{"id":34786,"date":"2008-10-21T10:42:31","date_gmt":"2008-10-21T10:42:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/21\/ajudas-aos-pobres-e-aos-bancos\/"},"modified":"2008-10-21T10:42:31","modified_gmt":"2008-10-21T10:42:31","slug":"ajudas-aos-pobres-e-aos-bancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ajudas-aos-pobres-e-aos-bancos\/","title":{"rendered":"Ajudas aos pobres e aos bancos"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves afirma que \u00abse a ajuda aos bancos n\u00e3o for feita, a fal\u00eancia do sistema financeiro afectar\u00e1 todos, mas sobretudo os pobres\u00bb <!--more--> Na actual crise financeira, quando se ouvem as not\u00edcias de injec\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias de fundos na banca, uma das ideias mais frequentes \u00e9 pensar que se gasta muito mais a salvar gestores ricos e incompetentes que a ajudar pobres honestos e necessitados. Esta ideia tem, como costume, misturados alguns elementos de verdade e confus\u00e3o que vale a pena distinguir. Primeiro, deve dizer-se que os dois usos do dinheiro s\u00e3o muito diferentes. Quando o Estado d\u00e1 um subs\u00eddio para ajudar a pobreza gasta verbas que vieram de impostos. Nas ajudas aos bancos, pelo contr\u00e1rio, o dinheiro n\u00e3o tem de ser gasto, se o for \u00e9 em parte recuperado e n\u00e3o vem de impostos. Al\u00e9m disso, se a ajuda aos bancos n\u00e3o for feita, a fal\u00eancia do sistema financeiro afectar\u00e1 todos, mas sobretudo os pobres, que costumam ter as suas magras poupan\u00e7as nos bancos. Vejamos cada coisa por sua vez. O sistema banc\u00e1rio, por tratar da moeda, \u00e9 a base de toda a actividade econ\u00f3mica. Hoje, quase todo o dinheiro que circula \u00e9 banc\u00e1rio e consideramos equivalentes as notas no bolso com o que movimentamos com cart\u00f5es ou cheques. Mas estes \u00faltimos dependem da solidez do banco que os emite. Se eles falissem, n\u00e3o apenas desapareceriam as nossas poupan\u00e7as mas com elas acabariam muitos neg\u00f3cios e empregos. A crise econ\u00f3mica seria terr\u00edvel e, como acontece sempre, s\u00e3o os pobres quem mais sofre. Por isso a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel. Dada esta import\u00e2ncia, aparecem depois as referidas tr\u00eas diferen\u00e7as entre estes gastos financeiros e os subs\u00eddios. Primeiro, quando o Governo cria um fundo para garantir a solidez da banca, se o p\u00fablico acreditar, o Estado n\u00e3o precisa de gastar um tost\u00e3o. Confiantes na garantia, as pessoas acalmam-se e os montantes previstos para a sustentar ficam nos cofres p\u00fablicos. Segundo, se o Governo chegar mesmo a injectar o dinheiro no banco, isso n\u00e3o \u00e9 uma oferta mas um investimento. O Estado obt\u00e9m em troca a propriedade de parte dos activos banc\u00e1rios que, por muito fr\u00e1geis que sejam, sempre d\u00e3o rentabilidade. N\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel, mas at\u00e9 pode suceder que o sector p\u00fablico acabe ganhando dinheiro com a opera\u00e7\u00e3o. Finalmente, as verbas n\u00e3o v\u00eam dos nossos impostos. Para compreender isso \u00e9 preciso entender o problema. Um p\u00e2nico leva as pessoas a guardarem o seu dinheiro. \u00c9 esta \u00absecagem\u00bb de liquidez nos mercados, por fuga da moeda, que cria a crise. Ora as autoridades t\u00eam de intervir de dois modos diferentes. Um deles \u00e9 emitir dinheiro novo pelo Banco Central. E o Banco Central pode emitir todo o dinheiro que quiser instantaneamente, substituindo por algum tempo a liquidez dos mercados. O \u00fanico limite a essa emiss\u00e3o \u00e9 o perigo de infla\u00e7\u00e3o, mas se a moeda desapareceu de circula\u00e7\u00e3o por causa do nervosismo, esse perigo n\u00e3o existe. a outra forma de financiar a interven\u00e7\u00e3o, d\u00edvida p\u00fablica, liga-se com a outra dimens\u00e3o negativa do p\u00e2nico. Dada a inquieta\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m empresta a ningu\u00e9m com medo de a fal\u00eancia do devedor eliminar o cr\u00e9dito. Mas ao Estado toda a gente pode emprestar com seguran\u00e7a, porque ele nunca vai \u00e0 fal\u00eancia. Assim, enquanto durar o desassossego, o Governo pode servir de intermedi\u00e1rio, pedindo ele emprestado para emprestar a quem precisa. Uma vez passado o temporal, as autoridades retiram o excesso de moeda ou liquidam os cr\u00e9ditos e tudo normaliza. Todas estas ac\u00e7\u00f5es, para evitar o colapso do sistema financeiro, t\u00eam de ser acompanhadas por uma outra preocupa\u00e7\u00e3o muito importante. \u00c9 preciso que, apesar da ajuda dada \u00e0s empresas financeiras, n\u00e3o se evite a necess\u00e1ria puni\u00e7\u00e3o aos gestores e accionistas respons\u00e1veis pelos erros e del\u00edrios que originaram a crise. \u00c9 indispens\u00e1vel que, salvando as institui\u00e7\u00f5es, continuem os despedimentos para os administradores e a desvaloriza\u00e7\u00e3o para os accionistas. Esta exig\u00eancia adv\u00e9m, n\u00e3o apenas de um imperativo de justi\u00e7a, mas tamb\u00e9m do mais elementar bom senso. Se esses respons\u00e1veis mantiverem as suas posi\u00e7\u00f5es e a interven\u00e7\u00e3o do Estado os ilibar das responsabilidades, nada impede que no futuro caiam em novas tolices.  <i>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves afirma que \u00abse a ajuda aos bancos n\u00e3o for feita, a fal\u00eancia do sistema financeiro afectar\u00e1 todos, mas sobretudo os pobres\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168],"class_list":["post-34786","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34786","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34786"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34786\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}