{"id":34247,"date":"2008-09-23T10:56:21","date_gmt":"2008-09-23T10:56:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/09\/23\/o-divorcio-ainda-mais-facil\/"},"modified":"2008-09-23T10:56:21","modified_gmt":"2008-09-23T10:56:21","slug":"o-divorcio-ainda-mais-facil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-divorcio-ainda-mais-facil\/","title":{"rendered":"O div\u00f3rcio (ainda) mais f\u00e1cil"},"content":{"rendered":"<p>A nova legisla\u00e7\u00e3o relativa ao div\u00f3rcio tem subjacente uma determinada concep\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia. De acordo com o pre\u00e2mbulo do diploma, este deveria ir de encontro \u00e0s tend\u00eancias marcantes da evolu\u00e7\u00e3o recente da fam\u00edlia: a individualiza\u00e7\u00e3o, a sentimentaliza\u00e7\u00e3o e a seculariza\u00e7\u00e3o. De acordo com um dos deputados proponentes, a fam\u00edlia deveria assentar &#8220;nos afectos, e n\u00e3o nos deveres&#8221;. Ao abrigo desta nova legisla\u00e7\u00e3o, quase se torna poss\u00edvel o chamado div\u00f3rcio unilateral, isto \u00e9, o div\u00f3rcio requerido por um dos c\u00f4njuges contra a vontade do outro e mesmo que seja o requerente a violar os seus deveres conjugais (de respeito, coopera\u00e7\u00e3o ou fidelidade, por exemplo). Para tal, basta que se verifique a separa\u00e7\u00e3o por um ano (um prazo que, em leis anteriores, come\u00e7ou por ser de seis anos e foi depois encurtado para tr\u00eas) ou qualquer situa\u00e7\u00e3o que revele a definitividade da ruptura. A possibilidade do div\u00f3rcio unilateral faz do casamento o mais inst\u00e1vel dos contratos e torna quase irrelevante a diferen\u00e7a entre o casamento e a uni\u00e3o de facto. Por outro lado, e porque a fam\u00edlia dever\u00e1 assentar &#8220;nos afectos e n\u00e3o nos deveres&#8221;, desaparece a figura do div\u00f3rcio baseado na culpa: se cessam os afectos, cessa a rela\u00e7\u00e3o familiar, sem que deva ser apurado qual dos c\u00f4njuges violou os seus deveres. \u00c9 certo que o div\u00f3rcio litigioso \u00e9, muitas vezes, fonte de conflitos evit\u00e1veis e, por isso, o legislador e a pr\u00e1tica judici\u00e1ria t\u00eam de h\u00e1 muito incentivado a convers\u00e3o do div\u00f3rcio litigioso em div\u00f3rcio por m\u00fatuo consentimento. Mas abolir o div\u00f3rcio baseado na culpa significa retirar relevo aos pr\u00f3prios deveres conjugais, cuja viola\u00e7\u00e3o deixa de acarretar consequ\u00eancias neste plano (que sentido tem, ent\u00e3o, estar casado e assumir esses deveres?). A declara\u00e7\u00e3o de culpa de um dos c\u00f4njuges pretendia, basicamente, evitar que o c\u00f4njuge &#8220;inocente&#8221; ficasse prejudicado com o div\u00f3rcio. Retirar relevo \u00e0 culpa \u00e9, assim, prejudicar esse c\u00f4njuge, que, muitas vezes, \u00e9 tamb\u00e9m economicamente mais fraco.  Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses europeus em que a taxa de div\u00f3rcios mais cresceu nas \u00faltimas d\u00e9cadas. V\u00e3o-se conhecendo cada vez mais os malef\u00edcios sociais desse aumento (sobre isso, pode ver, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, o documento da Comiss\u00e3o dos Episcopados da Comunidade Europeia Proposal for a Strategy of the European Union for the Support os Couples and Marriage, acess\u00edvel em www.comece.org). Neste contexto n\u00e3o pode deixar de ser nociva a mensagem veiculada por estas altera\u00e7\u00f5es legislativas, que traduzem um acentuado facilitismo do div\u00f3rcio. Contra todas estas tend\u00eancias, um esfor\u00e7o acrescido \u00e9 exigido a todos: uma maior consciencializa\u00e7\u00e3o da verdadeira concep\u00e7\u00e3o de casamento e fam\u00edlia, em que os deveres refor\u00e7am os afectos e ajudam a superar as dificuldades, e em que a pessoa se realiza plenamente na doa\u00e7\u00e3o gratuita. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova legisla\u00e7\u00e3o relativa ao div\u00f3rcio tem subjacente uma determinada concep\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia. De acordo com o pre\u00e2mbulo do diploma, este deveria ir de encontro \u00e0s tend\u00eancias marcantes da evolu\u00e7\u00e3o recente da fam\u00edlia: a individualiza\u00e7\u00e3o, a sentimentaliza\u00e7\u00e3o e a seculariza\u00e7\u00e3o. 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