{"id":347167,"date":"2024-10-30T16:41:57","date_gmt":"2024-10-30T16:41:57","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=347167"},"modified":"2024-11-01T21:34:09","modified_gmt":"2024-11-01T21:34:09","slug":"saude-ha-dores-grandes-demais-para-nos-chegarem-inteiras-e-e-preciso-normalizar-perdas-e-o-luto-ricardo-fernandes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saude-ha-dores-grandes-demais-para-nos-chegarem-inteiras-e-e-preciso-normalizar-perdas-e-o-luto-ricardo-fernandes\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade: \u00abH\u00e1 dores grandes demais para nos chegarem inteiras\u00bb e \u00ab\u00e9 preciso normalizar perdas e o luto\u00bb &#8211; Ricardo Fernandes"},"content":{"rendered":"<p><em>Especialista em cuidados paliativos e em luto, e enfermeiro na Casa de sa\u00fade da Idanha, lamenta distor\u00e7\u00f5es sobre cuidados paliativos que persistem na sociedade e atrasam desenvolvimento m\u00e9dico na \u00e1rea<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_347155\" aria-describedby=\"caption-attachment-347155\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/ricardo-fernandes3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-347155 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/ricardo-fernandes3.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/ricardo-fernandes3.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/ricardo-fernandes3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/ricardo-fernandes3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/ricardo-fernandes3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/ricardo-fernandes3-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-347155\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 30 out 2024 (Ecclesia) \u2013 Ricardo Fernandes, enfermeiro especialista em sa\u00fade mental e psiquiatria, a trabalhar em cuidados paliativos e na \u00e1rea do luto, explica haver \u201cprocessos de perda muito dif\u00edceis\u201d e afirma ser preciso \u201cnormalizar viv\u00eancias de perda e de luto\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu costumo dizer que h\u00e1 dores que s\u00e3o grandes demais para nos chegarem inteiras e, portanto, chegam-nos a v\u00e1rios tempos, ao longo de toda uma vida, se calhar. E o que \u00e9 importante \u00e9 perceber como \u00e9 que a pessoa tolera esta dor e como \u00e9 que a pessoa vai integrando ao longo do tempo que tem \u2013 que pode n\u00e3o fixar-se em seis meses ou um ano ap\u00f3s a perda\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Enfermeiro h\u00e1 16 anos, a conciliar a doc\u00eancia no Instituto Polit\u00e9cnico de Set\u00fabal h\u00e1 10, Ricardo Fernandes, tendo passado pela \u00e1rea intensiva e cedo manifestado interesse em cuidados paliativos, percebeu que a \u201cperda estava sempre presente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFui percebendo que a perda em cuidados paliativos estava l\u00e1 sempre, todos os dias, n\u00e3o necessariamente a perda concreta e real de algu\u00e9m, mas perdas funcionais associadas \u00e0 progress\u00e3o da doen\u00e7a, perdas de expectativas, perdas de esperan\u00e7a tamb\u00e9m. E havia muita necessidade de amparar esta perda e de ajudar o outro a integr\u00e1-la no seu dia-a-dia, no seu percurso &#8211; n\u00e3o s\u00f3 a pr\u00f3pria pessoa que experimenta a progress\u00e3o natural da doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m os seus familiares que v\u00e3o antecipando esta perda\u201d, explicita.Cuidados Sa\u00fade<\/p>\n<p>O especialista fala em \u201cdistor\u00e7\u00f5es\u201d sobre cuidados paliativos \u2013 que se destinam a quem est\u00e1 a morrer e que a forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria se resume a empatia e humanismo.<\/p>\n<p>\u201cA sociedade acredita que cuidados paliativos destinam-se a pessoas que est\u00e3o a morrer, mas \u00e9 preciso dizer que os cuidados s\u00e3o para que as pessoas que est\u00e3o a viver e com vontade de viver\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Ricardo diz que a morte \u201c\u00e9 r\u00e1pida\u201d mas at\u00e9 esse momento acontecer \u201ch\u00e1 muito para fazer e viver\u201d: \u201cOs avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e a medicina foram esquecendo que morr\u00edamos e por isso h\u00e1 um desinvestimento nos cuidados paliativos, ligados a um estigma; s\u00e3o necess\u00e1rios espa\u00e7os onde se possa falar sobre isto, sobre a vulnerabilidade, sobre o sofrimento\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm cuidados paliativos parece que \u00e9 apenas preciso uma voca\u00e7\u00e3o e empatia; \u00e9 preciso muito conhecimento t\u00e9cnico, te\u00f3rico, cient\u00edfico, tamb\u00e9m para reconhecer como \u00e9 que este sofrimento pode ser aliviado, que tipo de interven\u00e7\u00f5es farmacol\u00f3gicas e n\u00e3o farmacol\u00f3gicas aplicar, como \u00e9 que a equipa multidisciplinar se tem que organizar e se tem que construir e reconstruir para dar resposta a estas pessoas, porque n\u00e3o o fazemos sozinhos\u201d, explica o enfermeiro a trabalhar nesta \u00e1rea h\u00e1 16 anos, na Casa de Sa\u00fade da Idanha, das Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>A equipa multidisciplinar desenvolve tamb\u00e9m a consulta do luto, destinada a p\u00fablicos distintos, onde a abordagem pode ser de \u201cum luto antecipat\u00f3rio ou preparat\u00f3rio\u201d quer tenham sido pacientes e familiares de pessoas assistidas na unidade ou que precisem de acompanhamento e o procurem, onde abordagens sobre a promo\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a dos pequenos gestos, \u201co facilitar a presen\u00e7a de familiares junto da pessoa n\u00e3o olhando a hor\u00e1rios\u201d, a promo\u00e7\u00e3o da espiritualidade, \u201cpaliar sintomas adequadamente para que n\u00e3o haja sofrimento do pr\u00f3prio e n\u00e3o se perceba sofrimento no familiar\u201d, ou simplesmente \u201capanhar sol\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o notamos o qu\u00e3o bom \u00e9 apanhar o sol na cara, n\u00e3o \u00e9? Porque estamos distra\u00eddos e envolvidos nas rotinas, nas quest\u00f5es que j\u00e1 temos asseguradas. Eu consigo apanhar o sol na cara todos os dias, mas para quem esteja privado e isso pode ser uma grande conquista\u201d, explica.<\/p><\/blockquote>\n<p>O espa\u00e7o para \u201ctodas as perguntas\u201d que, indica, \u201cs\u00e3o mais importantes que as respostas\u201d, \u00e9 a forma de o paciente integrar o processo que atravessa.<\/p>\n<p>\u201cImportam sempre mais as perguntas do que as respostas porque nos p\u00f5em a refletir e a movemo-nos em dire\u00e7\u00e3o a qualquer coisa, nem que seja, porque nos abre a hip\u00f3tese de conversar sobre. O que \u00e9 que o assusta realmente? Tem medo de ser esquecido? Como \u00e9 que quer ser lembrado? O que \u00e9 que gostava de deixar em termos de legado ao outro?\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>Estrat\u00e9gias como a \u201cterapia da dignidade\u201d permitem que o paciente se conte num registo sonoro que mais tarde vai ser entregue a quem o desejar: \u201c\u00c9 muito libertador. H\u00e1 palavras que nos dizem mas h\u00e1 tamb\u00e9m sil\u00eancios que n\u00e3o deve ser ocupado com muitas perguntas, muitas respostas e conceitos\u201d.<\/p>\n<p>Ricardo Fernandes desenvolve ainda um podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/3Ffk6Ru6SKNobmHq3PvxqQ\">Porqu\u00ea \u00e9 que precisamos dos outros para sermos n\u00f3s<\/a>\u00bb que apresenta como um \u201clugar de di\u00e1logo que pretende gerar reflex\u00f5es e perspetivas sobre temas como a morte, a doen\u00e7a, a perda e o luto, em contraponto com as diversas dimens\u00f5es que a vida tem\u201d.<\/p>\n<p>O projeto apresenta \u201cdois eixos de interven\u00e7\u00e3o\u201d: \u201cJunto de cuidadores informais que elaboram lutos antecipat\u00f3rios, com perdas dif\u00edceis\u201d e tamb\u00e9m promover a \u201cliteracia em sa\u00fade mental na \u00e1rea da perda e do luto\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNunca foi inten\u00e7\u00e3o deste projeto vasculhar e expor a viv\u00eancia interna de cada pessoa, mas foi, sobretudo, normalizar viv\u00eancias para quem possa ouvir, perceba tamb\u00e9m que outros passam por isto. \u00c9 ecl\u00e9tico nos conte\u00fados, mas sempre pr\u00f3ximo destes temas dos cuidados paliativos, da perda, do luto\u201d, indica.<\/p><\/blockquote>\n<p>A conversa com o enfermeiro Ricardo Fernandes pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA, na Antena 1, pouco depois da meia-noite, ficando dispon\u00edvel no podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/alarga-a-tua-tenda\">Alarga a tua tenda<\/a>\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista em cuidados paliativos e em luto, e enfermeiro na Casa de sa\u00fade da Idanha, lamenta distor\u00e7\u00f5es sobre cuidados paliativos que persistem na sociedade e atrasam desenvolvimento m\u00e9dico na 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