{"id":340956,"date":"2024-09-18T10:56:11","date_gmt":"2024-09-18T09:56:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=340956"},"modified":"2024-09-18T11:04:59","modified_gmt":"2024-09-18T10:04:59","slug":"um-mundo-em-convulsao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-mundo-em-convulsao\/","title":{"rendered":"Um mundo em convuls\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre M. Correia Fernandes, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-178115 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manuel-correia-fernandes1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manuel-correia-fernandes1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manuel-correia-fernandes1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manuel-correia-fernandes1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manuel-correia-fernandes1.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>\u00c9 certamente drama deste tempo, destes dias: a amea\u00e7a de guerra, de que j\u00e1 o Papa Francisco se faz frequentemente eco. Ressalta, para a nossa sensibilidade e proximidade, o pequeno territ\u00f3rio de Israel (Faixa de Gaza, Cisjord\u00e2nia, L\u00edbano, S\u00edria), ao lado do grandioso territ\u00f3rio de Ucr\u00e2nia\/R\u00fassia. Mas \u00e9 preciso pensar tamb\u00e9m em locais como a China\/Formosa, o Sud\u00e3o, a Eti\u00f3pia, Myanmar ou Mo\u00e7ambique e outros pa\u00edses africanos, onde o estado de guerra \u00e9 permanente amea\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 neste mundo que nem as Na\u00e7\u00f5es Unidas e as suas miss\u00f5es de paz, nem tantas organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias conseguem colocar algum freio e promover equil\u00edbrio humanizador.<\/p>\n<p>Por outro lado, causa perturba\u00e7\u00e3o a refer\u00eancia constante a absurdas quantidades de dinheiro postas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da guerra, finalidade para a qual parece n\u00e3o haver limite nos or\u00e7amentos, e mesmo se afirmam as disponibilidades monet\u00e1rias para as guerras como realidades virtuosas, donativos humanit\u00e1rios e mesmo express\u00f5es de generosidades. N\u00e3o encontramos refer\u00eancia do mesmo n\u00edvel, e muito menos id\u00eanticos valores materiais para projetos de desenvolvimento, para esquemas de alimenta\u00e7\u00e3o ou de habita\u00e7\u00e3o, para benef\u00edcios sociais ou para desenvolvimento de atividades produtivas de equil\u00edbrio e bem-estar.<\/p>\n<p>Este parece se tornar-se um v\u00edcio institucionalizado: o desenvolvimento da guerra, sempre disfar\u00e7ado de defesa de direitos, mas essencialmente de interesses. Os planos de paz de uns s\u00e3o rejeitados pelos outros. A amea\u00e7a da dimens\u00e3o at\u00f3mica de qualquer guerra futura, cujo contexto de universidade \u00e9 supinamente afirmado (\u201ca guerra n\u00e3o se limitaria \u00e0 Europa\u201d, declarou Putin) inquieta a humanidade, enquanto os pr\u00f3ceres do poder se digladiam nas amea\u00e7as e nas mentiras.<\/p>\n<p>O Papa Francisco tem tornado recorrente as suas refer\u00eancias, sempre com propostas de paz, de defesa das popula\u00e7\u00f5es e dos direitos das pessoas. Interessante \u00e9 a oportunidade da celebra\u00e7\u00e3o do dia de Santo Agostinho, que lembrou como construtor de caminhos de liberdade e de fraternidade, a busca da experi\u00eancia da paz com Deus que nasce da sabedoria e supera todo o entendimento. Esta sabedoria como caminho para a paz \u00e9 uma car\u00eancia do entendimento da condu\u00e7\u00e3o dos povos, e o conceito de guerra justa que considerou devia estar sempre sujeito a todas as possibilidades de paz.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVII o Padre Ant\u00f3nio Vieira sentiu os dramas da guerra, cuja viv\u00eancia o levou \u00e0quela descri\u00e7\u00e3o antol\u00f3gica e atual: \u201c\u00c9 a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e, quanto mais come e consome, tanto menos se farta. \u00c9 a guerra aquela tempestade terrestre que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades, e talvez em um momento sorve os reinos e monarquias inteiras. \u00c9 a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades em que n\u00e3o h\u00e1 mal nenhum que ou se n\u00e3o pade\u00e7a, ou se n\u00e3o tema, nem bem que seja pr\u00f3prio e seguro\u201d. Palavras de um serm\u00e3o paneg\u00edrico, em ambiente de respeito f\u00fanebre, manifestam as mesmas viv\u00eancias de hoje.<\/p>\n<p>Parece no entanto esquecida pela sociedade, pelos canais de informa\u00e7\u00e3o, pelo ambiente social do quotidiano das popula\u00e7\u00f5es, a afirma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Papa Francisco: a consci\u00eancia de que a guerra \u00e9 um crime contra a humanidade. Essa consci\u00eancia n\u00e3o existe nem nos governantes, nem nos pol\u00edticos, nem nos generais, nem nos pr\u00f3prios respons\u00e1veis ou mentores das convic\u00e7\u00f5es da sociedade, nem nos edificadores da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Interessante seria sugerir aos respons\u00e1veis alguns conceitos esquecidos. O primeiro \u00e9 o da boa conviv\u00eancia social, assente na verdade e no esp\u00edrito fraterno e de respeito m\u00fatuo. O Papa Francisco chamou-lhe al\u00e9m disso \u201cuma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade\u201d (<em>Laudato S\u00ec,<\/em>\u00a0231).<\/p>\n<p>E na\u00a0<em>Fratelli Tutti<\/em>\u00a0salienta a raiz de toda a pol\u00edtica que conduza \u00e0 paz: a que \u00e9 \u201ccentrada na dignidade humana\u201d, na consci\u00eancia dos cidad\u00e3os, o conceito e pr\u00e1tica da pol\u00edtica como servi\u00e7o do bem comum, da erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n<p>O apelo \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, aos mediadores e \u00e0 arbitragem de conflitos \u00e9 igualmente proposta da Na\u00e7\u00f5es Unidas para a solu\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p>Infelizmente n\u00e3o tem sido este o caminho dos dirigentes pol\u00edticos. Agir atrav\u00e9s da viol\u00eancia constitui o caminho da destrui\u00e7\u00e3o, como\u00a0 o que est\u00e1 a ocorrer nos locais de guerra. Destruir para pensar ganhar \u00e9 a mais b\u00e1rbara das ilus\u00f5es. E no entanto \u00e9 o caminho que tantos insistem em seguir.<\/p>\n<p>Talvez seja tempo de promover os her\u00f3is do futuro, como lembra a\u00a0<em>Fratelli Tutti<\/em>: Os her\u00f3is do futuro ser\u00e3o aqueles que souberem quebrar a l\u00f3gica da viol\u00eancia, e sustentar respeitosamente uma palavra densa de verdade. Queira Deus que estes her\u00f3is se estejam gerando silenciosamente no cora\u00e7\u00e3o da nossa sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre M. 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