{"id":348544,"date":"2024-11-12T12:05:45","date_gmt":"2024-11-12T12:05:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=348544"},"modified":"2024-11-12T12:05:45","modified_gmt":"2024-11-12T12:05:45","slug":"a-cruz-escondida-296","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-296\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>Convento em Jabboul\u00e9, no L\u00edbano, \u00e9 ref\u00fagio para mais de 800 pessoas<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-348550 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ACN-libano.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ACN-libano.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ACN-libano-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ACN-libano-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ACN-libano-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<h4>O\u00e1sis de paz no meio da guerra<\/h4>\n<p><em>No norte de Beqaa, o convento das Irm\u00e3s de Nossa Senhora do Bom Socorro transformou-se num ref\u00fagio para mais de 800 pessoas que t\u00eam fugido dos bombardeamentos, da situa\u00e7\u00e3o de guerra no L\u00edbano. As 15 irm\u00e3s da Igreja Cat\u00f3lica Greco-Melquita acolhem centenas de deslocados internos, na sua maioria mu\u00e7ulmanos, oferecendo-lhes n\u00e3o s\u00f3 abrigo, mas tamb\u00e9m consolo e apoio. Uma hist\u00f3ria que ilustra bem a urg\u00eancia da campanha lan\u00e7ada em Portugal e em todo o mundo pela Funda\u00e7\u00e3o AIS de apoio \u00e0 Igreja do L\u00edbano neste momento t\u00e3o dif\u00edcil\u2026<\/em><\/p>\n<p>Os intensos bombardeamentos nas aldeias em redor de Jabboul\u00e9, no norte de Beqaa, no L\u00edbano, obrigaram, desde 23 de Setembro, centenas de pessoas a procurar ref\u00fagio nos terrenos do convento das Irm\u00e3s de Nossa Senhora do Bom Socorro, em Jabboul\u00e9. \u201cNa primeira noite do bombardeamento, dezenas de pessoas vieram a correr refugiar-se connosco\u201d, conta a Madre Joselyne Joumaa, superiora geral da congrega\u00e7\u00e3o, \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS. \u201cEm 12 dias, recebemos mais de 800 refugiados. Estamos sobrecarregadas e n\u00e3o podemos receber mais ningu\u00e9m.\u201d Em tempo de paz, a escola do convento ensina crian\u00e7as de todas as religi\u00f5es, sem distin\u00e7\u00e3o, o que permitiu \u00e0s irm\u00e3s estabelecer la\u00e7os estreitos com a comunidade mu\u00e7ulmana vizinha. T\u00eam tanta confian\u00e7a que at\u00e9 se ouve muitas vezes os mu\u00e7ulmanos deslocados dizerem: \u201c\u00c9 a vossa cruz que nos vai proteger!\u201d Com a ajuda da Funda\u00e7\u00e3o AIS, que apoia as irm\u00e3s com ajuda de emerg\u00eancia atrav\u00e9s do financiamento de alimentos, medicamentos e alojamento, as 15 irm\u00e3s da Congrega\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora do Bom Socorro de Jabboul\u00e9 abriram n\u00e3o s\u00f3 as portas do seu convento, mas tamb\u00e9m as portas da escola e do orfanato que dirigem. A maior parte das pessoas deslocadas internamente s\u00e3o mu\u00e7ulmanas xiitas. Alguns perderam tudo, mas todos est\u00e3o marcados pelo medo ou pelo trauma, devido \u00e0 viol\u00eancia dos bombardeamentos.<\/p>\n<h4>Um porto de abrigo<\/h4>\n<p>Com grande dedica\u00e7\u00e3o, as irm\u00e3s recebem a ajuda humanit\u00e1ria, separam as caixas e fazem a sua distribui\u00e7\u00e3o. Todos os dias, fornecem o pequeno-almo\u00e7o e o almo\u00e7o aos 800 deslocados, e dedicam algum tempo a ouvi-los. \u201cV\u00eam partilhar connosco a sua ang\u00fastia e o seu medo do amanh\u00e3\u201d, explica a Madre Joselyne. \u201cE n\u00f3s tamb\u00e9m os escutamos para responder \u00e0s suas necessidades materiais, que s\u00e3o muitas.\u201d Duas ou tr\u00eas vezes por semana, as irm\u00e3s organizam grupos de debate e de jogos, oferecendo \u00e0s crian\u00e7as uma apar\u00eancia de normalidade neste contexto conturbado. Muitos dos deslocados envolvem-se, ajudando as irm\u00e3s nas tarefas necess\u00e1rias para gerir a crise: os homens cortam lenha para o Inverno, recolhem o lixo e carregam as caixas de provis\u00f5es de emerg\u00eancia, enquanto as mulheres ajudam na cozinha. Alguns deles perguntam \u00e0s irm\u00e3s se podem passar algum tempo na sua capela, apreciando a calma e a paz que a\u00ed reinam. \u00c9 tamb\u00e9m o lugar onde as irm\u00e3s encontram a for\u00e7a necess\u00e1ria para enfrentar os desafios quotidianos, \u00e0 medida que as preocupa\u00e7\u00f5es se multiplicam. \u201cO Inverno est\u00e1 a chegar. Como \u00e9 que vamos ter aquecimento, electricidade, \u00e1gua quente?\u201d, pergunta ansiosamente a Madre Joselyne. \u201c\u00c9 um facto: pensar no amanh\u00e3 pode abater-nos porque a tens\u00e3o di\u00e1ria \u00e9 por vezes dif\u00edcil de suportar. Mas a nossa miss\u00e3o \u00e9 continuar com fidelidade e pedimos-vos que nos apoiem com a ora\u00e7\u00e3o\u201d, diz ela \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS. A serenidade e o sorriso das irm\u00e3s, mesmo no meio de uma crise, nunca deixam de surpreender os mu\u00e7ulmanos deslocados. A Madre Joselyne sublinha que o amor e o servi\u00e7o humilde das irm\u00e3s lhes fazem recordar muitas vezes a atitude da Virgem Maria, igualmente venerada no Isl\u00e3o, o que cria uma liga\u00e7\u00e3o espiritual entre as duas religi\u00f5es. A calma das irm\u00e3s estende-se \u00e0s crian\u00e7as deslocadas, muitas vezes aterrorizadas pelos bombardeamentos. \u201cQuando os pr\u00f3prios pais, tomados pelo p\u00e2nico, n\u00e3o conseguem acalmar os filhos, s\u00e3o as irm\u00e3s que os tomam nos bra\u00e7os e lhes garantem que est\u00e3o seguros, porque est\u00e3o na casa de Deus\u201d, partilha a Madre Joselyne.<\/p>\n<h4>Solidariedade dos Portugueses<\/h4>\n<p>Esta hist\u00f3ria, protagonizada por estas irm\u00e3s, ilustra bem a urg\u00eancia da campanha lan\u00e7ada em Portugal e em todo o mundo pela Funda\u00e7\u00e3o AIS de apoio ao L\u00edbano neste momento t\u00e3o dif\u00edcil que o pa\u00eds est\u00e1 a atravessar\u2026 De facto, face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de crise profunda em que se encontra o L\u00edbano, a Funda\u00e7\u00e3o AIS avan\u00e7ou com uma campanha de emerg\u00eancia a n\u00edvel internacional com o objectivo de se angariar pelo menos 1 milh\u00e3o de euros para ajudar a Igreja deste pa\u00eds do M\u00e9dio Oriente a dar resposta aos enormes desafios causados pela guerra. Portugal foi mesmo dos primeiros secretariados da institui\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia a lan\u00e7ar uma campanha a que se deu o nome de \u201cSOS L\u00edbano\u201d. Logo no in\u00edcio do m\u00eas de Outubro, a directora da Funda\u00e7\u00e3o AIS, Catarina Martins de Bettencourt, enviou uma carta para casa de milhares de portugueses com um apelo concreto para a ajuda \u00e0 comunidade crist\u00e3 libanesa. \u201cO pa\u00eds j\u00e1 atravessava uma profunda crise econ\u00f3mica, com uma infla\u00e7\u00e3o galopante que conduziu as fam\u00edlias para a mis\u00e9ria. Mas, agora, tudo est\u00e1 ainda pior\u201d, lembrava a respons\u00e1vel. Face ao evoluir da situa\u00e7\u00e3o no terreno, com o agravamento das condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia das pessoas, especialmente nas zonas mais atingidas pela viol\u00eancia dos bombardeamentos, as palavras de Catarina Bettencourt ganham ainda mais relev\u00e2ncia, como se pode atestar nas preocupa\u00e7\u00f5es da Madre Joselyne face ao futuro imediato de todos os que se refugiaram no convento de Jabboul\u00e9. Uma hist\u00f3ria que \u00e9 o retrato da ang\u00fastia que se vive no L\u00edbano por estes dias. \u201cNesta situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o grave, todos somos chamados a ajudar a Igreja do L\u00edbano, todos somos chamados a dar apoio aos padres e \u00e0s irm\u00e3s que est\u00e3o l\u00e1, no terreno, junto das popula\u00e7\u00f5es em sofrimento. \u00c9 nos momentos de ang\u00fastia que se v\u00ea a nossa solidariedade. E \u00e9 isso que pe\u00e7o, uma vez mais, a todos os benfeitores e amigos da Funda\u00e7\u00e3o AIS\u201d, disse ainda a respons\u00e1vel do secretariado portugu\u00eas da funda\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia na mensagem que foi enviada para casa de milhares de portugueses.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convento em Jabboul\u00e9, no L\u00edbano, \u00e9 ref\u00fagio para mais de 800 pessoas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-348544","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=348544"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348544\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=348544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=348544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=348544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}