{"id":344600,"date":"2024-11-06T09:17:35","date_gmt":"2024-11-06T09:17:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=344600"},"modified":"2024-10-14T16:19:05","modified_gmt":"2024-10-14T15:19:05","slug":"a-adaptabilidade-na-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-adaptabilidade-na-crise\/","title":{"rendered":"A adaptabilidade na crise"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-228266 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A crise \u00e9 sempre um processo de mudan\u00e7a, de sa\u00edda de si mesmo; \u00e9 ir para mais longe e ver de forma ampla e mais larga. E \u00e9 pela via do sofrimento, pela via da disciplina que a crise suscita em cada um de n\u00f3s a for\u00e7a que nos impulsiona e nos motiva para uma mudan\u00e7a assertiva e contundente, para uma transforma\u00e7\u00e3o em ordem a um bem maior e a um bem-estar mais pleno e apaziguante.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, na verdade, outro caminho e outro jeito de ver as coisas. A mudan\u00e7a, a conversa\u00e7\u00e3o \u2013 aquilo que os gregos chamavam de \u201cmetanoia\u201d, isto \u00e9, mudan\u00e7a de pensamento que leva a uma mudan\u00e7a de atitude e que provoca um crescimento pessoal em ordem \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o \u2013, \u00e9 algo t\u00e3o necess\u00e1rio como premente na vida e na hist\u00f3ria de cada um de n\u00f3s. No entanto, conscientes da necessidade constante de mudar em ordem a um crescimento e de desenvolvimento pessoal mais afirmativo, tendemos a fugir desta realidade, preferindo ficar na sombra de n\u00f3s mesmos, fugindo constantemente de n\u00f3s mesmos, de nos encontrarmos no \u00edntimo do nosso cora\u00e7\u00e3o, de compreendermos quem somos, o que somos e o que estamos destinados a ser. Mais, \u00e9 neste encontro \u00edntimo e \u00fanico comigo mesmo que me possibilita reconhecer o qu\u00e3o fr\u00e1gil e carente eu sou, o qu\u00e3o preciso de ajuda e qu\u00e3o necessitado de Deus eu sou. Esta assun\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia gera em n\u00f3s a humildade de nos reconhecermos fr\u00e1geis e, simultaneamente, infinitamente amados e desejados por Deus. E \u00e9 precisamente aqui que, ap\u00f3s esta viagem de autoconhecimento, Deus tem um projecto e um prop\u00f3sito novo. Ele dar-me-\u00e1 as ferramentas e indicar-me-\u00e1 o caminho que leva \u00e0 santidade, \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O perigo \u00e9 grande! Passar uma vida sem saber quem se \u00e9 ou qual a miss\u00e3o a que Deus nos chamou na nossa exist\u00eancia deve trazer muita ang\u00fastia ao cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 alma daquele que passou uma vida a viver no faz de conta, a representar, a ser uma ou v\u00e1rias personagens que nunca foi nem nunca ser\u00e1, de ter vivido a vida sem que a ela (a vida) tivesse passado por ele. A verdade \u00e9 que passamos uma vida a representar uma personagem (ou, pior, personagens) que vai ao encontro do que os outros ou o ambiente circundante espera de n\u00f3s ou o que quer de n\u00f3s, mas cruzamos uma vida sem saber quem verdadeiramente somos e o que realmente podemos ser na vida.<\/p>\n<p>\u00c9 na obedi\u00eancia, isto \u00e9, na escuta atenta da voz de Deus que podemos mudar a nossa vida para melhor, para termos a paz e a alegria de sermos quem somos, de darmos vida \u00e0 vida de todos e de quantos se abeiram de n\u00f3s. Ali\u00e1s, Jesus, como t\u00e3o belamente exalta a Sagrada Escritura, aprendeu a obedi\u00eancia no sofrimento e, por isso, Deus o exaltou (cf. Heb 5, 8-9). Isto \u00e9 uma lei no caminho de Deus! \u00c9 o \u00fanico modo de nos esvaziarmos de n\u00f3s mesmos e de nos enchermos d\u2019Ele. Da\u00ed que confessar-se \u00e9 engolir-se: \u00e9 dif\u00edcil reconhece e verbalizar o nosso pecado. Mas, depois de nos confessarmos, sentimo-nos livres, em paz e vazios de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>O nosso caminho para a santidade implica sempre olhar para dentro de n\u00f3s mesmos. Descobrir onde est\u00e1 o nosso maior defeito \u00e9 descobrir o caminho para a nossa santidade. Mas aten\u00e7\u00e3o: a santidade \u00e9 um dom de Deus e n\u00e3o depende \u2018somente\u2019 de mim! Ela \u00e9 uma gra\u00e7a dada por Deus, um dom que implica, \u00e0 posteriori, a minha ades\u00e3o a este projecto e o meu total compromisso nesta demanda. A iniciativa \u00e9 sempre de Deus, n\u00e3o do homem. A esta iniciativa, cabe ao homem dar-se e doar-se, total e integralmente, a este projecto que se torna em n\u00f3s um prop\u00f3sito, uma miss\u00e3o e um sentido.<\/p>\n<p>Uma espiritualidade materialista pode tornar-se numa grande tenta\u00e7\u00e3o, como atesta a heresia do pelagianismo. Ali\u00e1s, o Papa Francisco tem chamado aten\u00e7\u00e3o para o perigo desta heresia no interior da Santa Igreja, \u00e0 qual ele chama de \u201cneo-pelagianismo\u201d. Na sua Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>&#8216;Gaudete et Exsultate<\/em>&#8216;, o Papa apresenta os desafios da santidade no mundo atual, dando, ainda, indica\u00e7\u00f5es sobre o modo como viver a santidade neste tempo que apresenta tantos desafios \u00e0 f\u00e9.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o Santo Padre recorda que h\u00e1 dois inimigos da santidade, a saber: o gnosticismo e o pelagianismo. O gnosticismo \u00e9, segundo o Santo Padre, uma autocelebra\u00e7\u00e3o de &#8220;uma mente sem encarna\u00e7\u00e3o, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclop\u00e9dia de abstra\u00e7\u00f5es\u201d. Trata-se de uma &#8220;vaidosa superficialidade\u201d, que pretende \u201creduzir o ensinamento de Jesus a uma l\u00f3gica fria e dura que procura dominar tudo\u201d. E ao desencarnar o mist\u00e9rio, preferem \u201cum Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo &#8220;(cf. n\u00ba 37-39). Por seu turno, o neo-pelagianismo \u00e9, segundo o Papa Francisco, outro erro gerado pelo gnosticismo, que provoca a glorifica\u00e7\u00e3o da vontade humana, sem consci\u00eancia dos limites e ignorando a iniciativa divina. \u201cSem nos darmos conta, pelo facto de pensar que tudo depende do esfor\u00e7o humano canalizado atrav\u00e9s de normas e estruturas eclesiais, complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos dum esquema que deixa poucas aberturas para que a gra\u00e7a atue\u201d. Francisco, por outro lado, lembra que \u00e9 sempre o dom da gra\u00e7a que ultrapassa &#8220;as capacidades da intelig\u00eancia e as for\u00e7as da vontade humana&#8221; (n\u00ba 54). \u00c0s vezes, constata, &#8220;complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos de um esquema&#8221;. (n\u00ba 59).<\/p>\n<p>Posto isto, resta perguntar: como \u00e9 que isto tem implica\u00e7\u00e3o e interfer\u00eancia na nossa vida e na nossa viv\u00eancia espiritual? Existe uma iniciativa divina em todos os homens? Essa iniciativa convida e apela ao \u2018sim\u2019 livre e consciente do ser humano? Sim, a resposta \u00e9 sim. \u00c9 sempre Deus quem toma a iniciativa, quem nos desinstala, quem nos convida a sair, a largar e a deixar para tr\u00e1s tantas coisas, como tantos projectos e sonhos. No fundo, a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 isso mesmo: \u00e9 dizer \u2018sim\u2019 a um novo caminho, a uma nova vida, a uma nova miss\u00e3o e deixar para tr\u00e1s tudo aquilo que l\u00e1 havia. Larga e vai! E olhai como isto \u00e9 dif\u00edcil! Como \u00e9 penoso e doloroso largar&#8230;! Mas temos que o fazer: largar para nos transformarmos, para nos tornarmos mais plenos, mais livres e mais luminosos.<\/p>\n<p>Saibamos confiar n\u2019Aquele que nos prometeu a gra\u00e7a da santidade e pedir, insistentemente, que Ele nos agracie com este dom de aprender a am\u00e1-Lo de todo o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-344600","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=344600"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344600\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=344600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=344600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=344600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}