{"id":346210,"date":"2024-10-27T09:30:12","date_gmt":"2024-10-27T09:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=346210"},"modified":"2024-10-24T15:12:51","modified_gmt":"2024-10-24T14:12:51","slug":"igreja-sinodo-pode-aproximar-se-no-seu-significado-daquilo-que-foi-o-concilio-vaticano-ii-d-virgilio-antunes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-sinodo-pode-aproximar-se-no-seu-significado-daquilo-que-foi-o-concilio-vaticano-ii-d-virgilio-antunes\/","title":{"rendered":"Igreja: S\u00ednodo \u00abpode aproximar-se, no seu significado, daquilo que foi o Conc\u00edlio Vaticano II\u00bb &#8211; D. Virg\u00edlio Antunes"},"content":{"rendered":"<p><em>No final da segunda sess\u00e3o da Assembleia Sinodal, convocada pelo Papa Francisco, que encerra um processo iniciado em 2021, \u00e9 convidado da entrevista semanal conjunta Ecclesia\/Renascen\u00e7a D. Vig\u00edlio Antunes, vice-presidente da CEP, um dos delegados portugueses neste S\u00ednodo<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_346212\" aria-describedby=\"caption-attachment-346212\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/virgilio_Antunes-2-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-346212 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/virgilio_Antunes-2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/virgilio_Antunes-2-1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/virgilio_Antunes-2-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/virgilio_Antunes-2-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/virgilio_Antunes-2-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/virgilio_Antunes-2-1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/virgilio_Antunes-2-1-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-346212\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Foram duas sess\u00f5es aqui no Vaticano, muitas semanas de trabalho, de debate conjunto. Acredita que esta Assembleia Sinodal vai ser um ponto de refer\u00eancia para o futuro da Igreja Cat\u00f3lica?<\/em><\/p>\n<p>Vai, sem d\u00favida. Do ponto de vista pessoal, para mim, \u00e9 uma experi\u00eancia \u00fanica, porque, al\u00e9m de serem quase oito semanas, praticamente dois meses, em 2023 e 2024, houve uma prepara\u00e7\u00e3o, houve um antes, houve um ano de intervalo entre as duas sess\u00f5es desta Assembleia e h\u00e1, sobretudo, uma experi\u00eancia na Assembleia Sinodal, que \u00e9, de facto, uma experi\u00eancia inesquec\u00edvel. Sente-se aqui o pulsar da Igreja, n\u00e3o \u00e0quela escala que estamos mais habituados, que \u00e9 a nossa diocese, ou a nossa par\u00f3quia, ou at\u00e9 o nosso pa\u00eds, a nossa Confer\u00eancia Episcopal, mas sente-se o pulsar da Igreja universal, no sentido mais pleno desta palavra. E, portanto, veio o sentir do povo de Deus, de uma forma muito alargada, como nunca, provavelmente, teria acontecido na hist\u00f3ria da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E isso vai deixar consequ\u00eancias para o futuro?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Vai deixar consequ\u00eancias, porque, al\u00e9m daquilo que \u00e9 a reflex\u00e3o, que \u00e9 o debate, que \u00e9 a escuta, que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a partilha, na sala Sinodal. H\u00e1, com toda a certeza, aquilo que est\u00e1 por detr\u00e1s, que \u00e9 o pensar, que \u00e9 o sentir, que \u00e9 o viver da f\u00e9 crist\u00e3 na Igreja do povo de Deus, que teve a possibilidade de falar, que n\u00f3s sentimos que est\u00e1 sempre na retaguarda, mas que tamb\u00e9m est\u00e1 \u00e0 frente como horizonte, como desejo de transforma\u00e7\u00e3o, de evangeliza\u00e7\u00e3o. Portanto, vai deixar marcas. H\u00e1 quem diga, e o futuro o dir\u00e1, que uma vez que o S\u00ednodo tem n\u00e3o como tema um aspeto muito concreto e identificado da vida da Igreja, mas a complexidade e, por outro lado, a grandeza daquilo que \u00e9 a vida da Igreja, que ele vai ser uma marca muito forte no futuro, vai ficar uma refer\u00eancia, n\u00e3o digo que seja como o Conc\u00edlio Vaticano II, evidentemente, porque s\u00e3o realidades de \u00e2mbito diferente, mas, de algum modo, pode aproximar-se no seu significado para a Igreja daquilo que foi o Conc\u00edlio Vaticano II nos anos 60.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ao longo dos \u00faltimos dias foi-se refor\u00e7ando a ideia de que este s\u00ednodo, mais do que resolver problemas particulares, serviu para imaginar uma nova forma de ser Igreja. Sente que as comunidades cat\u00f3licas est\u00e3o preparadas para este desafio?<\/em><\/p>\n<p>As regi\u00f5es do mundo s\u00e3o muito diversas umas das outras, os modos de pensar, de sentir, at\u00e9 de viver a f\u00e9,\u00a0 a mesma f\u00e9, una, santa, cat\u00f3lica, apost\u00f3lica, s\u00e3o diferentes, mas o povo de Deus est\u00e1 preparado. Est\u00e1 preparado e tem desejo, concretamente, em Portugal, mas em muitos outros pa\u00edses do mundo,: as pessoas manifestaram-se, disseram que queriam ver a Igreja a crescer, a Igreja a evangelizar, as comunidades crist\u00e3s a serem felizes, mas tamb\u00e9m precisavam de ver alguns sinais de transforma\u00e7\u00e3o. Alguns aspetos pareciam estar at\u00e9 a ser at\u00e9 alguns entraves para o processo evangelizador e na rela\u00e7\u00e3o dos membros da Igreja entre si, mas tamb\u00e9m da Igreja com a comunidade e as comunidades, com as sociedades e as culturas em que est\u00e1 envolvida e de que faz parte, inclusivamente. H\u00e1 um desejo muito grande de grande parte do povo de Deus de dar continuidade a este processo e a este caminho sinodal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entende tamb\u00e9m que possa haver quem sinta que as suas expectativas, sobretudo ap\u00f3s aquela grande consulta global de 2021, ficam um pouco defraudadas com o decorrer dos trabalhos?<\/em><\/p>\n<p>Vai haver rea\u00e7\u00f5es muito diferentes, j\u00e1 houve na primeira fase do S\u00ednodo, ap\u00f3s a primeira sess\u00e3o no ano passado. Aquele relat\u00f3rio final, a algumas pessoas deixou muita esperan\u00e7a e outras deixou um pouco, talvez, desencantadas, podemos dizer, porque estavam \u00e0 espera e tinham imaginado, porventura, coisas diferentes e todos n\u00f3s imaginamos realidades e caminhos e percursos diferentes. Agora, eu penso que este S\u00ednodo, como tinha de ser, e eu vejo a\u00ed a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 um S\u00ednodo que vai unir e que vai congregar pessoas e que vai fazer sentir a Igreja mais comunh\u00e3o; n\u00e3o vai ser, como a certa altura at\u00e9 se pensou, o S\u00ednodo da disc\u00f3rdia e da divis\u00e3o e da rutura ou dos cismas. E isso acho que \u00e9 exatamente a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes \u00e9 preciso ir mais lento para ir mais seguro, \u00e9 preciso estar atento a todos os sinais do interior da Igreja, da sociedade, \u00e9 preciso estar na abertura ao Esp\u00edrito, \u00e0 Palavra de Deus, \u00e0 for\u00e7a da f\u00e9 e o andar, nalguns casos, de uma forma mais lenta, significa que se pode andar mais seguros, mas n\u00e3o significa perder o horizonte. O horizonte que \u00e9 a Igreja sempre em renova\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma frase que faz parte de toda a sua hist\u00f3ria e que teve esse epicentro fundamental no Conc\u00edlio Vaticano II, de que continuamos a ser herdeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Cada bispo vai ter agora um papel fundamental para traduzir no terreno as indica\u00e7\u00f5es que saem desta Assembleia Sinodal, tamb\u00e9m no sentido de promover uma maior participa\u00e7\u00e3o, responsabilidade dos v\u00e1rios membros da comunidade cat\u00f3lica. V\u00ea isso como uma amea\u00e7a \u00e0 forma tradicional de exercer a autoridade? Sente que ainda existe alguma desconfian\u00e7a relativamente a este processo?<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, n\u00f3s n\u00e3o estamos a zero. \u00c0s vezes h\u00e1 pessoas que pensam que a Igreja est\u00e1 a zero, no que diz respeito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, no que diz respeito aos \u00f3rg\u00e3os de comunh\u00e3o, de corresponsabilidade e agora, de um momento para outro altera as coisas. N\u00e3o \u00e9 a realidade. Ali\u00e1s, o pr\u00f3prio S\u00ednodo est\u00e1 a reconhecer isso.<\/p>\n<p>H\u00e1 caminhos j\u00e1 feitos, depende depois de regi\u00e3o para regi\u00e3o, de pa\u00eds para pa\u00eds, de diocese para diocese, de par\u00f3quia para par\u00f3quia, mas h\u00e1 caminhos j\u00e1 feitos. Em muitos lugares da Igreja j\u00e1 h\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o ativa e, vamos dizer, muito respons\u00e1vel e interventiva de pessoas, leigos de todas as condi\u00e7\u00f5es, homens, mulheres, consagrados, que partilham esta responsabilidade como verdadeiras pedras-vivas da Igreja. Agora, todos reconhecemos tamb\u00e9m que h\u00e1 um caminho a fazer e que aquilo que foram algumas intui\u00e7\u00f5es daqueles que nos precederam, nomeadamente no Conc\u00edlio, ainda n\u00e3o est\u00e3o efetivamente desenvolvidas no terreno. H\u00e1 um caminho muito longo que n\u00e3o \u00e9 um come\u00e7ar tudo do princ\u00edpio, mas que \u00e9 um acentuar alguns aspetos que t\u00eam muito a ver com aquilo que \u00e9 a Igreja, desde as suas origens ao longo de toda a sua hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m tem a ver com o modo como n\u00f3s hoje nos sentimos enquanto encarna\u00e7\u00e3o em determinado lugar e em determinado tempo e isso nunca pode ser alheio nem ao pensar, nem ao sentir, nem ao caminho que a Igreja faz, ao servi\u00e7o da mesma realidade evang\u00e9lica de sempre. Portanto, h\u00e1 muito a fazer e as pessoas est\u00e3o desejosas e dispon\u00edveis para darem esses passos. Se n\u00f3s ouvirmos \u00e0s vezes algumas cr\u00edticas nas nossas comunidades, \u00e9 de ainda n\u00e3o estarmos a dar, \u00e0s vezes, os passos t\u00e3o r\u00e1pidos como \u00e0s vezes o povo de Deus sentia que era necess\u00e1rio. Temos de estar todos \u00e0 altura desta fidelidade a Deus e, ao mesmo tempo, \u00e0 aten\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u00e9 o povo de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse era, ali\u00e1s, o sentido da minha pr\u00f3xima pergunta, porque a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica sobre o S\u00ednodo dos Bispos, que o Papa Francisco publicou em 2018, sublinha que depois da Assembleia h\u00e1 uma nova fase, a fase da rece\u00e7\u00e3o, da aplica\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es em todas as comunidades. Acredita na mobiliza\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis destas mesmas comunidades? H\u00e1 possibilidade de um certo cansa\u00e7o, depois de tr\u00eas anos de um processo em que o S\u00ednodo esteve praticamente na boca de toda a gente?<\/em><\/p>\n<p>Pode haver e\u00a0\u00e9 natural, num processo quando se alonga, e tamb\u00e9m h\u00e1 algumas bolsas de resist\u00eancia. \u00c9 evidente que na Igreja n\u00e3o funciona tudo ao mesmo ritmo, nem funcionamos todos \u00e0 mesma voz e, portanto, h\u00e1 perspetivas, h\u00e1 formas de entender e, portanto, algumas dificuldades com certeza que j\u00e1 houve, continuam a haver e haver\u00e1 no futuro, mesmo no que diz respeito \u00e0 rece\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo, como houve no que diz respeito \u00e0 rece\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio, apesar das d\u00e9cadas que j\u00e1 nos separam e das linhas orientadoras at\u00e9 do Magist\u00e9rio Pontif\u00edcio, com este contorno ou aquele, portanto, isso faz parte integrante da vida da Igreja. Agora, n\u00f3s de facto sentimos, e o S\u00ednodo tem depois a autoridade que o Santo Padre lhe der e lhe quiser dar, mas o que todos pensamos que vai aceitar com interesse, com entusiasmo at\u00e9 aquilo que s\u00e3o as conclus\u00f5es e as proposi\u00e7\u00f5es do S\u00ednodo, vai ser para p\u00f4r em pr\u00e1tica, para continuar a p\u00f4r em pr\u00e1tica, mas incentivando muito este dinamismo eclesial que est\u00e1 a desenvolver-se neste momento e nesta Assembleia que tem as caracter\u00edsticas que todos n\u00f3s conhecemos. Portanto, vai haver uma rece\u00e7\u00e3o, vai haver nas dioceses interesse, entusiasmo, vai haver muitos aspetos que t\u00eam de ser transformados, melhorados, aprofundados, e vai haver tamb\u00e9m algumas dificuldades e resist\u00eancias, como sempre tem acontecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>V\u00e1rios dos temas, vamos chamar-lhes assim, mais pol\u00e9micos, continuam a ser trabalhados pelos grupos de trabalho que foram criados pelo Papa e continuam at\u00e9 ao ver\u00e3o de 2025. Eu destaco aqui a quest\u00e3o ligada ao papel das mulheres, que mereceram v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es.\u00a0 Considera que \u00e9 necess\u00e1ria uma transforma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m cultural, para uma maior integra\u00e7\u00e3o de leigas, por exemplo, em cargos de responsabilidade a v\u00e1rios n\u00edveis?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o sabemos ainda com toda a certeza qual vai ser o desenvolvimento destes diferentes pontos e aspetos que o Santo Padre decidiu entregar a um estudo mais aprofundado das referidas 10 comiss\u00f5es. Tinha sido um pedido da Assembleia, ou da sess\u00e3o anterior da Assembleia, que alguns assuntos fossem mais aprofundados, uma vez que n\u00e3o havia, por assim dizer, um consenso alargado ou universal acerca deles. Agora, n\u00e3o sabemos exatamente qual vai ser o destino, se o Santo Padre recebe agora o relat\u00f3rio final do S\u00ednodo e depois junta outras conclus\u00f5es provenientes das 10 comiss\u00f5es, se v\u00e3o ter um tratamento \u00e0 parte ou se isso vai inclusivamente ser objeto de uma outra fase deste processo sinodal para ter, por assim dizer, um processo mais alargado de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas \u00e0 parte disso, \u00e9 evidente que o retirar alguns desses temas deixou esta Assembleia Sinodal um pouquinho mais distendida, mais tranquila, menos nervosa, podemos mesmo dizer, porque aqueles pontos que, de facto, s\u00e3o de algum modo mais cr\u00edticos e que n\u00e3o re\u00fanem um consenso universal, est\u00e3o em fase de estudo. Mas todos eles precisam de ser estudados, todos precisam de ser estudados, e todos precisam de um aprofundamento teol\u00f3gico e, em alguns casos, tamb\u00e9m can\u00f3nico, tendo em conta aquilo que s\u00e3o os modos de sentir dos diferentes lugares do planeta, que t\u00eam culturas diferentes e que est\u00e3o em est\u00e1dios tamb\u00e9m diferentes, mas a Igreja tem de procurar acolher a todos, mas n\u00e3o deixar ningu\u00e9m de fora e isso \u00e9 um processo que s\u00f3 o Esp\u00edrito Santo pode fazer. Acolher a todas as sensibilidades, a todas as perspetivas, sem p\u00f4r em causa o Evangelho, sem p\u00f4r em causa a doutrina e a tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 quase uma quadratura do c\u00edrculo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas aqui nos trabalhos, especificamente na quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das mulheres, houve o cuidado de valorizar aquilo que j\u00e1 vai sendo feito?<\/em><\/p>\n<p>Sim, e n\u00e3o s\u00f3 valorizar o que j\u00e1 vai sendo feito, que em alguns casos \u00e9 muito, mas n\u00f3s podemos dizer que no nosso pa\u00eds j\u00e1 h\u00e1, de facto, um olhar para a mulher neste sentido das suas capacidades, da sua forma de estar presente, completamente diferente daquilo que aconteceu no passado. Podemos n\u00e3o estar ainda, de facto, nesta considera\u00e7\u00e3o da plena e total igualdade, porque nem as sociedades ainda chegaram a isso, mas temos de chegar, de facto, a uma forma diferente de entender toda a pessoa humana, homem ou mulher, de forma diferente, que respeite aquilo que \u00e9 pessoa humana, na sua condi\u00e7\u00e3o sexual, do seu g\u00e9nero, na sua maneira de ser e tudo isso. Agora, n\u00f3s temos de continuar esse trabalho, com a exclus\u00e3o daquilo que tem sido dito pelo Santo Padre, que \u00e9 o Sacramento da Ordem, e aquelas fun\u00e7\u00f5es que s\u00e3o diretamente dependentes do Sacramento da Ordem, de facto, tem de haver um caminho que est\u00e1 em curso, mas que tem de continuar a realizar-se, e nisso, de facto, h\u00e1 diferentes partes do mundo que pensam de formas bastante diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve alguns pontos de tens\u00e3o, especificamente at\u00e9 sobre a rela\u00e7\u00e3o entre os grupos de trabalho e Assembleia Sinodal. A sinodalidade, esta forma de trabalhar mais sinodal, tamb\u00e9m faz falta na C\u00faria Romana?<\/em><\/p>\n<p>Faz falta em toda a parte. Faz falta nas nossas dioceses, faz falta na C\u00faria Romana, mas s\u00e3o, depois, realiza\u00e7\u00f5es diferentes. A C\u00faria Romana \u00e9 mandatada pelo Santo Padre diretamente, est\u00e3o ao servi\u00e7o e, portanto, no fundo, assim como um bispo na sua diocese, n\u00e3o \u00e9 exatamente igual \u00e0 C\u00faria Romana. Os nossos outros \u00f3rg\u00e3os consultivos, \u00f3rg\u00e3os de coopera\u00e7\u00e3o, de responsabilidade, portanto, a sinodalidade tem diferentes lugares e diferentes modos de realiza\u00e7\u00e3o, consoante os v\u00ednculos e as rela\u00e7\u00f5es, que foi um dos aspetos e dos temas muito tratados, e os lugares em que a Igreja se realiza e se concretiza. Portanto, n\u00e3o \u00e9 tudo igual em todas as partes do mundo e a C\u00faria Romana n\u00e3o \u00e9 igual a nenhuma diocese, nem uma diocese, at\u00e9, \u00e9 igual a todas as outras dioceses do mundo. E h\u00e1 que ter a capacidade de olhar para as realidades tais quais s\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No regresso \u00e0s dioceses, os participantes no S\u00ednodo foram desafiados a ser embaixadores ativos da sinodalidade. Pergunto-lhe se sente que, em Portugal, esse esfor\u00e7o vai ter muitos parceiros e que experi\u00eancia vai transmitir aos outros bispos portugueses, j\u00e1 na pr\u00f3xima Assembleia Plen\u00e1ria da CEP?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 aconteceu o mesmo quando se realizou o encontro dos p\u00e1rocos aqui em Roma, a prop\u00f3sito da sinodalidade, para envolver de uma forma mais direta, mais expl\u00edcita, esses que s\u00e3o absolutamente fundamentais, n\u00e3o s\u00f3 na viv\u00eancia da Igreja em cada uma das suas comunidades, mas tamb\u00e9m no alargamento deste esp\u00edrito e deste sentido sinodal. E n\u00f3s, os bispos, de facto, temos a mesma miss\u00e3o e a mesma fun\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que participar numa Assembleia Sinodal nos d\u00e1 uns horizontes e uma experi\u00eancia muito diferente e, portanto, n\u00f3s temos uma responsabilidade, efetivamente, acrescida.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de passar, mas \u00e9 poss\u00edvel fazer-se trabalho e, como disse, j\u00e1 na pr\u00f3xima Assembleia da Confer\u00eancia Episcopal, no pr\u00f3ximo m\u00eas de novembro, vamos procurar fazer alguns ecos do que foi esta Assembleia e tamb\u00e9m alguns pontos que achamos que devem j\u00e1 ser tidos em conta e salientar, por aventura, alguns aspetos do documento final para que a nossa Igreja em Portugal se sinta, efetivamente, envolvida, como penso que est\u00e1, desde o primeiro momento.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de quem aqui esteve pode e deve ajudar os outros a envolver-se, porque \u00e0s vezes \u00e9 mais importante ouvir um testemunho do que ler propriamente um texto escrito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m vai regressar \u00e0 Diocese de Coimbra, onde neste m\u00eas de outubro houve um primeiro encontro, do S\u00ednodo dos Jovens, que aponta j\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o de medidas concretas at\u00e9 2026. \u00c9 um sinal deste modo de ser Igreja Sinodal tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 isso que eu desejo e \u00e9 isso que a Diocese deseja. N\u00f3s tivemos um plano pastoral sobre a juventude durante tr\u00eas anos, depois veio a Jornada Mundial da Juventude e n\u00f3s pens\u00e1mos que n\u00e3o pod\u00edamos ficar exatamente nem com a mesma atitude, nem com o mesmo tipo de trabalho que j\u00e1 realiz\u00e1vamos e nem sequer com as mesmas estruturas que j\u00e1 t\u00ednhamos, e que era, portanto, um grande impulso da pastoral dos jovens. E, de facto, n\u00e3o h\u00e1 outra forma de fazer este trabalho sem envolver os jovens, em todas as fases do processo.<\/p>\n<p>Portanto, pensamos, efetivamente, que era um S\u00ednodo dos jovens, n\u00e3o \u00e9 simplesmente um S\u00ednodo da Igreja sobre os jovens ou para os jovens, mas que teria import\u00e2ncia neste processo que acho que \u00e9 crucial na vida de uma comunidade e na vida da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 um desafio particular, tendo consci\u00eancia, por exemplo, que as novas gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais ativas, s\u00e3o mais reivindicativas, at\u00e9 relativamente a posicionamentos do magist\u00e9rio em que eles sentem um certo distanciamento\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 evidente, as pessoas t\u00eam o direito de se formar, de falar, de dizer, de escutar, de rezar, mas eu acredito que o Esp\u00edrito Santo nos conduz, mesmo no meio de algumas turbul\u00eancias das nossas hist\u00f3rias, e os jovens que n\u00f3s somos, que n\u00f3s temos nas comunidades e na Igreja, tamb\u00e9m t\u00eam esta particularidade de estar atentos e de estar dispon\u00edveis. Eu acredito que vai ser um grande momento da vida da nossa Diocese de Coimbra, portanto, vou cheio de esperan\u00e7a. Eu n\u00e3o pude estar l\u00e1 na apresenta\u00e7\u00e3o que fizeram no passado dia 13, agora j\u00e1 vou estar num encontro; vamos ter um festival agora no dia 10 de novembro, em Ansi\u00e3o, e vamos procurar que envolva, de facto, os jovens, com uma linguagem dos jovens, festiva, juvenil, alegre, de partilha, de ora\u00e7\u00e3o. Vamos dar este impulso \u00e0 nossa Igreja, que precisa de for\u00e7as vivas, precisa de entusiasmo, precisa de juventude, mesmo daqueles que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o jovens a idade, pois se n\u00e3o tivermos esta forma de viver como crist\u00e3os, que seja alegre, que seja feliz, sem esconder os problemas e as dificuldades, pois n\u00f3s n\u00e3o realizamos a miss\u00e3o que nos foi dada, e o S\u00ednodo \u00e9 uma palavra de esperan\u00e7a, tanto o S\u00ednodo da Igreja Universal, como gostar\u00edamos que o nosso S\u00ednodo dos jovens fosse uma palavra e um gesto e um sinal de muita esperan\u00e7a para a Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Depois destas duas sess\u00f5es sinodais, que mensagem deixas \u00e0s comunidades cat\u00f3licas em Portugal? Acredita que se abriu caminho para que muitas pessoas possam aproximar-se, na esperan\u00e7a de serem ouvidas e integradas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 muitas pessoas que em todas as comunidades est\u00e3o \u00e0 margem e n\u00e3o se sentem integradas e, \u00e0s vezes, n\u00e3o sentiram aquela palavra de carinho, de amor, de acolhimento, que faz a mudan\u00e7a. Entre n\u00f3s, nas nossas comunidades, temos pessoas que estiveram sempre \u00e0 margem. A maior parte j\u00e1 fez parte da Igreja e depois foi arrefecendo na sua f\u00e9.<\/p>\n<p>Temos algumas pessoas que est\u00e3o absolutamente aborrecidas e at\u00e9 zangadas com a Igreja ou com alguns dos seus membros, nomeadamente com os ministros ordenados ou com as suas comunidades. Esta gente toda precisa de proximidade, precisa de encontro, precisa de um abra\u00e7o. Est\u00e1 a\u00ed a enc\u00edclica nova do Papa Francisco sobre o cora\u00e7\u00e3o de Jesus e o cora\u00e7\u00e3o da humanidade e o cora\u00e7\u00e3o de Deus e temos a via para este encontro, para o acolhimento das pessoas todas que estejam \u00e0 margem e que queiram ou que sintam este impulso.<\/p>\n<p>Portanto, eu repito a palavra do Papa Jo\u00e3o Paulo II, que \u00e9 do Evangelho: n\u00e3o tenhamos medo, n\u00e3o tenhais medo e vamos por esta via, que \u00e9 a via de Deus, e a via de Deus \u00e9 sempre de abertura a toda a humanidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final da segunda sess\u00e3o da Assembleia Sinodal, convocada pelo Papa Francisco, que encerra um processo iniciado em 2021, \u00e9 convidado da entrevista semanal conjunta Ecclesia\/Renascen\u00e7a D. Vig\u00edlio Antunes, vice-presidente da CEP, um dos delegados portugueses neste S\u00ednodo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":346212,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-346210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346210\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/346212"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}