{"id":347664,"date":"2024-11-07T09:15:06","date_gmt":"2024-11-07T09:15:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=347664"},"modified":"2024-11-05T11:17:12","modified_gmt":"2024-11-05T11:17:12","slug":"as-chamas-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-chamas-na-cidade\/","title":{"rendered":"As chamas na cidade!"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Santos Cabral, Diocese de Coimbra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266640 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>De repente despert\u00e1mos para uma realidade pungente que pens\u00e1vamos existir apenas noutras latitudes e longitudes. Adormecidos pela sensa\u00e7\u00e3o, porventura menos correcta, de que vivemos num pa\u00eds com um elevado n\u00edvel de seguran\u00e7a, olhamos com perplexidade para a eclos\u00e3o de uma onda de viol\u00eancia que ocorreu em locais que se encontram, tantas vezes, t\u00e3o pr\u00f3ximos de n\u00f3s. Nas chamas crepitantes dos ve\u00edculos a arder visualizamos, com receio, as sombras do futuro numa sociedade assim\u00e9trica e cheia de contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tal como no nosso pa\u00eds, o aparecimento de convuls\u00f5es urbanas, surgindo como sintoma de uma sociedade em crise, ocorreu em v\u00e1rios pa\u00edses europeus ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Deslocou-se dos bairros de Paris para as ruas de Washington, passando por Londres e, para al\u00e9m do conflito social, geraram uma imensa destrui\u00e7\u00e3o e a perda de vidas humanas. Tratando-se de um fen\u00f3meno transversal, que evidencia as contradi\u00e7\u00f5es existentes numa comunidade em conflito, desde h\u00e1 muitos anos o mesmo atrai a aten\u00e7\u00e3o de soci\u00f3logos e criminologistas, procurando encontrar as suas causas. Da relev\u00e2ncia do ambiente at\u00e9 \u00e0 import\u00e2ncia da aprendizagem no grupo criminoso, passando pela teoria da anomia, os contributos sucederam-se e, porventura, s\u00f3 uma perspectiva global permitir\u00e1 uma vis\u00e3o mais precisa da raz\u00e3o de ser de um evento t\u00e3o grave como \u00e9 a \u201crevolta urbana\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, estamos em crer que, para al\u00e9m da correc\u00e7\u00e3o de tais an\u00e1lises, o vandalismo que cresce nas nossas cidades, e do qual os acontecimentos recentes s\u00e3o um indicio lancinante, existe ainda uma outra raz\u00e3o mais profunda e que se resume na crise de valores que atravessam as sociedades ocidentais. Na verdade,\u00a0 j\u00e1 no inicio deste s\u00e9culo, e olhando o futuro, antevia Habermas uma crise de todo o Ocidente, incluindo da Europa. Para que tal efectivamente emergisse em pleno sucederam-se o colapso das tradi\u00e7\u00f5es, e a aus\u00eancia de um sentido global da vida, de crit\u00e9rios \u00e9ticos e morais e a falta de objectivos e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos tempos que correm muitos j\u00e1 n\u00e3o sabem como optar perante escolhas fundamentais ou quais os valores devem balizar o seu rumo de vida. As antigas refer\u00eancias e valores,\u00a0 funcionando como b\u00fassola \u00e9tica e moral, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o \u00fateis e, de uma forma global, impera \u00a0uma crise de orienta\u00e7\u00e3o em que a frustra\u00e7\u00e3o, o medo e a ansiedade pelo futuro se conjugam com novas, e fracturantes, formas de idealizar a sociedade e o Mundo. Por muito que tal nos custe constatar estamos confrontados com uma aus\u00eancia de sentido de vida e de valores, que n\u00e3o s\u00f3 afecta os indiv\u00edduos, mas constitui, tamb\u00e9m, um problema pol\u00edtico de enorme magnitude.<\/p>\n<p>Paralelamente, multiplicam-se os exemplos de situa\u00e7\u00f5es em que a ambi\u00e7\u00e3o pelo poder e a ansia pelos bens materiais impelem alguns a ultrapassar todos os imites e regras,\u00a0 sobressaindo o pior de si mesmos para alcan\u00e7ar o seu objetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise fria, e desapaixonada, dos acontecimentos dos \u00faltimos dias permite, ainda, evidenciar alguns aspectos que merecem a nossa aten\u00e7\u00e3o como cidad\u00e3os preocupados. Efectivamente, uma vez mais importa focar o papel negativo de alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o e, nomeadamente, de algumas esta\u00e7\u00f5es televisivas. Perante os nossos olhos emergiu a televis\u00e3o-espect\u00e1culo que, numa constante repeti\u00e7\u00e3o, \u00a0emitiu as imagens mais dram\u00e1ticas de viol\u00eancia em que a anarquia se conjugava com a desorienta\u00e7\u00e3o e a desordem. Numa competi\u00e7\u00e3o, sem regras e crit\u00e9rios, procurou-se transmitir as imagens mais impactantes e aptas para gerar estados de alma e alimentar tens\u00f5es e puls\u00f5es irracionais. Num inultrapass\u00e1vel mimetismo alimentaram novos fogos,<\/p>\n<p>Igualmente se mobilizaram-se os comentadores de servi\u00e7o e os pol\u00edticos carentes de protagonismo medi\u00e1tico que, a maior parte das vezes \u00e0 margem de factos, especularam sobre uma realidade que desconheciam e sem o m\u00ednimo de pudor, condenaram e absolveram consoante a sua\u00a0 orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. O respeito pela dignidade daqueles que sofrem e a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia foram uma terra de ningu\u00e9m para esta gente que tem sempre garantida uma c\u00e2mara ou um microfone.<\/p>\n<p>Este \u00e9, na verdade um tempo dif\u00edcil em que olhamos com perplexidade o Mundo que nos rodeia. Por\u00e9m, importa ter alguma esperan\u00e7a pois que, como afirma Francisco na sua\u00a0 enc\u00edclica, \u201cDilexit Nos\u201d o mundo pode mudar a partir do cora\u00e7\u00e3o e esta deve ser a b\u00fassola para &#8220;aprendermos a caminhar juntos em dire\u00e7\u00e3o a um mundo justo, solid\u00e1rio e fraterno&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Santos Cabral, Diocese de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266640,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-347664","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/347664","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=347664"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/347664\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=347664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=347664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=347664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}