{"id":33996,"date":"2008-09-09T11:52:16","date_gmt":"2008-09-09T11:52:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/09\/09\/carta-pastoral-de-d-antonio-marto-para-o-ano-pastoral-2008-2009\/"},"modified":"2008-09-09T11:52:16","modified_gmt":"2008-09-09T11:52:16","slug":"carta-pastoral-de-d-antonio-marto-para-o-ano-pastoral-2008-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-pastoral-de-d-antonio-marto-para-o-ano-pastoral-2008-2009\/","title":{"rendered":"Carta Pastoral de D. Ant\u00f3nio Marto para o ano pastoral 2008-2009"},"content":{"rendered":"<p>\u00abIr ao cora\u00e7\u00e3o da F\u00e9\u00bb <!--more--> Car\u00edssimos Diocesanos, Irm\u00e3s e Irm\u00e3os no Senhor,  \u201cGra\u00e7a e Paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Salvador!\u201d(Tito 1,4)  Desejo saudar-vos, afectuosamente, com estas palavras do Ap\u00f3stolo Paulo a Tito, seu \u201cverdadeiro filho na f\u00e9 comum\u201d. Pe\u00e7o ao Senhor que me conceda poder partilhar como bispo, sucessor dos Ap\u00f3stolos, a miss\u00e3o e a paix\u00e3o de Paulo \u201cservo de Deus, ap\u00f3stolo de Jesus Cristo, para chamar \u00e0 f\u00e9 os eleitos de Deus e ao conhecimento da verdade, que conduz \u00e0 piedade, na esperan\u00e7a da vida eterna\u201d (Tito 1,1-2). Sim, \u00f3 Senhor Jesus, guarda sempre viva e forte em mim a consci\u00eancia da miss\u00e3o que me confiaste: \u201cchamar \u00e0 f\u00e9 os eleitos de Deus\u201d, ou seja, todos os homens por Ele amados; cham\u00e1-los \u201cao conhecimento da verdade\u201d que resplandece nas palavras da Revela\u00e7\u00e3o divina e que encontra a plenitude de luz em Ti, Palavra incarnada.  Esta palavra \u201cconduz \u00e0 piedade\u201d, a uma vida filial, boa e bela; que est\u00e1 fundada \u201cna esperan\u00e7a da vida eterna\u201d, e, assim, abre os nossos olhos e o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 alegria e \u00e0 plenitude da vida em Deus.  \u00c9 com esta consci\u00eancia da miss\u00e3o e com esta invoca\u00e7\u00e3o ao Senhor que vos escrevo a presente carta pastoral, para vos apresentar o percurso da nossa Igreja diocesana para o ano pastoral 2008\/09. Esta carta \u00e9 fruto n\u00e3o s\u00f3 da minha reflex\u00e3o, mas tamb\u00e9m do contributo dos v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os pastorais diocesanos cuja dedicada colabora\u00e7\u00e3o agrade\u00e7o. Como sabeis, estamos a seguir o percurso j\u00e1 tra\u00e7ado pelo S\u00ednodo Diocesano nas suas linhas gerais. A primeira etapa foi dedicada a descobrir a beleza e a alegria da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e do acolhimento, como resposta e express\u00e3o da infinita ternura de Deus. N\u00e3o posso concentrar-me aqui sobre todas as iniciativas que se realizaram. Mas, se h\u00e1 uma imagem que me ficou mais gravada que outras no olhar, no cora\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria, foi a participa\u00e7\u00e3o impressionante de tantos adolescentes e jovens nas vig\u00edlias vocacionais em cada vigararia. A esta imagem associo tamb\u00e9m a do entusiasmo, que senti de perto, nos jovens que participaram no grupo vocacional de Santo Agostinho e nos adolescentes do Pr\u00e9-Semin\u00e1rio. Tudo isto \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a a desmentir uma tend\u00eancia para o pessimismo, relativa ao trabalho pastoral com os jovens. Poderemos n\u00f3s deixar perder este \u201ccapital\u201d de esperan\u00e7a? Admir\u00e1vel foi tamb\u00e9m a ades\u00e3o de muitas pessoas (\u00e0 volta de 5.000) e grupos \u00e0 proposta de \u201cretiro popular\u201d durante a Quaresma. Quem ousa dizer que n\u00e3o vale a pena fazer propostas porque n\u00e3o h\u00e1 disponibilidade das pessoas para as agarrar?  <b>Caminho em sintonia com a Igreja universal<\/b> Este ano pastoral ser\u00e1 dedicado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 em ordem \u00e0 revitaliza\u00e7\u00e3o e crescimento da f\u00e9, da sua viv\u00eancia espiritual e do seu testemunho.  Vem na sequ\u00eancia l\u00f3gica do tema da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, assume-o e prepara para o percurso futuro. Com efeito, \u201ca forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is leigos tem como objectivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e a disponibilidade cada vez maior para viv\u00ea-la no cumprimento da pr\u00f3pria miss\u00e3o\u201d. (Jo\u00e3o Paulo II, Voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o dos fi\u00e9is leigos, n\u00ba 58). A forma\u00e7\u00e3o na f\u00e9 \u00e9 hoje mais necess\u00e1ria que nunca. Trata-se de \u201cir ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u201d para descobrir a sua riqueza, a sua beleza, o seu encanto, a sua alegria e a sua for\u00e7a irradiante. Uso aqui o termo \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d num tr\u00edplice significado: enquanto n\u00facleo central da f\u00e9, que \u00e9 Jesus Cristo; como centro propulsor que leva o \u201csangue\u201d, a vitalidade, o dinamismo, a todos os membros do corpo que \u00e9 a Igreja; e como o lugar\u2013s\u00edmbolo do afecto com que se acolhe no \u00edntimo de cada um, cheio de confian\u00e7a, o an\u00fancio de Cristo Salvador: \u201cSe confessares com a tua boca que \u00abJesus \u00e9 o Senhor\u00bb e acreditares no teu cora\u00e7\u00e3o que Deus o ressuscitou dentre os mortos, ser\u00e1s salvo\u201d (Rom 10,9). Providencialmente, este ano pastoral coincide com dois grandes acontecimentos da Igreja universal, que de modo algum podemos ignorar e que vamos integrar no nosso percurso pastoral. Ali\u00e1s, v\u00eam enriquec\u00ea-lo muito. O primeiro \u00e9 o S\u00ednodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Um s\u00ednodo dedicado a redescobrir a infinita bondade e ternura de Deus que, na sua Palavra, se revela ao homem como amigo, conversa com ele, convida-o \u00e0 comunh\u00e3o consigo e a colaborar com Ele na transforma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, segundo o seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o. Chama-nos, assim, a aten\u00e7\u00e3o para a primazia da Palavra de Deus na forma\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os. O segundo acontecimento \u00e9 o Ano Paulino para comemorar os dois mil anos do nascimento do grande Ap\u00f3stolo Paulo. \u201cEle brilha como uma estrela de primeira grandeza na hist\u00f3ria da f\u00e9 e do cristianismo\u201d. (Bento XVI). Neste sentido, o Santo Padre proclamou um \u201cAno Paulino\u201d, que \u2013 \u00e0 semelhan\u00e7a do Ano Jubilar da reden\u00e7\u00e3o \u2013 possa ajudar a Igreja a redescobrir a rica e bela mensagem de Paulo, para se enamorar cada vez mais de Cristo e reavivar a f\u00e9. S\u00e3o Paulo ser\u00e1, pois, o mestre e guia no nosso caminho pastoral. Por isso, escolhemos como lema b\u00edblico para este ano a exorta\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo: \u201cPermanecei firmes e s\u00f3lidos na f\u00e9\u201d (Col 1,23). E, como s\u00edmbolo, escolhemos um \u00edcone de S\u00e3o Paulo a evocar o rosto da sua f\u00e9 viva, do seu amor apaixonado por Jesus Cristo, do seu ardor mission\u00e1rio. Esta carta pastoral \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre a forma\u00e7\u00e3o para uma f\u00e9 adulta. A primeira parte apresenta o panorama cultural em que n\u00f3s somos chamados a viver a f\u00e9 e o desafio que isso representa para a forma\u00e7\u00e3o. Na segunda parte, procuramos \u201cir ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u201d, \u00e0 luz de S\u00e3o Paulo e na terceira apresentamos os diversos itiner\u00e1rios da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Na \u00faltima, oferecemos indica\u00e7\u00f5es e propostas pastorais concretas para as comunidades e para a Diocese.  <b>1.\u201cSENTINELA, QUE V\u00caS NA NOITE?\u201d (Is 21,11): A NOITE DA F\u00c9 NO NOSSO TEMPO<\/b>  Para indicar o esp\u00edrito com que pretendo analisar a situa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 hoje, escolhi uma palavra do profeta Isa\u00edas, algo enigm\u00e1tica. Parece imitar um canto que as sentinelas cantavam na noite para n\u00e3o cair no sono: \u201cChamam por mim desde Seir: Sentinela, que v\u00eas na noite? Sentinela, que v\u00eas na noite? E a sentinela responde: Chega a manh\u00e3 e a noite tamb\u00e9m. Se quereis voltar a perguntar, vinde de novo.\u201d (Is 21,11-12).  A imagem da sentinela \u00e9 sugestiva. Evoca a noite, a solid\u00e3o, o estado de vigia, a advert\u00eancia do perigo a assinalar, o temor do inimigo, uma situa\u00e7\u00e3o em geral inc\u00f3moda, mas tamb\u00e9m a esperan\u00e7a da aurora do novo dia. Por isso, estes vers\u00edculos, misteriosos e provocadores, s\u00e3o usados como imagem para indicar a fadiga de perscrutar o tempo presente e o seu significado para a f\u00e9. Uma fadiga semelhante \u00e0 da sentinela que perscruta na noite; e uma vez despontado o dia, volta de novo a fadiga, porque volta tamb\u00e9m a noite. E, contudo, h\u00e1 momentos em que se torna imperativo e inevit\u00e1vel a responsabilidade de perscrutar na noite, como \u00e9 o momento em que vivemos. Na noite do cen\u00e1rio da hist\u00f3ria, a n\u00f3s crist\u00e3os \u00e9-nos pedido procurar penetrar a obscuridade, estar prontos \u00e0 escuta das quest\u00f5es e dificuldades para a viv\u00eancia e testemunho da nossa f\u00e9, mas tamb\u00e9m a discernir os apelos de Deus nesta situa\u00e7\u00e3o e as poss\u00edveis aberturas \u00e0 f\u00e9.  <b>1.1. Onde estamos?<\/b> Todos experimentamos que o mundo atravessa uma crise de fim de uma \u00e9poca. Sucedem-se muta\u00e7\u00f5es culturais profundas, a um ritmo vertiginoso, imposs\u00edveis de controlar e orientar. Assemelham-se a uma s\u00e9rie de abalos s\u00edsmicos com repercuss\u00f5es em todos os \u00e2mbitos da vida: familiar, social, cultural, pol\u00edtico, econ\u00f3mico e religioso. Afectam at\u00e9 os valores fundamentais e perenes. Est\u00e1 a nascer, de forma confusa e algo ca\u00f3tica, um mundo novo, um modo novo de viver no mundo. E todos sofremos as dores deste parto dif\u00edcil. Mudou tamb\u00e9m o contexto em que se vivia e transmitia a f\u00e9. Salta aos olhos de todos que j\u00e1 n\u00e3o vivemos mais numa \u201csociedade crist\u00e3\u201d (a cristandade), em que a f\u00e9 se transmitia em fam\u00edlia como uma heran\u00e7a e era protegida pelo ambiente social e cultural, ainda com refer\u00eancias aos princ\u00edpios crist\u00e3os. A f\u00e9 deixou de ter este suporte ambiental. Hoje vivemos numa situa\u00e7\u00e3o de pluralismo social e cultural. S\u00e3o-nos apresentados e oferecidos, como num mercado, os mais diversos projectos e modelos de vida. Muitos deles s\u00e3o estranhos ou contr\u00e1rios ao Evangelho e geram confus\u00e3o nos crist\u00e3os que n\u00e3o t\u00eam a prepara\u00e7\u00e3o s\u00f3lida da f\u00e9. Confrontamo-nos ainda com o pluralismo religioso. Surge, inevitavelmente, a quest\u00e3o da identidade crist\u00e3: porque sou crist\u00e3o? O cristianismo \u00e9 apenas mais uma religi\u00e3o entre as outras? Onde est\u00e1 o espec\u00edfico da f\u00e9 crist\u00e3? Assistimos tamb\u00e9m a uma perda progressiva da mem\u00f3ria crist\u00e3 tanto a n\u00edvel colectivo como individual. H\u00e1 tentativas de fazer aparecer a f\u00e9 crist\u00e3 como estranha \u00e0 cultura ou \u00e0 moda dominantes, como rel\u00edquia ou vest\u00edgio do passado, do tempo dos nossos av\u00f3s. Vai-se tornando moda ser agn\u00f3stico. Instala-se um clima de indiferen\u00e7a religiosa em que n\u00e3o h\u00e1 \u201couvido interior\u201d para Deus, nem \u201capetite\u201d espiritual. Neste clima, muitos crist\u00e3os deixaram-se atingir por um complexo de inferioridade, pelo temor de ser diferentes. Mais impressionante \u00e9 o analfabetismo e a iliteracia religiosos. Uma constata\u00e7\u00e3o que n\u00e3o podemos iludir \u00e9 a grande ignor\u00e2ncia de muitos cat\u00f3licos sobre os conte\u00fados, as no\u00e7\u00f5es e os conceitos mais elementares da f\u00e9. H\u00e1 crist\u00e3os de idade adulta que, em rela\u00e7\u00e3o ao conhecimento da f\u00e9, permanecem ao n\u00edvel infantil. Permanecem numa religiosidade vaga e superficial; s\u00e3o incapazes de dialogar com a cultura e de enfrentar, \u00e0 luz da f\u00e9, as novas quest\u00f5es que hoje se p\u00f5em. E n\u00e3o raramente trazem consigo representa\u00e7\u00f5es deturpadas da f\u00e9. Reduzem-na a um conjunto de pr\u00e1ticas, de preceitos, obriga\u00e7\u00f5es e proibi\u00e7\u00f5es como se fosse um fardo. Assim n\u00e3o descobrem a riqueza, a beleza e o encanto da f\u00e9 em Jesus Cristo. De facto, a ignor\u00e2ncia religiosa \u00e9 hoje uma das \u201cchagas\u201d da Igreja e o maior inimigo da f\u00e9. Mesmo ao n\u00edvel da catequese de crian\u00e7as e adolescentes, apesar de todos os esfor\u00e7os louv\u00e1veis para a sua renova\u00e7\u00e3o, os resultados n\u00e3o s\u00e3o muito satisfat\u00f3rios. Fico triste quando vou crismar a algumas par\u00f3quias e o p\u00e1roco, antecipadamente, me diz: \u201cSenhor Bispo, destes crismandos ficam apenas uns 10% de fi\u00e9is praticantes\u201d. Ou\u00e7o calado e interrogo-me interiormente: ser\u00e1 que estou destinado a ser bispo crismador de ateus pr\u00e1ticos que vivem como se Deus n\u00e3o existisse? Mas, apesar disso, \u00e9 mais forte em mim a esperan\u00e7a de que a semente lan\u00e7ada \u00e0 terra dar\u00e1 frutos a seu tempo!&#8230; Em s\u00edntese, verifica-se entre n\u00f3s o diagn\u00f3stico que Jo\u00e3o Paulo II tra\u00e7ou a respeito da situa\u00e7\u00e3o europeia: \u201cMuitos europeus pensam que sabem o que \u00e9 o cristianismo, mas realmente n\u00e3o o conhecem. Frequentemente, ignoram os rudimentos da f\u00e9. Muitos baptizados vivem como se Cristo n\u00e3o existisse: repetem-se gestos e sinais da f\u00e9 por ocasi\u00e3o das pr\u00e1ticas de culto, mas sem a correlativa e efectiva aceita\u00e7\u00e3o do conte\u00fado da f\u00e9 e ades\u00e3o \u00e0 pessoa de Jesus. Em muita gente, as grandes certezas da f\u00e9 foram substitu\u00eddas por um sentimento vago e pouco empenhativo; difundem-se v\u00e1rias formas de agnosticismo e ate\u00edsmo pr\u00e1tico que concorrem para agravar a diverg\u00eancia entre a f\u00e9 e a vida; muitos h\u00e1 que se deixaram contagiar pelo esp\u00edrito de um humanismo imanentista que enfraqueceu a sua f\u00e9, levando-os, com frequ\u00eancia, a abandon\u00e1-la completamente\u201d (Igreja na Europa, n\u00ba 47). Na noite da f\u00e9 h\u00e1 tamb\u00e9m \u201cestrelas da manh\u00e3\u201d que anunciam o despertar da aurora. Notam-se sinais de uma busca espiritual, de procura da bondade e da beleza da vida, que abrem caminhos ao an\u00fancio do Evangelho. T\u00eam surgido na Igreja novos dons do Esp\u00edrito e m\u00faltiplas iniciativas que reacendem a chama da f\u00e9 e a fortalecem. Despontam propostas de forma\u00e7\u00e3o e tem crescido o interesse e a ades\u00e3o de muitos fi\u00e9is. H\u00e1 adultos que redescobrem a f\u00e9 como uma m\u00fasica nova que d\u00e1 esperan\u00e7a e alegria \u00e0 vida. Sinto isto nas visitas pastorais.  <b>1.2. Para onde vamos?<\/b> Esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o nova em que somos chamados a viver a f\u00e9, em tempos dif\u00edceis. Devemos encar\u00e1-la com realismo e esperan\u00e7a. N\u00e3o podemos ficar junto ao muro das lamenta\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita. \u00c9 muito semelhante \u00e0quela em que nasceu e se desenvolveu o cristianismo e viveram os primeiros crist\u00e3os. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 negativa. \u00c9 uma crise acrisoladora, purificadora da nossa f\u00e9. \u00c9 um tempo providencial para reencontrar a autenticidade da f\u00e9. Mostra-nos que estamos a passar de um cristianismo transmitido como heran\u00e7a, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, por uma esp\u00e9cie de perten\u00e7a passiva, a uma f\u00e9 de op\u00e7\u00e3o livre, vivida como um percurso deliberado de ades\u00e3o consciente, convicta e alegre. \u00c9 uma prova\u00e7\u00e3o e provoca\u00e7\u00e3o, um desafio a crer mais (em profundidade) e a crer melhor (em qualidade). \u201cSup\u00f5e que haja o cuidado de promover a passagem de uma f\u00e9 apoiada na tradi\u00e7\u00e3o social, e que tem o seu valor, a uma f\u00e9 mais pessoal e adulta, esclarecida e convicta\u201d (Igreja na Europa, n\u00ba 50). Vale para n\u00f3s hoje o que Tertuliano dizia para o seu tempo (s\u00e9c. III): \u201cN\u00e3o se nasce crist\u00e3o; faz-se crist\u00e3o\u201d! O desafio, hoje, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 baptizar os novos convertidos, mas tamb\u00e9m levar os baptizados a converterem-se a Cristo e ao Seu Evangelho. Antes da quest\u00e3o: como anunciar a f\u00e9 aos outros?, precisamos de enfrentar ainda esta: como podemos n\u00f3s, enquanto crist\u00e3os e comunidade crist\u00e3, descobrir a riqueza da f\u00e9 e viv\u00ea-la, tornarmo-nos adultos na f\u00e9? Eis a raz\u00e3o da nossa preocupa\u00e7\u00e3o pastoral, que \u00e9 uma aposta decisiva para o s\u00e9culo XXI: formar para uma f\u00e9 adulta, deixando-nos iluminar por esse gigante da f\u00e9 que \u00e9 S\u00e3o Paulo.  <b>1.3. \u201cPassa e ajuda-nos\u201d(Act 16,9)<\/b> \u00c9 neste contexto que queremos viver o Ano Paulino na nossa Diocese. No livro dos Actos dos Ap\u00f3stolos h\u00e1 uma passagem muito sugestiva. Mostra-nos o itiner\u00e1rio da actividade mission\u00e1ria de S\u00e3o Paulo \u2013 o itiner\u00e1rio da Palavra de Deus \u2013 que o faz aportar \u00e0 Europa. \u00c9 a conhecida \u201cvis\u00e3o do maced\u00f3nio\u201d. Estando em Tr\u00f3ade, na \u00c1sia, \u201cdurante a noite, Paulo teve uma vis\u00e3o: um maced\u00f3nio estava de p\u00e9, diante dele, e fazia-lhe este pedido: \u201cPassa \u00e0 Maced\u00f3nia e vem ajudar-nos\u201d. Logo que Paulo teve esta vis\u00e3o, procur\u00e1mos partir para a Maced\u00f3nia, persuadidos de que Deus nos chamava, para a\u00ed anunciar a Boa Nova\u201d (16,9-10). Na Maced\u00f3nia podemos ver a figura dum povo, da pr\u00f3pria Europa. A s\u00faplica a Paulo \u00e9 um convite a fazer-se ao mar e a atravessar o estreito; \u00e9 um grito de quem est\u00e1 em perigo de perder-se e tem necessidade da ajuda e da luz do Evangelho. A evangeliza\u00e7\u00e3o de Paulo aparece, assim, como resposta ao grito da Europa, \u00e0 urg\u00eancia da gente que pede a Palavra; e faz parte do des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 Deus a guiar os acontecimentos. \u201cPassa e ajuda-nos\u201d \u00e9 tamb\u00e9m a nossa s\u00faplica hoje, a S\u00e3o Paulo, neste in\u00edcio do segundo mil\u00e9nio em que a Europa corre o perigo de esquecer e renegar a mem\u00f3ria e as ra\u00edzes da f\u00e9 crist\u00e3. \u201cPaulo n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s uma figura do passado que recordamos com venera\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m o nosso mestre, ap\u00f3stolo e arauto de Jesus Cristo tamb\u00e9m para n\u00f3s. Paulo quer falar connosco hoje. Por isso, quis proclamar este especial Ano Paulino: para escut\u00e1-lo e para aprender dele, agora, a f\u00e9 e a verdade, em que ele \u00e9 o nosso mestre\u201d \u2013 diz o Papa Bento XVI. Com a sua mestria, S\u00e3o Paulo conduzir-nos-\u00e1 ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e a nela crescer. Fa\u00e7amos uma pausa, em ora\u00e7\u00e3o silenciosa, pedindo:  Senhor, tu que guiaste S\u00e3o Paulo por caminhos misteriosos e o fizeste aportar \u00e0 Europa, at\u00e9 junto de n\u00f3s, para nos trazer a Tua Palavra, faz com que n\u00f3s o acolhamos hoje e acolhamos o Teu admir\u00e1vel des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o que ele proclamou com desassombro.  <b>2. IR AO CORA\u00c7\u00c3O DA F\u00c9, COM S\u00c3O PAULO 2.1. Um terramoto de luz no caminho de Damasco: a revela\u00e7\u00e3o de Cristo a Paulo<\/b> Se pergunt\u00e1ssemos a S\u00e3o Paulo qual o acontecimento fulcral e determinante de toda a sua vida, certamente n\u00e3o hesitaria em responder-nos: o encontro com Cristo Ressuscitado no caminho para Damasco \u2013 assim afirma o cardeal Martini. O que aconteceu a Paulo num dia incerto, entre 33 e 35 do s\u00e9c. I, a caminho de Damasco, ficou impresso na mem\u00f3ria colectiva atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o criadora de Caravaggio na famosa tela que se encontra na igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma: um enorme cavalo olha de soslaio para um Paulo que perdeu as estribeiras, ca\u00eddo por terra, inundado por um clar\u00e3o de luz repentina que desce do c\u00e9u como um raio que o cega. Mas a descri\u00e7\u00e3o desta singular manifesta\u00e7\u00e3o de Cristo a Paulo, narrada por S\u00e3o Lucas nos Actos dos Ap\u00f3stolos, em tr\u00eas textos (9,1-18; 22,3-21; 26,9-18), n\u00e3o inclui aquele cen\u00e1rio equestre. Detenhamo-nos, ent\u00e3o demoradamente, na primeira narra\u00e7\u00e3o (Act 9,1-18). Procuraremos descobrir em primeiro lugar a riqueza e beleza do conte\u00fado numa leitura meditada (lectio divina), para, num segundo momento, actualizar a sua mensagem para n\u00f3s. O texto descreve Saulo \u2013 que tinha tamb\u00e9m o nome romano de Paulo \u2013 como um judeu praticante e zeloso das tradi\u00e7\u00f5es religiosas e, por isso, advers\u00e1rio e perseguidor dos crist\u00e3os. Foi durante uma viagem em que se dispunha a prender crist\u00e3os, j\u00e1 perto de Damasco, que este homem, natural de Tarso, na actual Turquia, teve esse encontro decisivo com Cristo. O acontecimento \u00e9 descrito atrav\u00e9s de uma linguagem simb\u00f3lica, com o objectivo de expressar em palavras algo que excede a linguagem humana. Interessa-nos pois, compreender a experi\u00eancia sobrenatural de grande densidade que as palavras e os s\u00edmbolos deixam entrever. Como na sequ\u00eancia de um filme, o epis\u00f3dio desenrola-se em tr\u00eas cenas de extraordin\u00e1rio efeito.  1. Tudo come\u00e7a, sendo Paulo \u201cenvolvido subitamente por uma luz intensa vinda do c\u00e9u\u201d. O facto de tudo suceder subitamente acentua o car\u00e1cter inesperado do acontecimento: trata-se de uma gra\u00e7a divina completamente gratuita, imprevis\u00edvel, extraordin\u00e1ria. Deus \u00e9 sempre surpresa e surpreendente! A luz intensa vinda do c\u00e9u faz refer\u00eancia a uma experi\u00eancia divina. Como sucedera tantas vezes ao longo do Antigo Testamento, Deus manifesta a sua presen\u00e7a grande e maravilhosa, atrav\u00e9s de uma luz intensa, que deslumbra a pessoa e a eleva a uma realidade nova fascinante. Paulo n\u00e3o s\u00f3 v\u00ea essa luz, mas \u00e9 envolvido totalmente por ela: n\u00e3o \u00e9 algo exterior que ele contempla, mas toca toda a sua pessoa, abarca todo o seu ser e deixa-o cego.  \u00c9 o esplendor do Ressuscitado que o cega. De facto, Cristo \u201c\u00e9 um abismo de luz que cega e desassossega\u201d (Kierkgaard). O fulgor no qual \u00e9 envolvido faz com que caia por terra, express\u00e3o do assombro e atitude de adora\u00e7\u00e3o. Cai por terra, sim, mas n\u00e3o cai no vazio. Na realidade, cai nos bra\u00e7os do amor de Cristo, como mais tarde vir\u00e1 a descobrir. Paulo est\u00e1 fora de si, rendido ao que acaba de experimentar, incapaz de dizer ou fazer o que quer que seja.  2. Uma voz irrompe e interroga-o: Saulo, Saulo, porque me persegues? A resposta de Paulo mostra, uma vez mais, o assombro e o mist\u00e9rio no qual se sente envolvido: ainda n\u00e3o percebeu o que est\u00e1 a suceder e, menos ainda, de quem \u00e9 a voz que o interroga. Por isso, responde com uma pergunta: Quem \u00e9s tu, Senhor? A resposta que recebe \u00e9 a chave, a explica\u00e7\u00e3o de toda a experi\u00eancia: \u00e9 Jesus! Mas a frase tem um peso enorme: \u201cEu sou Jesus, a quem tu persegues\u201d. O texto original grego \u00e9 muito expressivo: ao utilizar literalmente o pronome pessoal \u201ceu\u201d (s\u00f3 se utiliza nos casos em que se quer sublinhar, num modo particular, o sujeito) acompanhado pelo verbo ser (eu sou), tem uma refer\u00eancia clara ao nome de Deus como foi revelado a Mois\u00e9s. Jesus ressuscitado revela-se assim a Paulo como sendo Deus. Quem lhe veio ao encontro, era o Deus que ele servia e a quem queria ser fiel. Mas agora descobre que esse Deus se identifica com a Pessoa de Jesus, a quem ele estava a perseguir na pessoa dos crist\u00e3os.  3. Segue-se uma ordem. \u201cErgue-te, entra na cidade e dir-te-\u00e3o o que tens a fazer\u201d. \u00c9 a continua\u00e7\u00e3o l\u00f3gica do anterior. O \u201cerguer-se\u201d, alude \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. Significa a nova etapa que come\u00e7a e \u00e9 a \u00fanica resposta que a pergunta de Jesus pode ter: dispor-se a uma vida nova, a um novo come\u00e7o. A partir de agora, j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 ele a decidir o que deve fazer; ser\u00e1 a comunidade, a Igreja que lhe transmitir\u00e1 o que Deus dele pretende. O facto de Paulo, ainda cego, ter de ser levado pela m\u00e3o e estar sem comer nem beber durante tr\u00eas dias at\u00e9 que lhe imponham as m\u00e3os e seja baptizado, acentua a profundidade do sucedido: a necessidade de interiorizar o acontecimento e a necessidade de purifica\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o para entrar plenamente na Igreja. S\u00f3 ent\u00e3o, Paulo recupera a luz que a \u201cvis\u00e3o\u201d tinha cegado.  \u00c9 curioso que Ananias, a quem Deus ordena ir ter com Paulo, ainda sem saber da sua convers\u00e3o, mostre medo de o encontrar pela fama que tinha. A resposta consoladora que recebe de Deus \u00e9 um resumo daquela que ser\u00e1 a vida de Paulo a partir daquele momento: \u201cVai, pois esse homem \u00e9 instrumento da minha escolha, para levar o meu nome entre os pag\u00e3os, os reis e os filhos de Israel. Eu mesmo lhe hei-de mostrar quanto ele tem de sofrer pelo meu nome!\u201d No futuro, devido a este encontro com Jesus, Paulo intitula-se e \u00e9 reconhecido por todos como Ap\u00f3stolo, equiparado aos doze que conviveram com Jesus durante os tr\u00eas anos da sua vida p\u00fablica. O caminho de Damasco tornou-se um s\u00edmbolo universal para indicar n\u00e3o s\u00f3 uma mudan\u00e7a existencial, mas tamb\u00e9m uma verdadeira fulgura\u00e7\u00e3o que transforma e transfigura todo o ser de uma pessoa. Al\u00e9m disso, tornou-se um paradigma do caminho espiritual de todo o crist\u00e3o, um itiner\u00e1rio de convers\u00e3o, de f\u00e9 e de amor a Cristo, que come\u00e7a pela experi\u00eancia pessoal do encontro com ele. Que nos diz a n\u00f3s hoje? Como ilumina o nosso crescimento e a nossa forma\u00e7\u00e3o na f\u00e9 e na vida crist\u00e3?  <b>2.2. \u201cFui agarrado por Cristo\u201d (Fil 2,12): a f\u00e9 como encontro com Cristo<\/b> Enquanto S\u00e3o Lucas narra o facto com uma grande riqueza de pormenores, Paulo nas suas cartas vai directo ao essencial. Para recordar a mudan\u00e7a radical da sua vida, v\u00e1rias vezes se refere a essa experi\u00eancia extraordin\u00e1ria em termos autobiogr\u00e1ficos. Ele fala de vis\u00e3o (Cristo fez-se ver a mim: 1Cor 15,8; 9,1), de ilumina\u00e7\u00e3o (2Cor 4,6) e sobretudo de revela\u00e7\u00e3o e voca\u00e7\u00e3o (aprouve a Deus revelar o Seu Filho em mim: Gal 1,15-16), de corrida ou luta (fui agarrado por Cristo: Fil 2,12), no encontro com o Ressuscitado. A express\u00e3o mais forte a que Paulo recorre talvez seja a da carta aos Filipenses (cf. Fil 3,2-16), onde diz que foi agarrado, apanhado, tomado, conquistado, alcan\u00e7ado, cativado por Cristo. Esta express\u00e3o est\u00e1 inserida no contexto de uma imagem proveniente do campo desportivo: Paulo corre para agarrar Cristo, tendo sido j\u00e1 agarrado por Ele. \u00c9 esta experi\u00eancia de ter sido \u201capanhado\u201d por Cristo, que d\u00e1 impulso \u00e0 sua \u201ccorrida\u201d; e, ao mesmo tempo, proporciona-lhe o maior tesouro: \u201ca maravilha que \u00e9 o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor\u201d. Sim, Jesus Cristo \u00e9 o seu tesouro! Foi uma revela\u00e7\u00e3o que provocou nele uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d: desde ent\u00e3o, tudo o que antes considerava \u201cum ganho\u201d tornou-se paradoxalmente, em palavras suas, \u201cperda e lixo\u201d. \u201cDaqui deriva para n\u00f3s uma li\u00e7\u00e3o muito importante: o que conta \u00e9 p\u00f4r Jesus Cristo no centro da pr\u00f3pria vida, de tal modo que a nossa identidade seja caracterizada, essencialmente, pelo encontro com Cristo e com a Sua Palavra. \u00c0 sua luz, qualquer outro valor \u00e9 recuperado e purificado de eventuais imperfei\u00e7\u00f5es\u201d (Bento XVI). Eis a originalidade da f\u00e9 crist\u00e3: ela encontra e exprime a sua originalidade na rela\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo. Ele \u00e9 o \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d da pr\u00f3pria f\u00e9, \u201co autor e aperfei\u00e7oador da nossa f\u00e9\u201d (Heb 12,2). \u00c9 o fundamento seguro, o conte\u00fado essencial e a meta viva e pessoal do acto de f\u00e9. S\u00f3 com os olhos postos em Cristo, o crist\u00e3o aprende a reconhecer a presen\u00e7a e a ac\u00e7\u00e3o de Deus que o busca, que vem ao seu encontro e o chama a uma comunh\u00e3o nova. Jesus Cristo \u00e9 o tesouro \u00fanico que o cristianismo tem para oferecer.  <b>2.3. \u201cVivo na f\u00e9 do Filho de Deus que me amou e se entregou por mim\u201d (Gal 2,20): a f\u00e9 como hist\u00f3ria de amor<\/b> Num passo ulterior, Paulo guia-nos \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo, redentor do homem e Senhor da hist\u00f3ria. Aqui deixa-nos ver a raz\u00e3o do seu encanto por Jesus, como t\u00e3o bem o exprime Bento XVI: \u201cNa carta aos G\u00e1latas, ele d\u00e1-nos uma profiss\u00e3o de f\u00e9 muito pessoal em que abre o seu cora\u00e7\u00e3o diante dos leitores de todos os tempos e mostra qual \u00e9 a mola mais \u00edntima da sua vida: \u201cVivo a vida presente na f\u00e9 do Filho de Deus que me amou e se entregou por mim\u201d (2,20). Tudo o que Paulo faz, parte deste centro. A sua f\u00e9 \u00e9 a experi\u00eancia do ser amado por Jesus Cristo de modo completamente pessoal: \u00e9 a consci\u00eancia de que Cristo enfrentou a morte n\u00e3o por qualquer coisa an\u00f3nima, mas por amor dele, Paulo; e de que, como Ressuscitado, o continua a amar agora, isto \u00e9, que Cristo se entregou por ele. A sua f\u00e9 \u00e9 o ser alcan\u00e7ado pelo amor de Jesus Cristo, um amor que o toca no mais \u00edntimo e o transforma. A sua f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma teoria, uma opini\u00e3o sobre Deus e sobre o mundo. A sua f\u00e9 \u00e9 o impacto do amor de Deus no seu cora\u00e7\u00e3o. E assim esta f\u00e9 \u00e9 amor por Jesus Cristo.\u201d Vemos portanto que a f\u00e9 n\u00e3o nos coloca frente a coisas ou a um elenco de verdades abstractas e portanto frias ou ainda perante um conjunto de obriga\u00e7\u00f5es e proibi\u00e7\u00f5es. Crer \u00e9 aceitar alegremente, como v\u00e1lido para mim tal qual sou, esse inigual\u00e1vel acto pessoal de Jesus \u201cFilho de Deus que me amou e se entregou por mim\u201d. S\u00f3 o Amor \u00e9 digno de f\u00e9! S\u00f3 daqui, o crist\u00e3o tira luz e for\u00e7a para a sua vida presente que se torna vida nova. N\u00e3o \u00e9 uma teoria ou uma lei que nos salva; \u00e9 a pessoa viva de Cristo acolhido como Filho de Deus e Salvador nosso. Ele \u00e9 tudo para n\u00f3s como foi para Paulo: Ele \u00e9 \u201ca nossa paz\u201d (Ef 2,14) \u201ca nossa vida\u201d (Col 3,4) nossa \u201csabedoria, justi\u00e7a, santifica\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o\u201d (1Cor 1,30), nosso \u201c\u00fanico fundamento\u201d (1Cor 4,11), \u201cnossa esperan\u00e7a\u201d (Col 1,27)! \u201cSe n\u00e3o nos enamorarmos de Cristo, n\u00e3o teremos interesse algum como crist\u00e3os\u201d (J. Ratzinger).  <b>2.4. \u201cBendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo&#8230;\u201d (Ef 1,3): a f\u00e9, um sim ao Deus-Amor<\/b> Por amor de Cristo, Paulo foi feito prisioneiro. Na pris\u00e3o sente que a amea\u00e7a de morte pende sobre ele como uma espada de D\u00e1mocles. Na sua solid\u00e3o, pensando porventura no fim pr\u00f3ximo, procura, de algum modo, \u201ccompreender qual a amplid\u00e3o, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que excede todo o conhecimento\u201d (Ef 3,18-19). E no amor de Cristo contempla, deslumbrado, a beleza e a riqueza da ternura de Deus que se revela no \u201cFilho do Seu Amor\u201d, como um projecto a realizar na hist\u00f3ria dos homens. Do cora\u00e7\u00e3o de Paulo comovido, at\u00e9 \u00e0s entranhas, brota um hino de j\u00fabilo, um Magnificat de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as (cf. Ef 1,3-16). A\u00ed desenvolve, como num grande fresco, o grandioso projecto de Deus e convida a associarmo-nos \u00e0 sua contempla\u00e7\u00e3o maravilhada: n\u00e3o \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de um objecto ou coisa bela, mas antes \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de um Deus que nos surpreende com a sua iniciativa, o seu sonho de amor para connosco e nos agracia com toda a esp\u00e9cie de dons espirituais, em Cristo. Contemplemos, pois, estes dons, ainda que brevemente:  \u2013 o amor de elei\u00e7\u00e3o e predilec\u00e7\u00e3o que nos envolve e precede desde toda a eternidade, tal como o amor dos nossos pais nos precede antes de nos gerarem para a vida. Eis porque, de maneira t\u00e3o estupenda, S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, afirma: \u201cDeus ama-me n\u00e3o porque sou bom; mas faz-me bom ao amar-me\u201d; \u2013 o dom da filia\u00e7\u00e3o pelo qual nos introduz no mist\u00e9rio da sua intimidade e nos faz participantes da sua vida divina, da sua santidade; \u2013 o dom da reden\u00e7\u00e3o pelo qual nos recria e regenera atrav\u00e9s da sua miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o; \u2013 o dom da reconcilia\u00e7\u00e3o pelo qual nos une a todos em comunh\u00e3o para formar um s\u00f3 povo e um s\u00f3 corpo de que Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a; \u2013 o dom do Esp\u00edrito Santo no baptismo como in\u00edcio da vida nova e garantia da vida eterna como nossa heran\u00e7a; \u2013 e, como v\u00e9rtice, o dom da recapitula\u00e7\u00e3o final, ou seja, da plenitude de vida que nos espera na ressurrei\u00e7\u00e3o.  Eis aqui a s\u00edntese da f\u00e9 crist\u00e3! Como n\u00e3o dizer \u201c\u00e1men\u201d (sim) a um Deus assim e ao seu des\u00edgnio de amor? Como n\u00e3o dobrar os joelhos diante do Pai de quem toma nome toda a fam\u00edlia no c\u00e9u e na terra? (cf. Ef 3,14). Eis aqui um espelho m\u00edstico no qual cada crist\u00e3o e cada comunidade podem ler a infinita ternura de Deus e a sua maravilhosa voca\u00e7\u00e3o a serem colaboradores de Deus neste seu projecto. E que fant\u00e1stica vis\u00e3o do mundo e da hist\u00f3ria nos oferece! Enquanto tantos homens n\u00e3o sabem porque est\u00e3o sobre a terra e para onde caminham; enquanto alguns apregoam, com grande ret\u00f3rica, que tudo \u00e9 absurdo, Deus enche-nos da sua sabedoria e garante-nos que a hist\u00f3ria humana tem um sentido, uma direc\u00e7\u00e3o, um significado, uma meta. A f\u00e9 d\u00e1-nos, pois, uma profunda confian\u00e7a e uma imensa alegria para a vida! Como estamos longe da religi\u00e3o do medo!  <b>2.5. O que \u00e9 que suscita e alimenta a f\u00e9?<\/b> S\u00e3o Paulo ensina-nos que \u00e9 fundamental p\u00f4r Jesus Cristo no centro da nossa vida para que marque todo o nosso ser. Mas, imediatamente, surge a pergunta: Como se d\u00e1 o encontro dum ser humano com Cristo? O que \u00e9 que desperta a f\u00e9, a alimenta e nos faz crescer na vida com Cristo?  <b>2.5.1. \u201cEsta palavra \u00e9 a da f\u00e9 que anunciamos\u201d (Rom 10,8): a escuta da Palavra<\/b> H\u00e1 uma passagem verdadeiramente iluminante na carta aos Romanos, como resposta \u00e0 quest\u00e3o: \u201c\u00c9 junto de ti que est\u00e1 a palavra: na tua boca e no teu cora\u00e7\u00e3o. Esta palavra \u00e9 a da f\u00e9 que anunciamos. Porque se confessares com a tua boca: \u201cJesus \u00e9 o Senhor\u201d e acreditares que Deus o ressuscitou dentre os mortos, ser\u00e1s salvo&#8230; E como h\u00e3o-de acreditar naquele de quem n\u00e3o ouviram falar? E como h\u00e3o-de ouvir falar sem algu\u00e9m que o anuncie?&#8230; Portanto, a f\u00e9 surge da prega\u00e7\u00e3o e a prega\u00e7\u00e3o surge pela palavra de Cristo\u201d (Rom 10,8-9.14-17). \u00c0queles que julgam que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo dif\u00edcil e complicado, submetido a uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas extenuantes, Paulo diz que a Palavra da Salva\u00e7\u00e3o espera somente ser acreditada e professada com o cora\u00e7\u00e3o e a boca. Mas, para se tornar pr\u00f3xima precisa de ser anunciada. Trata-se do primeiro an\u00fancio de Cristo, Senhor e Salvador. A atitude fundamental da f\u00e9, \u00e9 pois escutar e responder a Deus que na sua Palavra nos fala como um amigo, cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, e se comunica a n\u00f3s. A f\u00e9 \u00e9 resposta \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o que Deus faz de si e esta comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 o elemento fundador da experi\u00eancia crist\u00e3. Vemos assim como a Palavra de Deus tem um lugar prim\u00e1rio, fundamental no in\u00edcio da vida crist\u00e3; mas tamb\u00e9m para alimentar a vida de f\u00e9 dia ap\u00f3s dia e formar o crist\u00e3o maduro e adulto. Assim entendemos a exorta\u00e7\u00e3o de Paulo a Tim\u00f3teo: \u201cDesde a tua tenra inf\u00e2ncia conheces as Sagradas Escrituras. Elas t\u00eam o poder de te comunicar a sabedoria que conduz \u00e0 salva\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 em Cristo Jesus. De facto, toda a Escritura \u00e9 inspirada por Deus e \u00fatil para ensinar, refutar, corrigir e formar para a justi\u00e7a, a fim de que o homem de Deus seja completo e preparado para toda a obra boa\u201d (2Tim 3,15-17). O verdadeiro disc\u00edpulo deixa-se habitar pela Palavra do Verbo (Cristo): escuta-a atentamente e rumina-a pacientemente, de tal modo que \u00e9 ela que vive nele, nas suas palavras e nos seus gestos. Como Paulo poder\u00e1 exclamar: \u201c J\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo; \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d (Gal 2,20).  <b>2.5.2. \u201cDeus est\u00e1 no meio de v\u00f3s\u201d (1Cor 14,25): a celebra\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do Senhor<\/b> O cora\u00e7\u00e3o que acolhe a Palavra do amor do Pai, \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o que reza. Ao rezar, o crist\u00e3o escuta o seu Senhor, entra em di\u00e1logo com Ele, abre-lhe o seu cora\u00e7\u00e3o, adora, louva, agradece, suplica (cf. Col 3,16-17). Que outra coisa \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 se n\u00e3o a express\u00e3o da nossa rela\u00e7\u00e3o filial com Deus? \u00c9 o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo que inspira a nossa ora\u00e7\u00e3o, pondo o nosso cora\u00e7\u00e3o em sintonia com o cora\u00e7\u00e3o do Pai (cf. Rom 8,15.26-27). Mas a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho inclui tamb\u00e9m o an\u00fancio da celebra\u00e7\u00e3o dos dons salv\u00edficos de Deus nos sacramentos. Neste sentido, Paulo atribui uma import\u00e2ncia decisiva ao baptismo e \u00e0 eucaristia. Oferece-nos uma passagem muito iluminante sobre o significado do baptismo como coroamento do an\u00fancio da Boa Nova da renova\u00e7\u00e3o em Cristo: \u201cQuando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos pela sua miseric\u00f3rdia mediante o baptismo do novo nascimento e da renova\u00e7\u00e3o pelo Esp\u00edrito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre n\u00f3s por Jesus Cristo, nosso Salvador\u201d (Tito 3,4-6). Por\u00e9m, no centro da vida da comunidade e dos crist\u00e3os est\u00e1 a celebra\u00e7\u00e3o da \u201cceia do Senhor\u201d na qual Cristo d\u00e1 continuamente o seu Corpo em comunh\u00e3o e faz de n\u00f3s o seu Corpo: \u201cO p\u00e3o que partimos, n\u00e3o \u00e9 comunh\u00e3o com o Corpo de Cristo? Uma vez que h\u00e1 um \u00fanico p\u00e3o, n\u00f3s, embora sendo muitos, somos um s\u00f3 corpo, porque todos participamos de um s\u00f3 p\u00e3o\u201d (Cor 10,16). Para Paulo, Cristo na Eucaristia \u00e9 o centro da exist\u00eancia crist\u00e3 em virtude do qual todos e cada um podem experimentar de modo muito pessoal a entrega de Cristo no seu amor por n\u00f3s: \u201cEle amou-me e entregou-se por mim\u201d (Gal 2,20). Compreendemos assim que a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica (celebrar a presen\u00e7a do Senhor) faz parte da identidade do crist\u00e3o. Por isso, os m\u00e1rtires da Abit\u00ednia, no momento do mart\u00edrio, proclamaram esta f\u00e9: \u201cN\u00f3s n\u00e3o podemos viver sem a celebra\u00e7\u00e3o do dia do Senhor\u201d! E como seria desej\u00e1vel que as nossas assembleias lit\u00fargicas testemunhassem esta f\u00e9 de tal modo que se realizasse o voto de S. Paulo aos Cor\u00edntios: que um n\u00e3o crist\u00e3o que entre na nossa assembleia, no final possa dizer: \u201cverdadeiramente, Deus est\u00e1 no meio de v\u00f3s, est\u00e1 convosco!\u201d (1Cor 14,24-25).  <b>2.5.3. \u201cRevesti-vos do amor que \u00e9 o la\u00e7o da perfei\u00e7\u00e3o\u201d (Col 3,14): a santidade no amor<\/b> Para Paulo n\u00e3o basta dizer que os crist\u00e3os s\u00e3o baptizados ou crentes. Eles vivem de Cristo e com Cristo: o que d\u00e1 uma nova orienta\u00e7\u00e3o, um novo estilo, uma nova respira\u00e7\u00e3o espiritual \u00e0 vida. \u00c9 a vida nova em Cristo. Os crist\u00e3os est\u00e3o chamados por Deus a ser um \u201chino de louvor \u00e0 sua gl\u00f3ria\u201d (Ef 1,14), ou seja, a deixar aparecer atrav\u00e9s da santidade da vida, a beleza de Deus e do seu infinito amor na vida pessoal, familiar e social. Este \u00e9 o verdadeiro \u201cculto espiritual\u201d agrad\u00e1vel a Deus (cf. Rom 12,1). O agir crist\u00e3o encontra o seu centro e a sua express\u00e3o concreta no amor: \u201cAcima de tudo revesti-vos do amor que \u00e9 o la\u00e7o da perfei\u00e7\u00e3o\u201d (Col 3,14), o dom por excel\u00eancia, a plenitude de toda a lei (cf. Rom 13,8-10). \u201cA f\u00e9 que actua em obras de amor \u201d (Gal 5,6) \u00e9 um dos princ\u00edpios primordiais do cristianismo. Neste sentido, Paulo deixou-nos um dos textos mais significativos, o Hino \u00e0 Caridade (1Cor 13,1-13) que \u00e9 um verdadeiro monumento, inspirador de toda a fantasia da caridade em todos os tempos. Nele se diz, em quinze modos diversos, o que \u00e9 a caridade no presente (v.4-7). E acrescenta que s\u00f3 a caridade tem futuro: o \u00fanico que permanece \u00e9 o amor com a f\u00e9 e a esperan\u00e7a que o sustentam e o tornam poss\u00edvel. A caridade \u00e9 amar Deus com todo o cora\u00e7\u00e3o e amar os outros com o cora\u00e7\u00e3o de Deus. Este \u00e9 o amor que abra\u00e7a todas as voca\u00e7\u00f5es, se estende a todos os \u00e2mbitos, a todos os tempos e lugares, penetra a terra e \u00e9 eterno. \u00c9 a mola que tudo move; \u00e9 o fogo primordial que anima o universo. O pr\u00f3prio Paulo nos deixa um testemunho extraordin\u00e1rio naquela sua iniciativa genial de \u201cfantasia da caridade\u201d que foi a grande colecta, realizada nas v\u00e1rias comunidades, a favor dos pobres de Jerusal\u00e9m! A chamar-nos hoje \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da caridade!  <b>3. CRESCER NA F\u00c9: FORMAR PARA UMA F\u00c9 ADULTA<\/b>  Segundo a narra\u00e7\u00e3o dos Actos dos Ap\u00f3stolos, a convers\u00e3o repentina e fulgurante de Paulo, \u00e0s portas de Damasco, foi continuada com uma inicia\u00e7\u00e3o por parte da comunidade crist\u00e3. Os tr\u00eas dias de cegueira e de jejum configuram um tempo de inicia\u00e7\u00e3o, acompanhado pela instru\u00e7\u00e3o de Ananias e conclu\u00edda pela recep\u00e7\u00e3o do baptismo. S\u00f3 ent\u00e3o readquiriu a luz dos olhos, o sentido da sua inser\u00e7\u00e3o na Igreja e da seguran\u00e7a no caminho de Cristo. Embora tendo feito uma experi\u00eancia formid\u00e1vel de Jesus em Damasco, teve que percorrer um caminho, relativamente longo, da cegueira \u00e0 luz, de neo-convertido a crist\u00e3o maduro. Passou mesmo atrav\u00e9s de prova\u00e7\u00f5es de todo o g\u00e9nero para que resplandecesse nele a for\u00e7a de Cristo (cf. 2Cor 12,7-10). A partir da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, Paulo fala de um crescimento ou progresso na f\u00e9. Como tudo na vida, tamb\u00e9m a f\u00e9 requer crescimento para permanecer viva. De contr\u00e1rio regride e definha. O conhecimento da \u201criqueza\u201d que est\u00e1 em Cristo n\u00e3o \u00e9 algo adquirido ou est\u00e1tico. \u00c9 antes um processo permanente. Todo o minist\u00e9rio de Paulo vai na linha da consolida\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3 dos membros da comunidade (cf. 1Tess 2,7-12). A f\u00e9 precisa de alimento, de cuidado, de orienta\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o atenta e dedicada. Deve ser cuidada e cultivada para que lance ra\u00edzes profundas em n\u00f3s e produza muitos e bons frutos.  <b>3.1. A forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, mais necess\u00e1ria que nunca<\/b> A forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 sempre foi necess\u00e1ria. Mas hoje \u00e9-o mais que nunca para n\u00e3o abortar a vida de f\u00e9. Ningu\u00e9m, em qualquer \u00e2mbito, se pode contentar com os conhecimentos iniciais. Se \u00e9 certo que a f\u00e9 permanece sempre a mesma, todavia nunca se acaba de \u201ccompreender o que se cr\u00ea e de crer o que se compreende\u201d (Santo Agostinho). Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso aprender a dizer a f\u00e9, a falar da f\u00e9 e, deste modo, aliment\u00e1-la e testemunh\u00e1-la. Um amor que n\u00e3o se diz, morre \u00e0 partida. De igual modo, uma f\u00e9 que n\u00e3o se exprime, sofre de anemia, perde a vitalidade. Qual o objectivo da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3? Nunca nos cansaremos de repetir com S\u00e3o Paulo: que a raz\u00e3o de ser da forma\u00e7\u00e3o \u00e9 chegar a \u201cque Cristo seja formado em v\u00f3s\u201d (Gal 4,19) ou a \u201calcan\u00e7ar a estatura do homem adulto, \u00e0 medida de Cristo na sua plenitude\u201d (Ef 4,13). N\u00e3o se trata, simplesmente, de armazenar conhecimentos; mas de formar o \u201cser crist\u00e3o\u201d em todas as dimens\u00f5es para descobrir a riqueza e a beleza da f\u00e9, da sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, e realizar a sua miss\u00e3o no mundo. A forma\u00e7\u00e3o para uma f\u00e9 adulta exige, pois, a educa\u00e7\u00e3o para viver a f\u00e9 crist\u00e3 na sua totalidade una e indivis\u00edvel, como f\u00e9 professada, celebrada e vivida. \u00c9 tamb\u00e9m uma forma\u00e7\u00e3o para todas as idades da vida. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma posse tranquila, uma seguran\u00e7a definitiva. Em cada fase ou situa\u00e7\u00e3o da vida, ela \u00e9 sacudida, posta \u00e0 prova e deve ser renovada e aprofundada. Novas circunst\u00e2ncias, novas experi\u00eancias, novas quest\u00f5es e novos problemas fazem com que a significa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 precise de ser descoberta de modo novo. Eis porque \u00e9 importante permanecer sempre iniciados na f\u00e9.   <b>3.2. Percursos (itiner\u00e1rios) de acesso \u00e0 f\u00e9 e de crescimento na f\u00e9<\/b> Queremos apresentar agora, numa vis\u00e3o global e coerente, o itiner\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os e as suas v\u00e1rias etapas. Trata-se de responder \u00e0s quest\u00f5es: quais s\u00e3o os caminhos para um primeiro conhecimento da f\u00e9 crist\u00e3? Como \u00e9 que a riqueza e a profundidade do Evangelho nos pode tocar? Como podemos n\u00f3s, enquanto crist\u00e3os, crescer na f\u00e9? Numa palavra, como tornar-se adulto na f\u00e9?  <b>3.2.1. O primeiro an\u00fancio<\/b> A f\u00e9 aut\u00eantica, no seu n\u00facleo, \u00e9 uma ades\u00e3o amorosa \u00e0 pessoa viva de Jesus Cristo. Acontece aqui algo de semelhante ao amor entre as pessoas. Primeiro, h\u00e1 algo (palavra, atitude, gesto, experi\u00eancia) que \u201ctoca\u201d e atrai; depois, vem o namoro em que se conhecem. \u00c0s vezes, depois de uma vida matrimonial enriquecedora, evoca-se aquele primeiro encontro para testemunhar: \u201ca partir daquele momento, mudou toda a minha vida\u201d. Na origem da f\u00e9 aut\u00eantica est\u00e1 uma Palavra ou experi\u00eancia de gra\u00e7a que nos toca. Para chegar \u00e0 f\u00e9, h\u00e1 algo de muito pessoal que se passa. Algo que toca o cora\u00e7\u00e3o da pessoa e a decide a voltar-se para Jesus Cristo e converter-se a Ele. Paulo fez esta experi\u00eancia \u00fanica \u00e0s portas de Damasco. Certamente n\u00e3o se pode esperar que cada um experimente o que viveu Paulo de modo extraordin\u00e1rio. Todavia, cada vez mais, os crist\u00e3os acreditar\u00e3o a partir de uma descoberta e de um encontro com Cristo e de uma decis\u00e3o pessoal. Este ser tocado no \u00edntimo \u00e9 obra da gra\u00e7a de Deus. Mas passa, normalmente, pelas media\u00e7\u00f5es humanas: atrav\u00e9s de um an\u00fancio, do testemunho ou de sinais humanos. Trata-se de um g\u00e9nero muito particular de an\u00fancio. Quanto ao seu conte\u00fado, \u00e9 muito breve e muito simples: \u201cJesus Cristo morreu por ti e ressuscitou. Oferece-te uma vida nova. Qual \u00e9 a tua resposta?\u201d. \u00c9 a primeira descoberta de Cristo como Salvador, tal como Paulo ao exclamar: \u201cEle amou-me e entregou-se por mim\u201d (Gal 2,20) ou \u201cO amor de Cristo tomou conta de n\u00f3s ao pensar que um s\u00f3 homem morreu por todos\u201d (2Cor 5,14). N\u00e3o se trata de uma mera informa\u00e7\u00e3o neutra e abstracta. \u00c9 um an\u00fancio que faz emergir todo o potencial de vida, de verdade e de bem que habita no cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano. \u00c9 isto que se chama o Kerygma, o apelo que atinge directamente e trespassa o cora\u00e7\u00e3o (cf. Act 2,37). \u00c9 da\u00ed que nasce a convers\u00e3o. Assemelha-se a uma esp\u00e9cie de \u201cbig bang\u201d que liberta uma enorme energia capaz de transformar toda a vida da pessoa, de torn\u00e1-la vida bela, amada, feliz! Chama-se tamb\u00e9m \u201cprimeiro an\u00fancio\u201d pela import\u00e2ncia primordial que reveste! E ainda porque est\u00e1 no princ\u00edpio como os fundamentos est\u00e3o no princ\u00edpio da casa. Est\u00e1 no in\u00edcio de tudo. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o e a alma de toda a revela\u00e7\u00e3o e da f\u00e9. D\u00e1 cor e calor a tudo. \u00c9 o primeiro e primordial para todos: crian\u00e7as, jovens e adultos. E deve estar sempre presente nas outras etapas de crescimento. Na pr\u00e1tica pastoral precisamos de valorizar e apoiar as iniciativas (retiros, encontros com testemunhas vivas da f\u00e9, leitura orante da Palavra, prepara\u00e7\u00e3o do baptismo ou casamento&#8230;) e os v\u00e1rios movimentos que se dedicam a oferecer o primeiro an\u00fancio ou a primeira descoberta da f\u00e9 de modo que levem a um encontro, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, com Cristo vivo, ressuscitado.  <b>3.2.2. Catequese de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3<\/b> O primeiro an\u00fancio \u00e9 o catalizador que desencadeia o processo da f\u00e9. Mas, em seguida, deve ser aprofundado para encontrar solo firme no caminho da f\u00e9.  \u00c9 esta a fun\u00e7\u00e3o do catecumenado: oferecer um itiner\u00e1rio pr\u00f3prio de aprofundamento da f\u00e9, para os n\u00e3o baptizados enquanto crian\u00e7as, que leva a uma convers\u00e3o inicial \u00e0 profiss\u00e3o de f\u00e9 e \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. \u00c9 esta tamb\u00e9m, para os baptizados, a fun\u00e7\u00e3o da catequese: apresentar e propor o conte\u00fado da f\u00e9, de modo org\u00e2nico e sistem\u00e1tico, pedagogicamente adaptado a cada idade. Trata-se de estruturar a f\u00e9 na pessoa, de lhe dar uma coluna vertebral, com o aux\u00edlio de um \u201ccatecismo\u201d e de um grupo de catequistas como testemunhas da f\u00e9; e tamb\u00e9m com o apoio da comunidade crist\u00e3 que \u00e9 o ber\u00e7o vivo da catequese. N\u00e3o se pode confundir a catequese com a mera transmiss\u00e3o de conhecimentos ou de doutrina; nem a rela\u00e7\u00e3o de catequista-catequisando com a rela\u00e7\u00e3o de professor-aluno. A catequese tem o car\u00e1cter de inicia\u00e7\u00e3o, gradual e progressiva, a toda a vida crist\u00e3, nas v\u00e1rias dimens\u00f5es: inicia\u00e7\u00e3o ao conhecimento do mist\u00e9rio de Jesus Cristo e dos grandes conte\u00fados da f\u00e9; \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9; \u00e0 vida da comunidade crist\u00e3 e ao estilo de vida pr\u00f3prio de um crist\u00e3o. A catequese visa, em \u00faltima an\u00e1lise, ajudar a fazer disc\u00edpulos de Jesus, num encontro de amizade com Ele. Isto \u00e9 algo que tem de estar presente em todos os encontros de catequese. Por isso, \u00e9 muito importante a figura do catequista, enamorado por Cristo. O catequista \u00e9 o \u201ccatecismo\u201d vivo e torna vivo o livro do catecismo. Porque um encontro pessoal com Cristo n\u00e3o se ensina, nem se pode fabricar. S\u00f3 se pode partilhar, testemunhar. \u00c9 um facto de que dispomos de muitos catequistas capazes de ensinar e explicar, mas nem todos sabem tocar os cora\u00e7\u00f5es. Devemos, pois, preparar os nossos catequistas de modo que se deixem tamb\u00e9m \u201cagarrar\u201d por Cristo e, na intimidade com Ele, adquiram a arte de cativar os cora\u00e7\u00f5es.  <b>3.2.3. Forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ou permanente dos jovens e dos adultos<\/b> Cada idade \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o da vida que comporta os seus desafios e a sua matura\u00e7\u00e3o adulta. N\u00e3o basta ser adulto em idade, para ser adulto na f\u00e9! Uma grande parte dos crist\u00e3os crescem em idade e em cultura, mas ao n\u00edvel da f\u00e9 ficaram com os conhecimentos infantis. Na sociedade actual t\u00e3o complexa, n\u00e3o se permanece crist\u00e3o s\u00f3 pelo facto de se ter aprendido a s\u00ea-lo, quando crian\u00e7a ou adolescente. Tornar-se crist\u00e3o e adulto na f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 algo autom\u00e1tico. Tamb\u00e9m como adultos temos necessidade de um aprofundamento da f\u00e9 para que esta seja uma escolha pessoal e fundada, e para o di\u00e1logo entre a f\u00e9 e a cultura do nosso tempo. Para isso, n\u00e3o bastam as homilias ou assistir a uma confer\u00eancia avulsa. Torna-se indispens\u00e1vel uma forma\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Hoje a forma\u00e7\u00e3o (ou catequese) dos jovens e dos adultos \u00e9 mais necess\u00e1ria ainda do que a das crian\u00e7as e dos adolescentes. Na situa\u00e7\u00e3o actual dever\u00edamos dinamizar toda a forma\u00e7\u00e3o recentrando-a nos adultos.  Uma das maiores lacunas de muitos crist\u00e3os \u00e9 a falta de uma vis\u00e3o de s\u00edntese da f\u00e9 crist\u00e3. \u00c9 como quem v\u00ea as \u00e1rvores, mas n\u00e3o v\u00ea a harmonia e a beleza da floresta. Para responder a esta necessidade confio \u00e0 Comiss\u00e3o de Catequese com Adultos e ao Centro de Forma\u00e7\u00e3o e Cultura a elabora\u00e7\u00e3o desta s\u00edntese, em v\u00e1rios encontros ao longo de um ano, e segundo um m\u00e9todo interactivo em que se possa partilhar a experi\u00eancia da f\u00e9. Esta forma\u00e7\u00e3o poder\u00e1, posteriormente, ser oferecida em cada par\u00f3quia ou a n\u00edvel de vigararia. Outra lacuna a preencher com urg\u00eancia \u00e9 a falta de conhecimento e de gosto da Palavra de Deus contida na B\u00edblia. A B\u00edblia, por\u00e9m, \u00e9 o primeiro livro da f\u00e9 e da cultura crist\u00e3s. \u00c9 uma vergonha que grande parte dos cat\u00f3licos n\u00e3o tenham familiaridade com a Palavra de Deus por ignor\u00e2ncia e incapacidade de ler e entender a B\u00edblia. Ora, como diz S\u00e3o Jer\u00f3nimo, \u201ca ignor\u00e2ncia das Escrituras \u00e9 a ignor\u00e2ncia acerca de Cristo.\u201d Como se pode amar Aquele que se n\u00e3o conhece? Neste sentido \u00e9 necess\u00e1rio que, a n\u00edvel de par\u00f3quias ou vigararias, se realizem cursos de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 B\u00edblia ou \u201cser\u00f5es b\u00edblicos\u201d. Al\u00e9m disso, \u201cum meio seguro para aprofundar e saborear a Palavra de Deus \u00e9 a lectio divina que constitui um verdadeiro itiner\u00e1rio espiritual. O estudo e a medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus devem levar \u00e0 ades\u00e3o a uma vida conforme a Jesus Cristo e aos seus ensinamentos\u201d (Bento XVI). J\u00e1 lan\u00e7\u00e1mos, no ano passado, este m\u00e9todo de leitura orante e familiar da B\u00edblia, com grande ades\u00e3o popular. Continuaremos a incentiv\u00e1-lo neste ano pastoral.  <b>3.2.4. O Ano Lit\u00fargico como itiner\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o para todos<\/b> Outro lugar e meio fundamental de forma\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3 \u00e9 a liturgia. Como diz o Conc\u00edlio Vaticano II, ela \u201c\u00e9 a fonte primeira e necess\u00e1ria onde os fi\u00e9is h\u00e3o-de ir beber o esp\u00edrito verdadeiramente crist\u00e3o\u201d (SC 14), isto \u00e9, alimentar a sua f\u00e9 e a sua vida espiritual. Ao longo do Ano Lit\u00fargico, a Igreja celebra o mist\u00e9rio de Cristo \u2013 mist\u00e9rio da Salva\u00e7\u00e3o \u2013 nos seus distintos aspectos e momentos. Na celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 o Senhor que vem ao nosso encontro, que nos fala, que nos faz participantes da infinita riqueza da sua vida e do seu amor, e nos santifica. A espiritualidade do Ano Lit\u00fargico educa-nos, pois, a vivermos e a alimentarmo-nos da Palavra, das ora\u00e7\u00f5es, dos s\u00edmbolos da celebra\u00e7\u00e3o e do mist\u00e9rio celebrado. Assim, o Ano Lit\u00fargico \u00e9, para todos, uma verdadeira escola da f\u00e9. Como esta riqueza deveria suscitar em n\u00f3s todo o cuidado a p\u00f4r na prepara\u00e7\u00e3o, na viv\u00eancia interior, na dignidade e beleza das nossas celebra\u00e7\u00f5es! O Ano Lit\u00fargico convida-nos a desenvolver uma outra vertente da forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is que precisa de ser incrementada: a forma\u00e7\u00e3o da vida espiritual atrav\u00e9s de propostas de tempos fortes de ora\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o (retiros, encontros\u2026). H\u00e1 um d\u00e9fice muito grande de espiritualidade nas nossas comunidades!  <b>3.2.5. O contributo da piedade popular<\/b> Embora a liturgia ocupe o lugar central no caminho espiritual do crist\u00e3o, n\u00e3o esgota por\u00e9m toda a espiritualidade da vida crist\u00e3. Existe tamb\u00e9m a piedade popular que engloba determinadas devo\u00e7\u00f5es, peregrina\u00e7\u00f5es e prociss\u00f5es, festas em honra dos santos. Caracterizam-se por um clima mais afectivo e espont\u00e2neo, ou ent\u00e3o por dar mais espa\u00e7o \u00e0 interioridade e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pessoal.  As express\u00f5es desta piedade popular s\u00e3o tamb\u00e9m meios para fomentar a vida espiritual e at\u00e9 a santidade popular. Merecem que se lhes reserve uma especial aten\u00e7\u00e3o em ordem a renov\u00e1-las com um conte\u00fado mais b\u00edblico e evang\u00e9lico, orient\u00e1-las para o cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 que \u00e9 Jesus Cristo, e a purific\u00e1-las de sentimentalismos exagerados e dos riscos de supersti\u00e7\u00f5es. F\u00e1tima tem sido exemplo no esfor\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o da piedade popular. De modo particular, imp\u00f5e-se restituir dignidade crist\u00e3 \u00e0s festas populares em honra dos Padroeiros que, nalguns lugares, est\u00e3o a resvalar para um consumismo imprudente e at\u00e9 escandaloso, ro\u00e7ando mesmo o paganismo.  <b>4. A IGREJA, CASA E ESCOLA DA F\u00c9<\/b>  J\u00e1 vimos como Paulo, ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o inesperada de Cristo, foi acolhido na Igreja de Jesus, que j\u00e1 existia antes da sua convers\u00e3o. Foi a Igreja que o iniciou no conhecimento e aprofundamento da f\u00e9 em Jesus e da exist\u00eancia crist\u00e3. Ele pr\u00f3prio, no seu an\u00fancio, refere: \u201c Transmiti-vos o que eu mesmo recebi\u201d (1Cor 15,3). Isto j\u00e1 diz, por si s\u00f3, como e quanto a Igreja foi para ele M\u00e3e e Mestra, que o ajudou a gerar para a f\u00e9. Disto sente-se devedor. Torna-se ent\u00e3o claro que a f\u00e9 professada por um crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que cada um inventa ou fabrica a seu bel-prazer. \u00c9 verdade que a f\u00e9 \u00e9 dom de Deus. Mas chega at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o da Igreja. S\u00f3 nesta \u00e9 poss\u00edvel encontrar as fei\u00e7\u00f5es completas e originais do rosto de Cristo. Pelo baptismo tornamo-nos a fam\u00edlia de Deus, \u201cmembros da casa de Deus\u201d (Ef 2,19), filhos e filhas do mesmo Pai, irm\u00e3os e irm\u00e3s de Cristo e em Cristo, reunidos todos pelo mesmo Esp\u00edrito de amor. Isto \u00e9 a ess\u00eancia da Igreja, a nossa fam\u00edlia espiritual, a nossa casa espiritual. Tal como na casa de fam\u00edlia somos iniciados \u00e0 vida, assim na casa da nossa fam\u00edlia espiritual somos iniciados \u00e0 vida crist\u00e3.  <b>4.1. A par\u00f3quia, comunidade formativa<\/b> Uma comunidade crist\u00e3 \u00e9, pois, o lugar natural onde somos acolhidos e iniciados no mist\u00e9rio de Cristo e da exist\u00eancia crist\u00e3; onde a f\u00e9 \u00e9 vivida e partilhada, onde ela pode crescer, amadurecer e dar frutos. Lugar onde nos reunimos para escutar a Palavra de Deus; onde se celebra a Alian\u00e7a de Deus connosco; onde se vive o amor fraterno; onde os crist\u00e3os se ajudam mutuamente a viver o Evangelho pela riqueza da f\u00e9, do testemunho e do servi\u00e7o de cada um em rela\u00e7\u00e3o aos outros. Assim se torna uma comunidade de f\u00e9 viva e irradiante. Eis como e porque a comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma casa e escola da f\u00e9. A f\u00e9 precisa de um ambiente comunit\u00e1rio para sobreviver e crescer!  Toda a comunidade \u00e9 respons\u00e1vel na inicia\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos seus membros. A par\u00f3quia \u00e9, pois, uma comunidade educativa, comunidade de forma\u00e7\u00e3o antes de ser um centro de organiza\u00e7\u00e3o de actividades e servi\u00e7os. Isto deve ser uma das suas prioridades.  Tamb\u00e9m neste aspecto, S\u00e3o Paulo \u00e9 exemplo. Atrav\u00e9s das cartas, sobressai a sua preocupa\u00e7\u00e3o por arranjar muitos e bons colaboradores, formando uma rede de trabalho e em equipa. E cuidava, muito seriamente, da sua forma\u00e7\u00e3o (forma\u00e7\u00e3o de formadores!) para o an\u00fancio da Palavra e o crescimento da comunidade. S\u00f3 em Rom 16,1-24 recorda 36 pessoas e cada uma \u00e9 caracterizada com atributos que evocam a intensidade de rela\u00e7\u00f5es. \u00c9 surpreendente o afecto e a alegria de Paulo por esta rede de rela\u00e7\u00f5es, pela equipa de colaboradores que considerava preciosa para o evangelho de Jesus Cristo. Chama-os \u201cmeus colaboradores em Cristo\u201d. E deixa ver como se respirava uma atmosfera de comunh\u00e3o na f\u00e9 e na alegria, de corresponsabilidade na forma\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3. Do que foi dito derivam tr\u00eas propostas concretas a implementar. Antes de mais, a escolha e a \u201cforma\u00e7\u00e3o de formadores id\u00f3neos\u201d \u00e9 uma urg\u00eancia prim\u00e1ria para assegurar a forma\u00e7\u00e3o geral e espec\u00edfica de todos os fi\u00e9is. O p\u00e1roco n\u00e3o pode fazer tudo. Uma aten\u00e7\u00e3o particular merece a forma\u00e7\u00e3o dos adultos. Em cada par\u00f3quia ou vigararia poder\u00e1 criar-se uma escola da f\u00e9 (ou de forma\u00e7\u00e3o de adultos) para oferecer, em cada ano, a um grupo diferente de adultos, a vis\u00e3o de s\u00edntese da f\u00e9, j\u00e1 antes mencionada. A forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o se esgota no \u00e2mbito da par\u00f3quia, porque esta, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 capaz de responder a tudo. Os grupos, as associa\u00e7\u00f5es e os movimentos tamb\u00e9m t\u00eam o seu lugar na forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. Seria bom \u201ctrabalhar em rede\u201d segundo as necessidades e oportunidades, em esp\u00edrito de comunh\u00e3o eclesial.  Quero ainda recordar que a visita pastoral \u00e9 uma boa oportunidade para sensibilizar e dinamizar as par\u00f3quias em ordem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3.  <b>4.2. Servi\u00e7os diocesanos de apoio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/b> A Diocese tem uma s\u00e9rie de servi\u00e7os centrais organizados para promover e apoiar a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, em todas as suas dimens\u00f5es, para as v\u00e1rias idades e para os diferentes servi\u00e7os na Igreja e nas comunidades. Lembro o nosso Centro de Forma\u00e7\u00e3o e Cultura, que, em colabora\u00e7\u00e3o com os outros departamentos, oferece uma possibilidade de forma\u00e7\u00e3o para jovens e adultos, a diversos n\u00edveis: um curso fundamental da f\u00e9, intitulado \u201cRaz\u00f5es da Esperan\u00e7a\u201d, de acessibilidade geral e frequentado, no ano transacto, por 400 pessoas; o Curso Geral de Teologia, de n\u00edvel mais profundo e sistem\u00e1tico; e ainda cursos especializados para os v\u00e1rios minist\u00e9rios e servi\u00e7os. Como n\u00e3o entusiasmar nas par\u00f3quias os fi\u00e9is leigos mais empenhados nos servi\u00e7os da comunidade, a aproveitarem esta oportunidade? Seja-me permitido lembrar ainda, a prop\u00f3sito, que \u00e9 no nosso Semin\u00e1rio que funcionam todos os servi\u00e7os de apoio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. O edif\u00edcio vai entrar em obras de remodela\u00e7\u00e3o para instalar adequadamente estes servi\u00e7os e destinar uma parte dele a uma casa de retiros. Ser\u00e1 dada uma informa\u00e7\u00e3o pormenorizada \u00e0 diocese, mas desde j\u00e1 recordo que \u00e9 obra de todos e para todos os diocesanos. Espero que todos possamos amar esta obra e contribuir generosamente para ela.   <b>4.3. Fam\u00edlia, reacende o dom da f\u00e9 que est\u00e1 em ti! Comunica a tua f\u00e9!<\/b> O ano pastoral coincide tamb\u00e9m com o Ano comemorativo do centen\u00e1rio do nascimento do Beato Francisco Marto, exemplo de como uma crian\u00e7a \u00e9 capaz de ir ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9. O programa j\u00e1 foi divulgado pelo Santu\u00e1rio de F\u00e1tima. \u00c9 uma ocasi\u00e3o para descobrir o lugar e o protagonismo das crian\u00e7as na hist\u00f3ria do mundo e da salva\u00e7\u00e3o. E, consequentemente, o papel importante da fam\u00edlia como lugar nativo da primeira inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, o seu empenho na forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos filhos, a sua colabora\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel com a catequese. A cada fam\u00edlia deixo um apelo vibrante: \u201cFam\u00edlia, reacende o dom da f\u00e9 que est\u00e1 em ti! Fam\u00edlia, comunica a tua f\u00e9!\u201d. Desde j\u00e1, fa\u00e7o o convite e a proposta para que as crian\u00e7as da catequese com os seus pais participem na peregrina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as a F\u00e1tima, no dia 10 de Junho. Pe\u00e7o aos catequistas que as entusiasmem e preparem com elas, bem e antecipadamente, esta peregrina\u00e7\u00e3o.  <b>4.4. Um ano a caminhar com S\u00e3o Paulo no crescimento da f\u00e9<\/b> Neste contexto, o ano dedicado a S\u00e3o Paulo \u00e9 um verdadeiro \u201cKair\u00f3s\u201d, quer dizer, um tempo especial de gra\u00e7a para a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 na companhia de Paulo como Mestre. Assim propomos uma s\u00e9rie de iniciativas a levar a cabo na nossa diocese:  1. \u201cUm ano a caminhar com S\u00e3o Paulo\u201d \u00e9 a proposta da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa para a viv\u00eancia do Ano Paulino. Para isso dispomos de um livro, com o mesmo t\u00edtulo, da autoria de D. Anacleto, Bispo auxiliar de Lisboa. \u00c9 um aut\u00eantico itiner\u00e1rio de f\u00e9, com 52 temas, um para cada semana do ano, que oferecem uma vis\u00e3o sint\u00e9tica da f\u00e9. Para isso seria bom e recomend\u00e1vel constituir os \u201cgrupos paulinos\u201d nas par\u00f3quias, movimentos, associa\u00e7\u00f5es, para que se fa\u00e7a a reflex\u00e3o em grupo e se partilhe a f\u00e9 e a ora\u00e7\u00e3o.  2. O Retiro Quaresmal com S\u00e3o Paulo: \u00e0 semelhan\u00e7a do que fizemos no ano passado, vamos viver a Quaresma como um tempo de \u201cretiro popular\u201d, em ordem ao aprofundamento da f\u00e9. Ser\u00e1 feito nas par\u00f3quias, em pequenos grupos, a partir de alguns textos de S\u00e3o Paulo, sob a forma de medita\u00e7\u00e3o orante e familiar da Palavra de Deus (lectio divina).  3. Um encontro de forma\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o: \u201cIr ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u201d, em cada vigararia, presidido pelo bispo, particularmente destinado aos membros mais empenhados nos servi\u00e7os das comunidades e par\u00f3quias.  4. Um m\u00f3dulo de forma\u00e7\u00e3o sobre S\u00e3o Paulo e a sua actualidade, da iniciativa do Centro de Forma\u00e7\u00e3o e Cultura, com a dura\u00e7\u00e3o de 8 horas, a propor \u00e0s comunidades.  5. A \u201clectio divina\u201d da Carta aos Romanos, a mais importante das cartas de S\u00e3o Paulo, que \u00e9 a s\u00edntese de todo o seu an\u00fancio e da sua f\u00e9. \u00c9 tamb\u00e9m uma iniciativa do Centro de Forma\u00e7\u00e3o e Cultura e estar\u00e1 dispon\u00edvel no site da Diocese.  6. O estudo das comunidades paulinas: ser\u00e1 o tema da semana de forma\u00e7\u00e3o permanente para o clero diocesano.  7. In\u00edcio da fase de reflex\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o do presbit\u00e9rio e das comunidades em ordem \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do diaconado permanente como um minist\u00e9rio, com configura\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, para a edifica\u00e7\u00e3o da comunidade e ao servi\u00e7o da sua forma\u00e7\u00e3o, na linha da teologia de S\u00e3o Paulo acerca dos minist\u00e9rios.  8. Uma colecta a favor dos pobres a ser realizada no ofert\u00f3rio das celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas no dia 25 de Janeiro de 2009, festa da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo, que coincide com o domingo. \u00c9 um modo de actualizar a grande colecta por ele realizada. Ser\u00e1 entregue \u00e0 C\u00e1ritas Diocesana.  9. Participa\u00e7\u00e3o numa grande celebra\u00e7\u00e3o nacional no mesmo dia 25 de Janeiro, na igreja da Sant\u00edssima Trindade, em F\u00e1tima.  10. Encerramento solene do Ano Paulino, a 28 de Junho de 2009, domingo, na S\u00e9 de Leiria, sob a presid\u00eancia do bispo.   Confiemos \u00e0 intercess\u00e3o de S\u00e3o Paulo e de Maria, a Virgem fiel, o \u00eaxito do nosso caminho. Dirigimo-nos a ti, \u00f3 grande ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, Arauto de Cristo e nosso Mestre na f\u00e9. Fazemos nossa a mesma s\u00faplica do maced\u00f3nio: \u201cPassa e ajuda-nos\u201d com o teu an\u00fancio, o teu exemplo e a tua intercess\u00e3o. Intercede ao Senhor por n\u00f3s, crist\u00e3os do s\u00e9culo XXI: Que Ele nos abra os olhos da mente e do cora\u00e7\u00e3o Como abriu os teus, no caminho de Damasco, Para alcan\u00e7armos o sublime conhecimento de Cristo, E, assim, podermos ir ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Contigo e com Maria, a Virgem fiel, O Senhor nos conceda Reacender a chama da nossa f\u00e9, Crescendo numa f\u00e9 adulta, esclarecida e convicta. Ajuda-nos a permanecer firmes e s\u00f3lidos na f\u00e9. \u00c1men!  Sa\u00fado-vos, de todo o cora\u00e7\u00e3o,  <i>\u2020 Ant\u00f3nio Marto, Bispo de Leiria-F\u00e1tima  Leiria, 8 de Setembro de 2008 Festa da Natividade de Nossa Senhora <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abIr ao cora\u00e7\u00e3o da F\u00e9\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,120,125,127,144,147,154,168,177,193,199,203,206,207,237,246,91,294,311],"class_list":["post-33996","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-bento-xvi","tag-caritas","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-leiria-fatima","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33996\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}