{"id":346255,"date":"2024-10-28T09:44:16","date_gmt":"2024-10-28T09:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=346255"},"modified":"2024-10-28T11:55:10","modified_gmt":"2024-10-28T11:55:10","slug":"lusofonias-partiram-mas-ficaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-partiram-mas-ficaram\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Partiram, mas ficaram!"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/LUSOFONIAS-MissionariosInspiradores28-10.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-346256 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/LUSOFONIAS-MissionariosInspiradores28-10-1024x686.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"686\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/LUSOFONIAS-MissionariosInspiradores28-10-1024x686.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/LUSOFONIAS-MissionariosInspiradores28-10-388x260.jpg 388w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/LUSOFONIAS-MissionariosInspiradores28-10-768x515.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/LUSOFONIAS-MissionariosInspiradores28-10.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Outubro, m\u00eas mission\u00e1rio, com a aproxima\u00e7\u00e3o a Todos-os-Santos e aos Fi\u00e9is Defuntos, obriga-me a evocar a mem\u00f3ria de tantos homens e mulheres que marcaram (e marcam!) a minha vida com o seu testemunho de entrega a Deus e aos mais pobres. Devo confessar que, neste ano de 2024, Deus j\u00e1 chamou cinco mission\u00e1rios que t\u00eam lugar cativo no meu cora\u00e7\u00e3o. Foram meus confrades Espiritanos, com eles partilhei alguns dos momentos da minha vida e estou-lhes grato porque inspiraram a minha miss\u00e3o.<\/p>\n<p>O Irm\u00e3o Salvador Tom\u00e1s foi grande mission\u00e1rio em Angola, em duas etapas da sua vida, tendo-se sacrificado muito no Noviciado que ainda hoje est\u00e1 sediado na Miss\u00e3o do Munhino, nas periferias da grande cidade do Lubango. Foi um agricultor incans\u00e1vel em tempos dif\u00edceis de guerra e p\u00f3s-guerra, ajudando a encher a mesa da comunidade e apoiando muitas pessoas pobres que batiam \u00e0 porta da Miss\u00e3o. Foram desasseis intensos anos. Em Portugal, trabalhou muito em Braga (Frai\u00e3o) e Barcelos (Silva), vivi com ele largos anos em Lisboa e acabaria por falecer em Coimbra. Um homem cuja imagem de marca era a disponibilidade. No mesmo dia (4 de janeiro), faleceu em Godim \u2013 R\u00e9gua, o P. Francisco Fernandes Correia que dirigiu a Escola de Forma\u00e7\u00e3o de Professores no Cuima (Huambo) e, ap\u00f3s a independ\u00eancia de Angola, rumou ao Brasil onde foi mission\u00e1rio nas periferias do Rio de Janeiro, tendo exercido v\u00e1rios anos o mandato de Superior do Grupo dos Espiritanos portugueses. De regresso a Portugal, esteve v\u00e1rios anos no Fund\u00e3o e, por quest\u00f5es de sa\u00fade e idade, seria nomeado para Godim, onde viria a falecer.<\/p>\n<p>O P. Joaquim Ramos Seixas deixou-nos em agosto, com mais de cem anos. A sua primeira miss\u00e3o foi tamb\u00e9m em Angola, durante doze anos, tendo exercido a desafiante responsabilidade de p\u00e1roco da Catedral de Nova Lisboa. Numa das suas vindas a Portugal passar f\u00e9rias, foi-lhe pedido que fosse at\u00e9 Espanha substituir por um m\u00eas um confrade. Tal aconteceu em 1963\u2026 e nunca mais deixaria Espanha! Ali trabalhou mais de seis d\u00e9cadas! Foi o primeiro Superior Provincial dos Espiritanos em Espanha, mandato que repetiu v\u00e1rias vezes. Dedicou-se de alma e cora\u00e7\u00e3o ao estudo dos escritos dos Fundadores e da Hist\u00f3ria da Congrega\u00e7\u00e3o, tendo escrito milhares de p\u00e1ginas e publicado sete gordos volumes, o que de melhor h\u00e1 em l\u00edngua castelhana. Sempre que nos encontr\u00e1vamos, em Espanha ou em Portugal, era uma alegria. Ele tinha um humor muito fino e um olhar muito positivo sobre o mundo e a miss\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o. Encontrei-o a \u00faltima vez, j\u00e1 ele era centen\u00e1rio, e foi emocionante o abra\u00e7o que trocamos, pois eu pensei que ele j\u00e1 n\u00e3o me ia reconhecer, mas chamou-me pelo nome e soltou uma enorme gargalhada!<\/p>\n<p>O \u00faltimo a partir foi o P. Marcelino Lopes. Como os outros Espiritanos j\u00e1 referidos, tamb\u00e9m iniciou a sua vida mission\u00e1ria em Angola. Trabalhou sobretudo na Miss\u00e3o do Libolo (hoje Diocese do Sumbe) onde construiu e relan\u00e7ou algumas estruturas da Miss\u00e3o, mormente a Igreja, a Escola e a Resid\u00eancia dos Mission\u00e1rios. Era um homem bom e com muita capacidade de gest\u00e3o. Regressado a Portugal, geriu o Semin\u00e1rio da Torre d\u2019Aguilha e a Casa Provincial, sendo depois Ec\u00f3nomo Provincial dos Espiritanos. A administra\u00e7\u00e3o da Silva e do Frai\u00e3o seriam as suas \u00faltimas miss\u00f5es, at\u00e9 que as for\u00e7as foram partindo e integrou o Lar Anima Una onde viria a falecer. Recebeu-me em Lisboa em 1994 no meu regresso de Angola. Abracei-o em Frai\u00e3o dias antes da sua morte.<\/p>\n<p>O P. Ant\u00f3nio Moreira Loureiro\u00a0 &#8211; outro dos chamados por Deus este ano &#8211; foi, de todos, o que mais me marcou. Grande mission\u00e1rio, um homem cult\u00edssimo, viveu e trabalhou em Angola quase meio s\u00e9culo, antes e depois da independ\u00eancia. Ajudou a formar v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de padres e leigos, no Huambo e no Kuito-Bi\u00e9, as duas Dioceses onde viveu e trabalhou. Acolheu-me no Pa\u00e7o Episcopal do Kuito-Bi\u00e9, em 1989, quando cheguei a Angola. Nesse tempo, a pequena cidade ex-Silva Porto era \u2018um o\u00e1sis de paz no meio de um deserto de guerra\u2019 \u2013 como ele repetia vezes sem n\u00famero e eu pude constatar! Nesses tempos em que a fome era muita e a cidade estava cercada por militares da oposi\u00e7\u00e3o e por minas, ele trabalhava dia e noite para apoiar pastoralmente as \u00e1reas mission\u00e1rias a ele confiadas (Comunidades de F\u00e1tima, Katemo e Miss\u00e3o do Bi\u00e9). Mas tamb\u00e9m era o Vig\u00e1rio-Geral e Ec\u00f3nomo da Diocese, miss\u00f5es quase imposs\u00edveis naquele contexto. Aguentou a terr\u00edvel batalha que destruiu a cidade do Kuito em 1993 e ali permaneceu mais alguns anos. Nunca o vi agressivo ou desanimado, mas \u00a0sempre otimista e feliz, um verdadeiro mission\u00e1rio com uma f\u00e9 de transportar montanhas! Fui muito feliz na primeira miss\u00e3o que tive em Angola e muito o devo ao P. Ant\u00f3nio e ao Bispo de ent\u00e3o, D. Pedro Lu\u00eds Ant\u00f3nio, ambos j\u00e1 abra\u00e7ados pelo Pai. Regressou a Portugal para fazer hemodi\u00e1lise, trabalhou em Godim e faleceria no Lar Anima Una, em Braga.<\/p>\n<p>Em resumo: o melhor do mundo s\u00e3o as pessoas e a for\u00e7a da Miss\u00e3o depende muito do impacto causado pela vida e compromisso dos mission\u00e1rios. Estes cinco foram de elite. Obrigado!<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Partiram, mas ficaram!\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/0oWxp0dkcrWDHJaF1Hnu6h?si=M6mo4Bk8RzCnTWFKJK_9NQ&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":299394,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-346255","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346255\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}