{"id":34424,"date":"2008-10-02T12:25:28","date_gmt":"2008-10-02T12:25:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/10\/02\/pobreza-violacao-dos-direitos-humanos\/"},"modified":"2008-10-02T12:25:28","modified_gmt":"2008-10-02T12:25:28","slug":"pobreza-violacao-dos-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pobreza-violacao-dos-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"Pobreza, viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos"},"content":{"rendered":"<p>A caminho da Audi\u00e7\u00e3o P\u00fablica sobre o tema, CNJP alerta para as disfun\u00e7\u00f5es e injusti\u00e7as do sistema socio-econ\u00f3mico <!--more--> A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz junta-se ao coro das muitas pessoas e entidades que reclamam a defini\u00e7\u00e3o da pobreza como viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos e que dessa defini\u00e7\u00e3o se retirem as necess\u00e1rias consequ\u00eancias nos planos pol\u00edtico e jur\u00eddico. T\u00eam-se ouvido vozes a contestar esta pretens\u00e3o. Tem-se afirmado que sair da pobreza n\u00e3o pode ser algo a que se tem direito sem esfor\u00e7o pessoal e que a defini\u00e7\u00e3o da pobreza como viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos pode conduzir a um paternalismo desresponsabilizante.  Subjacente a esta cr\u00edtica est\u00e1, mais ou menos veladamente, a ideia de que, no fundo, a pobreza \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o ou o resultado de caracter\u00edsticas pessoais negativas, como a falta de qualidades de laboriosidade ou iniciativa. In\u00fameros estudos revelam, pelo contr\u00e1rio, que a pobreza como fen\u00f3meno social decorre de disfun\u00e7\u00f5es e injusti\u00e7as do sistema socio-econ\u00f3mico.   Definir a pobreza como viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos significar\u00e1, assim, eliminar essas disfun\u00e7\u00f5es e injusti\u00e7as, criar condi\u00e7\u00f5es para que o pobre possa fazer o que est\u00e1 ao seu alcance para se libertar da pobreza. N\u00e3o se trata, pois, de o desresponsabilizar, ou de o dispensar de trabalhar quando para tal tem capacidade. O que se verifica \u00e9 que essas condi\u00e7\u00f5es para o pobre se libertar da pobreza n\u00e3o est\u00e3o reunidas no actual contexto e o sistema \u00e9 um obst\u00e1culo ao sucesso de qualquer esfor\u00e7o nesse sentido. H\u00e1 que remover esse obst\u00e1culo e \u00e9 isso que a defini\u00e7\u00e3o da pobreza como viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos implica.  A for\u00e7a jur\u00eddica do direito a n\u00e3o permanecer na pobreza, como a de outros direitos econ\u00f3micos, sociais e culturais (direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, etc.), deve ainda ser estudada e aprofundada. H\u00e1 que identificar melhor em que \u00e9 que essa for\u00e7a jur\u00eddica se assemelha ou diferencia da for\u00e7a jur\u00eddica dos direitos, liberdades e garantias pessoais (direito \u00e0 vida, \u00e0 integridade f\u00edsica, \u00e0 liberdade de consci\u00eancia, de express\u00e3o ou manifesta\u00e7\u00e3o, etc.) e dos direitos, liberdades e garantias de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (direito de voto, de participar em partidos pol\u00edticos, etc.). Mas o que importa salientar \u00e9 que, porque se trata da defini\u00e7\u00e3o de um direito e n\u00e3o de uma simples proclama\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, alguma for\u00e7a jur\u00eddica, algum v\u00ednculo jur\u00eddico para o Estado, deve resultar dessa defini\u00e7\u00e3o.  Importa conceber todos os direitos humanos, os direitos, liberdades e garantias pessoais, os direitos, liberdades e garantias de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e os direitos econ\u00f3micos, sociais e culturais como um todo unit\u00e1rio, coerente e indissol\u00favel.   E deve ser assim porque, por um lado, os direitos econ\u00f3micos, sociais e culturais podem dar consist\u00eancia pr\u00e1tica e efectividade aos outros direitos. O acesso a cuidados de sa\u00fade \u00e9 uma forma de concretizar o direito \u00e0 vida. Sem o acesso \u00e0 instru\u00e7\u00e3o e cultura, a liberdade de express\u00e3o e os direitos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica podem ser vazios de conte\u00fado efectivo. Esta \u00e9 uma perspectiva que tem sido real\u00e7ada pelo pr\u00e9mio Nobel da economia Amartya Sen: o combate \u00e0 pobreza e o desenvolvimento traduzem-se no alargamento das liberdades reais.  E tamb\u00e9m porque \u00e9 o mesmo valor da dignidade da pessoa humana, em que se funda o Estado portugu\u00eas de acordo como o artigo 1\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o, que d\u00e1 um sentido unit\u00e1rio a todos os direitos fundamentais. A dignidade de uma pessoa \u00e9 atingida quando ela \u00e9 v\u00edtima de tortura em virtude da prepot\u00eancia de um regime pol\u00edtico ditatorial, mas tamb\u00e9m quando ela \u00e9 v\u00edtima de fome em virtude da injusti\u00e7a de um sistema econ\u00f3mico. A pobreza, tal como a opress\u00e3o, impede que a pessoa se realize plenamente como pessoa.  Para os crist\u00e3os, este princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana, que reclama o respeito de todos os seus direitos fundamentais, encontra um s\u00f3lido fundamento na vis\u00e3o b\u00edblica da pessoa criada \u00e0 imagem de Deus, membro da fam\u00edlia universal dos seus filhos, com quem Jesus Cristo se identifica e por quem deu a sua vida.     <i>Pedro Vaz Patto  (membro da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A caminho da Audi\u00e7\u00e3o P\u00fablica sobre o tema, CNJP alerta para as disfun\u00e7\u00f5es e injusti\u00e7as do sistema socio-econ\u00f3mico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[134,189,191,193,206],"class_list":["post-34424","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-cnjp","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-educacao","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34424\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}