{"id":340953,"date":"2024-09-18T10:54:12","date_gmt":"2024-09-18T09:54:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=340953"},"modified":"2024-09-18T10:54:12","modified_gmt":"2024-09-18T09:54:12","slug":"seria-uma-lanca-em-africa-e-um-pe-na-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/seria-uma-lanca-em-africa-e-um-pe-na-lua\/","title":{"rendered":"Seria uma lan\u00e7a em \u00c1frica e um p\u00e9 na lua&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, DIocese de Portalegre Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-184289\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o vai longe entrou na moda a palavra resili\u00eancia. Nasceu na f\u00edsica para falar das propriedades de resist\u00eancia dum material sob press\u00f5es de v\u00e1ria ordem. Passou depois para as ci\u00eancias humanas, sobretudo para a psicologia, falando de aspetos do comportamento humano. No dobrar do mil\u00e9nio e com a crise econ\u00f3mica e financeira, come\u00e7ou a andar por a\u00ed, a cotio, nos discursos, nos debates, nos programas pol\u00edticos, nos programas de\u00a0recupera\u00e7\u00e3o, de ajustamento&#8230; Hoje, usa-se ao jeito do jogador que, sem tempo para pensar, chuta com o p\u00e9 que tem mais \u00e0 m\u00e3o, mesmo que a bola passe por cima da barra a evidenciar que foi mais uma oportunidade falhada. E a\u00ed anda ela, essa palavra, a insistir que \u00e9 preciso ser resiliente na vida pessoal, familiar, eclesial, pol\u00edtica, profissional, social, desportiva, escolar, acad\u00e9mica, econ\u00f3mica, empresarial&#8230; Todas as dificuldades com que a vida nos mimoseia, sempre que a vida nos apresenta a necessidade de enfrentar novos desafios ou de ir mais al\u00e9m, precisamos de resili\u00eancia e gana de vencer. Para que resulte, por\u00e9m, conv\u00e9m ter presente que a cobra foi mais resiliente que Ad\u00e3o e Eva.<\/p>\n<p>Por sua vez, o Papa Francisco trouxe \u00e0 ribalta, na Igreja, a palavra \u2018sinodalidade\u2019. A palavra tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nova. Se esquecida, ela \u00e9 uma dimens\u00e3o constitutiva da Igreja.<\/p>\n<p>Caminhando pelas sendas da hist\u00f3ria ao encontro de Cristo, a Igreja, como peregrina da esperan\u00e7a, convida todos os seus membros a que experimentem a import\u00e2ncia e a beleza de \u2018caminhar juntos\u2019, congregando sinergias em todas as \u00e1reas da sua miss\u00e3o. A palavra \u2018s\u00ednodo\u2019 \u00e9 composta por duas palavras gregas: \u2018syn\u2019, que significa \u2018com\u2019, e \u2018hodos\u2019, que significa \u2018caminho\u2019. \u00c9 um \u2018caminho com\u2019, um caminhar juntos, \u201cum conceito f\u00e1cil de exprimir em palavras, mas n\u00e3o t\u00e3o f\u00e1cil de p\u00f4r em pr\u00e1tica\u201d, como afirma Francisco. E, se, na Igreja, apesar do Esp\u00edrito de Deus que nos anima, \u00e9 dif\u00edcil entranhar a sinodalidade devido ao esp\u00edrito do mundo que sempre espreita e tenta impor-se, quanto mais o n\u00e3o ser\u00e1 se for o esp\u00edrito do mundo a dar o tom \u00e0 vida social e \u00e0 governan\u00e7a da p\u00f3lis!&#8230;<\/p>\n<p>Se, com resili\u00eancia, \u2018mutatis mutandis\u2019, os pol\u00edticos achassem por bem p\u00f4r em pr\u00e1tica o conceito de sinodalidade com todas as suas exig\u00eancias e consequ\u00eancias, com certeza que tamb\u00e9m sentiriam a alegria de caminhar juntos no tra\u00e7ar das grandes linhas estruturais de a\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds. N\u00e3o se correria o risco de, sempre que mudam os governantes, se mudar de rumo, quer na sa\u00fade, quer na educa\u00e7\u00e3o, quer nisto ou naquilo. Se, com a coragem do cego \u00e0 margem do caminho, se atirasse com a capa dos imposs\u00edveis ao ar e se desse um salto para a estrada que liberta e conduz a bom porto, tudo poderia ser diferente. Todos se sentariam \u00e0 mesa da m\u00fatua confian\u00e7a com o presigo da responsabilidade no prato e um Alvarinho no copo para suavizar o esfor\u00e7o da conversa\u00e7\u00e3o. Ao estilo sinodal, tudo seria, calma e conscientemente, escutado, avaliado, discernido e assumido como fruto do consenso que naturalmente viria ao de cima. E ent\u00e3o, sim, depois, que cada partido se desunhasse e esfolasse a ver como \u00e9 que haveria de p\u00f4r isso em pr\u00e1tica, mais depressa e melhor, sem voltar atr\u00e1s, sem desertar, sem se fechar na sua concha e ambi\u00e7\u00e3o. Seria uma lan\u00e7a em \u00c1frica e um p\u00e9 na Lua, um pequeno passo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u00e9 preciso fazer mas um grande passo em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds que desejamos ser. Este primeiro momento deveria come\u00e7ar pelas bases, por se ouvir o povo acerca dos seus problemas e car\u00eancias do dia-a-dia, do que pensa e sonha ver concretizado. Dever-se-ia valorizar a sua escuta e partilha, atrav\u00e9s das associa\u00e7\u00f5es e entidades, das freguesias e dos concelhos, das comunidades intermunicipais e dos partidos pol\u00edticos, locais e regionais. Evitar-se-ia que, quem assume finalmente a discuss\u00e3o na Assembleia da Rep\u00fablica, n\u00e3o estivesse a falar do que pensa ou do que nem sequer pensa, mas falasse das preocupa\u00e7\u00f5es do povo que diz representar e daquilo que realmente interessa a todos.<\/p>\n<p>Com alguma linguagem da sinodalidade eclesial usada pelo Papa Francisco, expliquemos melhor esta coisa. Em primeiro lugar, se este passo da sinodalidade fosse assumido pela pol\u00edtica, n\u00e3o deveria ser entendido, nem desenvolvido, como se fosse um congresso, um parlamento, um falat\u00f3rio, onde, para alcan\u00e7ar um consenso ou um acordo comum, se recorre \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, a pactos ou a compromissos, a maiorias. Como sabemos, a verdade, o bem e a justeza das leis, n\u00e3o dependem de maiorias. H\u00e1 a\u00e7\u00f5es legitimadas pela lei e pelas maiorias que n\u00e3o s\u00e3o l\u00edcitas nem humanas. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trataria de umas tantas pessoas subirem \u00e0 tribuna a falar para os outros ouvirem. N\u00e3o, neste primeiro momento n\u00e3o se trataria disso. Seria um momento de escuta e discernimento. O m\u00e9todo sinodal implica que todos falem francamente, sem medo e at\u00e9 ao fim, e todos oi\u00e7am com respeito e aten\u00e7\u00e3o, sem interromper, sem apontar o dedo, sem se julgar superior, sem mostrar ares de desagradado, sem querer que a sua ideia ven\u00e7a ou a queira impor, sem absolutizar o que diz e sem relativizar o que os outros dizem, sem hostilidades, sem artimanhas nem ratoeiras, sem ornamenta\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas ou adornos lingu\u00edsticas, sem r\u00f3tulos de progressista ou de conservador, de direita ou de esquerda, de An\u00e1s ou de Caif\u00e1s, de Herodes ou de Pilatos. Esta sabedoria comportamental guiada por um bem maior que \u00e9 o bem-estar do povo, sabe falar, sabe escutar, sabe ver, ler e discernir o melhor, gerando a vontade de, conjuntamente, o assumir. Us\u00e1-la seria um exerc\u00edcio de coragem pol\u00edtica, na humildade e em esp\u00edrito de servi\u00e7o, falando claro, com frontalidade e cora\u00e7\u00e3o aberto, de boa-f\u00e9, em tranquilidade e paz. Seria um exerc\u00edcio de esvaziamento das pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es e preconceitos, deixando-se surpreender pelo resultado do consenso, assumindo agora o que todos, naturalmente, entenderam ser o melhor. Se isto acontecesse, deixar-se-ia de viver continuamente no desgaste de novas experi\u00eancias por quem chega e pensa que traz a faca e o queijo na m\u00e3o. Perdem-se recursos e tempo, gera-se instabilidade, levantam-se as facas e n\u00e3o h\u00e1 queijo, avinagra-se quem sofre, prejudica-se o pa\u00eds que n\u00e3o avan\u00e7a tanto quanto devia avan\u00e7ar em benef\u00edcio de \u2018todos todos todos\u2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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