{"id":34818,"date":"2008-10-22T11:09:21","date_gmt":"2008-10-22T11:09:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/22\/patrimonio-e-missao\/"},"modified":"2008-10-22T11:09:21","modified_gmt":"2008-10-22T11:09:21","slug":"patrimonio-e-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/patrimonio-e-missao\/","title":{"rendered":"Patrim\u00f3nio e Miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Comunica\u00e7\u00e3o do Bispo do Porto no Encontro do Clero com a Comiss\u00e3o Diocesana de Infra-Estruturas   <!--more--> \u201cN\u00e3o se pode esquecer tamb\u00e9m o contributo positivo da valoriza\u00e7\u00e3o dos bens culturais da Igreja. De facto, podem constituir um factor peculiar para suscitar de novo um humanismo de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Com a sua adequada conserva\u00e7\u00e3o e l\u00facido aproveitamento, tais bens, enquanto testemunho vivo da f\u00e9 professada ao longo dos s\u00e9culos, podem tornar-se um v\u00e1lido instrumento para a nova evangeliza\u00e7\u00e3o e para a catequese, convidando a redescobrir o sentido do mist\u00e9rio. Ao mesmo tempo, sejam promovidas novas express\u00f5es art\u00edsticas da f\u00e9, atrav\u00e9s de um di\u00e1logo ass\u00edduo com os cultores da arte. Com efeito, a Igreja tem necessidade da arte, literatura, m\u00fasica, pintura, escultura e arquitectura, porque \u2018deve tornar percept\u00edvel e at\u00e9 o mais fascinante poss\u00edvel o mundo do esp\u00edrito, do invis\u00edvel, de Deus\u2019 (Jo\u00e3o Paulo II, Carta aos artistas, 12) e porque a beleza art\u00edstica, como reflexo do Esp\u00edrito de Deus, \u00e9 um criptograma do mist\u00e9rio, um convite a buscar o rosto de Deus que se tornou vis\u00edvel em Jesus de Nazar\u00e9\u201d (Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Europa, 28 de Junho de 2003, 60).   1. Para suscitar de novo um humanismo de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u2026  Desde a Renascen\u00e7a que dialogamos com o Humanismo, porque ele \u00e9 t\u00e3o herdeiro como \u201cconcorrente\u201d da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. \u00c9 herdeiro, porque a religi\u00e3o do Deus humanado ultima no homem a presen\u00e7a de Deus e faz da forma e do conte\u00fado humanos o lugar e a media\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o divina. Foi com considera\u00e7\u00f5es desta ordem que o II Conc\u00edlio de Niceia (787) legitimou a iconografia crist\u00e3, em contraste com os iconoclasmos antigos (e modernos). \u00c9 concorrente, quando forma e conte\u00fado humanos passam de media\u00e7\u00e3o a absoluto, secando a fonte e limitando o horizonte. O nosso patrim\u00f3nio art\u00edstico e religioso \u00e9 mais conhecido do que reconhecido enquanto tal. Por parte de visitantes \u2013 e mesmo de crentes \u2013 limita-se bastante ao funcional, museol\u00f3gico ou cultual, na acep\u00e7\u00e3o fraca dos termos. Deixa de \u201cfalar\u201d, por desconhecimento da linguagem. Deixa de sensibilizar, por ignor\u00e2ncia ou pressa.  Liga-se isto \u00e0 \u201ccrise\u201d do humanismo contempor\u00e2neo, t\u00e3o pulverizado e mais diletante do que propriamente cultural (que implica \u201ccultivo\u201d, aprendizagem, assimila\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o no conjunto). \u00c9 vulgar\u00edssimo sermos abordados por quem quer os nossos espa\u00e7os para \u201ceventos\u201d absolutamente descontextualizados do seu significado essencial e global, exactamente pelas pulveriza\u00e7\u00e3o e dilet\u00e2ncia atr\u00e1s referidas. A estes casos teremos de (cor)responder, quer abrindo horizontes ao interlocutor, quer antecipando n\u00f3s ofertas mais consistentes  e qualificadas.             2. V\u00e1lido instrumento para a nova evangeliza\u00e7\u00e3o e para a catequese, convidando a redescobrir o sentido do mist\u00e9rio\u2026  Paredes meias com a desist\u00eancia p\u00f3s-moderna em rela\u00e7\u00e3o ao sentido e ao contexto, vive a coisifica\u00e7\u00e3o de pessoas, rela\u00e7\u00f5es e rituais. N\u00e3o lhe estamos completamente alheios, quando perdemos o sentido do mist\u00e9rio e reduzimos as celebra\u00e7\u00f5es a \u201ccerim\u00f3nias\u201d e a arte religiosa a uma s\u00e9rie de espa\u00e7os \u201cfuncionais\u201d ou objectos amov\u00edveis, segundo o gosto e a ocasi\u00e3o. Directa ou indirectamente, o nosso patrim\u00f3nio orienta-se para a liturgia, como a pr\u00f3pria vida crist\u00e3. Resumindo a reflex\u00e3o conciliar, o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica acentua: \u201c&#8230; na liturgia, a Igreja celebra principalmente o mist\u00e9rio pascal, pelo qual Cristo realizou a obra da nossa salva\u00e7\u00e3o\u201d (n\u00ba 1067). E ainda: \u201cOriginariamente, a palavra \u2018liturgia\u2019 significa \u2018obra p\u00fablica\u2019, \u2018servi\u00e7o por parte de\/e em favor do povo\u2019. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, quer dizer que o povo de Deus toma parte na \u2018obra de Deus\u2019. Pela liturgia, Cristo, nosso redentor e Sumo-Sacerdote, continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa reden\u00e7\u00e3o\u201d (n\u00ba 1069). Em muitas celebra\u00e7\u00f5es e outros actos podemos e devemos \u201ccatequizar\u201d a partir do patrim\u00f3nio religioso. Teremos de o \u201cescutar\u201d, estudando-o; de o fazer \u201cfalar\u201d, interpretando-o; de \u201crezar\u201d com ele, porque nos inclui no mist\u00e9rio pascal de Cristo. Seguindo neste ponto o tempo que corre, a \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d ir\u00e1 tanto pela via est\u00e9tica como pela no\u00e9tica, ultrapassando as preven\u00e7\u00f5es de alguma mente pela ades\u00e3o pessoal inteira. Recuperando intui\u00e7\u00f5es de h\u00e1 dois s\u00e9culos (cf. Chateaubriand, O g\u00e9nio do Cristianismo), a beleza do Cristianismo leva-nos \u00e0 sua verdade. Oferecidas ambas como caridade, como acrescentou o Cardeal Martini, glosando Dostoievski: \u201cA beleza que salva o mundo \u00e9 o amor que partilha a dor\u201d. N\u00e3o nos fala de outra coisa a arte propriamente crist\u00e3, que come\u00e7a e acaba sempre \u201ccruciforme\u201d.     3. Um convite a buscar o rosto de Deus que se tornou vis\u00edvel em Jesus de Nazar\u00e9\u2026  O patrim\u00f3nio art\u00edstico e religioso \u00e9 especialmente \u201cnosso\u201d quando corresponde a esta considera\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II: \u201cos homens do nosso tempo, talvez sem se darem conta, pedem aos crentes de hoje n\u00e3o s\u00f3 que lhes \u2018falem\u2019 de Cristo, mas tamb\u00e9m que de certa forma lho fa\u00e7am \u2018ver\u2019\u201d (Carta apost\u00f3lica Novo Millenio Ineunte, 6 de Janeiro de 2001, 16).  Re(con)du\u00e7\u00e3o cristol\u00f3gica da vida e miss\u00e3o da Igreja, assim apresentada como programa para o presente mil\u00e9nio: \u201cO programa [\u2026] concentra-se, em \u00faltima an\u00e1lise, no pr\u00f3prio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para nele viver a vida trinit\u00e1ria e com Ele transformar a hist\u00f3ria at\u00e9 \u00e0 sua plenitude na Jerusal\u00e9m celeste. \u00c9 um programa que n\u00e3o muda com a varia\u00e7\u00e3o dos tempos e das culturas, embora se tenha em conta o tempo e a cultura para um di\u00e1logo verdadeiro e uma comunica\u00e7\u00e3o eficaz. Este programa de sempre \u00e9 o nosso programa para o terceiro mil\u00e9nio\u201d (Ibidem, 29). Transformar a hist\u00f3ria at\u00e9 \u00e0 sua plenitude na Jerusal\u00e9m celeste\u2026 \u00c9 dessa transforma\u00e7\u00e3o que o nosso patrim\u00f3nio art\u00edstico e religioso, lit\u00fargica ou para-liturgicamente entendido, tem de ser sinal e activa\u00e7\u00e3o, qual esperan\u00e7a \u201cperformativa\u201d de que Bento XVI nos falou recentemente, significando isto que \u201co Evangelho n\u00e3o \u00e9 apenas uma comunica\u00e7\u00e3o de realidades que se podem saber, mas uma comunica\u00e7\u00e3o que gera factos e muda a vida\u201d (Bento XVI, Carta enc\u00edclica Spe Salvi, 30 de Novembro de 2007, 2). 20 de Outubro de 2008, Semin\u00e1rio Maior do Porto <i>+ Manuel Clemente, Bispo do Porto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunica\u00e7\u00e3o do Bispo do Porto no Encontro do Clero com a Comiss\u00e3o Diocesana de 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