{"id":345437,"date":"2024-10-20T09:08:49","date_gmt":"2024-10-20T08:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=345437"},"modified":"2024-10-19T19:10:46","modified_gmt":"2024-10-19T18:10:46","slug":"a-vitalidade-das-paroquias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-vitalidade-das-paroquias\/","title":{"rendered":"A vitalidade das par\u00f3quias"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Face ao processo sinodal que est\u00e1 a decorrer na Igreja, deixo um olhar e um contributo para a realidade paroquial. Diz o Papa Francisco no n\u00ba 28 da Evangelium Gaudium: \u201cA par\u00f3quia n\u00e3o \u00e9 uma estrutura caduca; precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade mission\u00e1ria do Pastor e da comunidade. Embora n\u00e3o seja certamente a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o evangelizadora, se for capaz de se reformar e adaptar constantemente, continuar\u00e1 a ser \u00aba pr\u00f3pria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas\u00bb. Isto sup\u00f5e que esteja realmente em contacto com as fam\u00edlias e com a vida do povo, e n\u00e3o se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos. A par\u00f3quia \u00e9 presen\u00e7a eclesial no territ\u00f3rio, \u00e2mbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida crist\u00e3, o di\u00e1logo, o an\u00fancio, a caridade generosa, a adora\u00e7\u00e3o e a celebra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 uns anos, num congresso dedicado \u00e0 nova evangeliza\u00e7\u00e3o em Espanha, realizado pelas Dioceses de Vic e Solsona, o Bispo franc\u00eas Dominique Rey apontou os sete crit\u00e9rios para se poder escrutinar o \u00abbom funcionamento\u00bb, a vida saud\u00e1vel de uma par\u00f3quia ou comunidade. Todos sentimos que as nossas par\u00f3quias est\u00e3o sempre a precisar de se renovar e revitalizar, na forma e no conte\u00fado, se querem ser par\u00f3quias vivas e fecundas, capacitadas para cumprir a miss\u00e3o de Jesus Cristo no mundo. O mundo mudou, com novos apelos e desafios, e muitas comunidades crist\u00e3s, por vezes, passam a imagem de permanecem no sono do jardim das oliveiras, agrilhoadas a convic\u00e7\u00f5es bafientas, m\u00e9todos e pastorais j\u00e1 fora do prazo de validade, esquemas carcomidos, piedades cansadas e\u00e5 ins\u00edpidas, estruturas l\u00edvidas, conquistas e louros do passado.<\/p>\n<p>Muitas das nossas par\u00f3quias s\u00e3o par\u00f3quias fechadas, muito viradas s\u00f3 para as rotinas e h\u00e1bitos que se assimilaram, para as tradi\u00e7\u00f5es e a piedade que cristalizaram, par\u00f3quias de sacristia, par\u00f3quias centradas na \u00absalva\u00e7\u00e3o da alma\u00bb. Precisamos de regressar \u00e0s origens da Igreja, e por aqui quer ir o processo sinodal, onde as comunidades eram abertas e se estruturavam na riqueza dos minist\u00e9rios eclesiais, num culto e num ensino centrados na Palavra de Deus e na Eucaristia fervorosamente vivida e na aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, a quem se queria levar o Evangelho e a caridade experimentada na Eucaristia. Crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os, e at\u00e9 meios crist\u00e3os, habituaram-se a viver com o \u00abmuro da indiferen\u00e7a\u00bb, ambos aceitando que t\u00eam de seguir caminhos diferentes e que n\u00e3o t\u00eam de se preocupar uns com os outros. Mas n\u00e3o pode ser assim. A Igreja n\u00e3o pode deixar de se aproximar dos homens de todos os tempos, a quem \u00e9 chamada a propor o Evangelho desinteressadamente, a convocar para o Reino de Deus, e a levar a salva\u00e7\u00e3o de Deus (vida de Deus), na convic\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 em Deus e com Deus o homem \u00e9 feliz e se realiza plenamente.<\/p>\n<p>Como organizar bem uma par\u00f3quia, para esta ser comunicadora de Cristo e ser exemplo de Igreja? Eis os sete crit\u00e9rios do bispo Dominique Rey, tendo como actor principal o padre, guia e orientador da par\u00f3quia, protagonismo que agora deve ser dado \u00e0 comunidade: Delegar fun\u00e7\u00f5es e tarefas a um grupo de pessoas capacitadas para o fazer, recebendo a devida forma\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o. Face \u00e0 nova realidade eclesial, n\u00e3o pode estar tudo centrado no padre, mestre da banda que tocava todos os instrumentos, modelo que imperou nos \u00faltimos s\u00e9culos, que, de certa forma, infantilizou e empobreceu as comunidades crist\u00e3s. Uma boa fatia de crist\u00e3os ainda se recusa a selar o caix\u00e3o deste modelo, n\u00e3o se apercebendo de que \u00e9 errado e inexequ\u00edvel.<\/p>\n<p>Discernir os dons e as qualidades de cada membro da comunidade e faz\u00ea-las dar fruto, ao servi\u00e7o do bem comum da comunidade. N\u00e3o h\u00e1 muito tempo, dois ou tr\u00eas membros \u00e0 volta do padre, comodamente ao servi\u00e7o deste, faziam tudo, diante de uma multid\u00e3o de cegos, coxos e paral\u00edticos\u2026 H\u00e1 que despertar a utilidade, sobretudo a voca\u00e7\u00e3o, de todos, para os v\u00e1rios minist\u00e9rios que se podem desempenhar na vida eclesial. Quanto maior \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o dos membros da comunidade, mais viva, capaz, interessante, rica, fecunda, dispon\u00edvel e eficaz ela se torna.<\/p>\n<p>Testemunhar a alegria e que essa alegria seja genuinamente not\u00f3ria. Uma comunidade triste n\u00e3o passa de uma triste comunidade. Quem quer fazer parte de uma comunidade que n\u00e3o manifesta entusiasmo e encanto por aquilo que vive e celebra? O quanto as nossas comunidades t\u00eam a crescer neste aspecto. Contemplem a cara com que muitos crist\u00e3os saem da Eucaristia dominical e o j\u00fabilo que transpiram no trabalho e nas actividades quotidianas.<\/p>\n<p>Ter capacidade de renova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se deixando arrastar atr\u00e1s de m\u00e9todos e formas que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam sentido, adequando-se as estruturas \u00e0 realidade que tem de se enfrentar, mormente a nova evangeliza\u00e7\u00e3o e os novos desafios dos tempos atuais. J\u00e1 n\u00e3o vivemos em cristandade, onde quase toda a sociedade era crist\u00e3. Dava-se um pontap\u00e9 numa pedra e surgia um crist\u00e3o. Vivemos em sociedades que t\u00eam crist\u00e3os, e por vezes, j\u00e1 crist\u00e3os em minoria. A din\u00e2mica, as estruturas e os esquemas das comunidades t\u00eam de ser outros.<\/p>\n<p>Cuidar da beleza e da dignidade das celebra\u00e7\u00f5es, sobretudo da Eucaristia, que \u00e9 o espelho da comunidade e onde a Igreja melhor fala de Deus e o pode dar a conhecer. Em tempos, como Bispo de Bragan\u00e7a, D. Jos\u00e9 Cordeiro, afirmava em F\u00e1tima que \u00abinfelizmente, em muitos lugares a liturgia reduz-se a uma proclama\u00e7\u00e3o de textos e execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de gestos, sem cantos, sem uma linguagem verbal e n\u00e3o verbal que manifeste o mist\u00e9rio e a arte de bem celebrar\u00bb. \u00ab\u00c9 urgente uma liturgia s\u00e9ria, simples, bela, que seja experi\u00eancia do mist\u00e9rio, e ao mesmo tempo intelig\u00edvel, capaz de narrar a perene alian\u00e7a de Deus com os homens, n\u00e3o esquecendo o equil\u00edbrio entre a palavra, o canto, o sil\u00eancio e o rito\u00bb. A Eucaristia \u00e9 o espa\u00e7o sublime onde se deve dar a oportunidade de fazer a experi\u00eancia e o encontro com o sagrado. Quanta rotina \u00e1rida est\u00e1 para a\u00ed instalada.<\/p>\n<p>Organizar a par\u00f3quia em pequenos grupos ou c\u00e9lulas, que dinamizem a pastoral e v\u00e3o ao encontro das pessoas no terreno, possibilitando uma integra\u00e7\u00e3o suave e articulada dos batizados n\u00e3o evangelizados ou dos rec\u00e9m-convertidos. A configura\u00e7\u00e3o institucional da Igreja gera frieza e cria distanciamento, ressumbra necessidade de rever\u00eancia e adornos de poder. \u00c9 preciso mais proximidade e presen\u00e7a no p\u00e1tio do mundo, junto das pessoas concretas, numa atitude samaritana.<\/p>\n<p>Uma par\u00f3quia deve ser um foco de irradia\u00e7\u00e3o de verdadeira caridade entre os seus membros e para fora de si mesma, uma genu\u00edna teia de rela\u00e7\u00f5es humanas saud\u00e1veis, assentes no respeito, na aten\u00e7\u00e3o, no conhecimento e na entreajuda m\u00fatua, e que isso se note a quem a contempla de fora. O mais belo testemunho, que d\u00e1 credibilidade a tudo o que a par\u00f3quia celebra e faz, \u00e9 a caridade. Actualmente, \u00e9 inquestion\u00e1vel que h\u00e1 uma car\u00eancia alarmante de fraternidade em muitas comunidades crist\u00e3s. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil constatar que, como disse D. Ant\u00f3nio Vitalino, \u00abas comunidades crist\u00e3s est\u00e3o muito ap\u00e1ticas, sem rela\u00e7\u00f5es interpessoais, sem interesse m\u00fatuo pelas pessoas\u00bb. Como est\u00e3o a funcionar as nossas par\u00f3quias?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-345437","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=345437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345437\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=345437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=345437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=345437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}