{"id":3475,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-natal-esta-mal-mas-recomenda-se\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-natal-esta-mal-mas-recomenda-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-esta-mal-mas-recomenda-se\/","title":{"rendered":"O Natal est\u00e1 mal, mas recomenda-se"},"content":{"rendered":"<p>Fernando Micael Pereira, professor da UCP, conversa com a Ag\u00eancia ECCLESIA sobre os \u201ctempos\u201d e os \u201cdestempos\u201d da festa do Natal <!--more--> Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Os s\u00edmbolos e as decora\u00e7\u00f5es natal\u00edcias chegaram esta ano ainda mais cedo, quase que se diria a destempo. N\u00e3o o choca esta situa\u00e7\u00e3o? Micael Pereira \u2013 Sim e n\u00e3o. Sim, porque parte desses sinais est\u00e3o associados a mitos que n\u00e3o fazem grande sentido, hist\u00f3rias de publicidade que apostam sobretudo na criatividade como se esta fosse o \u00fanico valor. L\u00e1 serem bizarros s\u00e3o&#8230; Esta situa\u00e7\u00e3o provoca uma dispers\u00e3o, perverte o sentido do Natal mesmo para um comerciante, tal \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o. Assim, a festa chega cedo e, sobretudo, chega mal.  AE \u2013 E o lado positivo desta antecipa\u00e7\u00e3o? MP \u2013 Julgo que \u00e9 extremamente importante o que se est\u00e1 a passar em termos de ilumina\u00e7\u00f5es, de suportes decorativos, porque est\u00e3o a criar em termos p\u00fablicos o \u201ctempo\u201d do Natal, um tempo longo que pode corresponder, por exemplo, ao Advento embora n\u00e3o tenha uma demarca\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Quer sob o ponto de vista crist\u00e3o, quer sob o ponto de vista humano, tem muito sentido a cria\u00e7\u00e3o destes \u201ctempos\u201d, dos quais apenas existem o Natal e as f\u00e9rias. Ali\u00e1s, perante esta manifesta insufici\u00eancia n\u00e3o estou a ver nenhuma entidade que tenha capacidade de criar \u201ctempos\u201d \u2013 uma vida alternativa, um ambiente diferente que n\u00e3o passe apenas pelo com\u00e9rcio.  AE \u2013 Nem a Igreja? MP &#8211; Em termos crist\u00e3os a Igreja precisa, mais uma vez, de cristianizar e aproveitar a visibilidade do Natal para refor\u00e7ar a sua mensagem e perceber a sensibilidade actual.  H\u00e1 vertentes do Natal que podem ser aproximadas de Cristo, mas que fazem sentido para as pessoas de hoje sem refer\u00eancia a Cristo. S\u00e3o vectores humanos cristianiz\u00e1veis, por assim dizer.  AE \u2013 \u00c9 curioso, contudo, que a festa de Natal tenha perdido parte significativa do seu conte\u00fado religioso? MP \u2013 Perdeu e n\u00e3o foi por acaso. Eu julgo que houve campanhas ideol\u00f3gicas bastantes importantes, primeiro falando da fam\u00edlia, depois a outros t\u00edtulos, cujo fim era destruir a festa do Natal. Estas coisas n\u00e3o se corrompem espontaneamente e \u00e9 preciso ter em conta que a situa\u00e7\u00e3o actual tem muito a ver com campanhas laicas. Hoje isso desapareceu e h\u00e1 campanhas \u201cpatetas\u201d, com mitos sem sentido: compreender\u00e1 que uma garrafa com chifres de rena n\u00e3o \u00e9 propriamente uma proposta muito profunda, nem sequer l\u00fadica, \u00e9 um bocado louco.  AE \u2013 Apesar de tudo, \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar nas pessoas a necessidade de uma festa com valores positivos? MP \u2013 Em todas as \u00e9pocas houve festas a comemorar as grandes refer\u00eancias, o ano tem de ser pontuado por esses momentos. O Natal est\u00e1 na cidade a ser uma festa da luz, por exemplo, como nunca foi, por causa das ilumina\u00e7\u00f5es, e seria necess\u00e1rio passar da luz aos pres\u00e9pios, \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 iconografia, estimulando as autoridades locais a faz\u00ea-lo, com benef\u00edcio para todos.  Uma outra simbologia \u00e9 a passagem da compra obsessiva \u00e0 permuta: fazer apelo \u00e0 solidariedade, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es familiares, os ritos de escolher a prenda para aquela pessoa precisa \u2013 mesmo os que est\u00e3o mais distantes, o que fica claro no trabalho que temos para escolher algo para eles. Tudo isto tem contrapartidas, como a compra compulsiva e a imposi\u00e7\u00e3o de objectos de moda, um lado n\u00e3o agrad\u00e1vel que n\u00e3o me leva, contudo, a ver o Natal apenas como consumismo.  AE \u2013 Continua a acreditar, portanto, que \u00e9 poss\u00edvel recolocar Jesus Cristo no centro da celebra\u00e7\u00e3o natal\u00edcia? MP \u2013 Eu penso que sim, desde que n\u00e3o tentemos remar demasiadamente contra a mar\u00e9 e evitemos den\u00fancias moralistas que n\u00e3o fazem nada. \u00c9 preciso conhecer quais s\u00e3o os s\u00edmbolos actuais, que correspondem \u00e0s necessidades actuais, e tentar reencaminh\u00e1-los para o grande s\u00edmbolo que \u00e9 o nascimento do Homem-Deus, o seu despojamento.  AE \u2013 Seria preciso que os crist\u00e3os evitem dizer que o Natal \u00e9 todos os dias, ent\u00e3o? MP \u2013 Precisamos de varia\u00e7\u00e3o ao longo do ano e uma das boas maneiras de derreter o Natal \u00e9 dizer que ele acontece todos os dias ou que a sua comemora\u00e7\u00e3o \u00e9 indiferente. Uma atitude dessas, por parte dos crist\u00e3os, \u00e9 suicid\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Micael Pereira, professor da UCP, conversa com a Ag\u00eancia ECCLESIA sobre os \u201ctempos\u201d e os \u201cdestempos\u201d da festa do Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[100,206,211,267,289,314,321],"class_list":["post-3475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-advento","tag-familia","tag-ferias","tag-natal","tag-presepios","tag-solidariedade","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}