{"id":34604,"date":"2008-10-13T11:03:50","date_gmt":"2008-10-13T11:03:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/13\/homilia-do-cardeal-arcebispo-de-vilnius-em-fatima-na-missa-de-12-de-outubro\/"},"modified":"2008-10-13T11:03:50","modified_gmt":"2008-10-13T11:03:50","slug":"homilia-do-cardeal-arcebispo-de-vilnius-em-fatima-na-missa-de-12-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-arcebispo-de-vilnius-em-fatima-na-missa-de-12-de-outubro\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal Arcebispo de Vilnius, em F\u00e1tima, na Missa  de 12 de Outubro"},"content":{"rendered":"<p>No Antigo Testamento, a alian\u00e7a entre Deus e o Seu povo \u00e9 frequentemente apresentada sob a figura de um casamento m\u00edstico entre Deus e a humanidade, casamento cujas marcas s\u00e3o o amor m\u00fatuo e a fidelidade.  Na primeira leitura, o profeta Isa\u00edas proclama uma mensagem universal de esperan\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 para o povo eleito, mas para todos os povos, que s\u00e3o tamb\u00e9m convidados para o banquete celeste na casa de Deus, onde Ele revelar\u00e1 toda a verdade, far\u00e1 desaparecer a morte, enxugar\u00e1 as l\u00e1grimas. N\u00e3o surpreende, portanto, que Cristo, ao falar do Reino dos C\u00e9us, use a imagem familiar de uma festa de casamento. Na par\u00e1bola de hoje o reino dos c\u00e9us \u00e9 o banquete nupcial; Jesus \u00e9 o esposo; Deus Pai \u00e9 o rei que manda chamar os convidados.   Outras vezes, no Evangelho, Jesus tamb\u00e9m se apresentou sob a imagem do esposo e chama aos seus disc\u00edpulos amigos do esposo. S\u00e3o Paulo fala de esponsais entre Cristo e a sua Igreja; Cristo, que \u201camou a Igreja e se entregou a si pr\u00f3prio por ela\u201d (Ef 5, 25), enquanto S\u00e3o Jo\u00e3o chama \u00e0 Igreja \u201cesposa do Cordeiro\u201d. Mas voltemos \u00e0 par\u00e1bola. A alegria da narra\u00e7\u00e3o do festim de n\u00fapcias \u00e9 ofuscada pela recusa dos anteriormente convidados. \u00c9 uma alus\u00e3o clara \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o de Jesus e da sua mensagem por parte de muitos dos seus ouvintes, pertencentes ao povo eleito. Perante esta recusa, o rei da par\u00e1bola, lan\u00e7a um segundo convite, dirigido \u00e0 gente da rua, bons e maus. S\u00e3o Lucas, na mesma par\u00e1bola, fala de cegos, coxos e estropiados. E assim se enche a sala do banquete.  A par\u00e1bola das bodas mostra que futuro Deus  nos reserva: Deus convida para a sua mesa, para a comunh\u00e3o gozosa e alegre com o Filho, no c\u00e9u. A hist\u00f3ria repete-se hoje: N\u00f3s, aqui reunidos, representamos a segunda vaga de convidados, procurados nas encruzilhadas dos caminhos do mundo. Vivemos num mundo onde muitos abandonaram, esqueceram, ignoram a Deus e vivem como se Ele n\u00e3o existisse: est\u00e3o surdos ao convite divino.  A n\u00f3s compete-nos escolher com inteira liberdade, dizer sim ou n\u00e3o ao convite de Deus. Devemos assumir plenamente a responsabilidade da nossa escolha. Podemos escolher livremente,  claro, mas depois j\u00e1 n\u00e3o somos livres perante as consequ\u00eancias da nossa ecsolha. Dizendo n\u00e3o, n\u00e3o conseguiremos chegar \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o feliz da nossa vida. Recusar o convite para o banquete significa recusar a vida de comunh\u00e3o com Deus por toda a eternidade. Assim  j\u00e1 n\u00e3o teremos espa\u00e7o para a esperan\u00e7a.    Os motivos da nossa ecsolha, os pretextos para justificar a nossa recusa, podem ser diversos, mas resumem-se todos no facto de considerarmos mais importantes as nossas coisas, o nosso campo, os nossos projectos humanos, o nosso bem-estar, as nossas comodidades, o nosso prazer, os nossos interesses e desejos puramente humanos. Absorvem-nos tanto, que n\u00e3o ouvimos o chamamento de Deus, fechados no nosso horizonte puramente humano, a ponto de n\u00e3o saber levantar os olhos para o C\u00e9u. Como \u00e9 diferente a atitude simples dos dois Pastorinhos, Franscisco e Jacinta, hoje na alegria do C\u00e9u, junto da M\u00e3e de Deus, eles que souberam oferecer as suas preces, os seus sacrif\u00edcios, a sua vida pelos pecadores, para que se convertam e entrem no Reino dos C\u00e9us. Jesus termina a par\u00e1bola com uma reflex\u00e3o que nos deixa perplexos: \u201cS\u00e3o muitos os chamados, mas poucos os escolhidos\u201d. Cristo n\u00e3o quer fornecer-nos dados estat\u00edsticos quanto ao n\u00famero dos que chegam felizmente \u00e0 meta. Faz-nos uma advert\u00eancia grave para que n\u00e3o nos colemos a uma falsa seguran\u00e7a, mas empenhemos todas as nossas for\u00e7as na correspond\u00eancia ao chamamento divino, que, no fundo, \u00e9 chamamento \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 santidade de vida.  Talvez nos surpreenda a refer\u00eancia \u00e0 pessoa que n\u00e3o levava a veste nupcial e foi expulsa do banquete. Vem-me \u00e0 lembran\u00e7a a veste branca que foi entregue a cada um de n\u00f3s no dia do nosso Baptismo, no qual nos torn\u00e1mos nova criatura revestida de Cristo. \u201cEsta veste branca seja sinal da tua nova digndade: ajudado pela palavra e pelo exemplo dos teus entes queridos, guarda-a sem mancha para a vida eterna\u201d. Sempre que participamos no banquete eucar\u00edstico \u2013 como fazemos agora \u2013 devemos entrar em n\u00f3s pr\u00f3prios, perguntarmo-nos se estamos verdadeiramente revestidos da veste branca, sem mancha \u2013 e renovar as nossas promessas baptismais de viver na liberdade dos filhos de Deus e renunciar \u00e0s sedu\u00e7\u00f5es do mal, para n\u00e3o nos deixarmos dominar pelo pecado. Este exame de consci\u00eancia n\u00e3o deve desencorajar-nos. Nossa Senhora apareceu em F\u00e1tima, mostrando o C\u00e9u e o Inferno aos tr\u00eas videntes, n\u00e3o para nos apavorar, mas para, atrav\u00e9s deles, nos fazer um aviso: a escolha do nosso fim \u00faltimo depende da nossa liberdade, este dom enorme concedido por Deus a cada um. Esta \u00e9 a li\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola. Trata-se de aceitar o convite de Deus. Escolher a via estreita, que conduz \u00e0 vida, ou a larga, que conduz \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o (Cf Mt 7, 3). Pe\u00e7amos a Nossa Senhora de F\u00e1tima a sua ajuda materna, para fazermos a escolha acertada e tomarmos com muita confian\u00e7a o caminho da convers\u00e3o, dizendo com o ap\u00f3stolo Paulo: \u201cTudo posso naquele que me conforta\u201d! (Fil 4, 13)  <i>\u2020 Audrys  J. Card. Backis, Arcebispo de Vilnius <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Antigo Testamento, a alian\u00e7a entre Deus e o Seu povo \u00e9 frequentemente apresentada sob a figura de um casamento m\u00edstico entre Deus e a humanidade, casamento cujas marcas s\u00e3o o amor m\u00fatuo e a fidelidade. 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