{"id":340274,"date":"2024-09-13T13:34:10","date_gmt":"2024-09-13T12:34:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=340274"},"modified":"2024-09-13T13:34:10","modified_gmt":"2024-09-13T12:34:10","slug":"dialogo-e-negociacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dialogo-e-negociacao\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logo e negocia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_152027\" aria-describedby=\"caption-attachment-152027\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-152027\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-152027\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Todos os seres humanos s\u00e3o diferentes e \u00fanicos. Mas tamb\u00e9m interdependentes. Ningu\u00e9m sobrevive sozinho. Por isso, desde crian\u00e7as, temos de aprender a viver juntos. Esta aprendizagem \u00e9 um dos pilares da boa educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a conviv\u00eancia pac\u00edfica na vida familiar, escolar e social, precisamos de desenvolver a capacidade de dialogar com os outros, aceitando-os como s\u00e3o. O di\u00e1logo \u00e9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o entre duas ou mais pessoas, que permite partilhar ideias, negociar acordos, resolver conflitos e construir rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pensemos nos conflitos interpessoais. Quando as pessoas est\u00e3o afastadas por interesses divergentes ou opostos e desejam aproximar-se, como devem dialogar? Depende das circunst\u00e2ncias. Mas h\u00e1 cinco boas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>1. Escolher o momento oportuno<\/strong><\/p>\n<p>Uma das boas pr\u00e1ticas \u00e9 escolher o momento oportuno para o di\u00e1logo. Antes de conversar, os interlocutores em conflito precisam de tempo para tomar consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o, perceber bem o que aconteceu e porque aconteceu. Cada um deve ponderar antecipadamente o que dizer, como dizer e quando dizer, considerando os seus interesses e os interesses do outro.<\/p>\n<p>Qual o tempo certo para iniciar o di\u00e1logo? N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil saber. Os pequenos conflitos devem ser enfrentados o mais depressa poss\u00edvel, antes que se tornem grandes. Mas a precipita\u00e7\u00e3o d\u00e1 maus resultados: agrava os problemas e afasta as pessoas.<\/p>\n<p>Caso queiram entender-se, os interlocutores t\u00eam de estar dispon\u00edveis para conversar presencialmente, olhos nos olhos, de forma calma e racional, num local adequado e sem interfer\u00eancias do exterior. Nos momentos de cansa\u00e7o, irrita\u00e7\u00e3o ou descontrolo emocional de qualquer um dos interlocutores, \u00e9 prudente guardar sil\u00eancio e adiar a comunica\u00e7\u00e3o para melhor oportunidade.<\/p>\n<p><strong>2. Escutar com empatia<\/strong><\/p>\n<p>O di\u00e1logo construtivo come\u00e7a pela escuta ativa. Escutar antes de falar \u00e9 o segredo da comunica\u00e7\u00e3o interpessoal. N\u00e3o podemos ignorar este facto.<\/p>\n<p>Na posi\u00e7\u00e3o de ouvintes, devemos oferecer disponibilidade ao nosso interlocutor e escut\u00e1-lo com paci\u00eancia at\u00e9 ao fim, permitindo que ele exponha livremente o seu ponto de vista, a sua verdade, ainda que nos apete\u00e7a cortar-lhe a palavra. Esta atitude generosa, cada vez mais rara, cativa o interlocutor e produz um impacto positivo no di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Para garantir uma interpreta\u00e7\u00e3o correta da mensagem recebida, o ouvinte prudente presta aten\u00e7\u00e3o \u00e0s palavras e \u00e0 linguagem corporal (express\u00f5es faciais e gestos) do interlocutor. E, sempre que necess\u00e1rio, faz perguntas ou pede esclarecimentos. Enquanto persistirem d\u00favidas ou equ\u00edvocos, o di\u00e1logo n\u00e3o avan\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma pessoa dialogante escuta com empatia. Revela capacidade de se colocar no lugar dos outros para compreender as suas motiva\u00e7\u00f5es e expectativas, o que eles pensam, sentem e querem. Sem julgamentos apressados.<\/p>\n<p><strong>3. Falar com clareza<\/strong><\/p>\n<p>Quando o nosso interlocutor se mostra satisfeito por ter sido escutado e compreendido, est\u00e1 mais dispon\u00edvel para nos escutar e compreender. Chegou, ent\u00e3o, a nossa vez de falar com clareza e autoconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>Compete-nos apresentar o nosso ponto de vista num estilo de comunica\u00e7\u00e3o afirmativo, sem medo nem arrog\u00e2ncia. Opini\u00f5es divergentes devem ser expressas com honestidade e coragem, mas tamb\u00e9m com delicadeza e bom senso. Caso contr\u00e1rio, corremos o risco de ferir a autoestima do nosso interlocutor e despertar nele rea\u00e7\u00f5es negativas. As palavras s\u00e3o poderosas.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o eficaz \u00e9 uma arte dif\u00edcil. Umas vezes, n\u00e3o conseguimos transmitir exatamente aquilo que pensamos, sentimos e queremos. Outras vezes, o nosso interlocutor est\u00e1 distra\u00eddo ou escuta apenas aquilo que lhe interessa. Assim, torna-se necess\u00e1rio confirmar que fomos bem compreendidos e n\u00e3o restam ambiguidades. Fazer-se entender \u00e9 uma responsabilidade de quem fala.<\/p>\n<p><strong>4. Discordar sem agredir<\/strong><\/p>\n<p>No processo de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, as pessoas dialogantes procuram pontos comuns, \u00e1reas de concord\u00e2ncia. Valorizam mais aquilo que as aproxima do que aquilo que as separa.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o honesto concordar como discordar. Devemos aceitar diverg\u00eancias com toler\u00e2ncia e reconhecer com humildade as raz\u00f5es dos outros, sem querer impor a nossa perspetiva, pois podemos estar enganados. Ningu\u00e9m sabe tudo. Cada um de n\u00f3s conhece apenas uma pequena parcela da realidade. Com a mente aberta, aprendemos uns com os outros. Todos ganham.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo aut\u00eantico exige respeito m\u00fatuo, o que exclui o recurso \u00e0 viol\u00eancia. A liberdade de discordar n\u00e3o d\u00e1 a ningu\u00e9m o direito de ofender ou atacar os outros, como se eles fossem est\u00fapidos. \u00c9 prova de maturidade social e \u00e9tica saber discordar sem agredir.<\/p>\n<p>Embora possamos ter estatutos e papeis sociais diferentes, somos todos iguais em dignidade e direitos. Temos a obriga\u00e7\u00e3o moral de respeitar os outros, trat\u00e1-los humanamente, mesmo quando n\u00e3o concordamos com o que pensam, dizem ou fazem.<\/p>\n<p><strong>5. Negociar acordos satisfat\u00f3rios<\/strong><\/p>\n<p>Dialogando num clima de boa-f\u00e9, sem press\u00f5es nem acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas, os interlocutores em conflito podem negociar acordos justos e satisfat\u00f3rios para ambas as partes. H\u00e1, no essencial, dois tipos de acordo: a solu\u00e7\u00e3o de compromisso e a solu\u00e7\u00e3o alternativa.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o de compromisso, usada com frequ\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e intergrupais, corresponde \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de interesses diferentes, aparentemente incompat\u00edveis. Neste caso, as pessoas envolvidas no conflito defendem com firmeza os seus interesses, mas mostram-se flex\u00edveis para fazer ced\u00eancias. O acordo resulta do esfor\u00e7o de aproxima\u00e7\u00e3o gradual dos interlocutores, tendo em conta o m\u00e1ximo pretendido e o m\u00ednimo aceit\u00e1vel por cada um deles.<\/p>\n<p>Este tipo de acordo n\u00e3o satisfaz completamente nenhuma das partes. Ningu\u00e9m ganha tudo o que pretende. Apesar disso, se houver equil\u00edbrio entre exig\u00eancias e ced\u00eancias, o compromisso suaviza o conflito e evita o corte de rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mais satisfat\u00f3ria, mas tamb\u00e9m mais desafiante, \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o alternativa, que se traduz na cria\u00e7\u00e3o de uma proposta nova, diferente das posi\u00e7\u00f5es iniciais de cada interlocutor. Fruto da uni\u00e3o de vontades, esta solu\u00e7\u00e3o supera a simples concilia\u00e7\u00e3o de interesses e visa atingir objetivos comuns definidos pelos interlocutores, que cooperam entre si como aliados e n\u00e3o se comportam como advers\u00e1rios em competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem tudo \u00e9 negoci\u00e1vel. L\u00edderes e educadores competentes sabem isso por experi\u00eancia. Mas um bom acordo, baseado em princ\u00edpios e valores, \u00e9 a chave para resolver conflitos e fortalecer as rela\u00e7\u00f5es humanas. Como diz a sabedoria popular: \u201cA falar \u00e9 que a gente se entende.\u201d<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro<br \/>\n<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0Professor e Formador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":152027,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-340274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=340274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340274\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=340274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=340274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=340274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}