{"id":344113,"date":"2024-10-13T09:31:29","date_gmt":"2024-10-13T08:31:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=344113"},"modified":"2024-10-11T11:04:15","modified_gmt":"2024-10-11T10:04:15","slug":"igreja-economia-nao-se-resolvem-os-problemas-so-com-dinheiro-carlos-figueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-economia-nao-se-resolvem-os-problemas-so-com-dinheiro-carlos-figueira\/","title":{"rendered":"Igreja\/Economia: \u00abN\u00e3o se resolvem os problemas s\u00f3 com dinheiro\u00bb &#8211; Carlos Figueira"},"content":{"rendered":"<p><em>O Governo j\u00e1 entregou no Parlamento a sua proposta de Or\u00e7amento do Estado para 2025. A discuss\u00e3o do documento passa agora para a Assembleia da Rep\u00fablica, numa altura em que permanecem as d\u00favidas quanto \u00e0 sua aprova\u00e7\u00e3o. Dias depois do Governo ter entregado na Assembleia a sua proposta de Or\u00e7amento, \u00e9 convidado de Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA, Carlos Figueira, da Equipa de Coordena\u00e7\u00e3o do hub portugu\u00eas da Economia de Francisco<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_344116\" aria-describedby=\"caption-attachment-344116\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Carlos-Figueira-4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-344116 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Carlos-Figueira-4.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Carlos-Figueira-4.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Carlos-Figueira-4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Carlos-Figueira-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Carlos-Figueira-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Carlos-Figueira-4-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Carlos-Figueira-4-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-344116\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Teve a oportunidade de estar recentemente com o Papa, e Francisco mais uma vez convidou a mudar o mundo da economia.\u00a0Pergunto se \u00e9 um desafio particular, at\u00e9 para quem se assume como cat\u00f3lico, aplicar\u00a0os princ\u00edpios do pensamento social-crist\u00e3o a quest\u00f5es como o mercado ou o sistema financeiro,\u00a0por exemplo?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 claramente um desafio.\u00a0Ali\u00e1s, eu gostava de come\u00e7ar por dizer que \u00e9 um desafio para todo o cat\u00f3lico, n\u00e3o\u00a0s\u00f3 no contexto da economia e no contexto do mercado financeiro.\u00a0Na verdade, a economia est\u00e1 presente em toda a nossa vida, n\u00e3o \u00e9?\u00a0\u00c9 claramente um desafio, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante, at\u00e9 para quem possa estar\u00a0menos familiarizado com aquilo que \u00e9 a economia de Francisco, que o Papa, quando lan\u00e7a este\u00a0convite em 2019, lan\u00e7a-o aberto a todos os jovens, de boa vontade.\u00a0Portanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ser cat\u00f3lico ou n\u00e3o. Obviamente que, enquanto cat\u00f3lico, tem essa\u00a0responsabilidade, e todos n\u00f3s temos essa responsabilidade, de aplicar o pensamento\u00a0social-crist\u00e3o no nosso dia-a-dia, e particularmente na economia, que o Papa nos lan\u00e7ou este desafio muito concreto, muito dif\u00edcil tamb\u00e9m, de, aplicando os seus princ\u00edpios, desde o bem comum, a dignidade da pessoa humana, a solidariedade, etc&#8230; Todos\u00a0esses princ\u00edpios da doutrina social da Igreja, aplic\u00e1-los no nosso dia-a-dia e aplic\u00e1-los\u00a0no contexto da economia, no contexto dos mercados financeiros.\u00a0E \u00e9 isso que, no fundo, este processo visa fazer. Esta economia de Francisco, que \u00e9 tamb\u00e9m pensar solu\u00e7\u00f5es, refletir nos problemas atuais e pensar qual a forma de responder a\u00a0esses problemas e aqui com o papel fulcral dos jovens que dinamizam este processo, que\u00a0s\u00e3o os protagonistas, e que tamb\u00e9m, enquanto jovem que perten\u00e7o a este processo, sinto\u00a0muito essa confian\u00e7a tamb\u00e9m do Papa, de que confia em n\u00f3s, jovens, nas nossas caracter\u00edsticas,\u00a0no nosso entusiasmo, na nossa din\u00e2mica, na nossa vontade de fazer e de fazer diferente para, no fundo, mudarmos a economia, a forma como se faz a economia, a forma como os mercados\u00a0financeiros funcionam, e, claramente, trazer aqui para o centro a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Foi convidado a ser parte do grupo de membros da comunidade internacional na Assembleia da\u00a0Nova Funda\u00e7\u00e3o Economia de Francisco.\u00a0O que \u00e9 que representa este novo passo da comunidade global, que se criou nos \u00faltimos\u00a0cinco anos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isto \u00e9 um passo, sem d\u00favida, muito importante: a cria\u00e7\u00e3o da funda\u00e7\u00e3o. Esta funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m surge no decorrer de um processo de ausculta\u00e7\u00e3o da comunidade e \u00e9 vontade da comunidade esta funda\u00e7\u00e3o, o haver mais estrutura,\u00a0mais organiza\u00e7\u00e3o. Portanto, a funda\u00e7\u00e3o \u00e9 criada tamb\u00e9m como\u00a0resposta aos nossos anseios, aos nossos desejos, aos nossos sonhos, e \u00e9 importante\u00a0exatamente por isto, porque vem dar estrutura e vem, no fundo, apoiar aquilo que a comunidade\u00a0quer fazer, apoiar os seus projetos, os seus sonhos. No fundo \u00e9 aqui um passo\u00a0em frente neste processo, que come\u00e7ou h\u00e1 cinco anos. No fundo, vai-nos ajudar\u00a0a dar passos mais concretos a n\u00edvel global e tem aqui muito o objetivo de garantir tamb\u00e9m coisas muito concretas: acesso\u00a0a financiamento, materializar mais projetos concretos para permitir\u00a0que eles tenham mais impacto, unir mais tamb\u00e9m a comunidade, partilhar mais o conhecimento e, no fundo, tamb\u00e9m abrir novas oportunidades de colabora\u00e7\u00e3o. Refor\u00e7ar a coopera\u00e7\u00e3o\u00a0a n\u00edvel global tamb\u00e9m, no interior desta comunidade, que \u00e9 a Economia de Francisco,\u00a0e vai promover processos n\u00e3o s\u00f3 globais como locais, havendo aqui\u00a0um processo como \u00e9 apan\u00e1gio da Economia de Francisco, que escuta, dialoga entre toda\u00a0a comunidade, e garantir tamb\u00e9m que as v\u00e1rias vozes s\u00e3o ouvidas. Estamos\u00a0a falar de um movimento que \u00e9 global, e cada contexto tem as suas caracter\u00edsticas,\u00a0tem a sua forma de ver a realidade, e n\u00f3s aprendemos muito uns com os outros. Portanto, esta funda\u00e7\u00e3o vai dar mais estrutura e vai-nos permitir come\u00e7ar a materializar\u00a0ainda mais passos muito concretos, aquilo que j\u00e1 vimos a fazer, mas que agora temos\u00a0aqui um novo impulso.<\/p>\n<p><em>Esta Economia de Francisco, este movimento, apesar de ser relativamente jovem, j\u00e1 come\u00e7a\u00a0a receber tamb\u00e9m uma outra gera\u00e7\u00e3o de estudantes, de economistas. Isso \u00e9 importante para o\u00a0caminho que se faz?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida. Ali\u00e1s, eu posso dizer que agora, quando estive em Roma, n\u00e3o s\u00f3 tivemos\u00a0uma audi\u00eancia com o Papa, mas tamb\u00e9m tivemos o in\u00edcio dos trabalhos daquilo\u00a0que vai ser, no meu caso, a participa\u00e7\u00e3o na Assembleia, que \u00e9 um dos \u00f3rg\u00e3os da Funda\u00e7\u00e3o que visa representar a comunidade, e posso dizer que, nesse in\u00edcio dos trabalhos,\u00a0esse foi desde logo um ponto que n\u00f3s falamos e que consideramos como fundamental, que \u00e9\u00a0as novas gera\u00e7\u00f5es e garantir que h\u00e1 continuidade deste processo. E, de facto, se n\u00f3s pensarmos\u00a0no in\u00edcio do processo, em 2019, em que na altura at\u00e9 era suposto haver apenas um evento. O Papa quando lan\u00e7a o convite \u00e9 apenas para um evento, depois isto, de alguma forma, contra todas as expectativas, porque tivemos o Covid e etc., ganhou uma\u00a0vida muito para al\u00e9m daquela que \u00e0 partida estava destinada, e que passou a ser um processo,\u00a0um movimento que dura at\u00e9 hoje, e que agora ainda vai crescer mais com a Funda\u00e7\u00e3o. Esse evento, na altura, era para pessoas\u00a0at\u00e9 35 anos, e n\u00f3s agora, as pessoas que na altura tinham 30 e agora j\u00e1\u00a0t\u00eam 35 ou mais, portanto, pessoas que ainda estavam nesse \u00e2mbito, agora muitas\u00a0delas j\u00e1 come\u00e7am fora deste \u00e2mbito, sendo que, apesar deste movimento ser um movimento\u00a0em que os protagonistas s\u00e3o os jovens, a Economia de Francisco\u00a0\u00e9 aberta a todos e h\u00e1 diferentes pap\u00e9is para diferentes profiss\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem professores universit\u00e1rios, empres\u00e1rios&#8230; <\/em><\/p>\n<p>Exatamente. N\u00f3s tamb\u00e9m somos apoiados para aquilo que n\u00f3s chamamos no interior da Economia\u00a0de Francisco os S\u00e9niors, ou seja, pessoas j\u00e1 com mais experi\u00eancia que nos v\u00e3o guiando\u00a0e ajudando a desbravar caminho porque uma das caracter\u00edsticas\u00a0deste processo \u00e9 que tamb\u00e9m, \u00e0 partida, n\u00e3o h\u00e1 caminhos pr\u00e9-definidos e, portanto,\u00a0n\u00f3s vamos desbravando caminho, e para isso, obviamente, esta jun\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es \u00e9\u00a0fundamental, pela diversidade, pela partilha de experi\u00eancias, de conhecimento. A partilha e a diversidade vai criando e vai permitindo construir um caminho melhor e, sem d\u00favida, as novas gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais. Eu aqui tamb\u00e9m aproveito para\u00a0deixar um apelo porque, sim, h\u00e1 novas gera\u00e7\u00f5es. Eu neste momento tenho 30 anos, e, obviamente h\u00e1 pessoas mais jovens que est\u00e3o a entrar no processo, mas, muitas vezes, tamb\u00e9m \u00e9\u00a0dif\u00edcil. Eu sinto que mesmo quando vou a uma escola ou a alguma outra a\u00e7\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o, nem\u00a0sempre \u00e9 f\u00e1cil cativar os jovens para estes temas.\u00a0A dada altura, parece que \u00e9 preciso ter aqui alguma maturidade e querer\u00a0olhar a realidade, se calhar, de uma perspetiva demasiado imediatista, e como o Papa at\u00e9\u00a0referenciou o ano passado, na JMJ, n\u00e3o nos ficarmos pelas respostas r\u00e1pidas e ir mais a fundo. E nem todos, infelizmente, t\u00eam esta\u00a0capacidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a JMJ n\u00e3o serviu de trampolim para alargar a participa\u00e7\u00e3o neste movimento?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Serviu, claro que sim. Notamos que, obviamente, as pessoas tiveram mais interesse, e que, inclusive, nas escolas os convites continuam para n\u00f3s irmos l\u00e1 divulgar.\u00a0Portanto, a JMJ teve o seu papel, foi importante. N\u00f3s tivemos, nessa semana, a Casa da Economia\u00a0de Francisco que correu bastante bem, tivemos centenas de pessoas na casa, e na altura at\u00e9 foi lan\u00e7ada a C\u00e1tedra da Economia de Francisco e foi um tema\u00a0bastante falado. Teve o seu papel, mas \u00e9 hora de n\u00e3o ficarmos s\u00f3 para aquilo\u00a0que foi um impacto mais imediato, mas de continuarmos porque este tem de ser um efeito\u00a0que tem de ser duradouro.\u00a0N\u00e3o basta, pensar &#8220;ok, tive uma jornada, despertou-se o interesse, mas depois a chama morre&#8221;. A chama\u00a0tem de continuar, e deixar desde logo esse apelo at\u00e9 aos portugueses: n\u00f3s\u00a0em Portugal somos alguns, mas n\u00e3o somos assim tantos. \u00c0 nossa escala, at\u00e9 se calhar n\u00e3o somos assim t\u00e3o poucos, mas as pessoas\u00a0que se identifiquem com estes temas, que se identifiquem com uma forma de olhar a economia,\u00a0o mundo, de uma perspetiva mais inclusiva, mais humana, mais sustent\u00e1vel, uma perspetiva\u00a0mais da vida, que, de facto, querem p\u00f4r m\u00e3os \u00e0 obra, e como o Papa nos chamou tantas vezes,\u00a0em diversas ocasi\u00f5es, queremos ser protagonistas e queremos, como ele disse muitas vezes,\u00a0sujar as m\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vamos agora a um ponto concreto dos ensinamentos e das reflex\u00f5es do Papa Francisco, e que tem\u00a0sido a preocupa\u00e7\u00e3o com a \u00e9tica nos investimentos.\u00a0Olhando para o nosso mundo atual, uma das principais cr\u00edticas que o Papa Francisco\u00a0tem feito \u00e9 o grande lucro que d\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de armas. A pergunta \u00e9, faz sentido que a guerra seja lucrativa?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o faz, n\u00e3o faz.\u00a0Na nossa perspetiva, n\u00e3o faz.\u00a0Acho que isto \u00e9 mais ou menos \u00f3bvio para toda a gente que pensa um bocadinho, quer dizer, para\u00a0os benefici\u00e1rios n\u00e3o, mas obviamente que a guerra n\u00e3o traz solu\u00e7\u00e3o a ningu\u00e9m. \u00c9 muito \u00f3bvio que a guerra n\u00e3o traz nenhuma solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vai melhorar nada para ningu\u00e9m.\u00a0\u00c9, no fundo, duas posi\u00e7\u00f5es que est\u00e3o extremadas&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas o Papa tem repetido em v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es esta ideia de que \u00e9 efetivamente um dos\u00a0neg\u00f3cios mais lucrativos.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade. E do ponto de vista \u00e9tico, falando at\u00e9 da parte mais de investimentos,\u00a0n\u00e3o \u00e9, na minha opini\u00e3o, acho que tamb\u00e9m na nossa vis\u00e3o da economia de Francisco,\u00a0n\u00e3o \u00e9 \u00e9tico fazer um investimento em armas, em tudo o que for algo semelhante.\u00a0E por isso \u00e9 que tamb\u00e9m, naquilo que t\u00eam sido os documentos produzidos, n\u00e3o s\u00f3 nas\u00a0interven\u00e7\u00f5es do Papa, mas nos documentos produzidos no interior da economia de Francisco,\u00a0esta quest\u00e3o da n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o de armas \u00e9 fundamental. N\u00e3o poderia deixar de ser\u00a0se tamb\u00e9m, no fundo, a nossa inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse S\u00e3o Francisco de Assis porque S\u00e3o Francisco, e n\u00f3s h\u00e1 pouco tempo at\u00e9 tivemos uma iniciativa nesse sentido,\u00a0que era os &#8220;Passos pela Paz&#8221;, S\u00e3o Francisco foi uma pessoa que deu passos pela paz, que\u00a0no seu tempo, num tempo tamb\u00e9m muito dif\u00edcil de guerra, de cruzadas, de guerra entre mu\u00e7ulmanos,\u00a0cat\u00f3licos&#8230; procurou fazer a paz e teve sempre aqui esta abertura ao di\u00e1logo, a tentar construir\u00a0pontos, e n\u00e3o se fixar pela resposta imediata e mais \u00f3bvia, se calhar, em muitos\u00a0contextos. \u00c0s vezes na cabe\u00e7a humana, a resposta mais imediata \u00e9 passar \u00e0 guerra,\u00a0\u00e0 viol\u00eancia, mas se formos a fundo, e se pensarmos naquilo que Deus nos pede&#8230; E aqui at\u00e9 vou mais\u00a0longe, acho que isto n\u00e3o precisa de ser uma pessoa crente ou n\u00e3o crente, porque acho\u00a0que a divis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essa. O Papa abre sempre os desafios a todas as pessoas\u00a0de boa vontade, e a verdade \u00e9: mesmo uma pessoa que n\u00e3o seja crente, mas que tenha um sentido\u00a0humanista, percebe que a guerra n\u00e3o leva a lado nenhum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Al\u00e9m dessa \u00e1rea de investimento, essa talvez seja muito mais evidente para mais\u00a0pessoas, um dos conceitos fundamentais que o Papa tem transmitido e que est\u00e1 na\u00a0economia de Francisco, o da Ecologia Integral, leva tamb\u00e9m ao desinvestimento noutra \u00e1rea que \u00e9 muito lucrativa, que s\u00e3o os combust\u00edveis f\u00f3sseis.\u00a0Esse desafio talvez seja mais complicado, portanto?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a\u00ed eu at\u00e9 prefiro focar-me pela positiva. Em vez de falar em desinvestimento em combust\u00edveis\u00a0f\u00f3sseis, prefiro falar em investir em energias renov\u00e1veis, fazer investimentos que fa\u00e7am bem, n\u00e3o s\u00f3\u00a0ao planeta, mas a toda a cria\u00e7\u00e3o, ou seja, tamb\u00e9m a n\u00f3s pr\u00f3prios.\u00a0Acho que o conceito de Ecologia Integral \u00e9 esse mesmo, porque passa, primeiro, por reconhecer que a realidade est\u00e1 toda integrada, e por isso \u00e9 que o Papa tamb\u00e9m na \u2018Laudato Si\u2019 fala de que a crise ambiental\u00a0n\u00e3o pode ser separada da crise social, da quest\u00e3o da pobreza, etc.\u00a0N\u00f3s temos de reconhecer que a realidade \u00e9 complexa e est\u00e1 toda interligada. N\u00e3o podemos pensar numa solu\u00e7\u00e3o que seja, por exemplo, desinvestir em combust\u00edveis\u00a0f\u00f3sseis, se n\u00f3s tamb\u00e9m ao mesmo tempo n\u00e3o\u00a0tivermos uma solu\u00e7\u00e3o integrada que permita, por exemplo, resolver alguma crise social\u00a0que exista.\u00a0E eu, l\u00e1 est\u00e1, prefiro falar pela positiva e fazer investimentos, n\u00e3o s\u00f3 do ponto\u00a0de vista sustent\u00e1vel, ambiental, mas tamb\u00e9m que privilegie outro tipo de sustentabilidade\u00a0que o Papa falou muitas vezes. Por exemplo, em Assis, h\u00e1 dois anos, quando estivemos\u00a0l\u00e1, o Papa fez um discurso e falava de v\u00e1rios tipos de sustentabilidade, que s\u00e3o fundamentais,\u00a0n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ambiental; a social \u00e9 muito importante. Portanto, investimentos socialmente positivos, que tenham um impacto positivo para a sociedade, s\u00e3o esses que eu devo privilegiar sempre pela positiva.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que v\u00ea o debate que se gerou em torno de medidas fiscais que procuram ajudar a fixar os mais jovens em Portugal? \u00c9 uma quest\u00e3o fundamental para o pa\u00eds a longo prazo?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o fundamental manter os jovens, sem d\u00favida. Mas eu aqui gostava de adicionar algumas considera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o consigo falar destas medidas em concreto tamb\u00e9m sem dar aqui algum contexto e alguma perspetiva. Obviamente \u00e9 fundamental manter os jovens, mas tamb\u00e9m \u00e9 fundamental garantir coes\u00e3o social, \u00e9 fundamental garantir que os portugueses, as pessoas que vivem c\u00e1, para ser ainda mais lato, t\u00eam qualidade de vida. Isso \u00e9 fundamental. N\u00e3o s\u00f3 os jovens, mas tamb\u00e9m n\u00e3o os jovens.<\/p>\n<p>Os jovens t\u00eam aqui um papel muito importante. Como \u00e9 \u00f3bvio, n\u00f3s sabemos temos uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida, \u00e9 normal, na Europa \u00e9 a regra nesta fase, e, portanto, os jovens assumem aqui um papel muito importante. Estas medidas, se conseguirem fixar os jovens, s\u00e3o fundamentais, porque s\u00e3o tamb\u00e9m essas pessoas que v\u00e3o garantir aqui algum equil\u00edbrio do ponto de vista at\u00e9 da sustentabilidade da Seguran\u00e7a Social, etc.<\/p>\n<p>Mas o problema \u00e9 maior que isto, n\u00e3o \u00e9? Gostava aqui tamb\u00e9m de adicionar que estas medidas poder\u00e3o ter impacto, mas ainda n\u00e3o estamos a sentir o impacto total. Temos a quest\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o do IRS e do IMT, essa est\u00e1 em vigor desde 1 de agosto de 2024, portanto este ano, a outra da garantia p\u00fablica, sa\u00edram as orienta\u00e7\u00f5es a 27 de setembro, agora os bancos t\u00eam de, no fundo, operacionalizar. Ainda n\u00e3o estamos a sentir esses impactos.<\/p>\n<p>Para fixar os jovens, e era esse o ponto que eu gostava de trazer para cima da mesa, n\u00e3o basta s\u00f3 a habita\u00e7\u00e3o; \u00e9 muito importante, como \u00e9 \u00f3bvio, e de facto \u00e9 ineg\u00e1vel que os pre\u00e7os de habita\u00e7\u00e3o em Portugal n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com o bolso dos portugueses. \u00c9 ineg\u00e1vel. Na minha perspetiva, e at\u00e9 de uma perspetiva mais integral, se quisermos, h\u00e1 muitos problemas aqui que se t\u00eam que discutir: n\u00e3o consigo discutir pol\u00edtica de habita\u00e7\u00e3o sem discutir pol\u00edtica de transportes em Portugal, n\u00e3o consigo, e honestamente faz-me muita confus\u00e3o como \u00e9 que muitas vezes os transportes s\u00e3o completamente ignorados na quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o; e n\u00e3o consigo discutir a perman\u00eancia dos jovens em Portugal sem falar de educa\u00e7\u00e3o de qualidade, sem falar de servi\u00e7o de sa\u00fade de qualidade, sem falar numa abordagem do trabalho, em que a cultura de trabalho \u00e9 completamente diferente, sem falar de uma redefini\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 a especializa\u00e7\u00e3o da economia portuguesa, ou seja, em que setores \u00e9 que n\u00f3s estamos mais especializados, em que h\u00e1 emprego em Portugal.<\/p>\n<p>Se olharmos para as pessoas que saem de Portugal, na maior parte das vezes s\u00e3o pessoas muito qualificadas, e que n\u00e3o v\u00e3o s\u00f3 encontrar sal\u00e1rios mais elevados. H\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o profissional, muito provavelmente v\u00e3o ter um maior equil\u00edbrio l\u00e1 fora entre aquilo que \u00e9 a vida pessoal e profissional, v\u00e3o para pa\u00edses onde os transportes s\u00e3o melhores, em termos de qualidade de vida, se calhar a habita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o cara proporcionalmente ao sal\u00e1rio, o trabalho que v\u00e3o desempenhar tamb\u00e9m vai ter outras caracter\u00edsticas\u2026<\/p>\n<p>S\u00e3o medidas importantes, a habita\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque \u00e9 um problema muito premente, mas o que a Economia de Francisco tamb\u00e9m traz \u00e9 olharmos para os problemas de uma forma integral e reconhecer que a realidade \u00e9 complexa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o suficiente com as situa\u00e7\u00f5es de precariedade, por exemplo, e os baixos sal\u00e1rios que muitos imigrantes encontram no nosso pa\u00eds? <\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 preciso fazer mais, sendo direto. Pode haver preocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o estarmos a conseguir fazer, mas acho que \u00e9 preciso fazer mais. De facto, em Portugal ainda h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es, at\u00e9 diria pouco humanas, pessoas com contratos prec\u00e1rios\u2026 temos visto, por exemplo, o n\u00famero de sem-abrigos aumentar muito no interior das grandes cidades. O n\u00famero de trabalhadores pobres \u00e9 enorme, as pessoas em risco de pobreza tamb\u00e9m \u00e9 bastante elevado &#8211; claro que depois podemos entrar aqui nas tecnicalidades, nas defini\u00e7\u00f5es, mas eu n\u00e3o queria ir por a\u00ed, acho que n\u00e3o \u00e9 o prop\u00f3sito, mas isto para dizer que eu acho que \u00e9 preciso fazer mais. E quando eu digo que \u00e9 preciso fazer mais, nem me estou a referir aqui a apoios sociais e a dinheiro, para simplificar a linguagem, n\u00e3o estou a falar nada disso, porque n\u00e3o se resolvem os problemas s\u00f3 com dinheiro. Isso \u00e9 algo que n\u00f3s temos de perceber para poder resolver os problemas, porque, por exemplo, na quest\u00e3o da pobreza, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por eu dar dinheiro a uma pessoa que ela vai sair de uma situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, \u00e9 muito mais que isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portugal continua, sistematicamente, desde que h\u00e1 estudos, com 2 milh\u00f5es de pessoas, cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o, em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. N\u00e3o h\u00e1 vontade pol\u00edtica, n\u00e3o h\u00e1 uma estrat\u00e9gia, o que \u00e9 que se passa para Portugal n\u00e3o conseguir superar esta situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Bem, mant\u00e9m-se a\u00ed sempre esse n\u00famero que est\u00e1 a dizer, houve uns altos e baixos, mas manteve-se sempre \u00e0 volta desses valores dos 2 milh\u00f5es, dos 20%. Claro que houve aqui per\u00edodos com algumas especificidades, a crise financeira, a quest\u00e3o da pandemia, etc., mas acho que isso vai ao encontro daquilo que eu dizia, \u00e9 preciso fazer mais. Acho que n\u00f3s precisamos de atores pol\u00edticos que tenham uma atitude diferente, honestamente, eu at\u00e9 no passado j\u00e1 escrevi sobre isso e mantenho essa posi\u00e7\u00e3o muito clara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o apenas atores partid\u00e1rios, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, todos n\u00f3s podemos ser atores pol\u00edticos, e enquanto sociedade temos de ter essa vontade. Mas at\u00e9 falando concretamente dos pol\u00edticos, em vez de estarem preocupados em ganhar a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o, em ter mais uma d\u00e9cima de crescimento econ\u00f3mico, ou em reduzir a d\u00edvida abaixo dos 100%, s\u00f3 porque sim, quase, estou a simplificar, obviamente, mas \u00e9 s\u00f3 para tornar claro, ou seja, em vez de estarmos s\u00f3 focados nisto, no meu umbigo\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 preciso uma nova cultura pol\u00edtica, que procure discutir os princ\u00edpios e as prioridades para o desenvolvimento econ\u00f3mico do pa\u00eds, em vez de quest\u00f5es de sobreviv\u00eancia, por vezes, partid\u00e1ria?<\/em><\/p>\n<p>Sim, e o foco, em vez de ser o meu ganho pessoal, tem de ser o bem coletivo, tem de ser o bem comum, e colocar a pessoa, os problemas reais das pessoas no centro, porque s\u00f3 assim \u00e9 que n\u00f3s vamos conseguir melhorar os n\u00fameros do combate \u00e0 pobreza, s\u00f3 assim \u00e9 que n\u00f3s vamos conseguir resolver a quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o dos transportes, a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o &#8211; que est\u00e1, como n\u00f3s sabemos, em crise, e \u00e9 um elemento fundamental que se liga muito com a quest\u00e3o da pobreza. Vamos usar esta express\u00e3o do elevador social, se algu\u00e9m quiser subir esse tal elevador social, a maior ferramenta que pode ter \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Falo por mim pr\u00f3prio, sou a primeira pessoa da minha fam\u00edlia a ter um mestrado, a ter uma licenciatura, isso significa que se tenho a vida que tenho atualmente foi gra\u00e7as \u00e0 minha educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m ao meu empenho pessoal, mas \u00e0 possibilidade que tive de ter uma educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O tipo de discuss\u00e3o \u00e0 volta do or\u00e7amento a que estamos habituados, alimenta as for\u00e7as mais populistas, \u00e9 uma forma de dar g\u00e1s, dar combust\u00edvel, \u00e9 esse tipo de estrat\u00e9gia que muitos come\u00e7am a adotar? <\/em><\/p>\n<p>O que me parece \u00e9 que muitas vezes ficamos pela rama, pelas respostas r\u00e1pidas, pelas frases f\u00e1ceis, o que qualquer pessoa pode entender sem ter de pensar a fundo nas quest\u00f5es. Quase apetece dizer que s\u00e3o aquelas frases para falarmos ali no caf\u00e9, sem pensar, descontra\u00eddos e sem querer ir a fundo nos temas. O que \u00e9 preciso, exatamente, \u00e9 ir a fundo nos temas, o Papa Francisco chamou muita aten\u00e7\u00e3o para isso, n\u00e3o vamos ficar pelas respostas r\u00e1pidas, temos de ir ao fundo: \u00e0s vezes vale mais fazer uma boa pergunta, mesmo que n\u00e3o se tenha logo a resposta, do que querer chegar a uma solu\u00e7\u00e3o, a uma r\u00e1pida resposta que depois se vai provar que n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos, em vez de ocuparem espa\u00e7os, t\u00eam de se preocupar em iniciar processos, dar privil\u00e9gio ao tempo em vez do espa\u00e7o. eu n\u00e3o vou ocupar um lugar na pol\u00edtica, n\u00e3o faz sentido, o que faz sentido \u00e9 eu estar na pol\u00edtica como um servi\u00e7o, porque a pol\u00edtica, olhada por este prisma, \u00e9 quase uma arte, e \u00e9 important\u00edssima. Ou seja, se eu estiver na pol\u00edtica com o objetivo de servir, vou conseguir resolver o problema real das pessoas, vou conseguir colocar as pessoas no centro, e acho que isso \u00e9 a grande quest\u00e3o.<\/p>\n<p>O nosso primeiro-ministro h\u00e1 pouco tempo deu uma entrevista, estou a julgar pelas palavras que disse, afirmando que est\u00e1 na pol\u00edtica sem qualquer objetivo de futuro. Pode ser um bom princ\u00edpio, \u201cestou aqui para fazer o meu servi\u00e7o, n\u00e3o estou aqui com o objetivo de me perpetuar num cargo\u201d ou com um objetivo pol\u00edtico. Acho que \u00e0s vezes falta um bocadinho esta no\u00e7\u00e3o de \u201cestou na pol\u00edtica e isto confere-me uma responsabilidade enorme\u201d, como qualquer cargo p\u00fablico, como eu no meu trabalho tamb\u00e9m tenho determinada responsabilidade, e fa\u00e7o sempre esse esfor\u00e7o. Todos dev\u00edamos olhar para o pr\u00f3prio trabalho e ver qual \u00e9 o impacto que o meu trabalho causa, obviamente em mim, mas do ponto de vista da sociedade, que servi\u00e7o p\u00fablico \u00e9 que eu vou prestar? Para mim \u00e9 relativamente f\u00e1cil, porque eu trabalho numa institui\u00e7\u00e3o que presta servi\u00e7o p\u00fablico, mas todos dever\u00edamos fazer esse exerc\u00edcio, porque de uma forma ou de outra, mais direta ou menos direta, naquilo que fazemos, todos temos uma responsabilidade.<\/p>\n<p>Voltando a um dos princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja, o princ\u00edpio da solidariedade, isto significa que todos n\u00f3s somos respons\u00e1veis uns pelos outros, e \u00e9 a isto que os cat\u00f3licos somos chamados, a ter esta perspetiva de bem comum, a querer colocar a dignidade da pessoa humana no centro, e a termos esta preocupa\u00e7\u00e3o coletiva de sociedade.<\/p>\n<p>Somos uma comunidade e juntos \u00e9 que vamos conseguir resolver as quest\u00f5es que temos, enquanto sociedade, porque se uns forem e outros ficarem, n\u00e3o h\u00e1 coes\u00e3o social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Governo j\u00e1 entregou no Parlamento a sua proposta de Or\u00e7amento do Estado para 2025. 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