{"id":33981,"date":"2008-09-08T13:01:14","date_gmt":"2008-09-08T13:01:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/09\/08\/conferencia-de-d-jorge-ortiga-no-congresso-missionario-nacional\/"},"modified":"2008-09-08T13:01:14","modified_gmt":"2008-09-08T13:01:14","slug":"conferencia-de-d-jorge-ortiga-no-congresso-missionario-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-de-d-jorge-ortiga-no-congresso-missionario-nacional\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de D. Jorge Ortiga no Congresso Mission\u00e1rio Nacional"},"content":{"rendered":"<p>\u00abMiss\u00e3o Universal e Igreja Particular\u00bb <!--more--> H\u00e1 pontos doutrinais que s\u00e3o nevr\u00e1lgicos para intuir a vida e a miss\u00e3o da Igreja, no seu todo ou em determinados aspectos. Existem, com efeito, alguns princ\u00edpios que s\u00e3o verdadeiros pilares sobre os quais se constr\u00f3i todo o edif\u00edcio eclesial.  Nesta ordem de ideias \u00e9 elucidativo quanto o Conc\u00edlio Vaticano II nos refere: &#8220;A Igreja \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria, visto que tem a sua origem, segundo o des\u00edgnio de Deus Pai, na &#8220;miss\u00e3o&#8221; do Filho e do Esp\u00edrito Santo.  Este des\u00edgnio brota do &#8220;amor fontal&#8221;, isto \u00e9, da caridade de Deus Pai, que, sendo o Princ\u00edpio de quem \u00e9 gerado o Filho e de quem procede o Esp\u00edrito Santo pelo Filho, quis derramar e n\u00e3o cessa de derramar ainda a bondade divina, criando-nos livremente pela sua extraordin\u00e1ria e misericordiosa benignidade, e depois chamando-nos gratuitamente a partilhar a sua vida e gl\u00f3ria. Quis ser, assim, n\u00e3o s\u00f3 criador de todas as coisas mas tamb\u00e9m &#8220;tudo em todas as coisas&#8221; (1 Cor. 15, 28), conseguindo simultaneamente a sua gl\u00f3ria e a nossa felicidade&#8221; (A.G. 2).  Porque Deus quis ser tudo em todos enviou os Ap\u00f3stolos dizendo: &#8220;Ide, pois, fazei disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias at\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos&#8221; (Mt. 28, 19.20). Da\u00ed que a Igreja faz seu este mandamento solene de Cristo e continua, como constitutivo do seu ser, a enviar arautos, para que as novas igrejas se formem.  <b>A Igreja particular cresce na missionaridade<\/b> Se a Igreja se realiza na miss\u00e3o esta acontece na Igreja Universal e, dum modo mais eloquente, na Particular que se edifica a partir deste mandato e cresce na medida em que o assume como estruturante de toda a vida.  Perspectivando a missionaridade como alma da Igreja particular, a actualidade obriga-nos a reconhecer diversos \u00e2mbitos onde ela acontece. S\u00f3 a humanidade \u00e9 o horizonte da miss\u00e3o eclesial mas, em simult\u00e2neo, deparamos com uma nova e plurifacetada situa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os ditos crist\u00e3os. S\u00e3o muitos aqueles que n\u00e3o ouviram falar da Boa Nova ou mal ouviram falar dela; outros seguem religi\u00f5es estranhas ao conte\u00fado crist\u00e3o; um n\u00famero crescente nega a exist\u00eancia de Deus ou chega mesmo a ataca-Lo; na actualidade deparamos com multid\u00f5es que vivem como se Deus n\u00e3o existisse ou recorrem a Ele em momentos sociais mas sempre sem compromisso ou experi\u00eancia vital.  \u00c9 neste cen\u00e1rio novo que a Igreja particular deve interpretar a sua natureza mission\u00e1ria. Tem o dever de olhar para a Igreja Universal na responsabilidade de chegar a todos os povos, mas nunca poder\u00e1 ignorar o que acontece dentro dos seus confins. Hoje, a miss\u00e3o ad gentes, em certo sentido, confunde-se com a miss\u00e3o nos confrontos com a indiferen\u00e7a. Talvez seja este um novo desafio a interpelar a Igreja. A miss\u00e3o esta \u00e0 porta das catedrais e ter\u00e1 de acontecer no meio de tradi\u00e7\u00f5es religiosas, ligadas a uma maior ou menor religiosidade popular, que manifesta alguma coisa de positivo mas, em muitos casos, pouco ou quase nada, de experi\u00eancia crist\u00e3. Hoje s\u00e3o os baptizados, com todos os sacramentos de inicia\u00e7\u00e3o e itiner\u00e1rios catequ\u00e9ticos adequados, que necessitam de enviados para um encontro coerente com Cristo e uma integra\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel na Igreja.  A ilus\u00e3o ainda continua muito presente e o engano pode distrair-nos atrav\u00e9s dum activismo que n\u00e3o incide nas pessoas e na cultura. Sem desconsiderar estes par\u00e2metros caracter\u00edsticos dum mundo globalizado e secularizado, importa que a dimens\u00e3o ad gentes n\u00e3o seja esquecida. Uma n\u00e3o dispensa a outra. Integram-se e condicionam-se.  <b>Alertas do Conc. Vat. II<\/b> Depois desta s\u00edntese que situa a miss\u00e3o nos nossos contextos cat\u00f3licos, olhemos um pouco para a \u00edndole mission\u00e1ria da Igreja particular atrav\u00e9s de algumas coordenadas j\u00e1 lembradas pelo Conc\u00edlio na Lumem Gentium (L.G 23).  1. &#8220;Cada um dos Bispos, quanto o desempenho do seu pr\u00f3prio minist\u00e9rio o permitir, est\u00e1 obrigado a colaborar com os demais Bispos e com o sucessor de Pedro, a quem, dum modo especial, foi confiado o nobre encargo de propagar o cristianismo&#8221;.  Numa Igreja &#8220;casa&#8221; e &#8220;escola&#8221; de comunh\u00e3o, esta deve tornar-se efectiva como viv\u00eancia duma aut\u00eantica colegialidade e efectiva como partilha de responsabilidades e bens para o testemunho duma unidade eclesial.  2. Esta colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser meramente te\u00f3rica. A comunh\u00e3o torna-se vis\u00edvel atrav\u00e9s de, entre outras coisas, &#8220;subministrar \u00e0s miss\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 oper\u00e1rios para a messe, mas tamb\u00e9m aux\u00edlios espirituais e materiais, tanto por si mesmos directamente como fomentando a generosa coopera\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is&#8221;.  Explicitemos um pouco com refer\u00eancias conhecidas. Podem tornar-se pretexto para um exame de consci\u00eancia e nunca sublinhamos em demasia o evidente. Por o ser pode estar esquecido.  Nesta solicitude, o Bispo, e nele a Igreja Particular, \u00e9 respons\u00e1vel por toda a Igreja o que pode significar tornar poss\u00edvel que alguns sacerdotes, durante algum tempo ou definitivamente, partam para as miss\u00f5es ou dioceses com car\u00eancia. Esta \u00e9 uma realidade que vai tendo alguma aplica\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s mas que exige que a dimens\u00e3o mission\u00e1ria, neste sentido, seja colocada nos programas de forma\u00e7\u00e3o dos Sacerdotes Diocesanos. A car\u00eancia \u00e9 generalizada; quando se d\u00e1, enriquece-se e a recompensa pode acontecer.  Se os sacerdotes s\u00e3o os oper\u00e1rios privilegiados, os leigos devem reconhecer, como exig\u00eancia dum cristianismo assumido, este projecto mission\u00e1rio como proposta de Cristo para bem de todos. A sua voca\u00e7\u00e3o \u00e9, essencialmente, secular, mas as exig\u00eancias materiais, de \u00e2mbito diversificado, podem exigir a sua compet\u00eancia profissional e\/ou a generosidade duma f\u00e9 viva. Trata-se dum fil\u00e3o que j\u00e1 tem proporcionado muitos bons resultados mas ainda est\u00e1 longe duma visibilidade mais generalizada.  Por outro lado, e referindo um lugar comum, a responsabilidade duma Igreja particular tem de chegar a uma coopera\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o atrav\u00e9s dum conhecimento das necessidades materiais e partilha dos bens que s\u00e3o indispens\u00e1veis para a dilata\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo. As pessoas s\u00e3o imprescindiveis. A coragem de \u201cver\u201d cen\u00e1rios que envergonham responsabiliza e compromete. A solidariedade efectiva foi sempre apan\u00e1gio das nossas comunidades. As crescentes desigualdades sociais e humanas interpelam as consci\u00eancias e n\u00e3o permitem que nos gloriemos do passado ou que apenas sejamos capazes de reagir perante a dramaticidade de cat\u00e1strofes naturais.  3. Para que a rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja Particular e a Universal seja efectiva, h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via a tudo que condiciona a ac\u00e7\u00e3o no presente e no futuro. Trata-se da forma\u00e7\u00e3o duma consci\u00eancia mission\u00e1ria nas pessoas e nas comunidades paroquiais.  Poderia escolher muitas cita\u00e7\u00f5es dos papas ou dos documentos da Igreja. Continuo no Ad Gentes. &#8220;Na sua diocese, o Bispo, que forma uma s\u00f3 coisa com ela, ao suscitar, promover e dirigir a obra mission\u00e1ria, torna presentes e como que palp\u00e1veis o esp\u00edrito e o ardor mission\u00e1rio do Povo de Deus, de maneira que toda a diocese se torna mission\u00e1ria&#8221;. Daqui podemos concluir que o trabalho do Bispo se deve orientar para tomar a diocese mission\u00e1ria (AG 38).  S\u00e3o palavras elucidativas e que continuam como programa. Talvez tenhamos de reconhecer que muito pouco foi efectuado e urge insistir nesta ideia que expressa a \u00edndole mission\u00e1ria da Igreja e das suas comunidades. N\u00e3o se trata de algo opcional ou facultativo. Uma Igreja que se fecha estiola e perde o dinamismo que a vida sup\u00f5e e espera.  O C\u00f3digo do Direito Can\u00f3nico sintetiza esta doutrina dum modo eloquente: &#8220;Sendo toda a Igreja por sua natureza mission\u00e1ria e a obra da evangeliza\u00e7\u00e3o dever fundamental do povo de Deus, todos os fi\u00e9is, c\u00f4nscios da sua pr\u00f3pria responsabilidade, assumam a sua quota-parte na obra mission\u00e1ria&#8221; (can. 781).  &#8220;Todos e cada um dos Bispos, como respons\u00e1veis pela Igreja Universal e por todas as Igrejas, tenham solicitude peculiar pela obra das miss\u00f5es, sobretudo suscitando, fomentando e apoiando as iniciativas mission\u00e1rias na pr\u00f3pria Igreja particular&#8221; (can. 782 \u00a7 2).  Os elementos s\u00e3o eloquentes. Urge que integrem o pensamento cat\u00f3lico e que n\u00e3o surjam como al\u00edneas duma mentalidade que, esporadicamente, se abre a outras considera\u00e7\u00f5es.  <b>As par\u00f3quias com rosto mission\u00e1rio<\/b>  S\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es muito claras. Penso, por\u00e9m, que, num contexto portugu\u00eas, tudo passar\u00e1 por dar as par\u00f3quias um rosto mission\u00e1rio. A Diocese ser\u00e1 mission\u00e1ria se a par\u00f3quia cresce e vive ao ritmo da missionaridade tornando vis\u00edvel um compromisso com a Igreja Universal e com a indiferen\u00e7a local.  Para que seja verdadeiramente mission\u00e1ria necessita de algumas decis\u00f5es de fundo que sejam capazes de qualificar o seu caminho eclesial. Imp\u00f5e-se uma verdadeira convers\u00e3o pastoral de modo que toda a din\u00e2mica pastoral paroquial tenha esta marca ou conota\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, dum modo expl\u00edcito ou como substracto que acompanha todo o seu agir. Esta convers\u00e3o pastoral far\u00e1 com que a partir de Cristo a comunidade paroquial sinta a alegria de condividir e partilhar a f\u00e9 de tal maneira que a evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o seja privil\u00e9gio duns poucos, os chamados mission\u00e1rios, mas apan\u00e1gio de toda a comunidade.  A comunidade vem a beneficiar com esta mudan\u00e7a de mentalidade que leva a descobrir uma aut\u00eantica tens\u00e3o mission\u00e1ria capaz de superar as ac\u00e7\u00f5es prevalentemente orientadas para conservar o existente   projectando-se para o exterior e levando o an\u00fancio de Cristo a todos. Com este dinamismo chegaremos a poder afirmar que estamos perante uma &#8220;pastoral de miss\u00e3o permanente&#8221; como resposta \u00e1s exig\u00eancias da actualidade.  Esta convers\u00e3o pastoral sintoniza com as exig\u00eancias de formar crist\u00e3os crentes testemunhas e educadores da f\u00e9. \u00c9 desafio para os nossos espa\u00e7os e certeza de que os horizontes se v\u00e3o alargando. Tudo ser\u00e1 poss\u00edvel se for acompanhado por uma promo\u00e7\u00e3o duma espiritualidade de comunh\u00e3o que se concretiza como verdadeiro princ\u00edpio educativo &#8220;a viver em todos os lugares onde se plasma o homem e o crist\u00e3o&#8221;.  Quando a par\u00f3quia consegue assimilar a sua pastoral como mission\u00e1ria, no seu territ\u00f3rio, ela torna-se capaz de projectar-se no horizonte do mundo, numa verdadeira aposta de evangeliza\u00e7\u00e3o dos povos.  <b>S\u00edntese-conclusiva: criar disc\u00edpulos-mission\u00e1rios<\/b> De 13 a 31 de Maio de 2007 tive a oportunidade de participar na V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e das Cara\u00edbas. A Confer\u00eancia tinha um programa muito interessante: &#8220;Disc\u00edpulos e Mission\u00e1rios de Jesus para que os nossos povos tenham vida n&#8217; Ele&#8221;. Os trabalhos iniciaram-se com uma tend\u00eancia de descortinar os conte\u00fados de disc\u00edpulo e mission\u00e1rio dum modo separado e distinto.  A reflex\u00e3o conjunta, em experi\u00eancia de comunh\u00e3o sinodal e de prefer\u00eancia em grupos para uma mais efectiva colabora\u00e7\u00e3o, cedo sentiu de conjugar as duas realidades numa altern\u00e2ncia de nomes com o mesmo valor. Ser disc\u00edpulo \u00e9 ser mission\u00e1rio e da\u00ed falar de disc\u00edpulo mission\u00e1rio ou mission\u00e1rio disc\u00edpulo. Onde est\u00e1 um disc\u00edpulo a\u00ed est\u00e1 um mission\u00e1rio o que faz com que toda a comunidade seja &#8220;sujeito primordial da miss\u00e3o&#8221; na diversidade de carismas e minist\u00e9rios e todo o crist\u00e3o, como consequ\u00eancia do seu baptismo e pela for\u00e7a do Esp\u00edrito na Confirma\u00e7\u00e3o, \u00e9 mission\u00e1rio. Assim como no dia de Pentecostes o Esp\u00edrito Santo alargou os horizontes da timidez dos Ap\u00f3stolos, hoje abre sempre os crentes \u00e0 tarefa mission\u00e1ria.  Da\u00ed que na par\u00f3quia, para chegar \u00e0 diocese e, por esta, interagir na Igreja universal, \u00e9 imperioso criar uma nova mentalidade e consci\u00eancia. A evangeliza\u00e7\u00e3o orienta-se para este fim e todos os momentos e actividades devem ser caracterizados por este dinamismo. A miss\u00e3o convoca a todos e todos, sem excep\u00e7\u00e3o, somos agentes evangelizadores o que significa que o crist\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m dispon\u00edvel, sentindo-se chamado por Deus para isso, a dar a vida pelo Reino investindo as suas iniciativas na ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja. Convocados para a miss\u00e3o viv\u00eamo-la em qualquer lugar como trabalhadores de Deus e quando vivemos a corresponsabilidade dentro das actividades comunit\u00e1rias estamos a ser interpretes desta comum responsabilidade. Dizia-se na Aparecida: &#8220;O disc\u00edpulo mission\u00e1rio s\u00f3 se entende como um caminho quotidiano de presen\u00e7a activa e fecunda na sociedade para servir com Jesus e comunicar a vida que recebemos do Senhor&#8221;.  Se todos s\u00e3o convocados para miss\u00e3o, esta realiza-se em todos os \u00e2mbitos da vida real. N\u00e3o existe espa\u00e7o ou ambiente humano que n\u00e3o necessite e n\u00e3o possa ser tocado pela luz da evangeliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os neutros ou campos do advers\u00e1rio onde n\u00e3o se pode chegar. Qualquer situa\u00e7\u00e3o humana encerra a descoberta duma orienta\u00e7\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o humana no que Cristo quer dar e oferecer.  De harmonia com estas ideias, \u00e9 paradigm\u00e1tico que os Bispos da CELAM tenham decidido, depois de muito di\u00e1logo e vota\u00e7\u00f5es, realizar uma &#8220;Grande Miss\u00e3o Universal&#8221;. Era grande a Miss\u00e3o pois comprometia solenemente a Igreja e era Universal porque queria chegar a todos os lugares (onde j\u00e1 chegou o nome de Cristo ou n\u00e3o) e a todos os ambientes humanos que j\u00e1 se encontraram com Cristo ou esperam, talvez inadvertidamente, este encontro pessoal gerador de felicidade e realiza\u00e7\u00e3o humana. Sei que est\u00e1 em curso e que todas as dioceses se comprometeram.  Como e quando teremos comunidades estruturalmente mission\u00e1rias para um encontro com Cristo? A Igreja particular dever\u00e1 assumir como encargo primordial a tarefa de gerar crist\u00e3os que sejam disc\u00edpulos mission\u00e1rios. Com estes e atrav\u00e9s destes a Igreja Universal ter\u00e1 um rosto mission\u00e1rio como comunidade reveladora de Cristo. Para n\u00f3s, portugueses, h\u00e1, ainda, uma realidade hist\u00f3rica que nunca podemos esquecer. N\u00e3o \u00e9 realidade a desconsiderar esta perten\u00e7a a um povo mission\u00e1rio que deu li\u00e7\u00f5es ao mundo. A hist\u00f3ria corresponsabiliza e determina as op\u00e7\u00f5es da actualidade.  <b>Maria, estrela da Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/b> Ao terminar as minhas considera\u00e7\u00f5es, muito comuns e conhecidas, penso ser oportuno  uma refer\u00eancia que motive e desinstale. Precisamos de nos centralizar em quem foi disc\u00edpulo \u2013 acolhendo e identificando-se com a Palavra \u2013 e mission\u00e1rio partindo apressadamente pelos caminhos \u00edngremes e obscuros da modernidade para a\u00ed depositar o testemunho e proclamar as maravilhas que Deus realiza.  Maria \u00e9 est\u00edmulo a viver a Boa Nova com alegria, interpela\u00e7\u00e3o para um encontro libertador com Cristo, li\u00e7\u00e3o para que sejamos solid\u00e1rios com a hist\u00f3ria do nosso povo e de todos os povos e for\u00e7a para crescer no ardor apost\u00f3lico duma aut\u00eantica miss\u00e3o evangelizadora. Desde os in\u00edcios da hist\u00f3ria da Igreja foram imensos aqueles que encontraram em Maria a refer\u00eancia certa para serem aut\u00eanticos disc\u00edpulos mission\u00e1rios. Que se torne verdadeira estrela da Evangeliza\u00e7\u00e3o dando-nos &#8220;for\u00e7a para anunciar com coragem a Palavra&#8221;.  &#8220;Maria, M\u00e3e dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios, caminha connosco. F\u00e1z-lo como disc\u00edpula porque acreditou firmemente que o que fora anunciado pelo Senhor se realizaria. Faz-lo como mission\u00e1ria, porque &#8211; diferente dos ap\u00f3stolos que proclamavam a Palavra &#8211; d\u00e1 \u00e0 luz Jesus, Palavra de Deus, conte\u00fado da proclama\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Caminha connosco como mulher solid\u00e1ria, porque oferece seu ser, sua intercess\u00e3o para atender as nossas necessidades. Caminha como nova Arca da Alian\u00e7a, habitada pela Palavra viva de Deus e como serva do Senhor, que por sua escuta e obedi\u00eancia tem a experi\u00eancia de grandes coisas que o Poderoso faz nela e com ela. Ela \u00e9 em tudo modelo do disc\u00edpulo mission\u00e1rio que abre a sua vida ao acontecimento salv\u00edfico trinit\u00e1rio.  Maria, a m\u00e3e da Igreja, acompanha os ap\u00f3stolos e os disc\u00edpulos no Pentecostes. Com eles espera a luz plena que provem do Esp\u00edrito (Cf. Jo. 14-25). Como eles, realiza o processo caracter\u00edstico duma f\u00e9 que cresce na compreens\u00e3o e pr\u00e1tica do projecto Salvador do Pai (cf. Lc. 8, 15-21). (V Confer\u00eancia General &#8211; S\u00edntese de los apostes recibidos, p\u00e1g. 167-168).  Que a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, que primeiro concebeu Jesus no seu cora\u00e7\u00e3o e depois em suas entranhas, seja m\u00e3e e modelo de fecundos disc\u00edpulos mission\u00e1rios e de significativos itiner\u00e1rios pastorais e espirituais para que todos os povos, que tanto veneram Sua M\u00e3e, tenham vida em Cristo.  F\u00e1tima, Congresso Mission\u00e1rio, 07.09.2008  <i>\u2020 D. Jorge Ortiga   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abMiss\u00e3o Universal e Igreja Particular\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[144,188,199,207,221,231,261,292,294,314],"class_list":["post-33981","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concilio-vaticano-ii","tag-direito-canonico","tag-espiritualidade","tag-fatima","tag-historia-da-igreja","tag-imaculada-conceicao","tag-missoes","tag-religiosidade-popular","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33981\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}