{"id":34440,"date":"2008-10-03T15:19:46","date_gmt":"2008-10-03T15:19:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/03\/reflexao-de-d-joaquim-goncalves-sobre-o-ano-paulino\/"},"modified":"2008-10-03T15:19:46","modified_gmt":"2008-10-03T15:19:46","slug":"reflexao-de-d-joaquim-goncalves-sobre-o-ano-paulino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/reflexao-de-d-joaquim-goncalves-sobre-o-ano-paulino\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o de D. Joaquim Gon\u00e7alves sobre o Ano Paulino"},"content":{"rendered":"<p>\u00abO Ano Paulino: sinaliza\u00e7\u00e3o\u00bb <!--more--> 1 &#8211; O forasteiro que viaje pelos nossos montes, altos e distantes, a caminho de povoa\u00e7\u00f5es isoladas no Baixo Barroso, no Alv\u00e3o, em Mondim de Basto, no Alto T\u00e2mega, em Valpa\u00e7os e no Douro, e mesmo em aldeias com cruzamentos de todo o genro, sentiu j\u00e1 a necessidade vital de placas de sinaliza\u00e7\u00e3o. Sem elas, anda-se perdido por becos sem sa\u00edda ou a rodopiar sem \u00eaxito dentro do mesmo espa\u00e7o. Algo an\u00e1logo acontece a quem se aventura a ler textos de especial densidade liter\u00e1ria e cient\u00edfica ou a contemplar obras de pintura moderna. Quem n\u00e3o se interrogou j\u00e1 sobre a leitura culta de Os Lus\u00edadas de Lu\u00eds de Cam\u00f5es, do D. Quixote de Cervantes, da Cuernica de Picasso e at\u00e9 dos Vitais da nossa S\u00e9 e de outras obras de arte n\u00e3o figurativa? \u00c9 isso que, de algum modo, tamb\u00e9m acontece a quem come\u00e7a a ler a B\u00edblia sem possuir a m\u00ednima \u00absinaliza\u00e7\u00e3o\u00bb. Esta come\u00e7a pelo entendimento da palavra \u00abB\u00edblia\u00bb, um singular em portugu\u00eas mas originariamente um plural, uma soma de livros, escritos em \u00e9pocas muito diferentes ao longo de dez s\u00e9culos. Esses livros s\u00e3o, por isso, chamados \u00abEscrituras Sagradas\u00bb, uns em tom her\u00f3ico, outros em estilo l\u00edrico e po\u00e9tico, outros em forma de cr\u00f3nica ou de reflex\u00e3o, e sobre temas que, aparentemente, parece nada terem em comum. A pergunta que se faz \u00e9 saber como descobrir o sentido espec\u00edfico de cada um dos livros da B\u00edblia e saber se haver\u00e1 um fio condutor comum a todos eles. E como descobrir esse fio geral? Perguntando de outro modo: Como descobrir a mensagem revelada?  Aqui v\u00e3o algumas pistas ou sinaliza\u00e7\u00e3o. 2 &#8211; Cada um dos 73 pequenos livros da B\u00edblia tem um primeiro sentido interno. Com alguma frequ\u00eancia as pessoas esperam dos textos religiosos unicamente um apelo ao bom comportamento, aos sentimentos de compaix\u00e3o, sem for\u00e7a dirigida \u00e0 intelig\u00eancia, \u00e0s ideias. Da\u00ed resulta uma religiosidade amolecida, invertebrada. Tudo isso acontece por n\u00e3o se buscar o sentido do texto. Esse sentido consta geralmente do t\u00edtulo e capta-se pela hist\u00f3ria, pela geografia e pelo dom\u00ednio da cultura antiga, pelo conhecimento do ambiente em que foi escrito, como acontece com qualquer outro texto liter\u00e1rio, e pela leitura integral de cada texto, n\u00e3o se fixando em frases isoladas. O sentido religioso mais profundo, revelado, ultrapassa esse primeiro sentido radicado na geografia local, pois a B\u00edblia dirige-se a todas as \u00e9pocas, para al\u00e9m da geografia e da hist\u00f3ria local. E como a B\u00edblia tem um s\u00f3 autor divino e h\u00e1 nela um dinamismo interno convergente, deve fazer-se a compara\u00e7\u00e3o do texto de um livro com os outros livros da B\u00edblia, escritos em \u00e9pocas diferentes e em contextos distintos. \u00c9 por isso que, apesar de ser constitu\u00edda por textos muitos diferentes ou \u00abSagradas Escrituras, a B\u00edblia pode chamar-se a Sagrada Escritura, no singular. A mensagem vai-se clareando de texto para texto, progride, sem nunca ser contradit\u00f3ria. A mensagem central que percorre toda a B\u00edblia \u00e9 o amor de Deus ao mundo, o noivado de que j\u00e1 aqui falei, expresso no di\u00e1logo de Deus com o antigo Povo de Israel e consumado em Jesus Cristo, a flor de toda a revela\u00e7\u00e3o e a chave que abre a hist\u00f3ria b\u00edblica. Assim fez Jesus nos anos da sua vida apost\u00f3lica fazendo convergir para ele os actos de Mois\u00e9s ou relacionando a prega\u00e7\u00e3o dos com os Profetas com a sua. \u00c9 exemplar o di\u00e1logo travado com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas na tarde do dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o: \u00abcome\u00e7ando por Mois\u00e9s e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a Ele se refere\u00bb (Lc 24,27). Paulo usou esse esquema \u00ablongitudinal\u00bb sempre que se dirigia a ouvintes judeus, lembrando- -lhes a hist\u00f3ria hebraica antiga e encaminhando-a para Jesus Ressuscitado Finalmente, para que a leitura b\u00edblica n\u00e3o fique no passado mas ilumine a nossa vida presente, \u00e9 preciso comparar o facto narrado no texto com os factos da vida actual da pessoa e da comunidade: o que pode isto dizer-nos a n\u00f3s, hoje? Esse confronto \u00e9 exigente mas essencial para se ultrapassar o historicismo e arqueologismo liter\u00e1rios, fazendo da B\u00edblia um reposit\u00f3rio de etnografia dos povos antigos do M\u00e9dio Oriente. Este confronto n\u00e3o \u00e9 um mero exerc\u00edcio de aplica\u00e7\u00e3o moralista, mas um exerc\u00edcio leg\u00edtimo institucional, pois, como j\u00e1 lembrei a prop\u00f3sito do \u00abaut\u00f3grafo\u00bb, Jesus ressuscitado, o Verbo de Deus feito homem, acompanha, pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o leitor piedoso de todos os tempos.  Em s\u00edntese, a leitura da B\u00edblia deve come\u00e7ar-se pelos Evangelhos, onde a figura de Jesus brilha em plenitude e alumia todo o percurso b\u00edblico. Depois, em forma \u00abtransversal\u00bb, avan\u00e7a-se para os outros textos b\u00edblicos, anteriores e posteriores, do G\u00e9nesis ao Apocalipse e do Apocalipse ao G\u00e9nesis. A B\u00edblia \u00e9 uma ponte de 73 arcos que se estende por todos os s\u00e9culos. Fa\u00e7a o leitor um exerc\u00edcio, abra a sua B\u00edblia, e exercite&#8211;se no estudo de alguns temas centrais que a atravessam: a Mulher (Mt 1,23, Lc 1,26-45; Jo 2,1-4, 19, 25-26; Gen 3, 15; Is 7, 14; o Cordeiro (Lc 22,7; Jo 1,36; Gen 22, 8, 13; \u00cax12, 5; Is 53,7;Ap 5,6;14,2); a \u00c1rvore e o Jardim ( Jo 19,41;Gen 2,9; Prov 3,18; Ap 2,7; 22). Torna-se claro que Maria faz parte do mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o, intimamente unida ao mist\u00e9rio de Jesus, a nova Eva ao lado do novo Ad\u00e3o; que Cristo \u00e9 o novo Cordeiro, o Cordeiro da nova Alian\u00e7a enviado pelo Pai como aconteceu em Isaac; que a \u00c1rvore da Vida \u00e9 a Cruz que floriu no Calv\u00e1rio, como se canta em Sexta-feira Santa; e que o Calv\u00e1rio \u00e9 o novo \u00abjardim\u00bb do \u00abnovo Ad\u00e3o\u00bb.   <i>D. Joaquim Gon\u00e7alves, Bispo de Vila Real  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abO Ano Paulino: sinaliza\u00e7\u00e3o\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,295,183],"class_list":["post-34440","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-biblia","tag-diocese-de-vila-real"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34440\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}