{"id":34804,"date":"2008-10-21T13:21:00","date_gmt":"2008-10-21T13:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/21\/a-missao-ad-gentes-para-uma-renovacao-ad-intra\/"},"modified":"2008-10-21T13:21:00","modified_gmt":"2008-10-21T13:21:00","slug":"a-missao-ad-gentes-para-uma-renovacao-ad-intra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-missao-ad-gentes-para-uma-renovacao-ad-intra\/","title":{"rendered":"A miss\u00e3o \u00abad gentes\u00bb para uma renova\u00e7\u00e3o \u00abad intra\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de D. Ant\u00f3nio Couto, bispo auxiliar de Braga,  no Centro Pastoral da Igreja de Santo Ant\u00f3nio, em Barcelos   <!--more--> No S\u00e1bado passado, D. Ant\u00f3nio Couto, Bispo Auxiliar de Braga e Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal das Miss\u00f5es, brindou a Comunidade Crist\u00e3 de Santo Ant\u00f3nio, em Barcelos, com a sua presen\u00e7a sol\u00edcita e fraterna.  Por volta das 21h30, o \u201cbispo com alma de poeta\u201d, oriundo da Sociedade Mission\u00e1ria da Boa Nova, foi acolhido pela Comunidade Crist\u00e3 com muita alegria e expectativa, de um modo especial pelos jovens do grupo \u201csem cenas\u201d que fizeram um jogral sobre a \u201cmiss\u00e3o\u201d e entoaram um c\u00e2ntico timorense.  Seguiu-se uma breve apresenta\u00e7\u00e3o do senhor D. Ant\u00f3nio, completada pela leitura de um resumo da sua biografia feito pela Joana, Presidente do Secretariado das Miss\u00f5es de Barcelos, Secretariado que se empenhou em tudo para que, tanto o senhor Bispo como todos os que se deslocaram ao Centro Pastoral dos Capuchinhos, se sentissem bem nessa noite \u201cmission\u00e1ria\u201d.  O frei Manuel Pires, animador daquela Comunidade Crist\u00e3, agradeceu ao senhor D. Ant\u00f3nio estar a cumprir o que prometeu quando se dirigiu pela primeira vez \u00e0 Diocese de que foi nomeado bispo auxiliar: \u00abQuerida Arquidiocese de Braga, [\u2026] irei ter convosco [\u2026] porque muito vos quero.\u00bb  <b>\u201cNa pastoral das par\u00f3quias, urge mudar tudo do avesso\u201d<\/b> No contexto do Dia Mundial das Miss\u00f5es, este ano celebrado no dia seguinte, D. Ant\u00f3nio come\u00e7ou por manifestar o seu agrado pelo facto de ver uma comunidade reunida para reflectir sobre a miss\u00e3o, pois este, geralmente, \u00e9 um tema deixado para segundo plano. Segundo ele, \u00abpassamos demasiado tempo a olhar para o umbigo\u00bb, numa pastoral de manuten\u00e7\u00e3o que se preocupa com a organiza\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias, e s\u00f3 depois com a evangeliza\u00e7\u00e3o; pelo que se torna \u00aburgente, hoje, voltar tudo do avesso\u00bb, pois a Igreja define-se, pela sua natureza, como mission\u00e1ria. Em seguida, citou diversos documentos do Magist\u00e9rio da Igreja sobre a \u201cmiss\u00e3o\u201d, para passar a mensagem de que \u00abh\u00e1 muita coisa que temos de mudar\u00bb e que, pelo baptismo, todos os crist\u00e3os \u2013 quer sejam bispos, presb\u00edteros, consagrados e consagradas, ou leigos \u2013 s\u00e3o mission\u00e1rios e co-respons\u00e1veis pela ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. \u00abNingu\u00e9m nesta sala est\u00e1 dispensada da tarefa da miss\u00e3o\u00bb, sublinhou.  Os fi\u00e9is leigos s\u00e3o chamados \u00e0 miss\u00e3o n\u00e3o apenas por uma quest\u00e3o de efic\u00e1cia apost\u00f3lica, isto \u00e9, \u00abn\u00e3o apenas porque n\u00e3o h\u00e1 padres\u00bb, mas \u00abporque a missionariedade \u00e9, para cada crist\u00e3o, express\u00e3o normal da sua f\u00e9\u00bb. \u00abQuem verdadeiramente encontrou Cristo n\u00e3o pode guard\u00e1-lo para si!\u00bb (Jo\u00e3o Paulo II, No In\u00edcio de um Novo Mil\u00e9nio, 40). Por isso, antes de tudo, como diz o Papa Bento XVI, \u00aba miss\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de amor\u00bb (Servos e ap\u00f3stolos de Jesus Cristo, Mensagem no Dia Mundial das Miss\u00f5es, n\u00ba 2). Assim, o esfor\u00e7o mission\u00e1rio n\u00e3o pode ser deixado a algumas pessoas e institui\u00e7\u00f5es, ainda que estas sejam indispens\u00e1veis.   <b>Novo paradigma da evangeliza\u00e7\u00e3o: \u201cmais tempo fora da igreja, do que dentro da igreja\u201d<\/b> Actualmente, acrescentou D. Ant\u00f3nio Couto, o paradigma da evangeliza\u00e7\u00e3o tem de mudar radicalmente, pois \u00abuma par\u00f3quia n\u00e3o pode viver tranquilamente dentro das paredes da igreja, da sacristia ou do sal\u00e3o paroquial\u00bb. A Confer\u00eancia Episcopal Italiana \u00e9, segundo ele, aquela que, na Europa, mais preocupa\u00e7\u00e3o tem demonstrado pela quest\u00e3o da miss\u00e3o e da evangeliza\u00e7\u00e3o. Pela sua import\u00e2ncia, transcrevemos na \u00edntegra alguns par\u00e1grafos que o senhor Bispo citou: &#9679; \u00abA par\u00f3quia ser\u00e1 tanto mais capaz de redefinir a sua tarefa mission\u00e1ria no seu territ\u00f3rio quanto mais saiba projectar-se no horizonte do mundo sem delegar apenas em alguns a responsabilidade da evangeliza\u00e7\u00e3o dos povos.\u00bb  &#9679; \u00abA miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas o ponto conclusivo do empenho pastoral mas o seu constante horizonte e o seu paradigma por excel\u00eancia\u00bb. Para D. Ant\u00f3nio Couto, hoje, a verdadeira par\u00f3quia, \u00e9 aquela onde o crist\u00e3o se re\u00fane para reflectir e celebrar a sua f\u00e9, mas \u00abparte para fora e vai ao encontro das pessoas nos caf\u00e9s, nas casas, nas escolas, nas oficinas. E acrescentou \u00abhoje, o papel do crist\u00e3o, passa-se mais fora da igreja, do que dentro da igreja.\u00bb   <b>\u201cCuidar da forma\u00e7\u00e3o dos adultos e idosos\u201d<\/b> Outro problema, segundo ele, \u00e9 que \u00abtemos quase todo o nosso equipamento pastoral orientado para a forma\u00e7\u00e3o dos jovens e crian\u00e7as\u00bb. E ent\u00e3o poder\u00edamos perguntar-nos, como ele: \u00abE os adultos e idosos? N\u00e3o temos de cuidar da sua forma\u00e7\u00e3o?\u00bb Assim como quem acaba um curso, passado pouco tempo, \u00e9 chamado a fazer uma actualiza\u00e7\u00e3o, assim tem de ser tamb\u00e9m na igreja \u2013 afirmou o bispo que \u00e9 tamb\u00e9m, desde h\u00e1 muito, e continua a ser, professor de Sagrada Escritura na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa do Porto e de Braga.  Para ilustrar o que pretendia dizer, D. Ant\u00f3nio colocou-nos perante o seguinte caso, que ouviu de um leigo italiano: \u00abOs senhores olhem para a sociedade. Imaginem que 90% dos m\u00e9dicos eram pediatras; restavam 10% para cuidar dos adultos e idosos. Na Igreja n\u00e3o estamos a fazer mais ou menos a mesma coisa?\u00bb  E ainda assim \u2013 acentuou \u2013 \u00abfalhamos a nossa metodologia\u00bb, pois ao fim da primeira comunh\u00e3o, da profiss\u00e3o de f\u00e9 ou do crisma muitos deixam de participar na vida da Comunidade Crist\u00e3. \u00abCada evangelizado apenas termina o seu curriculum quando ele pr\u00f3prio se torna evangelizador, quando sentir a necessidade de se transformar em evangelizador.\u00bb  <b>Par\u00f3quia mission\u00e1ria: \u00abmiss\u00e3o \u201cad gentes\u201d dentro do pa\u00eds\u00bb<\/b> N\u00e3o podemos, de modo algum, continuar com a actual \u00abmetodologia de manuten\u00e7\u00e3o, apenas acolhendo aqueles que v\u00eam \u00e0 igreja\u00bb, continuou D Ant\u00f3nio, pois desta forma, \u00abn\u00e3o fazemos sentir a todos o calor da nossa viv\u00eancia de Cristo e do Evangelho\u00bb.  Uma par\u00f3quia mission\u00e1ria, hoje, \u00abtem de passar por ir, necessariamente, ao encontro das pessoas. Os jovens que andam na Universidade devem preocupar-se em levar Cristo a outros jovens que andam na Universidade\u00bb. Mas n\u00e3o apenas os jovens; \u00abnenhum de n\u00f3s pode ficar de bra\u00e7os cruzados, tranquilamente, dentro da igreja ou da sacristia\u00bb. \u00c9 um imperativo \u00ablevar Jesus Cristo a toda a gente\u00bb. Voltando a referir-se ao caso da It\u00e1lia, o senhor Bispo disse que ali j\u00e1 nem sequer se fala de \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d mas de miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d dentro do pa\u00eds. \u00c9 necess\u00e1rio n\u00e3o um novo an\u00fancio, mas \u00abo primeiro an\u00fancio. Um primeiro an\u00fancio feito com todo o ardor\u00bb.  Ent\u00e3o, D. Ant\u00f3nio Couto interroga-se: \u00abSe for s\u00f3 um padre na sua par\u00f3quia a anunciar o evangelho, aonde \u00e9 que chega o Evangelho?\u00bb E logo responde: \u00abQuem mais depressa e fundo consegue chegar ao cora\u00e7\u00e3o das pessoas \u2013 nas escolas, nas f\u00e1bricas \u2013 n\u00e3o s\u00e3o os padres mas os leigos!\u00bb E olhando novamente para a assembleia: \u00abVoc\u00eas conhecem as pessoas; podem ir ter com elas; visit\u00e1-las por amor. \u00c9 assim que se anuncia hoje o Evangelho: por amor\u00bb.  <b>\u201cUma pessoa perigosa&#8230; no bom sentido\u201d<\/b> Para mostrar o que queria dizer, o conferencista contou a hist\u00f3ria do velho mission\u00e1rio americano Bob McCahill, dos Padres de Maryknoll. Bob McCahill trabalha no Bangladesh h\u00e1 mais de 30 anos, e, como o pr\u00f3prio confessa, nunca anunciou publicamente o Evangelho. O Bangladesh \u00e9 um pa\u00eds de extrema pobreza e com uma popula\u00e7\u00e3o maioritariamente mu\u00e7ulmana. Bob McCahill faz a sua ora\u00e7\u00e3o da manh\u00e3 e celebra a Eucaristia sozinho, na sua barraca, e depois pega na bicicleta e vai ao encontro das pessoas: fala com todos, mas presta particular aten\u00e7\u00e3o aos doentes. Muda de terra de tr\u00eas em tr\u00eas anos. No primeiro ano, as pessoas olham este americano com alguma desconfian\u00e7a. No segundo ano, j\u00e1 o olham com simpatia. No terceiro ano, cria-se um clima de grande simpatia e perguntam-lhe a raz\u00e3o de querer viver no meio deles (muitos at\u00e9 lhe dizem que dava um \u201cbom mu\u00e7ulmano\u201d). \u00c9 ent\u00e3o que ele fala de Jesus Cristo. Quando j\u00e1 h\u00e1 uma imensa simpatia levanta a tenda e come\u00e7a do zero. Nunca rezou ou falou de Jesus em p\u00fablico!  H\u00e1 pouco tempo, o padre Bob, deu uma confer\u00eancia nas Filipinas, onde come\u00e7ou a sua vida como mission\u00e1rio. Come\u00e7ou a sua interven\u00e7\u00e3o olhando as pessoas nos olhos e perguntando: \u00abAlgum dos presentes sabe quem \u00e9 a pessoa mais feliz do mundo ou por acaso algum dos presentes pensa que \u00e9 a pessoa mais feliz do mundo?\u00bb E continuou: \u00abSe estiver aqui algu\u00e9m que pensa que \u00e9 a pessoa mais feliz do mundo, fique a saber que eu tamb\u00e9m penso que sou a pessoa mais feliz do mundo porque sinto em mim o privil\u00e9gio de servir os mais pobres do mundo com amor.\u00bb  Uma pessoa destas \u00e9 uma \u00abpessoa perigosa. Uma pessoa perigosa no bom sentido\u00bb \u2013 diz o conferencista. E acrescenta: \u00abPrecisamos de muitos padres e leigos como o padre Bob. Hoje n\u00e3o h\u00e1 muitas pessoas dispostas a ouvir grandes discursos, mas estamos num mundo em que cada um de n\u00f3s pode fazer muito\u00bb; e para esta miss\u00e3o de ir ter com as pessoas e de lhes levar este Jesus Cristo \u00abprecisamos de todos, de uma rede vast\u00edssima de gente\u00bb.  D. Ant\u00f3nio Couto, por muitos chamado o \u201cbispo da esperan\u00e7a\u201d \u2013 pelo lema que escolheu para o seu episcopado: \u00abVejo um ramo de amendoeira\u00bb (Jr 1,11) \u2013 constata com alguma tristeza que permanentemente \u00abnos queixamos de que o mundo n\u00e3o tem valores. Estamos a falar mal do mundo; isto \u00e9, mal dos outros\u00bb. E logo acrescenta que \u00abeste nosso discurso est\u00e1 errado. Apenas temos de mostrar os valores que temos. Apenas temos de amar. Temos de amar. E amar este mundo. Estas pessoas\u00bb.  Para ele, este tempo em que estamos \u00ab\u00e9 o de um cristianismo personalizado, pessoa a pessoa, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o\u00bb. Hoje, continua, \u00abo que \u00e9 decisivo \u00e9 que cada um de n\u00f3s se abeire do outro, o trate pelo seu nome, como uma pessoa, e acabe por lhe fazer passar este Jesus Cristo, pelo seu comportamento\u00bb.  <b>Nova metodologia da miss\u00e3o: \u201ctransformar cada crist\u00e3o em evangelizador\u201d<\/b> A metodologia da miss\u00e3o afigura-se clara ao bispo-biblista: \u00abcada um sair de si\u00bb e \u00abtentar transformar cada crist\u00e3o num evangelizador, porque isso \u00e9 que \u00e9 um verdadeiro crist\u00e3o\u00bb. E acrescenta: \u00abDizemos que somos irm\u00e3os mas, na verdade, n\u00e3o somos irm\u00e3os; somos mais malandros que irm\u00e3os\u00bb; mas \u00abquando algu\u00e9m vai ao encontro das pessoas por amor acontecem pequenos milagres\u00bb. Neste contexto, leu parte de um poema de Nelly Sachs, judia, pr\u00e9mio Nobel da Literatura em 1966 e que reproduzimos aqui: \u00abSe os profetas irrompessem pelas portas da noite com as suas palavras abrindo feridas nas rotinas do nosso quotidiano (\u2026) Se os profetas irrompessem pelas portas da noite \u00e0 procura de um ouvido como p\u00e1tria Ouvido humano obstru\u00eddo por mato e por silvas ser\u00e1 que saberias escutar?\u00bb   <b>\u00abA evangeliza\u00e7\u00e3o, ou a fazem os leigos ou n\u00e3o se far\u00e1!\u00bb<\/b> Este poema, diz D. Ant\u00f3nio, traduz um bocadinho o nosso mundo, \u00abobstru\u00eddo por erva daninha. Importa, por isso, uma limpeza grande no corpo todo e na alma toda para que possamos outra vez entender que ser crist\u00e3o \u00e9 uma coisa nova; uma abertura imensa para escutar a voz de Cristo\u00bb. O bispo auxiliar de Braga terminou a sua interven\u00e7\u00e3o, fazendo suas as palavras de D. Francesco Lambiase, bispo de Rimini: \u00aba evangeliza\u00e7\u00e3o, ou a fazem os leigos ou n\u00e3o se far\u00e1! E citou ainda um fil\u00f3sofo franc\u00eas: \u00abEnquanto estivermos inquietos, podemos estar tranquilos.\u00bb Para logo interpelar, olhando para a nossa realidade: \u00abParece que estamos todos muito quietos, portanto n\u00e3o podemos estar tranquilos.\u00bb O encontro terminou com um agradecimento a D. Ant\u00f3nio Couto por ele ter partilhado com todos os presentes o tesouro da sua experi\u00eancia pessoal da \u201cmiss\u00e3o\u201d e de Deus.  <i>Frei Hermano Filipe<\/i>   <B>Entrevista \u00e0 AE<\/B> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=65291\">\u2022 Por uma Igreja mais mission\u00e1ria<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de D. 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