{"id":34475,"date":"2008-10-06T13:53:30","date_gmt":"2008-10-06T13:53:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/06\/homilia-na-abertura-da-semana-da-educacao-crista\/"},"modified":"2008-10-06T13:53:30","modified_gmt":"2008-10-06T13:53:30","slug":"homilia-na-abertura-da-semana-da-educacao-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-na-abertura-da-semana-da-educacao-crista\/","title":{"rendered":"Homilia na abertura da Semana da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>\u00abDo deserto espiritual \u00e0 Vida em abund\u00e2ncia\u00bb <!--more--> 1. As refer\u00eancias \u00e0 vinha de Deus nas leituras de hoje, assumem particular express\u00e3o nesta assembleia crist\u00e3 reunida na Igreja de Nossa Senhora de Encarna\u00e7\u00e3o de Olhalvo. De facto, estamos numa das zonas do nosso pa\u00eds mais ricas em produ\u00e7\u00e3o vin\u00edcola. Acabaram, praticamente, as vindimas deste ano e todos n\u00f3s conhecemos os trabalhos e as canseiras, as expectativas e os receios de quantos, afincadamente, cuidaram das vinhas \u2013 plantas t\u00e3o sens\u00edveis e amea\u00e7adas pelo ambiente \u2013, para que pudessem dar frutos abundantes e de qualidade.  Louvemos a Deus pelo trabalho e a sabedoria dos homens e das mulheres agr\u00edcolas, e demos gra\u00e7as pelas B\u00ean\u00e7\u00e3os que d\u2019Ele receberam ao longo deste ano agr\u00edcola.   2. Na Sagrada Escritura, tanto no Antigo como no Novo Testamento, a vinha tem um profundo significado simb\u00f3lico.  Na primeira leitura (Is 5, 1-7), Isa\u00edas identifica a vinha com o Povo de Israel, Povo escolhido, com quem Deus, simbolizado no agricultor, fez Alian\u00e7a e a quem dedicou um amor constante e fiel, semelhante ao dum esposo pela sua esposa (cf. Os 3, 1). O facto de a vinha n\u00e3o ter produzido uvas, significa que esse Povo n\u00e3o correspondeu ao amor que Deus lhe dedicou: adoraram outros deuses e abandonaram o cumprimento dos mandamentos da Lei. Por isso, como ouvimos: Deus \u201cesperou deles a justi\u00e7a, e eis que s\u00f3 h\u00e1 injusti\u00e7a; esperou a rectid\u00e3o e eis que s\u00f3 h\u00e1 lamenta\u00e7\u00f5es\u201d (Is 5, 7). Mas Deus n\u00e3o desiste do amor pelo Povo que escolheu. Vir\u00e1 o dia em que a vinha dar\u00e1 frutos, porque Deus, como um guarda vigilante, a libertar\u00e1 daqueles que a destroem: \u201cEu, o Senhor, sou o seu guarda; rego-a a cada momento e guardo-a dia e noite para impedir qualquer assalto\u201d (Is 27, 3).   <i>Queridas crian\u00e7as, Car\u00edssimos adolescentes e jovens,<\/i> Podemos concluir que Deus nos acompanha no seu amor e que espera de n\u00f3s, que dizemos ter f\u00e9, a correspond\u00eancia a esse amor, esfor\u00e7ando-nos para que a nossa vida seja coerente com a f\u00e9 que professamos. S\u00f3 com persist\u00eancia e confian\u00e7a em Deus a nossa vida poder\u00e1 dar bons frutos, como uma vinha carregada de belas uvas, pronta a ser vindimada.     3. S\u00e3o Mateus, na passagem que escut\u00e1mos (Mat 21, 33-43), descreve a par\u00e1bola dos vinhateiros homicidas. Nela, Jesus alude \u00e0 imagem da vinha referida por Isa\u00edas.  Tamb\u00e9m aqui, a simbologia \u00e9 rica e abundante. O ponto central da par\u00e1bola \u00e9 o filho do chefe de fam\u00edlia que os vinhateiros mataram, com o qual Jesus se identifica, numa alus\u00e3o, embora velada, \u00e0 sua pr\u00f3pria morte que se aproximava. Nesta par\u00e1bola, Jesus denuncia o Povo de Israel pela recusa em ter recebido os profetas enviados por Deus, e, tamb\u00e9m, \u201cos sumos-sacerdotes e os fariseus\u201d (Mt 21, 45), chefes do Povo, fechados ao reconhecimento de Jesus e da sua Boa Nova de salva\u00e7\u00e3o. Mas, a morte Jesus ser\u00e1 vencida, como Ele pr\u00f3prio deixa antever, ao citar o Salmo 118: \u201cA pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular. Isto \u00e9 obra do Senhor e \u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos\u201d (vv. 22-23). Sobre esta pedra angular, que \u00e9 Jesus Cristo, edifica-se a Igreja, Povo da Nova Alian\u00e7a. Na sua entrega de amor pleno, que o conduziu \u00e0 morte, Cristo testemunha a fidelidade que Deus esperava de Israel e que este n\u00e3o conseguira alcan\u00e7ar. No sangue derramado, Cristo representa Israel na autenticidade da sua voca\u00e7\u00e3o de Povo de Deus, fiel ao seu des\u00edgnio de amor.  Cristo \u00e9, tamb\u00e9m, a vinha fecunda que produz frutos de salva\u00e7\u00e3o. Une a si os seus disc\u00edpulos como os ramos est\u00e3o ligados \u00e0 cepa: \u201cEu sou a videira verdadeira e o meu Pai \u00e9 o agricultor (\u2026) Eu sou a videira; v\u00f3s, os ramos\u201d (Jo 15, 1.5a). Como a seiva percorre toda a planta e, assim, alimenta e vivifica os ramos, Cristo d\u00e1-nos a participar da sua pr\u00f3pria vida, estabelecendo uma comunh\u00e3o, que se alimenta e renova, em especial, atrav\u00e9s da escuta da Palavra de Deus e da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.    4. Estas perspectivas da f\u00e9 crist\u00e3, que colocam Deus no \u00e2mago da vida humana, como seu fundamento e fonte de sentido, contrastam com uma posi\u00e7\u00e3o, hoje muito difundida e que o Santo Padre Bento XVI lembrou, recentemente, aos jovens reunidos na XXIII Jornada Mundial da Juventude, em Sidney: a defesa da exclus\u00e3o de Deus da vida e de que a religi\u00e3o e a f\u00e9, embora aceit\u00e1veis no plano individual, devem ser banidas da vida p\u00fablica ou utilizadas, somente, para alcan\u00e7ar determinados objectivos pragm\u00e1ticos. E o Papa sublinha que esta perspectiva secularizada procura explicar a vida humana e plasmar a sociedade com pouca ou nenhuma refer\u00eancia ao Criador (1).   No mundo contempor\u00e2neo, s\u00e3o muitos os aspectos positivos que resultam das capacidades e esfor\u00e7os humanos e da percep\u00e7\u00e3o natural da import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o da vida baseada em valores. Documentam-no o r\u00e1pido crescimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico e a ampla consci\u00eancia da necessidade de assumir valores universais como a liberdade, a justi\u00e7a, a solidariedade e a paz, alicerces da civiliza\u00e7\u00e3o do amor (2). Mas, como tamb\u00e9m real\u00e7ou o Papa nas referidas Jornadas Mundiais, \u201dem muitas das nossas sociedades, ao lado da prosperidade material vai crescendo o deserto espiritual: um vazio interior, um medo indefin\u00edvel, uma oculta sensa\u00e7\u00e3o de desespero\u201d (3). A causa principal desta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a recusa de Deus e a rejei\u00e7\u00e3o da f\u00e9 \u2013 luz que esclarece a raz\u00e3o humana e for\u00e7a que alimenta a esperan\u00e7a \u2013, consequ\u00eancias da falsa ilus\u00e3o de que o homem, na sua auto-sufici\u00eancia, consegue responder aos seus anseios profundos de realiza\u00e7\u00e3o.   A consci\u00eancia da presen\u00e7a do Deus de Amor, que age em n\u00f3s e nos transforma, \u00e9 a chave para a transforma\u00e7\u00e3o do nosso mundo, de deserto espiritual em terra f\u00e9rtil, onde a promessa de Cristo do dom da vida em abund\u00e2ncia pode ser alcan\u00e7ada por todos (cf. Jo 10, 10).   5. A Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma responsabilidade permanente e um desafio inadi\u00e1vel. \u00c9 fundamental base\u00e1-la em certezas e valores fundamentais. S\u00f3 assim, contribuir\u00e1 para o desenvolvimento harmonioso e equilibrado de personalidades capazes de tra\u00e7ar um projecto de vida com sentido. S\u00f3 assim, tamb\u00e9m, se poder\u00e1 responder \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es a uma educa\u00e7\u00e3o formativa, e n\u00e3o apenas informativa e ao sabor da subjectividade de cada educador, manifestadas pelos diversos intervenientes: as fam\u00edlias, os professores, os catequistas, os jovens e a pr\u00f3pria sociedade.  Neste Ano Paulino, que ser\u00e1 tamb\u00e9m marcado pela realiza\u00e7\u00e3o da XII Assembleia-Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos sobre A Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja, que hoje se inicia em Roma, renovo a proposta da Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 lan\u00e7ada aos crist\u00e3os empenhados na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o de, na sua actividade educativa, darem primazia ao an\u00fancio da Palavra de Deus \u2013 sobretudo das Cartas de S\u00e3o Paulo \u2013, e \u00e0 leitura orante da mesma, porque a Palavra de Deus transmite-nos a verdade que d\u00e1 sentido \u00e0 vida. Destaco, neste sentido, a responsabilidade primordial das Fam\u00edlias (especialmente dos pais e dos av\u00f3s), mas tamb\u00e9m de quantos trabalham nas Par\u00f3quias, sobretudo na Catequese da Inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, nas Escolas Cat\u00f3licas e nas Escolas estatais, particularmente os professores de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica.  Empenhem-se tamb\u00e9m as crian\u00e7as, os adolescentes e os jovens em criar o gosto pela leitura e o aprofundamento da Palavra de Deus, sobretudo da B\u00edblia, em liga\u00e7\u00e3o directa com as realidades da vida quotidiana. S\u00f3 assim poder\u00e3o responder ao apelo que o Papa dirigiu aos jovens, em Sidney: para serem profetas de uma nova era, em que o amor seja sincero, puro, aberto aos outros e respeitador da sua dignidade; e para serem, tamb\u00e9m, mensageiros do amor de Cristo, capazes de atrair as pessoas para o Pai e de construir um futuro de esperan\u00e7a para toda a humanidade (4).   6. Na segunda leitura, S. Paulo dirige, da pris\u00e3o, um apelo \u00e0 alegria aos crist\u00e3os da cidade de Filipos: \u201cAlegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: Alegrai-vos!\u201d (Fil 4, 4).  Por maiores que sejam as dificuldades que atravessemos, a exemplo de S\u00e3o Paulo, devemos sempre dar testemunho da alegria, da serenidade e da paz, que brotam da f\u00e9 e que se alimentam da ora\u00e7\u00e3o.  O testemunho e a intercess\u00e3o de S\u00e3o Paulo reforcem a nossa comunh\u00e3o com o Santo Padre e os Bispos reunidos no S\u00ednodo, e d\u00eaem a todos os educadores e educandos o conforto e a esperan\u00e7a necess\u00e1rios para o bom desempenho da sua miss\u00e3o.  Homilia na abertura da Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, Igreja de Olhalvo, 5 de Outubro de 2008  <i>Tomaz Pedro Barbosa Silva Nunes,  Bispo Auxiliar de Lisboa Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal  da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3<\/i>  NOTAS:  1 &#8211; Cf. Bento XVI. Discurso na Festa de acolhimento dos Jovens. 17.07.2008.       2 &#8211; Cf. Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, \u201cPalavra de Deus, verdade que d\u00e1 sentido \u00e0 vida\u201d. Mensagem para a Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 2008, n. 2.  3 &#8211; Bento XVI. Homilia na Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica. 20.07.2008. 4 &#8211; Cf. Ibid.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abDo deserto espiritual \u00e0 Vida em abund\u00e2ncia\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,120,295,127,154,168,193,206,311,314],"class_list":["post-34475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-catequese","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-familia","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}