{"id":34785,"date":"2008-10-21T10:37:01","date_gmt":"2008-10-21T10:37:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/21\/orcamento-de-estado-num-mundo-em-dificuldade\/"},"modified":"2008-10-21T10:37:01","modified_gmt":"2008-10-21T10:37:01","slug":"orcamento-de-estado-num-mundo-em-dificuldade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/orcamento-de-estado-num-mundo-em-dificuldade\/","title":{"rendered":"Or\u00e7amento de Estado num mundo em dificuldade"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Lino Maia indica que o or\u00e7amento \u00e9 \u00aboportunidade para reflectir sobre o combate \u00e0 pobreza e \u00e0 exclus\u00e3o\u00bb <!--more--> O mundo mergulhou numa preocupante turbul\u00eancia, com efeitos e fecho ainda n\u00e3o quantific\u00e1veis nem previs\u00edveis: depois de uma escalada galopante dos pre\u00e7os de bens essenciais e de combust\u00edveis que a muitos vitimou, estalou uma s\u00e9ria crise financeira que, essa sim, parece ser em espiral dimensionada at\u00e9 \u00e0 verdadeira globalidade. Repentinamente, uns portugueses esqueceram problemas, como o da inseguran\u00e7a, e outros deixaram de viver \u201cnum pa\u00eds de maravilhas\u201d. Todos come\u00e7aram a falar de uma crise global com termo que todos ignoram. Elaborar um Or\u00e7amento de Estado, nestas circunst\u00e2ncias, tem as suas dificuldades. Acrescidas, porque se avizinha um ciclo eleitoral.  Nas actuais circunst\u00e2ncias, um or\u00e7amento para um ano ser\u00e1, inevitavelmente, de tend\u00eancia acentuadamente previsional. O do pr\u00f3ximo ano, inequivocamente, at\u00e9 porque \u00e9 incerta a evolu\u00e7\u00e3o da crise.  Mas um Or\u00e7amento tamb\u00e9m ser\u00e1 sempre um instrumento revelador de orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e de op\u00e7\u00f5es do Governo.  O Or\u00e7amento do Estado para 2009, que foi apresentado na Assembleia da Rep\u00fablica, parece reflectir um pouco de tudo isso. E poder\u00e1 ter um cunho veladamente eleitoralista. Normalmente, as crises nem s\u00e3o previs\u00edveis nem, certamente, ser\u00e3o desej\u00e1veis. Mas poder\u00e3o ser tempos favor\u00e1veis para que se ouse percorrer novos caminhos, com novas op\u00e7\u00f5es, para futuros que acabar\u00e3o por ser mais promissores.  E, muito embora, as estat\u00edsticas, ultimamente publicadas, venham a reflectir alguma diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de pobres em Portugal, a sensa\u00e7\u00e3o dominante \u00e9 a da pouca fiabilidade ou a da insuficiente consist\u00eancia dessas estat\u00edsticas \u2013 pelo menos o fosso entre pobres e ricos parece que se agrava.  A actual crise poderia ser a oportunidade para um Or\u00e7amento de Estado que reflectisse uma clara op\u00e7\u00e3o pelo combate \u00e0 pobreza e \u00e0 exclus\u00e3o. Ser\u00e1? Quando o Or\u00e7amento parece destacar a intensifica\u00e7\u00e3o de medidas de apoio \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0s empresas e uma op\u00e7\u00e3o (definitiva?) pelo envolvimento da comunidade no combate a algumas formas de exclus\u00e3o e no apoio \u00e0s fam\u00edlias, \u00e0s crian\u00e7as e aos idosos, atrav\u00e9s das suas institui\u00e7\u00f5es, nomeadamente das institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social, inequivocamente tem aspectos positivos, que devem ser sublinhados e aprofun-dados para que n\u00e3o haja recuo. Positivo \u00e9, tamb\u00e9m, que a actualiza\u00e7\u00e3o salarial dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, no pr\u00f3ximo ano (eleitoral) seja superior \u00e0 previs\u00edvel taxa de infla\u00e7\u00e3o e que, no meio da crise, se suspenda, por um ano (o eleitoral), a marcha triunfal pela diminui\u00e7\u00e3o do deficit. Mas, em tempo de crise, o Or\u00e7amento nem \u00e9 t\u00e3o inovador, como poderia e deveria ser, nem vai t\u00e3o longe, como poderia e deveria ir.  As zonas mais deprimidas do pa\u00eds n\u00e3o s\u00e3o olhadas como se imporia, os bairros sociais continuam \u00e0 espera de medidas que h\u00e1 muito se impuseram e um sinal de pol\u00edtica correctiva dos vencimentos salariais continua adiada (indefinidamente?) quando se insiste numa actualiza\u00e7\u00e3o uniformemente percentual.  Talvez estivessem reunidas algumas condi\u00e7\u00f5es para enfrentar tais situa\u00e7\u00f5es e estar-se-ia a dar sinais luminosos para um futuro mais harm\u00f3nico e justo que n\u00e3o deixariam de contribuir para minorar os efeitos de uma crise que parece que, inevitavelmente, nos acompanhar\u00e1 pelo ano fora e que poder\u00e1 conhecer significativos agravamentos com o aumento do desemprego e do n\u00famero dos novos pobres cujo vencimento \u00e9 previamente \u201ccomido\u201d por um endividamento excessivo e inultrapass\u00e1vel. Concretamente, a correc\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia para a actualiza\u00e7\u00e3o, uniformemente percentual de vencimento salarial, seria um sinal de que, ao menos entre n\u00f3s, se reconhece que o fosso entre os poucos que ganham muito e os muitos que ganham pouco se acentua quando e sempre que a justi\u00e7a e a moralidade s\u00e3o ignoradas.  <i>Lino Maia, presidente da CNIS  <i>Foto: Lusa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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