9 de pessoas. N\u00f3s temos de olhar para as situa\u00e7\u00f5es reais das pessoas e tentar encontrar solu\u00e7\u00f5es. E ainda que cheguemos a menos pessoas, temos de tentar resolver o problema da forma mais eficiente poss\u00edvel. Temos, entretanto, fen\u00f3menos que n\u00e3o t\u00eam facilitado esta altera\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 importante perceber se o n\u00famero estabilizado do n\u00famero de pobres tem a ver com diferentes situa\u00e7\u00f5es ou se tem a ver com situa\u00e7\u00f5es novas. N\u00f3s sabemos que temos mais estrangeiros, n\u00f3s sabemos que temos pessoas que n\u00e3o conseguem sair da pobreza e essas situa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o aquelas que n\u00f3s acompanhamos mais diretamente, vamos tentando resolver a partir do diagn\u00f3stico social que \u00e9 feito, mas h\u00e1 muita gente que n\u00f3s n\u00e3o conhecemos e que pertence aos n\u00fameros. Por exemplo, o n\u00famero de pessoas sem-abrigo aumenta, o n\u00famero de alojamentos prec\u00e1rios de pessoas nas cidades, na rua, aumenta e \u00e9 isso que tem de nos convocar, mas tem de se ler muito de perto, n\u00e3o pode ser pela estat\u00edstica.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Falou agora de uma das situa\u00e7\u00f5es que queria perguntar, porque ser\u00e1 evidente, at\u00e9 para muitas pessoas que nos ouvem, o impacto da crise na habita\u00e7\u00e3o. N\u00f3s sabemos que tem sido um tema que tem merecido a aten\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas Portuguesa. Na entrevista da \u00faltima semana aqui na Renascen\u00e7a e na Ecclesia, foi-nos chamada a aten\u00e7\u00e3o para uma situa\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica, que \u00e9 das fam\u00edlias de desalojadas que t\u00eam crian\u00e7as a serem encaminhadas para centros de acolhimento. Isto \u00e9 um sinal, tem ideia tamb\u00e9m destas situa\u00e7\u00f5es e do que \u00e9 que elas podem significar?<\/em><\/p>\n<p>Durante muito tempo, e at\u00e9 h\u00e1 muito pouco tempo, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as e isso \u00e9 que \u00e9 assustador. \u00c9 que agora j\u00e1 h\u00e1 muitas fam\u00edlias nesta situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muitas fam\u00edlias a viverem situa\u00e7\u00f5es verdadeiramente prec\u00e1rias e nos grandes centros pior do que nas periferias.<\/p>\n<p>Se j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil pensar que existem 10 pessoas a viver num quarto, como \u00e9 que n\u00f3s conseguimos pensar em duas fam\u00edlias viver no mesmo quarto? Por isso digo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um n\u00famero, \u00e9 a tipologia que se junta a este n\u00famero. \u00c9 incr\u00edvel, porque uma coisa \u00e9 viver um conjunto de homens e juntarem-se num quarto onde dormem e s\u00f3 pernoitam l\u00e1, outra coisa \u00e9 as pessoas precisarem de uma casa para viver, onde v\u00e3o educar os seus filhos, onde recebem os seus pais. Isso \u00e9 uma verdadeira evid\u00eancia de que o fen\u00f3meno se est\u00e1 a complexificar e que n\u00f3s temos de fazer alguma coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas esta ideia de que as fam\u00edlias desalojadas est\u00e3o de alguma forma a ser separadas das crian\u00e7as que est\u00e3o a serem encaminhadas para os centros de acolhimento \u00e9 uma perce\u00e7\u00e3o que C\u00e1ritas tamb\u00e9m tem vindo a conhecer?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o temos essa situa\u00e7\u00e3o estudada e eu acho que n\u00f3s sempre temos de ter alguma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como dizemos as coisas. Durante muito tempo n\u00e3o nos incomodamos com as crian\u00e7as que estavam sem abrigo na rua, porque elas andavam com os pais e, portanto, como andavam com os pais a situa\u00e7\u00e3o era mais f\u00e1cil de agarrar: n\u00f3s agarr\u00e1vamos a situa\u00e7\u00e3o pelas crian\u00e7as e tent\u00e1vamos encontrar solu\u00e7\u00f5es para a vida dos pais, arranjando solu\u00e7\u00f5es para a vida dos pais arranj\u00e1vamos solu\u00e7\u00f5es para as vidas dos filhos.<\/p>\n<p>Com esta situa\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o, com a habita\u00e7\u00e3o encarecida como est\u00e1, h\u00e1 cada vez mais gente em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade. E, por vezes, encontramos pessoas que nem s\u00e3o \u00f3bvias, a viverem em situa\u00e7\u00e3o de sobreocupa\u00e7\u00e3o, escondidas. Porque essas pessoas vivem da porta para dentro e t\u00eam medo de serem descobertas, portanto nem sequer fazem vida social, n\u00e3o mostram as crian\u00e7as porque t\u00eam medo que lhas tirem, n\u00e3o deixam as crian\u00e7as pedirem na rua porque t\u00eam medo de ficarem sem elas. Portanto, h\u00e1 aqui um conjunto de medos que se junta ao problema. \u00c9 um problema de falta de habita\u00e7\u00e3o, mas ter falta de habita\u00e7\u00e3o com medo deve ser uma coisa terr\u00edvel, n\u00e3o \u00e9? E \u00e9 uma coisa que realmente nos convoca para pensar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Neste oitavo Dia Mundial dos Pobres, quero fazer-lhe uma pergunta de uma preocupa\u00e7\u00e3o que o Papa Francisco tem assumido. Em v\u00e1rios dos seus textos, em v\u00e1rios dos seus discursos, o Papa tem falado de uma sociedade com cada vez maior avers\u00e3o aos pobres. Tendo em conta a capilaridade da C\u00e1ritas e a sua presen\u00e7a no terreno portugu\u00eas, esta ideia de que h\u00e1 uma esp\u00e9cie de uma barreira que vai sendo criada entre a popula\u00e7\u00e3o em geral e os mais pobres, os mais necessitados, \u00e9 algo que se come\u00e7a a sentir no pa\u00eds? <\/em><\/p>\n<p>Depende da forma como se mede. Eu n\u00e3o acredito nisso como atitude absoluta. Acho que h\u00e1 algumas quest\u00f5es que afastam uns dos outros. Por exemplo, ontem fal\u00e1vamos de um pr\u00e9dio em que o pr\u00e9dio era normal e era est\u00e1vel e agora neste momento v\u00e1rios andares est\u00e3o sobreocupado, cada um deles, com pessoas que fecham a porta \u00e0 passagem s\u00f3 para ningu\u00e9m perceber quantas pessoas l\u00e1 est\u00e3o dentro. Portanto, h\u00e1 aqui uma avers\u00e3o que \u00e9 de medo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma tens\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Pois, exatamente. \u00c9 uma tens\u00e3o que n\u00f3s temos de prevenir antes que degenere com outras coisas, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a tens\u00e3o, o que \u00e9 que a tens\u00e3o nos pode trazer. Entre o medo e a agress\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitas destas interven\u00e7\u00f5es do Papa, talvez para o contexto portugu\u00eas n\u00e3o sejam t\u00e3o evidentes, mas tem a ver muito com a organiza\u00e7\u00e3o, por exemplo, da urbe. Ele fala muitas vezes isto em Roma, como se a ideia, sobretudo dos sem-abrigo, mas dos mais pobres na rua fosse algo que a cidade tivesse de limpar, at\u00e9 para ter outro tipo de imagem. E percebe-se esta preocupa\u00e7\u00e3o que vai um bocadinho em contram\u00e3o com aquela que \u00e9 a mais genu\u00edna preocupa\u00e7\u00e3o do Papa, de promover uma cultura do encontro e n\u00e3o do descarte&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Pois, exatamente. E \u00e9 tamb\u00e9m a cultura da C\u00e1ritas. N\u00f3s vamos \u00e0 procura dos problemas, n\u00e3o lhes fugimos. Portanto, o que n\u00f3s queremos mesmo \u00e9 conhecer para cuidar, n\u00e3o \u00e9 conhecer para agredir.<\/p>\n<p>Mas eu percebo que a fronteira entre a atitude mais certa \u00e9 muito dif\u00edcil. Quando n\u00f3s vemos que, por exemplo, numa grande cidade se encontra como solu\u00e7\u00e3o para resolver o problema dos sem-abrigo, empurrar os sem abrigo de um s\u00edtio para o outro, eu pergunto como \u00e9 que n\u00f3s resolvemos o problema. Certamente que n\u00e3o. As pessoas \u00e9 que se sentem esgotadas entre quererem dar o olhar de uma urbe muito saud\u00e1vel e muito bonita e a situa\u00e7\u00e3o das pessoas que est\u00e3o visivelmente em situa\u00e7\u00e3o de precariedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Podemos relacionar os recentes acontecimentos em alguns bairros de Lisboa a um aumento das situa\u00e7\u00f5es da exclus\u00e3o ou tratou-se de um fen\u00f3meno localizado e associado apenas \u00e0 inseguran\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho a certeza da resposta certa a essa pergunta e nem sei se algu\u00e9m poder\u00e1 ter. E at\u00e9 temo que &#8220;os achismos&#8221; sejam mais provocadores de agress\u00e3o do que as verdades. Mas aquilo que posso dizer \u00e9 que h\u00e1 um grande desconforto nas zonas e que tem, de certeza, dois polos. Um polo das pessoas que sempre, na situa\u00e7\u00e3o de alguma precariedade, viveram naqueles bairros, mas que o sentem como seus e a chegada de pessoas que veem agredir porque os querem retirar dali.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 a viol\u00eancia da seguran\u00e7a, que normalmente n\u00e3o se resolve com solu\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a. Outra coisa \u00e9 as pessoas sentirem-se acossadas no seu pr\u00f3prio s\u00edtio: \u201ca minha casinha \u00e9 muito humilde, mas \u00e9 minha. Este \u00e9 o s\u00edtio onde eu posso morar. Este \u00e9 o s\u00edtio onde eu me sinto segura\u201d. Porque as outras pessoas n\u00e3o sentem medo de morar naquele bairro. E as institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o tiveram medo nunca de ir trabalhar para esses bairros. O que acontece \u00e9 que, se come\u00e7a a haver situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, deixa de ser poss\u00edvel at\u00e9 cuidar com seguran\u00e7a. E isso \u00e9 o que me preocupa mais.<\/p>\n<p>Os movimentos s\u00e3o muitos. Entre aqueles que s\u00e3o oportunistas, porque t\u00eam droga para circular, porque t\u00eam coisas para esconder, e, portanto, conv\u00e9m fechar o m\u00e1ximo poss\u00edvel os bairros. E as pessoas que sempre l\u00e1 viveram, e viveram e sentem aquele bairro como seu, embora sejam pessoas com grandes fragilidades financeiras ou sociais.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Olh\u00e1mos agora um bocadinho para esta ideia de uma crise de solidariedade que possa existir, mas sobretudo tamb\u00e9m para o impacto da crise econ\u00f3mica que se tem prolongado no tempo. Que relatos t\u00eam de dificuldades, por exemplo, das C\u00e1ritas de Diocesanas em fazer face \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es e em responder a quem pede?<\/em><\/p>\n<p>As pessoas come\u00e7am a ficar exaustas de tanto problema social sucessivo. Mas tamb\u00e9m procuram outras solu\u00e7\u00f5es. Neste momento h\u00e1 a grande preocupa\u00e7\u00e3o de que a forma como as pessoas fazem apoio social seja segura e consequente. E isso eu acho que n\u00f3s temos de responder naturalmente.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos de maneira nenhuma correr o risco de perder esta vontade solid\u00e1ria porque n\u00e3o temos solu\u00e7\u00f5es. E \u00e9 por isso que n\u00f3s muitas vezes chamamos a aten\u00e7\u00e3o para as pessoas se solidarizarem com aquilo que conhecem, que \u00e9 mais pr\u00f3ximo e que pode surtir efeito no futuro. N\u00e3o vamos maquiar a realidade.\u00a0N\u00f3s estamos com grandes problemas sociais. E isso v\u00ea-se na proximidade, como em outro s\u00edtio n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Mas, na verdade, as pessoas t\u00eam hoje mais preocupa\u00e7\u00e3o em ser consequentes com a a\u00e7\u00e3o que fazem do que meramente darem qualquer coisa para limpar a alma. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 limpar a alma, \u00e9 limpar a alma, mas sentir que est\u00e3o a fazer alguma coisa para mudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma quest\u00e3o que eu queria colocar, apesar de n\u00e3o termos a informa\u00e7\u00e3o toda sobre o assunto. O Instituto de Seguran\u00e7a Social decidiu avan\u00e7ar com o cart\u00e3o social que poder\u00e1 ser usado em 400 estabelecimentos. A C\u00e1ritas foi convidada para aderir ao programa.\u00a0Sabe como vai funcionar?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s participamos em v\u00e1rias fases, porque n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos isso. N\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos um cart\u00e3o h\u00e1 muito tempo e, portanto, fomos naturalmente chamados a pronunciar-nos sobre a forma como funciona, sobre como fazemos e foi-nos pedido que colabor\u00e1ssemos com as medidas que ainda n\u00e3o est\u00e3o no terreno e que resolvem v\u00e1rios outros problemas que, se calhar, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o evidentes. O Programa Alimentar do Estado tem regras de contrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica que s\u00e3o extraordinariamente dif\u00edceis e que est\u00e3o, neste momento, at\u00e9 a criar dificuldades a quem gere estes programas no territ\u00f3rio. Se demora tempo a ser poss\u00edvel fazer um concurso para adquirir peixe, depois o peixe vem todo ao mesmo tempo. Como \u00e9 que se faz a distribui\u00e7\u00e3o do peixe? E o pr\u00f3prio Estado percebeu que era importante ser consequente com as necessidades.\u00a0N\u00f3s n\u00e3o podemos ter peixe fresco e depois n\u00e3o ter s\u00edtio para o manter. E, portanto, quando come\u00e7aram a ver as iniciativas que havia, nomeadamente a da C\u00e1ritas, utilizando cart\u00f5es e os resultados que n\u00f3s t\u00ednhamos de seguran\u00e7a, de acompanhamento das fam\u00edlias, etc., perguntaram-nos e n\u00f3s colaboramos nesse sistema. O programa \u00e9 um programa europeu, portanto tamb\u00e9m tem regras europeias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Podemos perder-nos na burocracia?<\/em><\/p>\n<p>Se calhar \u00e9 melhor perder-nos algum bocadinho na burocracia e n\u00e3o nos perdermos em peixe podre. Eu acho que n\u00f3s temos de ser muito sensatos em olhar para isto.<\/p>\n<p>J\u00e1 toda a gente trabalha com cart\u00f5es. N\u00f3s temos de cuidar de quem n\u00e3o trabalha com cart\u00f5es e tem de ter solu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o podemos criar uma decis\u00e3o definitiva sem cuidar daqueles que ainda n\u00e3o est\u00e3o nessa onda e n\u00e3o v\u00e3o conseguir estar. E esses s\u00e3o os mais pobres dos pobres, certamente.<\/p>\n<p>Mas, por outro lado, h\u00e1 muitos a quem ser\u00e1 menos agressivo comprar com um cart\u00e3o e poder comprar um leite sem lactose para uma crian\u00e7a que tem problemas de alergias do que receber 5 litros de leite e depois a crian\u00e7a n\u00e3o poder beber ou ficar doente. Eu diria que aquilo que n\u00f3s conseguimos com este sistema ser\u00e1 certamente mais \u00fatil para as pessoas e para as fam\u00edlias, naturalmente com um acompanhamento muito, muito pr\u00f3ximo para que n\u00e3o haja desvios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que se pretende: que as pessoas tenham uma vida mais digna, com uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em plena discuss\u00e3o, na especialidade do Or\u00e7amento do Estado, n\u00e3o estranha o muito reduzido debate \u00e0 volta da quest\u00e3o dos pobres?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o que est\u00e1 em cima da mesa e n\u00e3o est\u00e1 nada decidido, n\u00e3o est\u00e1 nada definido. Eu acho que n\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos pobres. N\u00e3o \u00e9 discut\u00edvel, \u00e9 evidente: n\u00f3s sabemos onde est\u00e3o, quem s\u00e3o.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s temos de cuidar \u00e9 quais s\u00e3o as medidas dignas para resolver a situa\u00e7\u00e3o dos pobres. Eu estou em crer que, neste momento, a situa\u00e7\u00e3o dos pobres est\u00e1 bastante mais pr\u00f3xima, supostamente, porque neste momento est\u00e1 com os munic\u00edpios, h\u00e1 muitas coisas que sa\u00edram do Estado central. Eu acredito na proximidade, \u00e9 por isso que eu acredito na a\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas e, portanto, acredito que os munic\u00edpios tamb\u00e9m poder\u00e3o e ter\u00e3o obriga\u00e7\u00f5es de fazer mais pr\u00f3ximo, de uma maneira diferente, porque a pobreza n\u00e3o \u00e9 igual em todos os territ\u00f3rios, n\u00e3o me canso de dizer isto. Quando n\u00f3s pensamos num programa, n\u00e3o podemos priorizar o programa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das pessoas e, por isso, a proximidade deve ser favorecedora de uma solu\u00e7\u00e3o melhor. Evidentemente, eu direi que a situa\u00e7\u00e3o do pobre n\u00e3o \u00e9 uma coisa que seja escrita num livro. Portanto, se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos tudo escrito num livro, pod\u00edamos dizer, eu vou apoiar isto, isto e aquilo. Nesta situa\u00e7\u00e3o, n\u00f3s temos de olhar para os pobres e ver qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para cada situa\u00e7\u00e3o. E a situa\u00e7\u00e3o de um e do seu vizinho pode ser completamente oposta.<\/p>\n<p>Por isso, a minha esperan\u00e7a \u00e9 na proximidade e a minha esperan\u00e7a \u00e9 que a proximidade saiba ser transmissora da realidade e depois convocar e exigir as medidas para essa situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o me parece que uma coisa do dom\u00ednio do programa (Or\u00e7amento) de Estado seja solu\u00e7\u00e3o para as situa\u00e7\u00f5es da pobreza em Portugal, porque o Estado n\u00e3o conhece a pobreza em Portugal. Quem conhece a pobreza em Portugal \u00e9 quem est\u00e1 pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Neste Dia Mundial dos Pobres que a Igreja Cat\u00f3lica celebra hoje, a Rede Nacional da C\u00e1ritas lan\u00e7a a campanha 10 milh\u00f5es de estrelas, um gesto pela paz, como ali\u00e1s j\u00e1 faz h\u00e1 alguns anos. Olhando para essa proximidade e as necessidades no terreno, qual \u00e9 a import\u00e2ncia desta campanha de Natal para a C\u00e1ritas?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma import\u00e2ncia, s\u00e3o v\u00e1rias import\u00e2ncias. Esta campanha n\u00e3o \u00e9 uma campanha de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, \u00e9 uma campanha de chamada de aten\u00e7\u00e3o. E, portanto, h\u00e1 aqui algures entre o poder da mensagem e o poder do apoio que s\u00e3o muito importantes. \u00a0N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que melhor possa apoiar do que um vizinho. N\u00e3o h\u00e1. Portanto, se n\u00f3s conseguirmos convocar as pessoas para a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de precariedade dos seus vizinhos, j\u00e1 \u00e9 bastante importante.<\/p>\n<p>N\u00f3s fazemos esta campanha com esse duplo sentimento. O sentimento que n\u00f3s, C\u00e1ritas em Portugal, precisamos de apoios de quem est\u00e1 mais pr\u00f3ximo para resolver estas situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 uma coisa que se fa\u00e7a de Or\u00e7amento de Estado, s\u00f3; n\u00f3s tamb\u00e9m temos obriga\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias e cada um de n\u00f3s deve estar muito atento \u00e0s situa\u00e7\u00f5es que nos est\u00e3o mais pr\u00f3ximas. A campanha tem essa voca\u00e7\u00e3o de que cada um de n\u00f3s pode ser uma estrela na vida de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>\u2018Dez milh\u00f5es de estrelas\u2019, eu gosto muito deste dez milh\u00f5es de estrelas porque \u00e9 refer\u00eancia aos dez milh\u00f5es de portugueses, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o dez milh\u00f5es, mas pronto\u2026 \u00e9 refer\u00eancia que cada um de n\u00f3s pode ser a estrela na vida de algu\u00e9m. E, \u00e0s vezes, n\u00e3o \u00e9 com muito, \u00e9 mesmo com proximidade e com pouco. Por isso, o desafio \u00e9 que esta campanha, naturalmente, nos d\u00ea condi\u00e7\u00f5es para chegar o mais perto poss\u00edvel das pessoas que precisam e tamb\u00e9m com uma percentagem para algumas comunidades que n\u00f3s tamb\u00e9m apoiamos, que s\u00e3o as comunidades \u2018Laudato Si\u2019, dos pa\u00edses de express\u00e3o portuguesa.<\/p>\n<p>Mas tem uma parte de incentivo \u00e0 proximidade que \u00e9, para n\u00f3s, muito importante. Porque, de facto, quem pode fazer a diferen\u00e7a na vida dos pobres \u00e9 quem est\u00e1 mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No VIII Dia Mundial dos Pobres, a presidente da C\u00e1ritas Portuguesa \u00e9 a convidada da entrevista conjunta Ecclesia\/Renascen\u00e7a, convidando a olhar para a realidade concreta de cada pessoa em necessidade<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":348844,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[125,492],"class_list":["post-348839","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-caritas","tag-dia-mundial-dos-pobres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=348839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348839\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/348844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=348839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=348839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=348839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}