{"id":345790,"date":"2024-10-23T07:30:18","date_gmt":"2024-10-23T06:30:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=345790"},"modified":"2024-10-24T16:01:26","modified_gmt":"2024-10-24T15:01:26","slug":"cultura-desenhar-deus-implica-deixar-em-aberto-a-interpretacao-afirma-o-ilustrador-pedro-rocha-e-mello","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cultura-desenhar-deus-implica-deixar-em-aberto-a-interpretacao-afirma-o-ilustrador-pedro-rocha-e-mello\/","title":{"rendered":"Cultura: Desenhar Deus implica \u00abdeixar em aberto\u00bb a interpreta\u00e7\u00e3o, afirma o  ilustrador Pedro Rocha e Mello"},"content":{"rendered":"<p><em>21 anos de campos de f\u00e9rias no Camtil levou o artista a Atenas, na Gr\u00e9cia, a um centro de acolhimento de fam\u00edlias, onde sentiu a impot\u00eancia na ajuda de quem espera, sem saber o dia de amanh\u00e3<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/pedro-rocha-melo4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-344923 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/pedro-rocha-melo4.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/pedro-rocha-melo4.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/pedro-rocha-melo4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/pedro-rocha-melo4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/pedro-rocha-melo4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/pedro-rocha-melo4-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Lisboa, 22 out 2024 (Ecclesia) \u2013 Pedro Rocha e Mello, ilustrador \u00e0 procura de tra\u00e7os que exprimam as rela\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es, disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que importa que os desenhos traduzam palavras \u201ctang\u00edveis\u201d e diz que desenhar Deus \u201cimplica deixar em aberto\u201d a interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 natural que os desenhos sobre Deus para as crian\u00e7as correspondam \u00e0 ideia de c\u00e9u, nuvens, um senhor de barbas brancas, porque v\u00e3o ao encontro das palavras que elas t\u00eam; \u00e0 medida que as pessoas crescem, desenvolvem-se mais imagens e ganhamos liberdade. Por exemplo, o vento, a beleza e o mist\u00e9rio deixam em aberto a representa\u00e7\u00e3o de Deus\u201d, traduz.<\/p>\n<p>Desafiado a um trabalho para a Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o para a ilustra\u00e7\u00e3o de alguns epis\u00f3dios b\u00edblicos, Pedro Rocha e Melo optou por desenhos \u201cde costas, com rosto n\u00e3o identific\u00e1vel\u201d, abrindo para uma interpreta\u00e7\u00e3o \u201conde todos cabem\u201d.<\/p>\n<p>As recorda\u00e7\u00f5es de crian\u00e7a mostram-lhe o in\u00edcio do sonho, quando passava \u201choras\u201d a desenhar e a pintar, antes ainda de saber que \u201chavia algu\u00e9m que fazia profiss\u00e3o\u201d disto.<\/p>\n<p>O ilustrador fala num trabalho de \u201cpersist\u00eancia\u201d feito no papel em branco ou no computador para encontrar \u201co tra\u00e7o que funcione, que fa\u00e7a sentido, seja coerente, fale verdade tamb\u00e9m\u201d, sem a pretens\u00e3o de \u201cfechar o desenho na minha interpreta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Na anima\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo, na ilustra\u00e7\u00e3o para livros ou manuais de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, Redo Rocha e Melo n\u00e3o esconde o seu fasc\u00ednio pela anima\u00e7\u00e3o aliada aos meios multim\u00e9dia, numa fus\u00e3o entre diferentes disciplinas: \u201cA maneira como um acorde de violino faz uma flor brotar, ou como um trov\u00e3o pode ser um violoncelo que de repente explode e de repente toda a cena e a paleta de cores muda e torna uma c\u00e9nia muito tensa, interessa-me\u201d.<\/p>\n<p>A vida de Pedro Rocha e Mello cruzou-se durante 21 anos com os campos de f\u00e9rias do Camtil, col\u00f3nias de f\u00e9rias da Companhia de Jesus, que durante 10 dias convida jovens e crian\u00e7as e viver na natureza e a desenvolver rela\u00e7\u00f5es entre si, com Deus e com o ambiente.<\/p>\n<p>\u201cFui participante e depois, durante 13 anos, fui animador, e trata-se de uma escola que n\u00e3o tem pre\u00e7o porque as crian\u00e7as est\u00e3o a ser formadas, num trabalho de equipa. Saber lidar com diferentes cansa\u00e7os, temperamentos e situa\u00e7\u00f5es, congregar diversas crian\u00e7as de diferentes realidades, e com elas crescer, prepara-nos para a vida de uma maneira que n\u00e3o esper\u00e1vamos\u201d, explica.<\/p>\n<p>A anima\u00e7\u00e3o dos campos de f\u00e9rias do Camtil levou Pedro Rocha e Mello a integrar a Plataforma de Apoio aos Refugiados, em 2016, e a aterrar em Atenas para durante alguns meses trabalhar num centro de apoio e acolhimento de refugiados, que recebia fam\u00edlias em processo de reunifica\u00e7\u00e3o ou recoloca\u00e7\u00e3o em pa\u00edses europeus.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEram fam\u00edlias \u00e0 espera, como se estivesse no aeroporto a aguardar um voo que as leve ao destino final, mas o tempo de processamento distende-se e as fam\u00edlias n\u00e3o sabem como vai ser o dia de amanh\u00e3. A frustra\u00e7\u00e3o surge e, entre adultos, \u00e9 dif\u00edcil gerir\u201d, recorda.<\/p><\/blockquote>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o do centro de acolhimento na cidade de Atenas, coloca as pessoas, sem capacidade financeira, com acesso f\u00e1cil a \u201cprostitui\u00e7\u00e3o, prostitui\u00e7\u00e3o infantil, consumo de \u00e1lcool, de drogas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando o centro fechava, n\u00f3s n\u00e3o pod\u00edamos controlar, apenas apelar ao bom senso respons\u00e1vel para que n\u00e3o cedessem a tenta\u00e7\u00f5es ou ao dinheiro f\u00e1cil\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Pedro Rocha e Mello exprime uma sensa\u00e7\u00e3o de \u201cimpot\u00eancia\u201d de quem \u201ccomo privilegiado portugu\u00eas\u201d, que desconhece \u201co qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 manter a maturidade e sanidade\u201d, procurava mostrar \u201ccaminhos sem ceder ao facilitismo\u201d.<\/p>\n<p>Para Atenas o ilustrador levou um caderno, que serviu de di\u00e1rio, mas tamb\u00e9m de folhas em branco, hoje cheias de \u201cgatafunhos de crian\u00e7as\u201d, desenhos, \u201cimensas palavras \u00e1rabes e vers\u00f5es em portugu\u00eas\u201d, jogos do galo e de palavras e \u201coutras tantas ideias para brincadeiras inventadas que pudessem ser feitas num ambiente de espa\u00e7o muito reduzido, mas que fosse funcionais e repet\u00edveis no tempo\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um caderno que tem bolsinhas e est\u00e1 cheio de muitas outras folhas, de muitas cores diferentes, de post-its e de guardanapos de caf\u00e9, onde se escreveram ideias a ser executadas\u2026 Acabou por ser um mapa mental\u201d, recorda.<\/p>\n<p>A conversa com Pedro Rocha Mello pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA na Antena 1, emitido pouco depois da meia-noite, e disponibilizado no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21 anos de campos de f\u00e9rias no Camtil levou o artista a Atenas, na Gr\u00e9cia, a um centro de acolhimento 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