{"id":34110,"date":"2008-09-15T12:12:33","date_gmt":"2008-09-15T12:12:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/09\/15\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-peregrinacao-ao-santuario-de-n-a-senhora-da-penha\/"},"modified":"2008-09-15T12:12:33","modified_gmt":"2008-09-15T12:12:33","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-peregrinacao-ao-santuario-de-n-a-senhora-da-penha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-peregrinacao-ao-santuario-de-n-a-senhora-da-penha\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de Braga na Peregrina\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio de N.\u00aa Senhora da Penha"},"content":{"rendered":"<p>\u00abOs Santu\u00e1rios tomam conta da Palavra\u00bb <!--more--> A peregrina\u00e7\u00e3o aos Santu\u00e1rios n\u00e3o pode ser um mero acto isento de qualquer inten\u00e7\u00e3o. Peregrinamos para ouvir um apelo de Deus e manifestar a nossa disponibilidade para o acolher.  Neste sentido, este ano exultamos com a coincid\u00eancia da festa lit\u00fargica que hoje celebramos: a exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz. Teremos de a interpretar no contexto do Ano Paulino que creio que j\u00e1 \u00e9 Programa Pastoral das pessoas e das comunidades. Na verdade, S. Paulo fez uma experi\u00eancia que ter\u00e1 de marcar as nossas vidas. Vivia na persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os e num determinado momento deixou-se tomar pelo amor incondicionado de Deus que se tornou vis\u00edvel na cruz de Jesus Cristo de tal modo que este mesmo amor \u2013 feito Palavra \u2013 tomou conta dele. Contemplando o amor da cruz n\u00e3o quis encontrar um objecto a venerar, mas encontrou um Deus que se entregou para que a vida, no meio dos seus dramas, resplande\u00e7a em serenidade e esperan\u00e7a.  Hoje o mundo aterroriza-nos. S\u00e3o muitos os factores de cruzes que deixar\u00e3o de o ser quando acolhemos Cristo nas Suas propostas de vida.  Permitam-me que convosco olhe para duas realidades muito concretas: a viol\u00eancia dom\u00e9stica e a onda de inseguran\u00e7a provocada por assaltos violentos com roubos mesmo que \u00e0 custa da morte de inocentes. Necessitamos duma legisla\u00e7\u00e3o mais dura e de agentes mais dispon\u00edveis e preparados.  S\u00f3 que isto pode ser uma ilus\u00e3o para gastar mais dinheiro do er\u00e1rio p\u00fablico. Tudo \u00e9 importante e imprescind\u00edvel. S\u00f3 que a exalta\u00e7\u00e3o, ou seja, a elimina\u00e7\u00e3o destas cruzes s\u00f3 acontecer\u00e1 atrav\u00e9s da aposta numa forma\u00e7\u00e3o verdadeiramente humana onde os valores emergem como testemunho e condena\u00e7\u00e3o de comportamentos errados. Necessitamos de homens e mulheres novos onde resplande\u00e7a um humanismo integral que n\u00e3o se envergonha da transcend\u00eancia para nos aceitarmos como irm\u00e3os que reconhecem o bem ou o mal feito aos outros como bem e mal feito a si mesmo. S\u00f3 esta regra de ouro que destr\u00f3i individualismos exagerados e conduz ao respeito pelo alheio, ao reconhecimento do valor sagrado da vida, \u00e0 procura dum trabalho com sal\u00e1rio justo e como direito para todos e \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o duma solidariedade activa que cria condi\u00e7\u00f5es de vida digna para todos.  \u00c9 esta forma\u00e7\u00e3o que deve tornar-se educa\u00e7\u00e3o para todas as idades mas sobretudo na juventude. Ningu\u00e9m pode ser fazedor de cruzes mas deve alegrar-se por corporizar um empenho que exalta ou seja liberta de tudo quanto \u00e9 peso indigno. \u00c9 a nossa voca\u00e7\u00e3o.  Este testemunho de S. Paulo que acolhe o Amor de Deus e o anuncia ao mundo ser\u00e1 o nosso Programa, de sempre, mas particularmente deste ano. Teremos de tomar conta da Palavra para nos encontrarmos com ela. S\u00f3 que isto exige atitudes bem concretas e delineadas. O tempo \u00e9 pouco. Urge preparar e calendarizar na vida pessoal e comunit\u00e1ria. Impor-se um programa e saber que naquele dia e naquela hora tenho um trabalho igual a todos os outros mas com uma import\u00e2ncia vital maior. Ser capaz de ler, meditar, partilhar. Pegar na B\u00edblia, no livro \u201cUm Ano a caminhar com S. Paulo\u201d que todas as fam\u00edlias deveriam ter e usar. S\u00e3o estas coisas pequenas que poder\u00e3o custar, mas que criam um humanismo que d\u00e1 alegria e cria esperan\u00e7a no dia-a-dia da vida pessoal e social, promovendo uma sociedade mais fraterna e solid\u00e1ria.  Nunca a Palavra de Deus impediu a evolu\u00e7\u00e3o da humanidade e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 ela que nos torna retr\u00f3grados. \u00c9 a sua aus\u00eancia que gera este mundo de confus\u00e3o e de medo no hoje e no amanh\u00e3. N\u00e3o tenho receio em o afirmar: A Palavra de Deus, assumida e vivida, \u00e9 a luz que d\u00e1 \u00e0 peregrina\u00e7\u00e3o humana um sentido. Os erros com que deparamos na sociedade n\u00e3o se devem aos valores evang\u00e9licos mas \u00e0 sua aus\u00eancia.  Da\u00ed que a Igreja \u2013 par\u00f3quia, movimentos, Arquidiocese \u2013 n\u00e3o pode renunciar \u00e0 responsabilidade de acolher e anunciar a Palavra de Deus, com os aplausos ou com as cr\u00edticas. Mais ainda, a \u00fanica coisa v\u00e1lida que a Igreja tem para oferecer \u00e0 sociedade de hoje \u00e9 a Palavra e tudo o resto se deve orientar neste sentido. As par\u00f3quias renovam-se pela Palavra. Os Santu\u00e1rios cumprem a sua raz\u00e3o de ser se privilegiam este cuidado e trabalho. Tudo vale desde que conduza a esta finalidade.  Hoje quero recordar dois pormenores nesta eucaristia. Em primeiro lugar, o servi\u00e7o dedicado e desinteressado do Pe. \u00c1lvaro Nogueira como capel\u00e3o deste Santu\u00e1rio. Deixar\u00e1 a responsabilidade. Permanecer\u00e1 o perfume da vida sacerdotal, alimentada pela Eucaristia e pelo amor \u00e0 Senhora da Penha, que o Senhor Deus saber\u00e1 recompensar. Em segundo lugar, a Irmandade, que tem realizado um trabalho criterioso de revaloriza\u00e7\u00e3o deste espa\u00e7o sagrado, oferece \u00e0 Igreja e \u00e0 sociedade um novo melhoramento dentro dum programa que ainda n\u00e3o terminou.  Dou gra\u00e7as a Deus pela vida do Pe. \u00c1lvaro e pelo empenho da Irmandade e, reconhecendo toda a dedica\u00e7\u00e3o, continuo a pedir que coloquemos a prioridade no an\u00fancio da Palavra. Os Santu\u00e1rios, na beleza a promover e no servi\u00e7o lit\u00fargico, s\u00e3o verdadeiros altifalantes que chegam ao cora\u00e7\u00e3o de muitos que doutro modo nunca seriam interpelados. J\u00e1 caminhamos imenso na pastoral dos Santu\u00e1rios. Teremos de progredir e inventar modos de maneira que se tornem verdadeiras estradas de Damasco. A\u00ed Paulo caiu abaixo das suas convic\u00e7\u00f5es, abriu-se \u00e0 voz do alto e parte para se encontrar plenamente com Cristo no encontro que teve com Ananias. N\u00e3o foi suficiente \u201cver-se cercado por uma luz vinda do alto\u201d, nem ouvir palavras maravilhosas vindas da beleza de Deus. Encontrou-se com o representante de Deus que teve tempo para o acolher e o libertar da cegueira. Tr\u00eas ideias program\u00e1ticas para os Santu\u00e1rios: criar condi\u00e7\u00f5es para que os peregrinos se vejam tocados pela palavra; disponibilizar sacerdotes para ouvir com tempo e solicitude; orientar para que regressem a casa por outro caminho.  Rezo para que o Evangelho, na beleza da natureza, se torne mais compreens\u00edvel.  Retorno \u00e0s cruzes e \u00e0 sua exalta\u00e7\u00e3o. Que Maria nos conceda o dom de reconhecer a dor alheia e de a libertarmos com a nossa solicitude.    Penha, 14.09.2008 <i>\u2020 D. Jorge Ortiga, A.P.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abOs Santu\u00e1rios tomam conta da Palavra\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,172,193,206,303,314],"class_list":["post-34110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-diocese-de-braga","tag-educacao","tag-familia","tag-santuarios","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}