{"id":343028,"date":"2024-10-03T09:05:30","date_gmt":"2024-10-03T08:05:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=343028"},"modified":"2024-10-03T09:24:53","modified_gmt":"2024-10-03T08:24:53","slug":"cristianismo-e-cada-contemporaneidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristianismo-e-cada-contemporaneidade\/","title":{"rendered":"Cristianismo e \u2018cada\u2019 contemporaneidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds Silva, Diocese de Aveiro<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266200 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A pergunta\u2026 Para que se acerte na resposta!<\/p>\n<p>O eterno desafia o tempo e isso coloca o tempo em estado de permanente \u2018crise\u2019. Emergir\u00e1, sempre, fruto desse desafio constante, uma condi\u00e7\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o e diferen\u00e7a, insan\u00e1vel e sempre marcada por uma (quase) essencial tens\u00e3o. \u00c9 sedutor, ali\u00e1s, concluir que a morte ser\u00e1 o findar dessa tens\u00e3o, pela resolu\u00e7\u00e3o que a vis\u00e3o crente considera que ser\u00e1 de vit\u00f3ria do eterno mas que, na vis\u00e3o descrente, findar\u00e1 com a vit\u00f3ria do tempo.<\/p>\n<p>A esta luz, decidi caminhar com os muitos que se t\u00eam interrogado sobre como ler o estado do \u2018(des)encontro\u2019 do cristianismo com a contemporaneidade.<\/p>\n<p>T\u00eam-se multiplicado as interroga\u00e7\u00f5es sobre como dever\u00e1 o cristianismo proceder para se adequar aos tempos e mudar o que deve mudar. (A imutabilidade \u00e9 uma impossibilidade, pois \u00e9 um facto: o objeto parado, \u2018pretensamente imut\u00e1vel\u2019 sofre a eros\u00e3o pr\u00f3pria do tempo; a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essa. A quest\u00e3o est\u00e1 em saber que lugar tem o que se muda no efetivo processo de encontro com o outro perante quem se muda e quanto da mudan\u00e7a deve ser essencial ou, sequer, se a mudan\u00e7a \u00e9 o fim pretendido\u2026)<\/p>\n<p>O desafio n\u00e3o \u00e9 negligenci\u00e1vel, mas, arrisco dizer, como premissa da minha reflex\u00e3o, que \u00e9 o do cristianismo com todas as suas contemporaneidades. A de agora \u00e9 a contemporaneidade que nos cabe viver, distinta das contemporaneidades com que se cruzaram S. Paulo, ou S. Agostinho, ou S. Tom\u00e1s ou Chesterton, ou\u2026 ou\u2026<\/p>\n<p>Todas foram distintas, na sua conjuntura, mas comuns, na sua condi\u00e7\u00e3o de \u2018cr\u00edticas\u2019, de estado de \u2018crise\u2019.<\/p>\n<p>Temo \u2013 confesso-o! \u2013 que se pretenda, pela primeira vez na hist\u00f3ria, resolver o desafio pelo lado que distinguiria a nossa contemporaneidade das demais: pela via do \u2018encerramento\u2019 da condi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, de \u2018crise\u2019.<\/p>\n<p>Como, acima, aludi, a condi\u00e7\u00e3o tensional \u00e9 intr\u00ednseca a este \u2018encontro\u2019, feito de \u2018identidade e diferen\u00e7a\u2019, identidade e distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o tem passado, sempre, pela garantia da tens\u00e3o sem desequilibrar para um dos lados: nem afirmando exclusivamente a diferen\u00e7a (tornando-a opaca, como pretenderam resolver os c\u00e1taros e albigenses e tantos outros), nem em exclusivo a identidade (como pretendiam, por exemplo, os arianos ou os pelagianistas).<\/p>\n<p>Encontrar este equil\u00edbrio tensional \u00e9 o maior desafio crist\u00e3o, mas tamb\u00e9m um dos seus tra\u00e7os mais sedutores e cativantes.<\/p>\n<p>Procurar a resposta ao desafio s\u00f3 se pode fazer se a pergunta for a adequada. N\u00e3o h\u00e1 diagn\u00f3stico adequado sem perguntas adequadas que nos coloquem na busca da interven\u00e7\u00e3o mais adequada poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Sente-se, em muitas das interroga\u00e7\u00f5es com que \u00e9 enfrentado este desafio, um certo \u2018errar o alvo\u2019.<\/p>\n<p>Se a pergunta for, insistentemente, \u2018o que deve o cristianismo mudar para poder permitir o encontro com o mundo contempor\u00e2neo?\u2019, o ponto estar\u00e1 centrado, fundamentalmente, no lado que respeita \u00e0 \u2018identidade\u2019 entre cristianismo e contemporaneidade, negligenciando o lado da \u2018diferen\u00e7a\u2019. N\u00e3o bastar\u00e1, tamb\u00e9m, perguntar sobre \u2018como\u2019 pode o cristianismo garantir a sua diferen\u00e7a. Perguntar sobre \u2018como\u2019 j\u00e1 \u00e9 estar na segunda etapa das interroga\u00e7\u00f5es sem se ter formulado a primeira.<\/p>\n<p>E, nessa primeira ordem, a pergunta, pressupondo que se est\u00e1 certo de que deve haver um \u2018encontro\u2019, um \u2018di\u00e1logo\u2019, \u00e9 a que deve incidir sobre \u2018o que deve permanecer quando ocorrer a mudan\u00e7a?\u2019. A pergunta n\u00e3o estar\u00e1 centrada no que muda (\u00e9 vol\u00e1til, \u00e9 mut\u00e1vel, \u00e9 ef\u00e9mero\u2026), mas no que permanece perante o que muda. Sem perman\u00eancia consciente e conscientemente preservada, a identidade perder-se-\u00e1 com a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>A pergunta dever\u00e1, assim, n\u00e3o ser \u2018o que deve mudar o cristianismo para se encontrar com o mundo?\u2019 (pressupondo que o \u2018mundo\u2019 est\u00e1 \u00e0 espera dessa mudan\u00e7a, permanecendo igual; ilus\u00e3o, pois, quando o encontro \u2018acontecesse\u2019, j\u00e1 a realidade n\u00e3o era a inicial!), mas antes \u2018o que h\u00e1 no cristianismo que permanece (e deve permanecer) para al\u00e9m de toda a mudan\u00e7a?\u2019. Esta interroga\u00e7\u00e3o obriga a realizar a opera\u00e7\u00e3o de que fala o Vaticano II, no decreto Unitatis Redintegratio, no seu n\u00famero 11, isto \u00e9, a proceder \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de uma \u2018\u00abhierarquia\u00bb das verdades da doutrina cat\u00f3lica\u2019, o que, por um lado, exige saber o que tem o cristianismo a \u2018comunicar\u2019 (a tornar comum) ao \u2018mundo\u2019, mas tamb\u00e9m, cria a condi\u00e7\u00e3o para o verdadeiro aggiornamento de que falava Jo\u00e3o XXIII, alicer\u00e7ado na seguran\u00e7a que vem de se saber o que n\u00e3o pode perder-se no encontro de identifica\u00e7\u00e3o por se saber, com clareza, onde reside a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>E, clarificado o m\u00e9todo, que j\u00e1 n\u00e3o assenta na pergunta sobre \u2018o que deve mudar?\u2019 (criando uma epid\u00e9rmica e insegura rela\u00e7\u00e3o com o \u2018outro\u2019), o encontro \u00e9 j\u00e1 poss\u00edvel, de forma aut\u00eantica e \u2018destemida\u2019, pela confian\u00e7a no tesouro identificado como a marca \u00fanica e distintiva.<\/p>\n<p>E esta tem sido a pergunta mais ausente de toda esta discuss\u00e3o. \u00c9, no fundo, a pergunta sobre o que \u2018espera\u2019, autenticamente, a contemporaneidade do cristianismo e que s\u00f3 dele pode vir.<\/p>\n<p>\u00c9 que a contemporaneidade n\u00e3o \u00e9 um simples \u2018zeitgeist\u2019, um vago esp\u00edrito de \u00e9poca, mas o sentir de homens e mulheres reais (reunidos, contempor\u00e2nea e co-topicamente \u2013 no mesmo espa\u00e7o) com as d\u00favidas e ang\u00fastias que moram no cora\u00e7\u00e3o de todo o humano.<\/p>\n<p>Nesse encontro entre o cristianismo (que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma teoria ou uma vaga reflex\u00e3o sobre\u2026, mas uma resposta feita experi\u00eancia concreta na vida de homens e mulheres) e o seu tempo (o de hoje, para n\u00f3s!), o cristianismo constituir-se-\u00e1 como \u2018resposta\u2019 no encontro com as interroga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, vale a pena perguntar, interrogam-se os homens e mulheres de hoje? Como se suscitam neles essas interroga\u00e7\u00f5es? Que interroga\u00e7\u00f5es os habitam? O que se \u2018oculta\u2019 nas interroga\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas? Ser\u00e3o sempre expl\u00edcitas as interroga\u00e7\u00f5es? Qu\u00e3o patentes e qu\u00e3o latentes s\u00e3o as aut\u00eanticas interroga\u00e7\u00f5es? E que resposta emerge do cristianismo para essas (latentes e patentes) interroga\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Se o cristianismo for, apenas, o vago ocupar do tempo, ajustado ao que todo o tempo j\u00e1 oferece, o que ter\u00e1 de novo a dar?<\/p>\n<p>Interrogar\u2026 Interrogar\u2026 Interrogar \u00e9, certamente, hoje, um dos lugares mais \u2018intersticiais\u2019 pelos quais se poder\u00e1 fazer emergir a resposta que faz a diferen\u00e7a crist\u00e3.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 coragem para perguntar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Silva, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":266200,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[170],"class_list":["post-343028","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/343028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=343028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/343028\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=343028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=343028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=343028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}