{"id":344740,"date":"2024-10-15T15:35:40","date_gmt":"2024-10-15T14:35:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=344740"},"modified":"2024-10-15T15:40:21","modified_gmt":"2024-10-15T14:40:21","slug":"a-cruz-escondida-292","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-292\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Religiosa portuguesa fala do medo da guerra no L\u00edbano<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-344744 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Siria_ir_myri-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Siria_ir_myri-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Siria_ir_myri-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Siria_ir_myri-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Siria_ir_myri-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Siria_ir_myri.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/>Com o cora\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Irm\u00e3 Maria L\u00facia Ferreira vive na S\u00edria, no mosteiro de S\u00e3o Tiago Mutilado, na vila de Qara, situado muito perto da fronteira com o L\u00edbano, e diz \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS que as religiosas est\u00e3o apreensivas, tal como a popula\u00e7\u00e3o local, face ao evoluir da situa\u00e7\u00e3o de guerra no pa\u00eds vizinho e s\u00e3o j\u00e1 muitos os que procuram entrar na S\u00edria. <\/em><\/p>\n<p>\u201cEstamos um bocadinho com o cora\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os e aqui \u00e0 nossa volta toda a gente [se questiona] sobre o que vai acontecer.\u201d Numa breve mensagem telef\u00f3nica para a Funda\u00e7\u00e3o AIS em Lisboa, a Irm\u00e3 Maria L\u00facia Ferreira, que vive no Mosteiro de S\u00e3o Tiago Mutilado, na vila de Qara, muito perto da fronteira com o L\u00edbano, expressa assim a preocupa\u00e7\u00e3o pelo evoluir da situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds vizinho com os ataques de Israel contra alvos do movimento Hezbollah, que tem uma forte presen\u00e7a na regi\u00e3o. A religiosa portuguesa, que pertence \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o das Monjas de Unidade de Antioquia, refere tamb\u00e9m o temor da popula\u00e7\u00e3o local pelo regresso aos tempos da guerra e assegura que s\u00e3o muitas as pessoas que procuram agora atravessar a fronteira e entrar na S\u00edria. \u201cAs pessoas do L\u00edbano est\u00e3o a fugir de suas casas e querem entrar na S\u00edria\u201d, diz a irm\u00e3, acrescentando que se t\u00eam registado bombardeamentos na regi\u00e3o. As explos\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o fortes que at\u00e9 j\u00e1 fizerem tremer portas e janelas no Mosteiro na vila de Qara. \u201cNo outro dia est\u00e1vamos a preparar a hospedagem a um grupo [de peregrinos] que devia vir no fim-de-semana, e de vez em quando as portas e as janelas tremiam e uma senhora que nos estava a ajudar perguntava o que era aquilo: Era o L\u00edbano\u201d, descreve a religiosa, que tamb\u00e9m \u00e9 conhecida simplesmente como Irm\u00e3 Myri.<\/p>\n<h4>Fuga das popula\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>Segundo dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas divulgados dia 30 de Setembro, calcula-se que pelo menos cerca de 100 mil pessoas, libaneses e s\u00edrios, tenham j\u00e1 atravessado a fronteira rumo \u00e0 S\u00edria nos \u00faltimos dias. Recorde-se que o L\u00edbano, pa\u00eds com cerca de 4 milh\u00f5es de habitantes, tem uma forte comunidade oriunda da S\u00edria, pessoas que fugiram da guerra e se refugiaram no pa\u00eds. Mas agora, especialmente desde 2019, com o agravar da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica no L\u00edbano, com uma infla\u00e7\u00e3o galopante e\u00a0altos n\u00edveis de desemprego \u2013 estima-se que cerca de 80 % da popula\u00e7\u00e3o vive j\u00e1 abaixo do limiar da pobreza \u2013, que muitos s\u00edrios e entre eles muitos crist\u00e3os t\u00eam manifestado tamb\u00e9m vontade\u00a0de deixar este pa\u00eds e de regressar ao seu pa\u00eds de origem. Uma vontade que, agora, poder\u00e1 crescer ainda mais com o risco do alastramento do conflito armado. Sinal disso, nos \u00faltimos dias, milhares de portugueses t\u00eam estado a receber nas suas casas um apelo da directora do secretariado nacional da Funda\u00e7\u00e3o AIS para uma ajuda de emerg\u00eancia ao L\u00edbano que, nos \u00faltimos dias, voltou a conhecer o significado da palavra \u2018guerra\u2019. Os combates, especialmente na regi\u00e3o sul do pa\u00eds, est\u00e3o a evidenciar a situa\u00e7\u00e3o de enorme fragilidade em que j\u00e1 se encontrava este pa\u00eds que \u00e9 ainda o reduto da maior comunidade crist\u00e3 do M\u00e9dio Oriente. A Igreja Libanesa \u00e9, neste momento, provavelmente o \u00fanico porto de abrigo para milhares de fam\u00edlias em desespero, e \u00e9 para apoiar o esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio de padres e irm\u00e3s que procuram socorrer todos os que est\u00e3o em maior necessidade, que a Funda\u00e7\u00e3o AIS acaba de lan\u00e7ar a campanha \u201cSOS L\u00edbano\u201d. No apelo, Catarina Martins de Bettencourt explica a urg\u00eancia de mais esta campanha, de mais este gesto de solidariedade que \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio para com a comunidade crist\u00e3 do L\u00edbano. \u201cO pa\u00eds j\u00e1 atravessava uma profunda crise econ\u00f3mica, com uma infla\u00e7\u00e3o galopante que conduziu as fam\u00edlias para a mis\u00e9ria. Mas, agora, tudo est\u00e1 ainda pior\u201d, diz a respons\u00e1vel do secretariado da Funda\u00e7\u00e3o AIS.<\/p>\n<h4>Uma diocese a distribuir comida<\/h4>\n<p>Actualmente, a Funda\u00e7\u00e3o AIS desenvolve 200 projectos em todo o L\u00edbano. Muitos deles, que j\u00e1 estavam direccionados para ajuda de emerg\u00eancia, s\u00e3o agora mais necess\u00e1rios do que nunca. Exemplo disso \u00e9 o que se passa na Diocese de Sidon. \u201cMuitas pessoas abandonaram as suas casas no sul do L\u00edbano e refugiaram-se na nossa diocese\u201d, relata D. Maroun Ammar. \u201cTemos de ajudar os deslocados e distribuir-lhes cabazes de alimentos\u201d, acrescenta o prelado. Tal como nesta diocese, um pouco por todo o L\u00edbano a Igreja transformou-se num lugar de ref\u00fagio. Marielle Boutros, que \u00e9 a coordenadora dos projectos da Funda\u00e7\u00e3o AIS para o L\u00edbano, descrevia-nos como tudo est\u00e1 a suceder um pouco por todo o pa\u00eds. \u201cAs pessoas est\u00e3o agora a viver nos sal\u00f5es das igrejas, pelo que v\u00e3o precisar de alimentos, produtos sanit\u00e1rios, colch\u00f5es, cobertores e, se a situa\u00e7\u00e3o se mantiver, vamos precisar de aquecimento para o Inverno, embora, claro, esperemos que isto n\u00e3o dure tanto tempo.\u201d<\/p>\n<h4>Ir em socorro dos que mais sofrem<\/h4>\n<p>Marielle Boutros receia que esta nova guerra possa provocar outro \u00eaxodo, diminuindo ainda mais a presen\u00e7a e a influ\u00eancia dos Crist\u00e3os nesta regi\u00e3o t\u00e3o sens\u00edvel do globo. \u201cTenho 37 anos e j\u00e1 vivi mais de cinco guerras no L\u00edbano. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil viver num pa\u00eds onde num dia se est\u00e1 bem e no outro \u00e9 preciso esconder-se dos m\u00edsseis\u201d, explica. \u00c9 neste cen\u00e1rio, que poder\u00e1 vir a agravar-se ainda mais nas pr\u00f3ximas horas, nos pr\u00f3ximos dias, que a Funda\u00e7\u00e3o AIS acaba de lan\u00e7ar a campanha \u201cSOS L\u00edbano\u201d. \u201cNesta situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o grave, todos somos chamados a ajudar a Igreja do L\u00edbano, todos somos chamados a dar apoio aos padres e \u00e0s irm\u00e3s que est\u00e3o l\u00e1, no terreno, junto das popula\u00e7\u00f5es em sofrimento. \u00c9 nos momentos de ang\u00fastia que se v\u00ea a nossa solidariedade. E \u00e9 isso que pe\u00e7o, uma vez mais, a todos os benfeitores e amigos da Funda\u00e7\u00e3o AIS\u201d, diz Catarina Bettencourt na mensagem que est\u00e1 a ser enviada para casa de milhares de portugueses. \u201cNesta hora de afli\u00e7\u00e3o em que o L\u00edbano volta a ser um campo de batalha, \u00e9 preciso ir em socorro dos que mais sofrem \u00e9 preciso ajudar as fam\u00edlias crist\u00e3s que est\u00e3o assustadas e de m\u00e3os completamente vazias. A vossa ajuda \u00e9 essencial, tal como as vossas ora\u00e7\u00f5es. Muito obrigada, uma vez mais, por todos os gestos de carinho e solidariedade que os Portugueses t\u00eam dado \u00e0 Igreja que sofre no mundo\u201d, conclui a respons\u00e1vel do secretariado portugu\u00eas da funda\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia.<\/p>\n<p>Paulo Aido<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Religiosa portuguesa fala do medo da guerra no L\u00edbano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-344740","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=344740"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344740\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=344740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=344740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=344740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}