{"id":3476,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/natal-e-sempre-curto\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"natal-e-sempre-curto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-e-sempre-curto\/","title":{"rendered":"Natal \u00e9 sempre curto"},"content":{"rendered":"<p>Rui Falc\u00e3o, Empres\u00e1rio Multim\u00e9dia <!--more--> Pergunta-me o rep\u00f3rter intrigado porque se antecipa o Natal? Porque a dois meses do dia respectivo, j\u00e1 se movimentaram luzes, cores, cheiros, cam-panhas&#8230; Ser\u00e1 tudo isso t\u00e3o somente fruto do marketing (empresarial, pol\u00edtico, pessoal&#8230;) e dos objectivos da publicidade? Ser\u00e1 que todo este ambiente \u00e9 constru\u00eddo (e se deixa construir) apenas porque a onda consumista \u00e9 afinal o essencial de todo esse esp\u00edrito&#8230; ou haver\u00e1 algo mais? Porque me perguntas a mim e me pedes para responder? Deixa-me dizer-te rep\u00f3rter que aprecio a tua metodologia de trabalho, esse perguntar constante \u00e0 procura de respostas e outras quantas novas e melhores perguntas.  Come\u00e7ei esse per\u00edodo de dois meses de que falas por assistir a uma missa onde o Senhor Padre comentava um estudo sobre os europeus que dizia \u201cos portugueses s\u00e3o o povo mais triste da Euro-pa\u201d&#8230;e ele acrescentava &#8211; Existe aqui qualquer coisa de contradit\u00f3rio porque os portugueses s\u00e3o bastante cat\u00f3licos e santos tristes s\u00e3o tristes santos&#8230; e j\u00e1 sentia rep\u00f3rter no teu ar a perguntar. Porqu\u00ea amigo, porque andam tristes os portugueses? Ligo a televis\u00e3o. Durante a tarde, no aconchego da minha sala quente, aprecio as interven\u00e7\u00f5es dos nossos l\u00edderes pol\u00edticos. Lamento o tom&#8230; o costume. Interven\u00e7\u00f5es pautadas por crit\u00e9rios de maledic\u00eancia, intrigas e acusa\u00e7\u00f5es de supostas intencionalidades pouco claras. Mal o governo entra em cena e anuncia uma determinada medida recebe de imediato a oposi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, feroz e sistem\u00e1tica. Se o governo comenta a oposi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o de esperar elogios, por muito que as interven\u00e7\u00f5es possam ser construtivas. Regras de boa educa\u00e7\u00e3o nos debates? A velocidade das interven\u00e7\u00f5es e as interrup\u00e7\u00f5es s\u00e3o tantas&#8230; recordo-me que os meus pais me ensinaram a n\u00e3o interromper quando algu\u00e9m fala&#8230; o que nos ensinam nestes debates? As justifica\u00e7\u00f5es do calor, do entusiasmo da discuss\u00e3o, convencem algu\u00e9m? Sabes que fiz rep\u00f3rter? Pedi desculpa interiormente aos bons pol\u00edticos e \u00e0 boa pol\u00edtica, desliguei dos pol\u00edticos porque polui\u00e7\u00e3o j\u00e1 me chega a do ar que respiro. Desligo a televis\u00e3o.  Ligo o r\u00e1dio. Depois de alguma m\u00fasica, um debate sobre o estado da economia&#8230; e mais uma vez com um clima acusat\u00f3rio, de cr\u00edtica mesquinha e insuport\u00e1vel, sindicatos, patr\u00f5es, amea\u00e7as e uma vez mais insinua\u00e7\u00f5es de supostas intencionalidades pouco claras. Falta de produtividade. Baixas fraudulentas. Empresas em agonia. M\u00e1 gest\u00e3o. Agress\u00f5es em forma de palavras. V\u00f3mitos de insultos. Radicalismo, di\u00e1logo de surdos e sobretudo, muito pouco Bom Senso. Pedi desculpa interiormente aos patr\u00f5es \u00e9ticos e aos sindicalistas respons\u00e1veis. Desligo o r\u00e1dio. Entro no est\u00e1dio. A festa prometia. Um est\u00e1dio novo a inaugurar. Luzes e Multim\u00e9dia&#8230; o cheiro a novo das cadeiras, as fam\u00edlias com cachec\u00f3is e bandeiras e aquela ansiedade t\u00edpica dos grandes momentos, a procura dos lugares, as entradas, o cheiro das bifanas quentes, a m\u00fasica entusiasmante, um jogo amig\u00e1vel. De repente um assobio monumental. Olhei estarrecido para o relvado&#8230; tr\u00eas homens de preto faziam exerc\u00edcios de aquecimento. Ainda nem sequer sab\u00edamos o seu nome, e o homem n\u00e3o tinha tocado no apito j\u00e1 era alarvemente insultado. Quase n\u00e3o queria acreditar no que ouvia&#8230; Passados alguns momentos entrou a selec\u00e7\u00e3o grega. Outro enorme coro de assobios, \u00e0 minha volta duas ou tr\u00eas pessoas aplaudiam. Estarreci! Como \u00e9 poss\u00edvel entrar a equipa estrangeira para um jogo amig\u00e1vel e recebe-la com protestos? Pensei que algu\u00e9m teria dito que os portugueses eram hospitaleiros e sabiam receber bem. Depois come\u00e7a o jogo e o resto da hist\u00f3ria j\u00e1 o rep\u00f3rter sabe e escreveu sobre ela&#8230; cinco minutos de jogo e a pr\u00f3pria selec\u00e7\u00e3o portuguesa assobiada e vaiada. Apoio nos bons e maus momentos. Que curta est\u00e1 a nossa paix\u00e3o. Se isto \u00e9 festa&#8230; eu sou o Pai Natal. Saio do est\u00e1dio. E olhando perplexo para este caldo de cultura borburante, perguntas-me outra vez rep\u00f3rter, porque achas que as pessoas querem antecipar o Natal? Deixa-me dizer-te assim rep\u00f3rter, sem rodeios e com a alma na m\u00e3o. O Natal \u00e9 Deus t\u00e3o gr\u00e1fico, t\u00e3o pr\u00f3ximo, t\u00e3o express\u00e3o de uma vida bela que todos levamos dentro&#8230; Gosto do Natal sinal de esperan\u00e7a que o futuro vai correr melhor e que o passado pode ser revisto e perdoado. Podes rir-te rep\u00f3rter, mas gosto do Natal Urbano de Londres, das ruas iluminadas e das lojas com produtos incrivelmente fant\u00e1sticos. Gosto dos teatros e dos concertos \u00e0 volta da Trafalgar Square&#8230; e do frio cortante que nos silva o rosto, misturado com o cheiro das fish and chips&#8230; Fazem-me sentir vivo e expectan-te para o futuro. \u00c0 tanta coisa por descobrir, por fazer, por experimentar de novo. Podes ainda sorrir-te rep\u00f3rter quando digo que tamb\u00e9m gosto do Natal Rural de Tr\u00e1s-os-Montes, do voltar tardio dos campos, quando a magia do fumo que sai das chamin\u00e9s das casas de pedra e o cheiro intenso e caracter\u00edstico da madeira a queimar nas lareiras nos faz ver o lado simples, aconchegante e compreens\u00edvel da vida.  Gosto do Natal da saudade dos emigrantes. (Dizia-me h\u00e1 dias um emigrante portugu\u00eas no Luxemburgo) O Natal em Portugal tem alma. S\u00e3o as luzes, a m\u00fasica calma nas ruas, o cheiro quente das castanhas. A fam\u00edlia que se junta ( e porque se junta, percebe o sentido porque \u00e0s vezes se separa). Gosto meu amigo rep\u00f3rter de, no Natal, ir \u00e0 conversa na rua com Deus, perguntando-Lhe com vais, como vou, num tete-a-tete tranquilo de grandes amigos.  E agora vais mesmo rir-te, mas n\u00e3o me leves a mal, gosto de um Natal onde as crian\u00e7as brincam aos senhores padres, \u00e0s missas e \u00e0s prociss\u00f5es, reinventando gestos, formas e lugares, actualizando linguagens dos nossos cultos e ora\u00e7\u00f5es, t\u00e3o inocentemente belas e inspiradas. Gosto de um Natal com uma boa Missa de Ac\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as que nos enche por dentro e nos deixa o cora\u00e7\u00e3o em festa.  Gosto de um Natal onde existe espa\u00e7o para os mais pobres e gosto de ver em fam\u00edlias inteiras gestos e inten\u00e7\u00f5es renovadas de fugir ao consumismo e de doar o equivalente das prendas dos amigos e das suas pr\u00f3prias (com excep\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as) \u00e0 Casa do Gaiato ou \u00e0 C\u00e1ritas. Gosto de um Natal com espa\u00e7o para dois, em que posso olhar nos olhos da minha mulher e dizer-lhe (olhos nos olhos) que a amo, e que voltaria a casar com ela, apesar de tudo, e o tudo \u00e9 tanta coisa. H\u00e1 tantos Natais. Tantos lados positivos. Tanto Natal por descobrir! Tanto Natal por contar.  Mas tu insiste rep\u00f3rter amigo na pergunta: Porque parecem querer as pessoas antecipar o Natal? Ser\u00e1 s\u00f3 a for\u00e7a do marketing? E, amigo rep\u00f3rter, deixa-me dizer-te \u201cainda bem que insistes\u201d.  Rui Falc\u00e3o, Empres\u00e1rio Multim\u00e9dia <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Falc\u00e3o, Empres\u00e1rio Multim\u00e9dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[125,154,191,193,206,222,267],"class_list":["post-3476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-caritas","tag-crianca","tag-economia","tag-educacao","tag-familia","tag-hospitalidade","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}