{"id":34784,"date":"2008-10-21T10:35:06","date_gmt":"2008-10-21T10:35:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/21\/dar-voz-aos-pobres-para-erradicar-a-pobreza\/"},"modified":"2008-10-21T10:35:06","modified_gmt":"2008-10-21T10:35:06","slug":"dar-voz-aos-pobres-para-erradicar-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dar-voz-aos-pobres-para-erradicar-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Dar voz aos pobres para erradicar a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz organiza audi\u00e7\u00e3o p\u00fablica para olhar directamente para o fen\u00f3meno da pobreza <!--more--> \u00c9 este o tema escolhido para a Audi\u00e7\u00e3o P\u00fablica que a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz leva a efeito no pr\u00f3ximo dia 8 de Novembro, com o apoio de cerca de duas dezenas de outras entidades, igualmente empenhadas na erradica\u00e7\u00e3o deste terr\u00edvel flagelo que, cada dia, continua a afectar, em todo o Mundo, muitos milh\u00f5es de seres humanos. Em Portugal, estima-se que esse n\u00famero andar\u00e1 pelos dois milh\u00f5es ou seja 18% da popula\u00e7\u00e3o residente no nosso Pa\u00eds (dados reportados a 2005, os \u00faltimos dispon\u00edveis!).  Falar de pobreza \u00e9 falar de fome, morte antes de tempo, doen\u00e7a sem tratamento, falta de habita\u00e7\u00e3o condigna, insuficiente acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao conhecimento, inseguran\u00e7a, perda de liberdade, aus\u00eancia de projecto de vida e horizonte de futuro. \u00c9 tamb\u00e9m, tantas vezes, falar de estigma social, segrega\u00e7\u00e3o social, perda de auto-estima, falta de afecto e desafilia\u00e7\u00e3o social. Nunca, como hoje, a Humanidade, no seu conjunto, disp\u00f4s de tantos recursos materiais, de conhecimento e tecnologia, de organiza\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, o que torna ainda menos toler\u00e1vel que tais recursos n\u00e3o sejam empregues, com prioridade absoluta, na satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas de todos. Exige-o a dignidade da pessoa humana. Reclamam-no tamb\u00e9m a prossecu\u00e7\u00e3o de objectivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel e a constru\u00e7\u00e3o de sociedades dotadas de coes\u00e3o social, bases de sustenta\u00e7\u00e3o de uma paz duradoura.  Trata-se de um desafio que questiona os fundamentos em que assenta a economia contempor\u00e2nea e, nomeadamente, o sistema financeiro que a alimenta e, obviamente, remete para o poder pol\u00edtico e as op\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de pol\u00edtica p\u00fablica que venha a fazer. Interpela, igualmente, as pr\u00f3prias empresas e seus dirigentes na sua qualidade de actores sociais relativamente ao seu desempenho de responsabilidade social. Desafia a sociedade civil como um todo e requer organiza\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o social \u00e0 altura de uma cidadania respons\u00e1vel.  Pelo lugar que ocupa na sociedade e a miss\u00e3o prof\u00e9tica que lhe foi confiada, a Igreja tem de estar na linha da frente deste combate pela erradica\u00e7\u00e3o da pobreza. Em primeiro lugar, atrav\u00e9s do empenhamento, l\u00facido e corajoso, dos pr\u00f3prios crist\u00e3os e a sua presen\u00e7a na economia, na sociedade ou na pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s do testemunho das obras que realiza para prevenir e erradicar a pobreza. Nas condi\u00e7\u00f5es actuais de desenvolvimento e abund\u00e2ncia de bens, a pobreza \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos \u2013 direitos de liberdade, cidadania e participa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m, direitos econ\u00f3micos e sociais, indissoci\u00e1veis dos primeiros. Em Resolu\u00e7\u00e3o de 3 Julho \u00faltimo, a Assembleia da Rep\u00fablica declarou, por unanimidade, que a pobreza conduz \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Gostaria de ter visto uma afirma\u00e7\u00e3o mais firme, ou seja a declara\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de que a pobreza \u00e9 viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, tal como era solicitado na Peti\u00e7\u00e3o que esteve na origem daquela Resolu\u00e7\u00e3o e foi subscrita pela Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz tendo recolhido mais de 23 mil assinaturas. Ainda assim, n\u00e3o podemos deixar de assinalar o alcance da posi\u00e7\u00e3o tomada por este \u00d3rg\u00e3o de Soberania, pois ela abre caminho a n\u00edveis mais exigentes de empenhamento pol\u00edtico e, de algum modo, aponta tamb\u00e9m \u00e0 sociedade civil horizontes de uma cultura de maior justi\u00e7a e solidariedade.  \u00c9 neste contexto que vai realizar-se a Audi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo dia 8 de Novembro. Desejamos que ela sirva para dar voz aos pr\u00f3prios pobres, que seja espa\u00e7o para que possam expressar-se e, por outro lado, para que os n\u00e3o-pobres possam escutar os testemunhos do que significa ser pobre, como se chega e por que se chega a situa\u00e7\u00f5es de pobreza e como \u00e9 que os pobres olham para as sa\u00eddas poss\u00edveis (ou imposs\u00edveis!) que se lhes deparam para vencer a pobreza. Queremos acreditar que, escutando a voz dos pobres, se desvanecer\u00e3o alguns preconceitos enraizados na mentalidade dos portugueses que estigmatizam os mais pobres, sustentam atitudes e comportamentos de falta de justi\u00e7a e equidade e est\u00e3o na origem de posi\u00e7\u00f5es de avers\u00e3o a pol\u00edticas sociais mais ambiciosas. Com esta Audi\u00e7\u00e3o queremos ainda abrir caminho a que pobres e n\u00e3o-pobres se reconhe\u00e7am como actores sociais, solid\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e mais fraterno onde a pobreza (tal como outrora a peste ou a tortura) s\u00f3 tenha lugar nos comp\u00eandios de hist\u00f3ria, como mem\u00f3ria do passado.   <i>Manuela Silva, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz organiza audi\u00e7\u00e3o p\u00fablica para olhar directamente para o fen\u00f3meno da pobreza<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[189,191,193,314],"class_list":["post-34784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-educacao","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}